Notas iniciais
Para Mayara Soares, no amigo secreto do grupo Shikatema BR.

Inspirado na música "Sweater Weather" do The Neighbourhood.
Escrita exatamente como a música fez eu me sentir, então para quem quiser pode ouvir a música enquanto lê.

Nota da beta: Foi muito divertido você toda curiosa pra saber quem era sua amiga secreta e eu sabendo auahuahu’ Ajudei-a como pude e devo confessar que essa fic me emocionou muito com toda sua construção! Espero que você goste tanto quanto eu, porque a Gabi é sensacional ♥

A brisa balança meus cabelos. Apesar de amarrados, eles se movem bastante, fazendo umas mechas se soltarem do penteado. Mesmo que o sol incida sobre nós, o clima está frio. Venta bastante. Mas nada disso parece lhe incomodar. Você meio anda, meio pula, meio flutua, com esse short de cintura alta que define tão bem o seu corpo, deixando a mostra suas torneadas pernas. Eu não posso criticar seu short, eu mesmo visto um calção, embora use um blusão de moletom para me abrigar do vento, ao contrário de você, que usa apenas uma blusa de manga curta.

É difícil definir como você se desloca, e não é como se eu estivesse me dando o trabalho de prestar atenção nisso. É seu sorriso que me rouba a atenção. Você sorri alegre, iluminando meu mundo com mais intensidade que o sol que bate sobre nós. Seus braços estão abertos, sentindo o vento. Suas mãos seguram uma manta, que esvoaça com o vento, fazendo parecer uma longa capa que se estende ao longo de toda sua envergadura.

Eu sorrio comigo mesmo. Eu não gosto de praia. Mas aqui estou eu, na Califórnia, com meus pés na areia, vivendo uma pequena aventura para conhecer a costa. Com você, é claro. Nada no meu mundo seria o mesmo sem você.

Você se vira, ficando de frente para mim e de costas para o mar, e começa a escrever algo na areia com seus pés. O vento joga a manta contra o seu corpo, as pontas ficam batendo ao redor, lhe atrapalhando, mas você apenas ri da situação. Como um imã, você me atrai, e logo me vejo andando em sua direção, vendo um ‘FELIZ NAT/’ que você ainda trabalha pra terminar.

Assisto enquanto você finaliza, e seguro sua manta para que você tire foto da sua nova arte, ainda sorridente e alegre. Você me olha, e então seu sorriso se torna mais calmo e tranquilo, refletindo o meu. Não precisamos de nada mais para comemorar essa data. Apenas nós dois nos basta.

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Estamos encerrando o dia assistindo o pôr-do-sol em Malibu. Descendo pela Pacific Coast Highway desde Palo Alto, já passamos por milhares de vistas lindas e diferentes. No entanto, essa é uma das primeiras vezes que nos permitimos sentar e apenas curtir o momento, o silêncio, a vista e a tranquilidade que está no ar. A praia e a vista são bonitas. Mas apesar da fama, para mim continua sendo apenas uma praia. Nada de especial.

Não, a vista que me atrai é seu rosto em perfil encarando o sol que encontra a linha do mar no horizonte. O céu vermelho-alaranjado lhe confere um ar misterioso. Seus olhos verdes encarando o astro brilhante cintilam com um brilho avermelhado, perdidos em algum ponto distante.

Há silêncio entre nós. Eu não me importo com o silêncio. Entre nós, ele raramente é desconfortável. Às vezes o silêncio guia nossas mentes e nos faz viajar para algum lugar distante. Agora são meus olhos que estão perdidos em algum ponto além do horizonte. Uma casa, nós dois. Um dia você saberá. Não há nada que eu realmente queira te dizer agora.

Uma revoada de pássaros próxima ao horizonte chama minha atenção. Um bando deles levanta, contrastando com o céu vermelho e o astro amarelo, o mar é quase preto, apenas o movimento da água reflete um leve brilho alaranjado. Você tira uma foto, para guardar o momento, eu a observo pelo canto do olho.

Logo desvio meu olhar para o céu. Não há nuvens hoje. Eu poderia ficar horas as observando, se houvesse alguma. Você costuma dizer, rindo e brincalhona, que eu tenho a cabeça nas nuvens. Séria, você acha que eu sou muito centrado. Você nunca me disse isso, mas lhe ouvi dizendo para outras pessoas. Eu sinceramente não sei o que pensar. Às vezes gostaria de ter mais a cabeça nas nuvens. Me preocupo muito com os outros e todas as coisas ruins que podem acontecer, e acabo me prendendo em minha própria mente perante as diversas possibilidades sombrias que cruzam por esta.

