Colecionista De Canções

27 Capítulo XXVII - Una Noche de Recuerdos


Notas iniciais
Olá Minhas Colecionadoras, demorou né mais aqui estamos com mais um capítulo em Colecionista. Estou um pouco triste porque vocês sumiram né, não aparecem mais, mas não vou desistir da fic por isso não, vou com ela até o fim viu. Esse capítulo é o começo de um giro que a fic vai receber. Espero que gostem. Beijos & Boa Leitura

No fundo eu sentia uma vontade louca de dizer para ela que ela não precisava aceitar nada, que ela podia vir morar comigo, sair daquele cubículo e me deixar cuidar dela, só que conhecendo Sakura como passei a conhecer eu sabia que ela jamais aceitaria aquilo, ela mesma já havia me dito isso hoje mais cedo então tudo que eu podia fazer era segurar meu ciúme e torcer que aquela parceria desse certo, e bem com o tio Madara como empresário não tem como dar errado, eu só esperava que não desse certo demais, afinal ainda quero ter minha rosada aqui comigo.

Aproximei-me dela e a abracei pela cintura dando um beijo no topo de sua cabeça, ela me olhou com aqueles olhos doces e sorriu.

— Perfeito Sakura, você não irá se arrepender, eu vou entrar em contato com alguns conhecidos e vou marcar um dia para irmos a um estúdio para avaliarmos melhor sua voz. Mas pelo que escutei aqui você tem grande talento e potencial menina.

— Obrigada de verdade Madara, eu não sei como agradecer.

— Só faça esse homem aqui feliz querida só isso.

Meu tio me deu um tapinha no ombro e saiu para fazer suas ligações importantes. Sakura se virou e me deu um beijo apaixonado e profundo, ela estava feliz e empolgada e como isso me deixou feliz, a culpa diminuiu um pouco e me fez acreditar que fiz um bem a ela tirando minha rosada daquele exploratório.

Não se engane querido, mentiras ainda são mentiras.

Por mais que eu quisesse contradizer eu não podia porque sei o quão errado estou. Sakura me beijou com mais ardor e começou a me despertar. Separamo-nos quando o ar já não se fazia mais presente.

— Hoje quero comemorar com você meu Sasuke.

— Diz isso de novo.

— O que?

— Que sou seu.

— Meu Sasuke, meu, meu e só meu.

Abracei-a bem forte contra meu peito e sussurrei em seu ouvido.

— Nunca duvide do amor que sinto por você.

— Eu não vou.

***

A noite não poderia ter sido melhor, o jantar foi maravilhoso, conversamos, rimos, relembramos os velhos tempos e ainda nos beijamos, só nos beijamos. Eu senti ali que estou indo pelo caminho certo para alcançar o meu Neji. Sempre fomos diferentes, mas com algumas coisas em comum, e o jeito dele todo diferentão, mas clássico e antigo me cativou e é por esse diferencial que vou conquista-lo.

Depois de uma noite agradável, guardamos as coisas no carro e voltamos para as nossas casas infelizmente, se dependesse de mim passaríamos o resto da noite juntos, porém temos que comer pela beirada, não posso ir com muita sede ao pote. O deixei em frente a sua casa, nos beijamos mais uma vez e ele entrou, eu sai com o carro rumo a minha casa.

Sem ele ao meu lado a noite parecia fria e solitária. Neji sempre foi como a luz que me aquece e me tira das trevas, por isso que depois que terminamos as coisas parece ter desandado um pouco. Quando cheguei em casa e estacionei o carro na garagem subi as escadas internas e adentrei minha casa.

As coisas do piquenique coloquei na cozinha e fui deixando meus sapatos pela sala, logo estava em meu quarto, jogada sobre a cama vazia. Se eu fechasse os olhos e me concentra-se ainda podia sentir o peso dele sobre o móvel, seu cheiro nos lençóis e podia deslumbrar da visão daquele corpo divino que tantas noites me aqueceram hoje infelizmente tudo não passa de lembranças.

