Colecionista De Canções

37 CAPÍTULO XXXVII – UNA CANCION, UN ADIÓS


Notas iniciais
Boa Noite colecionadores e colecionadoras. Sei que sumi e peço um milhão de desculpas por isso, prometi postar a fic ano passado, mas aconteceu que meu pc antigo quebrou e por isso não consegui mais escrever, mas agora posso terminar a fic. Estou com 5 capítulos prontos e em breve terminarei os outros que faltam para encerra a fic. Estou trabalhando em novos projetos também que em breve estarão aqui e nas outras plataformas. Obrigada pela compreensão e se você chegou aqui por continuar acompanhando CDC. Obs: Os trechos da música em Itálico são da Sakura e os em Negrito de Sasuke. Escrevi com muito carinho para vocês espero que gostem. Obs nº2: Estarei postando esses capítulos já prontos toda segunda ta bom?! Então a fic será atualizada semanalmente

Aqui me tens

Abraçando a ideia que você volte

Porque penso diariamente em ti um milhão de vezes

E não posso ser a mesma se não estas

Não sabia direito quanto tempo ainda passei acordada com o violão na mão e o caderno no colo, mas sei que estava feliz e satisfeita com o que saia de minha mente e do dedilhar dos meus dedos sobre as cordas de aço, meu coração parecia leve e era como se cada verso fosse a minha declaração a Sasuke do que eu queria lhe dizer e não tinha coragem. Não sabia ao certo se isso ficaria bom, contudo desejava que sim, pela manhã mostraria a Madara o que consegui fazer e acredito que ele vai gostar da ideia e o sentido que a canção quer trazer, eu pensava a todo instante nele e me perguntava se esse inside que eu tive ele também teve, será que sua música seria como as outras, um pedido de desculpas? Ou ele se reinventaria mais uma vez e traria algo ainda mais lindo e tocante? Eu imagino que a segunda opção será a mais certeira, Sasuke já sentiu que tocou o meu coração ele agora só precisa da chave para entrar e eu desejo muito que esse festival seja ela, se ele realmente vier não sei como vou reagir, tenho medo desse reencontro, mas também anseio, porque ambos mudaram nesse tempo afastados, sinto que amadurecemos e Sasuke principalmente.

Já não tem mais espaço no meu interior

Tu enches-te com a tua luz cada lugar

É por ti que com o tempo minha alma

Sente diferente...

A noite parecia se estendido e se achegado a mim para me escutar, para ser minha plateia, sozinho em frente ao meu amigo intimo eu vibrava junto a melodia suave e doce da música que ia se despertando em mim e sendo transpassada para o piano. Era como meu tio e meu irmão disseram, quando você menos esperar a inspiração vai vir e é claro que a minha tinha que ter um nome e rosto, Sakura.

Aqui me tens

Inventando mil desculpas para falar

Para que não se torne tarde demais

E que volte ao meu lado mais uma vez.

Cada letra que ia formando os nossos versos pareciam sair de minha mente e se transpassava para as cordas do violão como uma espécie de mágica, não tinha controle de meus pensamentos ou dedos, tudo era somente a música em si e Sasuke, nossa história juntos, o começo, meio e... De repente eu senti que não havíamos dado um fim a ela, não teve felizes para sempre, todavia também não se rompeu num acabou, parecia com mais um continua em breve, é como se uma pausa tivesse sido necessária ser feita e essa sensação pulsava em minhas veias e batia forte no meu coração, a lacuna causada pela ausência daquele moreno turrão me parecia mais distante e sua presença mais perto.

Não sabia ao certo se era pela música, ou por suas lembranças, mas nesse instante pensar em Sasuke me gerava uma nova frase, e uma nova frase me levava direto a pensar nele assim tornando-se um ciclo vicioso que na qual eu não tinha a menor intenção de quebrar.

Só você, somente quero que seja você

Eu ponho em suas mãos o meu destino

Porque vivo para estar

Sempre, sempre, sempre, sempre...

Contigo amor...