Você encosta delicadamente a cabeça em meu ombro, e consequentemente toda a sua lateral se apoia na minha. Como se você soubesse o que penso, você me tira da minha própria escuridão. Como o sol ardente que observamos se pôr, você limpa toda a escuridão dentro de mim. Como por reflexo, meu braço se estica até seu ombro, e assim permanecemos apenas observando o astro descendo, aparentemente cada vez mais rápido. Eu poderia explicar as origens desta ilusão óptica, referente a velocidade aparente de objetos em relação a suas distâncias, sobre as cores do céu e do sol e o efeito Rayleight. Você riria e me chamaria de nerd, mas no fundo adoraria saber sobre tudo isso. Mas ao contrário disso, permaneço imóvel abraçado a você, como se qualquer movimento fosse quebrar a magia do momento.

O sol finalmente desaparece, deixando apenas o crepúsculo no céu. Você desencosta de mim e eu deixo meu braço cair, te soltando. Você me olha e eu retribuo. Você parece tão linda nesse momento. E quando não parece, eu me pergunto, me batendo mentalmente. Sua mão direita toca meu pescoço, deslizando e tocando minha nuca e os cabelos que ali se encontram. Ela está fria, como quase sempre. A minha mão também se desloca para tocar seu pescoço e repousa ali, meu polegar acaricia sua bochecha. Sua outra mão se junta a anterior em minha nuca, me puxando para um beijo lento e desejoso. Você sabe o que eu penso. Um amor, duas bocas. Não há nada que não iria querer te falar, não.

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Oficialmente, estamos em um hotel. Mas o quarto é todo rústico e parece uma pequena casa. A sala e a cozinha são conjugadas, em um pequeno corredor situa-se o banheiro e a entrada para o grande quarto de casal. Estou aqui, sentado na cama, esperando você sair do banho para tomar o meu. Me pergunto se uma casa assim lhe agradaria. Provavelmente eu a faria um pouco maior, mas nesse mesmo estilo. E possivelmente com tons mais claros, pastéis, ao invés do mogno majoritariamente utilizado aqui.

Você sai do banheiro secando seu cabelo com a toalha. Seu pijama é curto mas confortável, e num estilo fofo que poucas pessoas a viram utilizar. Eu sorrio para mim mesmo em um misto de orgulho, felicidade e resignação. Este último devido à frase em sua blusa. “Eu ♥ Nerds. Eles fazem minha tarefa de casa.” É mentira. Você jamais deixaria alguém fazê-la por você. Você é muito inteligente e orgulhosa para isso.

Me dirijo ao banheiro após você sair. Há uma banheira com um chuveiro acima dela, como na maioria hotéis por aqui. Ligo o chuveiro, assim como você fizera anteriormente. Deixo a água levemente quente escorrer sobre meu corpo, relaxando meus músculos e tirando a sensação grudenta que a água do mar deixa.

Após um banho rápido, visto meu calção, mas coloco a camiseta sobre o ombro sem vesti-la. Aqui dentro está quente. Abro a porta do banheiro e escuto como lá fora começou a chover. Caminho para o quarto e lhe encontro com os cabelos soltos e penteados, levemente secos com o secador que vejo sobre o criado-mudo. Você me encara com esses olhos de gato indecifráveis. Eu entro fingindo naturalidade, mas meu coração está disparado por só vê-la.

E então, você caminha até mim, com esses olhos felinos ávidos. E eu sei que você sabe o que eu penso. Um amor, duas bocas. Um amor e uma casa. Nossos lábios se encontram e é difícil definir tudo que eu sinto. Se eu pudesse apenas tirar o seu fôlego. Minhas mãos encontram seu quadril e te puxam para mais perto de mim. Você faz o mesmo com sua mão direita, puxando o meu tronco para que fiquemos ainda mais próximos.

Sua mão esquerda está na minha nuca, me puxando com ferocidade para o beijo. Minha mão direita vai para o seu rosto, ao tempo que minha mão esquerda começa a subir desde seu quadril. Os arrepios começam a subir quando esta encontra sua cintura, por baixo da blusa. Você afasta seu rosto, e eu lhe encaro. Seus lábios capturam meu polegar, que é o mais próximo a eles, e você esfrega sua língua. Você diz adorar o gosto.

Você sabe o que eu penso. Um amor, duas bocas. Um amor, uma casa. Sem camisetas, sem blusas. Só nós dois, você verá.

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Hoje o sol arde forte. Mas também o vento o imita. O clima é agradável o suficiente com meu moletom. Você desliza em sua alegria contagiante que ilumina meu interior. Literalmente desliza, na ciclovia no meio da areia, na praia de Santa Monica. Nos dirigimos até o píer, você patinando com seus rollers e eu lhe seguindo calmamente a pé.