Tomei um banho rápido e coloquei uma roupa confortável para dormir, me cobri com os edredons e deixei que meu corpo cansado fosse levado para o mundo dos sonhos.

Enquanto isso em Outra Casa...

Eu ainda me beliscava para ver se tudo não foi só um sonho bonito. Por uma noite eu havia esquecido tudo e aproveitado cada segundo ao lado daquela mulher. Ali no meio daquele lugar escondido e somente nosso Tenten parecia a Tenten que eu conheci, e me apaixonei.

À noite com certeza pode ser qualificada como inesquecível, e até mesmo o beijo foi memorável, senti-la ali comigo me fez voltar no tempo, no tempo que ela era frágil, mas ainda sim obstinada e que apenas precisava de alguém amigo que cuidasse dela. Foi o que fiz.

Não vou negar que a vontade de passar o resto da noite com ela não me veio só que preciso manter o controle e ver até onde essa Tenten está disposta a ir.

Deixando a mente pairar nas lembranças frescas dessa noite acabei dormindo. E meu sonho não podia deixar de ter um personagem principal não é.

***

Sozinha aqui sentada no puído sofá da sala eu não entendi bem o porquê, mas eu me lembrei daquele sorriso doce e contagiante, eu me lembrei do moreno alegre e disposto a ajudar todos. Eu me lembrei do Madara.

Há muito tempo eu não via um homem como ele, encantador, cavalheiro, cortejador, olhar para a imensidão dos seus olhos faz com que você se sinta num mar calmo, porém que a qualquer momento pode afogar você. Só que aqueles olhos também transmitiam muita dor, assim como os meus e isso me fez sentir um enorme carinho por ele.

Estava vendo televisão quando o celular apitou com uma mensagem.

O número eu não conhecia, resolvi abrir, pois a curiosidade sempre mata o gato não é.

Pensei em você a noite toda e senti muita falta da sua presença. Preciso te ver querida.

Com carinho, M.

O sorriso que se esboçou em meu rosto foi enorme, pensar nele e ele pensando em mim. Respondi rapidamente a mensagem.

Também estava pensando em você, para ser mais exata, pensava em você agora mesmo. Quero te ver também. Podemos nos ver amanha?

Aguardava a resposta ansiosa, não demorou muito e outra mensagem veio.

Passeio no parque amanhã?

Pegue-me às 10h, até amanhã. Oyasumi.¹

Pareço uma menina super empolgada para o primeiro encontro, pelo menos a sensação era essa que eu sentia. Tentei esperar Sakura chegar, mas o sono bateu e um instinto de mãe me diz que ela vai demorar a voltar. Espero que dessa vez as coisas deem certo para a minha cerejeira e quem sabe para mim também.

Desliguei a TV e fui dormir. Amanhã preciso estar de pé cedo.

***

Pedir o número de Samy para a filha dela foi a atitude mais ousada que fiz depois de 10 anos, a sensação de nervoso percorre o corpo todo, aquela dúvida se mando uma mensagem ou faço uma ligação era cruel. Optei pela mensagem discreta e simples. Depois de um curto papo marcamos um encontro e claro que isso saiu melhor do que tinha imaginado.

Quando li que ela também estava pensando em mim e que melhor que isso desejava ver-me assim como eu queria vê-la deixou todo o meu espirito em êxtase. A noite não podia ter terminado melhor, descobri um possível novo talento, e ainda consegui um encontro para o dia seguinte. Esse jantar definitivamente me trouxe sorte.

Dirigia de volta para a casa ansioso desejando que a noite acabasse logo e trouxesse-se o dia consigo atrás.

Sinto bem no fundo do coração que esse encontro vai me trazer bons frutos, só espero não estar enganado.