Se uma música tinha o poder de contar uma história a minha com certeza tinha o domínio de lembrar ela, de me levar até ela mesmo que somente em um pensamento. Não dei a ela somente meu destino quero dar-lhe a vida inteira agora, porque nada faz sentido se Sakura não está comigo para viver e sentir cada momento, ou se eu não estou ao seu lado para segurar sua mão e parabeniza-la pelo seu sucesso, apoia-la incondicionalmente era o meu dever como seu companheiro e eu fracassei, só que sinto que tudo pode voltar a ser colorido de novo, ter cheiro e gosto de cerejeiras de novo se eu apenas conseguir fazer o que fiz ao longo de tantos anos nas sombras.

Tocar o coração das pessoas excepcionalmente o daquela rosada, e como disse se consegui fazer isso tão bem nas sombras acredito que agora na luz conseguirei encontrar melhor a trilha que se deve fazer para chegar nesse ponto. Realmente não se pode andar as cegas, tateando os espaços vagos na tentativa boba de chegar até os cheios. Eu entendi finalmente que o Amor não é a palavra em si que é capaz de tudo, mas sim é tudo o que você é capaz de fazer por ele, o sentimento, não a palavra definida em cinco letras, isso não é transmitido, é o calor devassante que emana na pele quando pensamos no outro, ouvimos sua voz, o arrepio que corre pela tez que se encontrava fria, é pela razão não existente de querer o bem do outro acima dos seus próprios, eu não fui capaz de discerni sobre isso antes, porém eu posso agora, e essa é minha última chance de conseguir reconquistar o amor daquela mulher, esse festival é a minha passagem para realizar esse desejo.

Eu já não fazia ideia que era tão tarde, a hora parecia ter fluído com todo o restante, abaixei a tampa das teclas do piano e afastei-me do órgão, estralei os dedos e relaxei o corpo que estava tenso, fui arrastando meu corpo que demonstrava sinais de cansaço até meu quarto, antes de fechar a sala de música mirei a página sobre o instrumento com a letra corrida e as notas na partitura, suspirei satisfeito com o trabalho realizado, pela manhã tocaria para Itachi ele com certeza ficara orgulhoso da música.

Enquanto subia as escadas, eu me perguntava se Sakura estava se sentindo assim também, se essa sensação podia ser compartilhada. A cada passada que eu dava para chegar ao cômodo, eu pensava nas vezes que subi cada um desses graus com Sakura em meus braços, rendida e apaixonada, no seu sorriso doce e entregador, nos olhos dilatados pelo desejo, cheguei ao meu quarto e repousei o corpo que não havia me dado conta que estava tão cansado, deitado sobre a cama minha mente foi se afastando, viajando para longe, para algum quarto de hotel em Londres, onde essas horas uma rosada está acordada sentindo os raios de sol aquecendo seu rosto e talvez com a sua mente preenchida também, torcendo eu que por mim.

***

Acordei com a mão macia e delicada sobre o meu homem, abri os olhos devagar e vi que ainda estava escuro, acho que cochilei na cadeira ao lado da cama de Aimi que respirava com solenidade e isso me deu um alivio, quando olhei para a dona pertencente aquela mão vi que era Ino. ela sorria para mim docemente, me recostei melhor ao móvel e esfreguei os olhos, os ossos estralados me revelavam com mal dormi sentado ali, mas o cansaço havia me vencido e não me dei conta que havia pego no sono.

Olhei ao redor e percebi que realmente era Ino ali, não era uma miragem ou sonho, pensei nas crianças e parece que ela já sabia que eu pensava e me respondeu que estavam em casa dormindo e a senhora Haruno estava lá caso elas acordassem.

— Eu fiquei preocupada, precisava ver se está tudo bem aqui.

— Que horas são?

— Quase 06hs00, eu não consegui dormi muito sabe, Hiromi está bem, ela chorou um pouco querendo ficar aqui com você, com a mãe, mas depois de um tempo brincando com a Hana ela se acalmou e dormiu, eu não sei como ela vai ficar quando...