A vista do píer imenso, com sua montanha russa e roda gigante bem distinguíveis de longe, apenas ressaltam sua beleza e a felicidade pela sua diversão. No caminho, encontramos alguns equipamentos de ginástica artística, como argolas, barras, trave, e até uma corda. Você sai meio desengonçada na areia devido aos rollers pesados em seus pés, e tenta se erguer nas argolas, conseguindo elevar-se, mas sem muito sucesso para subir. Me pede para subir também, e o faço com muito mais facilidade do que você. Você ri, e isso enche meu coração. Desço e logo me vejo subindo até o topo na corda.

Quando vejo você está com sua câmera tirando foto disso. Nenhum de nós gosta de tirar fotos realmente. Muito menos de mostrá-la para os outros. Somos reservados e preferimos manter nossas vidas para nós mesmos. No entanto, você gosta de ter lembranças de momentos marcantes em nossas vidas, e aos poucos eu também começo a apreciar essa atividade. Quando retomamos nosso caminho até o píer, tiro um foto de você a minha frente, andando de roller, tão dona de si mesma.

Na entrada do píer você tira seus rollers, e começa a vasculhar. E apesar do parque de diversões montado sobre esse, é a sala de fliperama que capta sua atenção, com todos os seus jogos arcade, modernos e antigos. São especialmente os últimos que a prendem, por serem raros de ver. A mim também me impressiona, e enquanto observo um brinquedo antigo que representa toda a cor e movimento de uma feira antiga, montado cuidadosamente apenas com cordas e engrenagens a anos atrás, você compra fichas e se dispõe a jogar.

Você me chama para jogar hóquei-de-ar, e rimos muito enquanto batemos o disco tão forte quanto podemos, o que faz com que ele se desloque muito rápido sobre a mesa. Você é melhor que eu, como em quase tudo, apesar de você negar, e vence a partida em 7 a 5. Logo você se dispõe a jogar em um tapete de dança, ao qual eu não acompanho – e não conseguiria mesmo que quisesse. Você se saí bem, atraindo olhares em sua direção. Mas quando desce do tapete, seu olhar vem apenas para mim, e você sorri feliz, seus olhos intensos. Meu coração dispara, e não sou ciente de que lhe devolvo o mesmo sorriso até perceber meu reflexo em seus olhos.

Estes corações adoram todos aqueles por quem o outro bate mais forte.

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No alto do Griffith Observatory, pode-se observar toda Los Angeles. Uma vista inesquecível segundo alguns. E é isso que estamos observando agora. Estamos calmos no telhado do observatório, apenas encarando a cidade, o céu e as nuvens que hoje se fazem presentes.

Quando chegamos aqui, uma das primeiras coisas que lhe chamou atenção foi a estátua dos diferentes cientistas com algum objeto que representa suas descobertas, e um relógio solar. Você se emociona, e eu rio. Você diz não ser nerd, mas nem precisa que eu lhe contradiga – você mesma faz isso. Seguimos pelo museu no observatório, e paramos diversas vezes para observar as exposições.

Há uma tabela periódica interativa, com os elementos e outros produtos que contém aqueles átomos, e você não se importa se há crianças brincando naquilo, você começa a escolher também, apenas para ouvir as características de cada elemento ao selecioná-lo. Coisas que você acharia com facilidade na internet – e muitas que você provavelmente até já sabia – mas fica empolgada mesmo assim.

Um pequeno domo com um sol fixo e uma terra rotacionando e translacionando demonstram com os meses e as constelações como surgiram os signos referente a posição aparente do sol. 12- Inch Zeiss, o telescópio através do qual mais pessoas já puderam observar o céu e um dos principais telescópios públicos, também está localizado no observatório. Não faz sentido olharmos através dele, visto que é de dia, mas podemos observar seu tamanho e imponência.

E foi assim que acabamos no telhado, ao lado do domo do telescópio, observando a cidade pela qual passeamos a pouco tempo atrás. Você treme levemente ao meu lado. Eu lhe observo. Você está com uma blusa de manga comprida, mas leve. Tento tirar meu moletom para lhe entregar, mas sou prontamente detido por sua mão. Ela está fria. Venta bastante aqui. Eu estou usando meu moletom para proteger as minhas. Você possui um sorriso contente e repreensor, uma combinação intrigante. Na dúvida sobre o que fazer para lhe ajudar sem ofendê-la, estendo minhas mãos, em um silencioso pedido. Está frio aqui para você. Então me deixe segurar suas mãos, nas mangas do meu moletom.

Notas finais
Para a minha amiga secreta - e todos os demais que chegaram até aqui -, quero muito saber TUDO que sentiram lendo isso, me descrevam hahaha
Sério, deixe um comentário e incentive um escritor, o deixando muito feliz por saber o que seus leitores pensam das suas histórias.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!