***

O barulho do tic tac do relógio se repetia freneticamente em minha cabeça, eu ouvia os ponteiros se separando e se juntando novamente, assim acontecia comigo e com Hana, ela havia me ligado mais cedo convidando-me para um passeio inusitado, que eu acharia bem diferente. A simplicidade que ela carrega consigo me contagia, ela consegue carregar sempre um sorriso em seu belo rosto mesmo tendo tão pouco.

Na noite anterior, durante o jantar ela me contou um pouco da sua história que não é nada como um conto de fadas, isso me fez perceber como eu tive sorte na minha vida, de ter uma família bem estruturada e feliz, condições de vida boa o bastante e ser herdeiro de uma das redes de hospitais mais famosas do país. Numa grande maioria das vezes não damos valor ao que temos na vida, como seres ambiciosos damos mais importância aos bens materiais do que as pessoas e Hana com sua vida humilde me fez ver isso.

A ansiedade para que a noite chegasse me dominava, mas o dia ainda vai ser longo e só está começando, tudo o que eu tenho a fazer é esperar e torcer para que a noite chegue logo.

***

O Nagato-san nem imagina o tipo de programa que estou planejando para nós, para mim é pouco difícil tentar seguir com essa história, ainda tem aquela vozinha lá no fundo da minha cabeça dizendo que não podemos dar certo por causa da nossa diferença social. Mas eu sempre acreditei desde garotinha que tudo o que acontece na nossa vida seja de bom ou ruim tem um motivo para acontecer, um propósito e conhecer Nagato com certeza é por um bom propósito e eu não vou desistir dessa chance de ser feliz por causa desse pequeno abismo de classe social.

Peguei as minhas coisas, minha bicicleta com a cestinha onde coloquei as flores e segui para o meu local de vendas, o dia hoje está um pouco nublado, mas não deixa de estar bonito, o clima está fresco com brisa suave e eu prefiro um tempo assim há um dia quente de sol.

Cheguei ao meu local de trabalho e comecei a montar minha banca, coloquei minhas flores a exposição e em poucos minutos alguns clientes começaram a chegar. É bom saber que alguém vai ter seu dia florido assim como eu tive o meu.

***

— Volte daqui a três meses dona Yumi.

— Obrigada Dr. Izuna. Tenha um bom dia.

— Para a senhora também.

Havia acabado de atender uma paciente e me deu uma vontade de tomar café, como o próximo paciente iria demorar decidi descer até lanchonete, foi andando pelo corredor para pegar o elevador que acabei esbarrando nela. Assim como da última vez.

Seu rosto se iluminou quando me viu, ela carregava um pequeno buque de rosas amarelas, o perfume tanto das flores quanto o dela inundaram o elevador, a vontade de ficar trancado ali parecia até agradável para mim. Cumprimentamo-nos e começamos a conversar.

— Eu tenho uma leve impressão que você iria subir Cris.

Ela riu docemente.

— Ia sim, mas não tem problema eu posso subir de novo. Está indo para onde? Desculpe a pergunta.

— Imagina, estou indo pegar um café, não quer ir tomar um comigo?

— Eu aceito sim.

Eu nem precisava perguntar a ela aonde iria, eu sabia que estava indo visitar meu sobrinho. O carinho que ele recebe de tantas pessoas é emocionante.

Chegamos à lanchonete e eu paguei os dois cafés, sentamos a uma mesa e continuamos a conversar. Perguntei como seu filho estava e ela sorrindo disse que muito bem. Sabe a vontade que disse sentir de querer estar perto dela, que quando nos encontramos assim essa vontade de estar perto de Cris é grande?! Ela agora se fazia presente. Uma voz na minha cabeça dizia para chama-la para sair e obedecendo eu fiz.

— Cris você não quer sair hoje para jantar? Ou ir ver um filme?

— Eu adoraria, mas não posso sair por causa do meu filho. Mas eu posso fazer um jantar para gente lá em casa. O que você acha?

— Eu acho uma ótima ideia. É só me dar o endereço.