As palavras pareciam ter um gosto amargo em nossas bocas para não saírem, era difícil imaginar que não demoraria para aquela mulher enferma partir e como minha filha reagiria a isso? Tão pequena e indefesa e tão apegada a mãe, ela não me conhecia direito muito menos a Ino, não será uma adaptação fácil.

— A gente vai conseguir superar tudo isso, estamos juntos até o final.

— Eu não conseguiria sem você.

Ela me sorriu com aqueles olhos doces e me abraçou, deu um beijo em minha testa e saiu para a cozinha para fazer um café, Aimi já se alimentava pouco, não conseguia mastigar direito então dávamos mais sopas e caldos a ela, vitamina e sucos, com isso seu corpo estava ficando fraco e magro, uma dieta só de líquidos não a ajudava ganhar peso, contudo não a deixa tão fraca, seus batimentos no monitor eram amenos, e seu pulmão já não conseguia sozinho fazer sua função, ela respirava com ajuda de aparelhos, diversas vezes ela me pediu para desliga-lo, só que não tenho coragem, isso é assassinato e ao mesmo tempo suicídio minha natureza não compactuava com algo assim.

Resolvi tomar um banho e trocar de roupa, mas esperei Ino voltar tínhamos receio de deixa-la sozinha, sob a água quente que caia em meu corpo consegui relaxar um pouco, no espelho do outro lado do box eu via as olheiras escuras das noites de vigia sem dormir, o cansaço eminente se revelando em minha pele, corpo e mente. A barba começava a ficar por fazer e no momento eu não tinha vontade, por mais que Aimi tenha me feito muito mal eu tenho empatia e me colocando no lugar dela eu não gostaria de que as pessoas me odiassem, por isso no fundo do meu coração eu sentia uma leveza, uma coisa terna e calma e havia entendido que isso é o que significa perdoar e a sensação realmente era muito boa.

***

O calor dos raios dourados tocando a minha pele logo pela manhã proporcionava uma sensação revigorante, poder abrir os olhos ao acordar e se deparar com águas cristalinas, coqueiros e uma vasta imensidão de areia branca bem diante da sua janela era uma visão que somente se compararia ao paraíso, meus pais escolheram bem esse lugar, respirar e sentir aquele cheirinho de mar era algo que renovava qualquer pessoa, e principalmente por ter ao seu lado na cama uma deusa em forma de mulher, eu gostava da maneira como os cabelos longos e azulados cobriam os seios delas, a franja no meio da testa davam a ela um ar doce de menina, sua respiração era suave fazendo seu peito subir e descer, eu pensei comigo mesmo que jamais me cansaria de admirar essa mulher todas as manhãs sobre a minha cama, beijei sua testa e sai da cama a deixando dormir um pouco mais.

O café estava à mesa esperando ser atacado, resolvi colocar algumas coisas numa bandeja e levar para nosso quarto, nada mais romântico depois de uma noite tão linda de amor. O cheiro dos biscoitos de maçã com canela da okaa-san fizeram meu estomago roncar de desejo por eles, coloquei alguns na bandeja e belisquei um enquanto terminava de colocar as xicaras com café e leite, sobre a mesa havia um lindo arranjo de rosas brancas peguei uma e sobrepus na bandeja, voltei para o quarto a carregando estampando em meu rosto um grande sorriso de satisfação.

Ao abrir a porta deparei-me com uma Hinata acordada, linda se espreguiçando, a me ver sorriu para mim e seus olhos brilharam quando viu o objeto em minhas mãos, caminhei até a cama e com cuidado a pus em cima dos lençóis, dei um selinho naqueles lábios rosados e doces.

— Bom dia, levantou cedo hoje.

— Fui preparar nosso café.

— Na cama?! Assim vou ficar mal acostumada.

— Pode ficar então, porque sempre que puder vou fazer esse mimo para a mulher mais linda que eu conheço.