Cris me passou seu endereço e assim subimos de volta cada um para seu andar, separamo-nos com a alegria iminente do encontro que nos aguardava mais tarde.

***

As 10hs00min em ponto ele estava aqui em frente ao pequeno condomínio, o vi chegando pela janela, peguei uma bolsinha de passeio da minha filha e sai. Madara me esperava encostado à porta do carro, o sorriso bonito e sedutor adornava seus lábios, que confesso ter sentido uma profunda vontade de beijar, só que me contive.

Aproximei-me dele e dei um beijo em seu rosto, mas propositalmente pegando o canto da sua boca, seu perfume amadeirado era embriagante. Seus olhos negros me mantinham vidrada, eu experimentava sensações diferentes, que há algum tempo eu não sentia.

Madara abriu a porta do carro e quando me abaixei para entrar ele sussurrou no meu ouvido.

— Você está mais linda do que nunca.

Corei um pouco, quando ele entrou no carro virei meu rosto para a direção da janela, assim ele não veria que estava vermelha de vergonha. O caminho até o parque foi bem tranquilo e gostoso, o carro todo era preenchido pela Requiem in D minor de Mozart.

— A trilha sonora está perfeita.

— Que bom que gosta das clássicas.

— Eu fui bailarina, preciso gostar não?!

Seus olhos de espanto me fizeram rir como uma garotinha e o fez rir também. Conversamos pouco preferimos deixar o assunto para o passeio. Depois de uns 20 minutos de trajeto chegamos a um parque lindo, não muito lotado repleto de várias cerejeiras e algumas outras arvores frutíferas, Madara e eu descemos do carro, ele abriu o porta malas e tirou de lá uma cesta e uma toalha.

— É o que estou pensando?

— Espero que não tenha comido muito no café.

Eu segurei em seu braço e assim começamos a caminhar até o parque. No começo falávamos de coisas banais, sem muita relevância, mas depois que nos sentamos embaixo de uma macieira e ele colocou a toalha e as coisas da cesta em cima, o assunto se virou um pouco para os nossos passados.

— Você disse que já foi uma bailarina, por que deixou à carreira?

— Como sabe que tive uma carreira? Eu poderia ser só uma bailarina qualquer.

— Seu jeito de andar, de se sentar, e a sua pessoa em si me diz que você teve muito sucesso.

— E tive mesmo.

— Então o que te fez largar tudo?

— Minha filha. – Não pensei que logo no primeiro encontro falaríamos de coisas tão sérias, mas por um lado achei isso muito bom, assim ele saberia quem eu fui e o que sou hoje e assim não teria nada de segredos e mistérios. – Eu tinha 20 anos quando descobri que estava grávida de Sakura, eu estava no auge da fama, dancei nas melhores companhias do mundo, conheci tantos lugares, tantas pessoas e uma dessas pessoas foi o pai dela. Quando a Sakura nasceu eu achei que conseguiria administrar a minha família e a minha carreira, mas nem sempre os planos saem como queremos. O pai dela era um diplomata, adorava viajar, e é claro que ele não queria ficar preso tão jovem a uma família, ele tinha 2 anos a mais que eu e num belo dia quando eu voltei pra casa ele não estava lá, Sakura tinha 3 anos quando ele foi embora ele deixou uma carta apenas isso dizendo que não podia perder mais anos da vida dele preso ali, foi quando as coisas começaram a ficar ruim, eu desisti de tudo pela minha filha, ela precisava mais de mim naquele momento do que os palcos. Eu senti muito a falta de dançar, dos aplausos, mas quando eu olhava pra ela tudo parecia pequeno diante do que eu tinha ganhado tendo a minha filha. Eu comecei a dar aulas de balé numa escola e as coisas estavam melhorando, foi quando eu conheci um homem muito bom, muito gentil que cuidava de mim e da Sakura, eu tinha planejado voltar aos palcos, ele me incentivou a isso foi quando eu descobri que estava grávida de novo, eu fiquei desesperada, mas o Dante ele me disse que tudo ficaria bem, que nós seriamos uma grande família e que ele ia me ajudar a voltar aos palcos, mas os sonhos duram pouco sabe, O Dante era dono de uma galeria e um dia no único dia que ele foi ao banco sozinho levar o dinheiro roubaram ele, sempre alguém ia buscar aquele dinheiro, mas naquele dia teve um problema e ele teve que levar, ele não reagiu sabe ele entregou tudo, ai quando os bandidos estavam indo embora eu liguei pra ele, eu tinha sentido algo ruim e liguei para saber se estava tudo bem, os bandidos acharam que ele estava falando com a policia e voltaram e atiraram nele, duas vezes, ele chegou a ir ao hospital, mas não resistiu. Eu me vi sozinha de novo com a minha filha e tinha mais um bebê a caminho, eu bebi muito sem pensar em nada no dia em que ele morreu, a família dele me deixou sem nada, a gente não era casado então eu não tive direito a nada, e com isso eu afundei na bebida, e um dia eu bebi muito e sai para caminhar eu não vi o carro vindo e fui atropelada, eu perdi meu bebê, depois disso eu comecei a fumar, a beber mais e eu quase morri sabe senão fosse pela Sakura, ela foi meu alicerce, eu nunca mais voltei aos palcos e fui levando a vida, a Sakura veio pra cá, eu trabalhava de vendedora e dava para levar, foi quando fiquei doente e bom o resto você já sabe.

Não sei quando foi, mas eu estava chorando e Madara me consolando. Eu abri um sorriso e disse que tudo era passado, que estava tudo bem. Depois de um tempo ele me contou sua história.

— Eu já fui casado, eu era pianista, conheci minha ex-esposa num concerto, eu me apaixonei, casei e tive dois filhos, o Obito e o Shisui, eu tinha dois irmãos também, eu sou o mais velho. A Mikoto a mãe dos meus sobrinhos era a do meio e o tinha o caçula, minha irmã tocava também, igual a você ela largou tudo pela família, tudo era maravilhoso, até que um dia eu peguei minha mulher e meu melhor amigo, ela me traia com ele, eu passei a cuidar dos meus filhos depois que ela abandonou a gente para ficar com ele, eu sofri muito, mas superei. Foi quando a minha irmã e o marido dela morreram num acidente horrível de carro, eu passei a cuidar do Sasuke e o Itachi até hoje não acordou, nós nunca deixamos desligar os aparelhos, a gente sabe que ele vai acordar quando ele tiver que acordar, o Sasuke não aceitava aquilo ele se sentia culpado e o meu irmão ficou com ciúmes dele e tornou a convivência insuportável, eu o mandei embora de casa, mandei ele morar na casa que era da Mikoto, ele sumiu por anos e voltou agora. Hoje eu tenho orgulho dos meus meninos, todos são excelentes. O Sasuke ele se tornou um grande pianista compositor, mas eu tinha medo por ele, porque ele nunca tinha superado o que aconteceu com a família até sua filha aparecer. Engraçado né eles se conheceram a gente também nossas histórias são de dor e superação, eu estou gostando muito de estar aqui hoje com você Samy de verdade há muito tempo eu não sentia essa paz ao estar com alguém.

— Eu sinto o mesmo Madara.

Aquele beijo aconteceu de uma forma inesperada, mas muito desejada, nossos lábios se tocaram como imãs atraídos, ele era doce, calmo e gentil, assim como o meu Dante. Madara fez meu corpo sentir um turbilhão de sentimentos e eu correspondia da mesma forma intensa que ele me beijava.

Eu podia sentir as tão famosas borboletas no estomago, aquela sensação de quando se é uma adolescente apaixonada e beija o carinha dos seus sonhos pela primeira vez é a descrição mais perfeita para descrever o que estou sentindo agora.