Ela corou um pouco, nossa como esse jeito de menina inocente dela me encanta, gosto quando suas bochechas adquirem esse pequeno tom rosado a deixando ainda mais bela, se é que isso é possível. Peguei um morango e dei uma mordida, estava deliciosamente doce, dei a outra parte para Hinata provar e seu suspiro de prazer ao sentir o sabor da fruta na boca me fez desejar ser aquele morango em seus lábios.

Ela o comia com cuidado, dando pequenas mordidas, parecia aprecia-lo aquilo era um deleite aos meus olhos aquela cena logo de manhã cedo, meus pensamentos libertinos me faziam querer estar dentro dela novamente, sendo envolvido por seu calor, sua pele quente sobre a minha, o perfume dela que lembrava-me baunilha despertava todos os meus instintos, eriçando minha pele e alimentando um desejo um pouco selvagem.

Uma gota do suco do morango caiu em seu colo e parou no meio do vale dos seus seios, antes que ela pudesse limpar eu já estava a lambendo solvendo aquele sabor com mais prazer que ela, quando ouvi seu baixo gemido enquanto eu dava atenção ao seu seio com meus lábios e o outro com a mão fez meu membro despertar novamente. Estava começando a ficar um pouco dolorido dentro da box, contudo eu queria dar atenção a ela primeiro, para que Hina se sinta amada, cobiçada, mas ao mesmo tempo respeitada.

Meus lábios passaram para o outro seio que já estava eriçado, o bico rosado sobressaltando diante de mim implorando por um pouco de atenção, quando o pus na boca ela se contorceu na cama, seus olhos começavam a ficar anuviados e ela não imaginava como ver aquela expressão enquanto lhe dava prazer me proporcionava também a mesma sensação. Meus dedos foram apertando suas coxas até chegarem em sua intimidade, introduzi meu dedo e ela involuntariamente se contraiu em volta dele e aquilo fez meu pobre membro latejar.

— Ah Naru...

Meu nome sendo pronunciado de forma tão sensual me deixava louco, meu dedo acariciava seu clitóris dando-lhe total atenção a essa parte tão sensível, seu pescoço exposto para mim pedindo também por um pouco de atenção foi prontamente mordido e chupado, eu nem estava dentro dela ainda, contudo seu corpo inteiro se entregara a mim, cada expressão de deleite em seu rosto ruborizado me excitava, suas mãos se seguravam no lençol afundando as unhas sobre o colchão, todas essas reações eram um pedido para que eu a preenche-se e eu não podia mais esperar assim como ela.

— Naru eu quero você.

Tirei a calça do pijama e afastei um pouco suas pernas, penetrei-a de uma vez só, meu membro pulsava em volta de sua intimidade que por outro lado me apertava em volta de si me fazendo gemer rouco em seu ouvido. Não tinha como descrever a sensação inebriante que invadia nossos corpos enquanto eu a penetrava, suas pernas entrelaças a minha cintura me seguravam com força contra ela, suas unhas já haviam abandonado os lençóis e agora se fincavam em minhas costas, arranhando-me. Hinata mordia os lábios enquanto gemia baixinho, aquela cena me fazia sentir mais desejo por ela, minhas estocadas foram ficando mais rápidas e firmes.

Não ligávamos naquele momento se a cama rangia um pouco, ou se meus pais estivessem ouvindo, (aposto que okaa-san deve estar dando gritinhos de empolgação), só nos importávamos mesmo com aquele momento, nossos corpos se amando, nosso desejo ardente um pelo outro, nessa química tão intensa que nos une. Seus cabelos cobriam um pouco dos seus olhos, o afastei de seu rosto para poder olha-la dentro dos olhos, a estoquei uma última vez antes de sentir sua intimidade me apertar e ela dar um gemido mais longínquo, a acompanhei com um gemido mais abafado enquanto mordia seu ombro, suas mãos agora acariciavam meus cabelos, eu estava cansado, porém satisfeito em ver o sorriso de prazer no rosto da minha namorada,

— Acho que posso me acostumar acordar assim todas as manhãs.

A beijei mais demoradamente e sussurrei entre o beijo.

— Eu te amo Hinata.

Não pensei que conseguiria me sentir tão bem dizendo essas palavras juntas numa frase, para mim bastava isso, um sol iluminando tudo pela manhã, com aquele cheiro de mar entrando pela janela aberta, os nossos corpos suados, vermelhos e exalando sexo, a mão delicada dela em meus cabelos, minha mão segurando a sua entrelaçada, um sorriso doce em seus lábios rosados e seus olhos brilhando e irradiando felicidade e o pleno júbilo em saber que ela se sente da mesma forma e que eu sou o causador de todos esses efeitos em sua vida.

***

Quando acordei de madrugada para tomar água Ino estava saindo, eu sabia que ela iria encontrar o namorado, ela me pediu para ficar de olho nas meninas e depois de me dar um abraço saiu. Toda essa situação que ela está passando é muito difícil, decidi que era melhor eu ficar no quarto das meninas do que no de Sakura, Sakura minha filha está tão longe, o que me deixa feliz é saber que essa distância ocorre porque ela está vivendo seu sonho e minha felicidade aumenta por saber que Madara a ajudou a tornar um sonho possível, ele é um homem como nenhum outro, tão atencioso, sinto falta dele também. Deitei na cama de Ino e vi que as meninas dormiam tranquilamente na pequena caminha de Hana, a pobre Hiromi chorou o dia todo antes de conseguir se distrair com Hana e depois de brincar pegar no sono, a pobrezinha sente falta da mãe e infelizmente ela não pode entender o tamanho do impedimento que as separam, Sakura sofreu muito quando o pai se foi, para essa garotinha vai ser muito difícil perder a mãe, ainda bem que ela tem um pai que a ama e sei que Ino vai ser presente na vida dela, ninguém poderá substituir o amor da mãe dela, contudo ela não vai estar sozinha para enfrentar essa partida.

Ao despertar poucas horas depois não percebi que havia caído tanto no sono, olhei no despertador e marcavam 07hs30min, as meninas ainda ressonavam baixinho, levantei para fazer o café, com certeza essas horas minha Sakura deve estar cantando em cima de um palco para uma plateia lotada, que gritam eufóricos por ela, ou simplesmente curtem no meio do silêncio ela tocar alguma nota em seu violão.

De repente o telefone da casa tocou, abaixei o fogo da água do café e corri para atender, o alô rouco que veio do outro lado da linha me fez arrepiar, eu estava pensando nele há poucas horas atrás, ouvir sua voz tão rouca me faz imaginar que ele esta aqui perto de mim e isso ajuda a diminuir um pouco a sua ausência.

— Madara, que surpresa!

— Espero que boa.

— Com certeza é boa. Como você está? E a minha filha? Vocês estão bem.

— Estamos bem sim Samy, Sakura está descansando hoje não tivemos nenhum show, na verdade ela está compondo para o festival.

— Ah sim, eu recebi o convite muito obrigada fico lisonjeada de ser sua acompanhante.

— Eu não teria melhor companhia.

Ruborizei e ele riu do outro lado da linha, não precisamos de muito para conhecer um ao outro, é um conexão forte e única, eu gosto de estar ao seu lado, da covinha que forma no canto superior de sua bochecha quando ele sorri, gosto do perfume amadeirado dele que me invade quando me abraça, a sensação de formigamento quando ele me beija me faz sentir-me como uma jovem de novo e eu me perco nesses pensamentos. Lembrei-me da água no fogo e voltei para a cozinha e desliguei o mesmo, passei o mesmo enquanto conversava com Madara.

— Sinto saudades suas Samy, penso muito em você enquanto estou aqui.

— Também penso bastante em você.

— Fico feliz que ocupo um pouco seus pensamentos.

— Bobo. Eu preciso ir agora, tenho que ver como estão às meninas.

— Meninas? Não é só a Hana que está ai?

— É complicado, quando vocês voltarem vão ter muitas novidades. Te explico outra hora.