Suas mãos se emaranhavam em meus cabelos, e as minhas nos seus, as mechas negras onduladas pareciam terem sido moldadas perfeitamente para as minhas mãos, o tempo parecia congelado a nossa volta, nada naquele momento mais me importava a não ser o que estava vivendo ali e agora.

Quando nos separamos parecia como uma tortura para mim, nos olhamos um pouco constrangidos e vermelhos, ofegantes pela falta de ar.

Se me perguntarem o que aconteceu depois sinceramente eu não sei, porque depois que o moreno me beijou novamente definitivamente o mundo parou e tudo ao meu redor parecia não mais existir.

Talvez seja assim que ficamos quando começamos a gostar de alguém novamente.

Perdidamente fora de órbita.

***

Cada vez mais eu achava excitante nossa relação, somente aquele ruivo teria tanta lábia para me convencer de fazer sexo com ele em cima de sua mesa do escritório enquanto os sócios o aguardavam para uma reunião.

Existe certo fascínio na adrenalina misturada ao perigo que corremos caso sejamos pegos que me faz delirar e me render a ele em alguns momentos assim. Minha vida deu uma verdadeira guinada desde que o conheci tudo parecia estar bom demais para ser verdadeiro.

E sabe quando você acha que tudo está indo bem e nada pode ir errado que você não se prepara para uma futura queda? Foi isso que aconteceu comigo no momento em que uma mulher muito bonita e elegante entrou na sala de Gaara e nos pegou nos vestindo.

Minha cara de vergonha era grande, mas a de Gaara era de raiva e não era pouca. Eu não entendia como ele conseguia sustentar aquela expressão diante de uma situação assim.

— Desculpe querido, eu não sabia que estava com uma acompanhante.

— O que você faz aqui?

— Como assim o que faço aqui? Eu vim pegar o que é meu de volta.

Vocês imaginam minha reação quando aquela mulher disse aquilo? Eu olhei atônita para ela e depois para o meu ruivo, ele estava com os dentes cerrados, se aproximou da mulher e a agarrou pelo braço a tirando da sala.

— Eu não sei como entrou aqui, mas vou me certificar para isso nunca mais acontecer. Suma daqui Aimi.

Aimi? A ex-namorada dele?

Meu chão deve ter se aberto de baixo dos meus pés porque fui direto para ele assim que ouvi aquele nome. Ela não pode aparecer agora e estragar tudo que temos. Eu não vou deixar isso acontecer.

Aimi é o passado que Gaara faz questão de esquecer e eu sou o presente na qual ele quer construir um futuro, não vai ser essa mulher que vai tirar isso de mim. Não mesmo.

***

O dia passou mais devagar do que eu esperava, mas finalmente meu expediente havia acabado e a menos que alguma emergência surgisse eu estava livre para ir ver Hana. Depois de ter ido para casa e me arrumado, fui para a casa dela busca-la, estou bem curioso para saber o que ela preparou para esse encontro.

Ela apenas me disse que eu não iria esquecer essa noite.

Cheguei a casa dela por volta das 19hs30min, ela já me esperava na frente do portão, Hana estava linda, simples como sempre, mas linda. Ela usava um vestido verde água com algumas flores pretas no fundo, um batom rosa claro nos lábios e um rabo de cavalo prendia seus belos cabelos castanhos claros. Ao me aproximar dela dei um beijo em seus lábios que ela permitiu. Depois de nos afastarmos peguei em sua mão e perguntei aonde iriamos.

A resposta claro foi. Surpresa

Conversamos sobre a noite anterior e como tinha sido o dia de cada um, depois de andarmos um pouco chegamos a uma praça, onde alguns casais conversavam, outros se beijavam e algumas crianças corriam. O lugar era agradável, fresco e bem familiar. Ela me pediu para eu sentar num banco que tinha por perto e disse para eu esperar.