— Vai me deixar curioso, tudo bem acho que sobrevivo. Se cuida Samy, eu ligo em breve.

— Também se cuide, e cuide da Sakura, por favor, logo mais estaremos juntos.

— Sim vou aguardar ansioso esse festival.

O bip do fim da ligação me deixava uma sensação de vazio, a casa cheirava café e ao mesmo tempo a Madara, não sei bem o porquê, só que para mim o seu perfume parecia presente, esquentei o leite das meninas e coloquei o cereal para elas, fui até o quarto e os olhinhos brilhantes de Hana já estava despertos, Hiromi ainda dormia, a chamei com cuidado e seus olhinhos verdes me fitavam.

— Bom dia queridas, vamos tomar um café e depois um banho bem quentinho?!

— Samy, Samy!! Ino, cadê?

— Ino saiu um pouco, mas volta logo, enquanto ela não volta a gente pode se divertir não?

Hana me bateu palminhas, e Hiromi me olhava curiosa, peguei as duas no colo para tirar da caminha e saímos as três de mãos dadas até a cozinha, às sentei a cadeira e coloquei o cereal na tigela e o leite morno, as duas já comiam sozinhas e comiam bem direitinho sem fazer sujeira no babador, Hiromi comia mais devagar enquanto olhava para a porta, seus pensamentos tão novos com certeza a levam para a casa da mãe onde ela gostaria de estar. Quando terminaram de comer fui encher a banheira para as duas tomarem banho, com as duas ali brincando enquanto eu lavava seus cabelos lembrava-me de minha pequena Saky quando tinha a idade delas, mesmo que as duas tenham idades diferentes. A inocência das duas me tocava e os olhinhos brilhantes me fitando derretiam-me por dentro.

Depois de acabar tomando um banho junto após as duas jogarem água em mim, as deixei brincando no cercadinho e fui tratar do almoço, já se passavam das 10hs00min e Ino ainda não havia voltado, eu me preocupava porque sentia que algo nada bom estava por vir, Hiromi agora não chorava, estava um pouco mais animada e sorria de vez em quando, era bom ver que sua mente inocente de criança não estava carregada de tristeza no momento e ela podia ser apenas uma garotinha de quatro anos sendo feliz ao lado de sua amiguinha sem lembrar que depois da porta que ela observava às vezes existia uma mãe doente que estava prestes a partir.

Juntei-me a elas em sua brincadeira com as bonecas e naquele momento me imaginei brincando com futuros netos que me chamariam de obasan, me fariam correr pela casa atrás deles, eu deixaria fazerem tranças no meu cabelo e me maquiar, eu sorria para mim mesma enquanto pensava nisso, torcia muito para minha Sakura ser feliz seja ao lado de Sasuke ou de outra pessoa, voltei ao momento em que estava depois que Hana puxou a saia do meu vestido estendo a minha frente uma pequena xicara de “chá”, a peguei em mãos e beberiquei o mesmo aos olhinhos doces e sorridentes de ambas as meninas.

— Gostoso?

— Sim, uma delicia. Arigatou.

— Mondainai.

— Você é muito inteligente sabia?!

Hana apenas riu para mim assentiu com a cabeça, enquanto Hiromi me servia uma fatia do seu bolinho de arroz.

— Vocês já podem abrir uma casa de chá.

As duas se olharam e depois sorriram uma para outra, era bom estar perto delas, às vezes voltamos no tempo sem perceber e acabamos virando crianças também, deve ser bom ser inocente assim e poder rir de qualquer coisa sem se preocupar com mais nada. Abracei as duas e acabamos caindo no chão, não tive como fugir de um ataque de cocegas das mãozinhas pequenas e gordinhas, tudo parecia estar bem e calmo naquele momento e eu desejei que onde Ino estivesse também fosse assim, para o bem de todos e principalmente de Hiromi.