A curiosidade só aumentava depois de uns 5 minutos ela voltou com dois cachorros quentes na mão e dois refrigerantes. Ela sorria para mim e eu acabei rindo, ela fez um biquinho engraçado e perguntou por que dos risos.

— Essa era a surpresa? Comemos um podrão?

— Olha o moço conhece as comidas de rua é?!

— Sua boba, eu já comi muito na época da faculdade, e saiba que adoro hot-dog.

Nós dois rimos. Ela se sentou ao meu lado e começamos a comer. Há muito tempo eu não comia algo tão simples, e eu gostei das lembranças que aquilo me arremeteu. Fui tirado do meu transe pela voz doce de Hana.

— Está bom Sr. Nagato?

— Senhor? Está me chamando de velho é?

— Claro que não bobo, só estou provocando.

— Acho bom mesmo. Está ótimo, poderia comer uns três desse.

— Guarda espaço ai, isso é só a entrada.

— Entrada é? E o que seria o principal?

— Já, já você descobre.

Quando terminamos de comer ela foi me levando de volta para sua casa, ao chegarmos ela me vendou o que me fez sorrir. Hana abriu a porta e depois que entramos ela tirou a venda dos meus olhos. A mesa simples de quatro lugares estava disposta para duas pessoas, velas compridas estavam por cima da toalha azul que pela cara de bem cuidada só era usada em datas importantes, o que me emocionou, pois ela estava sendo usada num jantar para mim, ou melhor, para nós. Os pratos brancos e copos de vidro com um vaso e as flores que mandei para ela hoje decoravam a mesa. Uma vitrola antiga tocava um disco que eu não conhecia, deixando o ambiente muito mais que agradável.

O jantar estava numa travessa, e o cheiro de massa impregnava a casa, um cheiro maravilhoso. Hana me levou até lá e me fez sentar em uma das cadeiras, ela serviu a nós dois de uma porção de macarronada e colocou nos copos um pouco de vinho. Não era dos melhores, mas o gosto era até agradável.

— Eu não posso te pagar jantares caros, mas posso proporcionar coisas memoráveis. Espero que goste do jantar.

— Você que fez?

— Sim senhor deixei tudo pronto antes de sairmos, só pedi para minha mãe cuidar da sobremesa.

— E o que será de sobremesa? Deixa-me adivinhar. Surpresa?

Ela riu e piscou para mim.

— Isso mesmo está aprendendo viu.

— Onde estão sua mãe e irmão?

— Na vizinha, por umas quatro horas a casa é somente nossa. Mas não tente nada viu tenho pimenta na geladeira.

Nós dois rimos e o jantar foi correndo super bem. A macarronada estava deliciosa. Hana havia preparado tudo com muito carinho dava para perceber. Depois que terminamos de comer ela me serviu uma boa fatia de charlotte de limão e morangos, versão Hana segundo ela. Tudo isso porque a mãe dela fez a receita com biscoito de maisena e não o feito com biscoito champagne como a receita pede. Ainda sim estava deliciosa tanto que comi mais uma fatia depois.

— Eu embrulho para viagem se quiser.

— Quero sim, e o macarrão também.

— Você deve comer algo bem melhor que um macarrão com molho de tomate.

Eu olhei para Hana e vi que dessa vez ela não falava num tom de brincadeira, então entendi que ela se achava inferior só por causa de sua condição, isso me tocou muito. Eu não ligava se ela vivia numa casa simples, eu gostava de sua presença, de estar com ela e se ela tem dinheiro ou não era o que menos importava.

Levantei do meu lugar e a puxei para perto de mim, comecei a dançar com ela no ritmo lento da música em italiano que tocava na vitrola. Eu segurei sua mão perto dos meus lábios e beijei as pontas dos dedos, olhei em seus olhos e a beijei docemente.

Depois que nos separamos eu falei para ela olhando bem no fundo dos seus lindos olhos verdes.