***

As horas foram passando com certa rapidez depois que Ino chegou, tomamos café e depois a enfermeira de Aimi chegou para ficar com ela, só que algo dentro de mim estava inquieto e sentia a necessidade de ficar ali mesmo com a presença dela, Ino acabou ligando para a empresa e avisando que não poderíamos comparecer hoje, ela desmarcou minhas reuniões e as remarcou para outra semana, as pessoas já sabiam um pouco da situação na qual me encontrava e compreendia, pelo menos ninguém ali me daria um golpe no meu período de ausência.

Tudo parecia normal e tranquilo, bebericava uma xicara de chá com Ino ao meu lado, o tempo estava cinza, mas pelo menos não chovia mais, a enfermeira havia feito o almoço de Aimi que não parecia estar muito melhor que na noite anterior, suas palavras de perdão ainda rondavam em minha mente, era estranho saber como ela se sentiu e ainda se sente, eu acreditava desde o dia que ela partiu que não passei de dígitos para ela, saber que realmente houve um sentimento me fazia a ver com outros olhos, olhos mais humanos.

Sabíamos bem que ela não resistiria por muito tempo, a doença avançava rapidamente e os remédios não fazendo mais efeito não tinha como ela suportar muito tempo aquilo, eu via em seus olhos como tudo isso a estava destruindo, e principalmente em seus últimos momentos não poder estar perto da filha, contudo concordamos que seria melhor que Hiromi não estivesse por perto quando ela finalmente se fosse, seria menos doloroso para ela e para sua pobre cabecinha processar que ela se foi sem realmente vê-la ir. O trauma de sua morte seria um pouco mais fácil de superar do que se ela convivesse com a mãe definhando, seria melhor ela guardar em suas lembranças a Aimi sorridente, bonita e saudável, a mãe amorosa, carinhosa e amiga que sempre foi e assim para nossa filha a imagem dela ficaria muito mais nítida e bonita de se recordar.

Olhava pela janela a vizinhança tranquila, com pouco movimento de pessoas na rua, estava em pé em frente a simples varanda da casa quando senti as suas mãos me abraçando pela cintura, seus lábios beijaram minhas costas e senti sua cabeça se apoiar naquele local que começava a ficar quente, coloquei minhas mãos por cima da sua, soltei o ar preso nos pulmões, eu sentia tanta tensão em volta de mim e em cima, só consigo aguentar a carga por causa dela, por causa delas, Ino é a companheira que qualquer homem amaria ter, outra pessoa provavelmente não aceitasse isso, uma ex falecendo em sua vida, com uma filha, a cada dia que esse círculo todo se fechava em volta da gente eu me sentia mais grato por ter ela em minha vida, a amava mais, e admirava mais. A verdade é que ninguém consegue ser forte o tempo inteiro, contudo com Ino comigo eu podia ser forte por um pouco mais de tempo porque não importava o que viesse acontecer, não importava se meu corpo e mente uma hora fossem ceder eu sabia que ela estaria ali para me amparar e impedir que eu caísse ao chão, seu apoio é tudo para mim agora.

Virei-me em sua direção e segurei seu rosto em minhas mãos, beijei sua testa e abracei-a, trazendo-a para mais perto de mim, eu aspirava seu perfume e esse pequeno ato me trazia mais paz e serenidade, parecia que tudo podia ficar bem novamente.

— Ela me pediu perdão por tudo ontem, seus olhos imploravam para isso e eu a perdoei Ino porque não quero que ela parta se sentindo culpada por algo, no fim das contas ela me partiu muito, mas se ela não tivesse feito isso talvez eu não conhecesse você e não estaríamos aqui agora parece tudo ligado não? Não sei como faria sem você.

— Você fez bem eu deixar o passado para trás, não faz bem guardar rancor de ninguém mesmo que esse alguém tenha nos machucado muito. Aimi agora só precisa de apoio, de solidariedade e não de sentimentos amargurados, você é um homem maravilhoso e tenho tanto orgulho de você Gaara, você poderia simplesmente deixa-la morrer sem ninguém por perto, mas não você está aqui agora e isso mostra o quão grande você é. Você vai ser um excelente pai a Hiromi vai ter só orgulho de você.

— Eu te amo, eu te amo muito Ino.

Queria poder beijar seus lábios, sentir a sensação de tocar sua pele, mas por respeito a Aimi apenas encostamos nossas testas e sorrimos um para o outro, estávamos abraçados quando a enfermeira de Aimi apareceu com uma cara péssima, nos voltamos para ela que suspirou pesado.

— Ela não está bem, não sei se vai passar de hoje, ela quer muito falar com vocês, entrem, por favor.

Corremos até o quarto e ela estava realmente muito pior, tossia muito e seus lábios estavam rachados, os batimentos no monitor eram fracos, olhei para Ino que assim como eu sabia bem que aquilo era uma despedida, Aimi não suportaria mais um dia.

— Gaara, por favor, tome conta da Hiromi, cuida bem dela, não deixa nada, nada faltar pra ela, e diga a ela que eu a amei muito e não deixei de pensar nela um minuto se quer. – Ela parou de falar um pouco e começou a tossir, em suas mãos tinha sangue e aquilo me assustou, fiz mesura de levantar, mas ela me segurou com a outra mão pelo pulso. – Não adianta mais, eu já cheguei ao meu limite, os médicos não podem me ajudar mais, não tenho mais salvação. Obrigada por tudo, por estar aqui agora, por me perdoar e por ter me dado um pouco de dignidade nesse momento, eu sei que nossa filha ficará bem, eu sei.

Ela chorava enquanto falava, segurei sua mão entre as minhas e a beijei, ela me deu um sorriso fraco e continuou a falar, dessa vez com Ino.

— Eu agradeço a você também Ino, nenhuma outra mulher faria o que você está fazendo, obrigada por cuidar da minha filha eu sei que você vai ama-la muito.

— Prometo que ela nunca vai deixar de saber a mãe maravilhosa que você foi.

— Obrigada, de verdade. Eu sinto tanto por não poder ficar com ela, não vê-la crescer, será que ela vai me perdoar por isso?

— Aimi você não precisa ser perdoada por mais nada, a nossa filha te ama e sempre vai amar e ninguém vai substituir isso na vida dela, a gente vai ama-la, cuidar dela e fazer com que você esteja sempre viva na mente dela. Você sempre vai ser a mãe da Hiromi e nada, doença nenhuma, morte nenhuma vai poder mudar isso. Pode ir tranquila porque as coisas vão ser difíceis no começo, mas vamos viver um dia de cada vez sabendo que você vai olhar pela gente, pela nossa filha e não importa onde e nem quando você sempre vai estar com a gente.

— Obrigada, obrigada

Deitei ao seu lado na cama, eu podia ver em seus olhos que ela estava assustada, continuei dizendo que tudo ficaria bem, ela apertou minha mão firme e me sorriu docemente, encostou a cabeça em meu peito, as lágrimas desciam pelo seu rosto pálido, seus olhos foram se fechando lentamente não lembro exatamente quando só consigo lembrar-me do bip do monitor descendo ficando baixo até ser uma linha reta com um som agudo, a mão que apertava a minha ficou fraca o peito magro dela não subia mais enquanto respirava, suas lágrimas escorregaram uma última vez dos seus olhos antes de Aimi partir, ela havia morrido em meus braços, partido e eu não pensei que aquilo fosse doer, mas doeu e eu podia ver nos olhos vermelhos de Ino que doía nela também.

“As pessoas veem e vão, e não entendemos bem porque elas se vão, apenas tentamos seguir em frente, viver um dia por vez e guardar delas o melhor que puderam nos deixar, pode parecer difícil, mas essa dor se vai e o que restar é a sensação de que não importa onde elas estejam de alguma forma elas permanecem com a gente, seja nas lembranças ou no coração. (Black Swan – CDC)”.

Notas finais
Espero muito que tenham gostado. Não se esqueçam que a fic será postada toda segunda ok. Até a próxima semana!! Ja Ne