— Hana eu posso ter dinheiro, mas minha vida não é esse luxo todo que você imagina. Eu gosto de coisas simples que qualquer pessoa que não tenha dinheiro gosta. Gosto de bolo de fubá com café, gosto de pão com manteiga esquentado na frigideira, eu gosto de conversar com meu cachorro, eu gosto desses momentos que tenho com você. Eu não ligo para nada disso, eu gosto de você e não importa se você é uma vendedora de flores ou uma médica eu gosto da pessoa que você é.

Ela chorava silenciosamente, sequei suas lagrimas e a trouxe para mais perto do meu peito abraçando-a com força. Hana se acalmou e me deu um beijo.

— Obrigada por ser esse homem maravilhoso. Eu tenho medo de tudo ser um sonho e quando eu acordar isso que estamos tendo tenha acabado.

—Garanto que isso não vai acontecer. Nós estamos caminhando em um passo de cada vez. Vamos deixar acontecer, mas te digo que eu quero muito que isso vá adiante porque estar com você me faz muito bem.

— Faz bem para mim também.

Continuamos dançando por um tempo, mas depois eu a ajudei com a bagunça do jantar, ainda tínhamos duas horas para aproveitar então ficamos assistindo um filme que passava na TV bem abraçados, a noite estava sendo mais que ótima e pela primeira vez eu não tinha a menor vontade de voltar para casa.

***

Estava me sentindo bem nervoso, parado ali em frente aquela porta com um buque de flores na mão e na outra uma caixa de chocolate, eu nem sabia se ela gostava ou era alérgica, mas já virou um clichê tão grande que não me parecia má ideia.

Eu pensei em desistir e dar meia volta, quando estava fazendo isso ela abriu a porta, e a ideia de passar aquela noite na companhia dos meus sobrinhos ao invés de uma mulher deslumbrante me pareceu não muito boa, então eu fiquei.

Cris trajava uma saia preta com fenda na lateral, uma blusa azul com flores brancas e pretas mescladas, uma sandália de salto baixo e seus cabelos pretos estavam presos num coque. Simplesmente linda.

Subindo os pequenos degraus da varanda cheguei até ela, beijei seu rosto e nesse processo pude inalar seu perfume Frutal, delicioso. Entreguei a ela as flores e o chocolate e para minha sorte ela gostava de ambos.

Assim que entrei minhas pernas foram agarradas por mãozinhas pequenas, olhei para baixo e lá estava o pequeno Yago. O peguei no colo e fiquei brincando com ele, ele sorria banguela para mim. Cris ficou nos olhando da cozinha e sorria. Ela gritou para irmos comer.

— Venham meninos o jantar está pronto.

Essa noite vai ser melhor do que havia planejado.

***

O dia havia amanhecido, mas eu não dormi direito de ansiedade, quero muito saber se Madara conseguiu o estúdio para gravarmos. Andava de um lado para outro no pequeno espaço do apartamento, foi quando o tão esperado telefone tocou. Pulei em cima do sofá e o atendi.

— Alo?

— Bom dia Sakura.

— Bom dia Madara.

— Olha já tirou o senhor, isso é bom.

Eu dei uma leve risada.

— Sakura tenho uma ótima noticia para você. – Minha respiração estava acelerada e acho que ele ouviu pelo outro lado da linha, a ansiedade tomava conta do meu corpo, eu roía as unhas de nervoso. – Sakura se arrume e fique em pronta em meia hora eu te pego.

— Para ir aonde?

— Onde mais seria?! Para o estúdio é claro, nós vamos ver se você leva jeito para os palcos.

Viva o agora e esqueça um pouco o que acontece ao seu redor, os melhores momentos são lembrados por pequenos detalhes, os meus maiores momentos eu estou com você, porque você é o detalhe que sempre faço questão de lembrar. (Black Swan – CDC).

Notas finais
Espero que tenham gostado. Se gostaram não esqueçam de comentar. É muito importante saber o respaldo de vocês Beijos e até o próximo