Notas iniciais
Esse é, tecnicamente, o último capítulo. Mas tem um epílogo depois dele :3 Espero que gostem amores ♥

Thalia observava a rua pela janela de seu quarto, seu olhar triste e longe. Aquela era a pior época do ano para a garota. A paisagem bonita estava coberta pela neve branca que caia lentamente do céu. Ela achava aquilo tão adorável, a neve caindo. Quando menor, sempre que ela acordava e estava nevando, pegava seus patins e corria até um lago que havia perto de sua casa, para ver se já estava congelado o suficiente para patinar. Agora, os flocos eram apenas uma lembrança de um passado que não iria voltar.

Ouviu uma leve batida em sua porta e se virou para trás. Seu pai a olhava, sorrindo.

– Seu amigo está aqui. – Anunciou. Thalia sorriu de volta e começou a andar até onde ele estava. Ainda era um pouco desajeitada para andar, mas melhorara muito em dois meses sem a cadeira de rodas. Os dois desceram as escadas, que antes viraram rampas para que a cadeira de rodas pudesse passar, e ela sorriu ao ver Nico esperando-a na sala.

– Oi. – Ele cumprimentou sorrindo. Thalia sorriu de volta.

– Oi. – Respondeu. Andou até ele. – Já estamos indo, tchau pai.

– Tchau querida. – Ele sorriu. Qualquer pai normal estaria pelo menos um pouco preocupado sobre sua filha sair com um garoto, mesmo que o sair seja apenas de amigos e o garoto seja conhecido, porém Zeus estava feliz com aquilo. Antes de se conhecerem, Thalia ficava dentro de casa sempre, mas Nico a fazia sair sempre. Além disso, ele estava fazendo o antigo brilho dos olhos da garota voltar, e isso era tudo o que o homem poderia querer.

Nico e Thalia andaram pelas ruas geladas. Ele a segurava pela mão, para que pudesse ter um apoio, considerando que andar no chão molhado é bem mais difícil, principalmente para a garota. Não demoraram a chegar ao ponto de táxi que havia perto de onde estavam e agradeceram por ter um carro amarelo ali. Dentro do automóvel, não demorou muito para que pudessem ver o shopping.

Como ambos não tinham nada para fazer, haviam combinado de irem ao cinema juntos naquele dia, já que todos seus outros amigos tinham planos.

– Eu comprei as entradas pela internet. – Nico anunciou. – Estamos meia hora adiantados, o que acha de irmos comer alguma coisa?

– Maravilhoso, eu ainda não almocei. – Respondeu. – Um chocolate quente seria bom.

Thalia gostou bastante do filme, mas Nico não prestou atenção. Além de estar preocupado com o esforço que a garota teve eu fazer andando até o ponto de táxi e pelo shopping, achava muito mais interessante observá-la. Mesmo porque, havia assistido a aquele filme uma semana antes, com sua irmã mais nova, mas dissera que não porque sabia o quanto Thalia queria assisti-lo.

✧❃✧

Thalia e Nico estavam enrolados em um cobertor, com um pote de pipoca entre eles. A televisão estava ligada e a garota estava realmente animada para algo pela primeira vez em quase dois anos. O Campeonato Mundial de Patinação Artística no Gelo iria ser iniciado, nesse ano em London, no Canadá, e ela queria muito assisti-lo. Em parte porque estava com saudades daquele mundo que um dia já havia sido seu e também porque ficou sabendo que uma das suas colegas quem seria a representante dos Estados Unidos naquele ano. Fora nele, na edição de dois anos antes, que o acidente acontecera. Uma pena, pois sua treinadora lhe disse que se seu número fosse finalizado ela provavelmente ganharia a medalha de ouro.

Os números daquele dia seriam os individuais masculinos. Thalia falava um pouco sobre cada participante e, durante a apresentação, ela explicava o movimento e dava sua própria avaliação. Falava com brilho nos olhos e uma paixão enorme. Apenas naquele momento, Nico se deu conta do quanto aquilo fazia falta na vida da garota, ou quanto ela era apaixonada pelo que fazia antes. Sorriu, enquanto ela continuava falando, esquecendo-se totalmente da pipoca.

Quando acabou, Nico estava encantado com tudo o que a garota falara. Ela explicava detalhadamente para que ele pudesse entender, e com amor. Como já estava tarde e ele precisava cuidar de sua irmã, Hazel, não pôde ficar muito depois. No entanto, durante o caminho de casa, só conseguia pensar no quanto os olhos da garota brilharam. Ele queria ver isso de novo.

✧❃✧

Novamente estavam juntos debaixo do cobertor para assistir ao Campeonato Mundial de Patinação Artística no Gelo, agora a modalidade individual feminina que a colega de Thalia iria participar. Se antes a garota estava animada, agora estava eufórica ao ver sua amiga naquela pista. Durante a apresentação, até esqueceu-se de narrar, apenas soltava pequenos comentários como “ela não levantou a perna o quanto precisava” ou “ela conseguiu!”, e Nico só conseguia pensar no que tinha preparado para depois.

A colega de Thalia conseguira a medalha de prata, o que, segundo a garota, era maravilhoso. Ela havia comido toda a pipoca sozinha por causa do nervosismo e agora sorria abertamente. Nico se levantou.

– Agasalhe-se, vamos sair. – Sorriu.

– Para onde vamos? – Ela se sentou curiosa. O sorriso de Nico se alargou.

– É uma surpresa. – Ele a puxou para fora da cama. – Mas tenho certeza de que você irá adorar.

Thalia se levantou e se arrumou, enquanto Nico levava o pote de pipoca para a cozinha. Quando voltou, a garota já estava pronta. Ele pegou sua mochila e saíram da casa, não sem se despedir de Zeus antes.

Nico disse que o lugar que iam era próximo dali e por essa razão foram andando. O garoto não conseguia tirar o sorriso do rosto e isso deixou Thalia mais ansiosa ainda. Não conseguia pensar em nada, mas pensava em tudo ao mesmo tempo.

Depois de andaram por quase dez minutos, Nico parou. Ele retirou uma venda de dentro da mochila e colocou nos olhos de Thalia, para que ela não visse nada até chegarem ao local, que deixou a garota ainda mais curiosa. Ela se segurava em Nico para não cair e os dois aceleraram um pouco o passo, para que pudessem chegar logo. No entanto, ainda demoraram cinco minutos até o destino.

Nico parou Thalia e retirou a venda. Ela demorou um pouco para se acostumar com a claridade, mas quando finalmente conseguiu enxergar normalmente abriu um grande sorriso. Estavam em frente ao lago congelado que ficava perto da casa da garota, aquele que ela ia sempre quando pequena.

– Faz muito tempo que não venho aqui. – Murmurou. Nico sorriu.

– Mas essa ainda não é a melhor parte. – Anunciou, se abaixando e retirando a mochila das costas e a apoiando no chão à sua frente. De dentro do objeto, puxou os patins que Thalia usara no dia de sua última apresentação. A garota arregalou os olhos. – Seu pai me ligou ontem e me chamou para o consultório do seu primo. Apolo fez umas simulações há algumas semanas sobre a resistência de sua perna, e, de acordo com os milhares de contas que ele fez, você já pode voltar a patinar. Não competir, ainda. Nada de humilhar as pessoas por enquanto. Mas já pode andar normalmente no gelo, como pessoas normais.

Thalia riu, ainda sem acreditar no que o garoto dissera.

– E, como hoje é seu aniversário, e você não se lembrou disso, para a alegria da minha surpresa, eu quis te trazer aqui. – Sorriu. – Seu pai me deu os patins que você usou naquele dia, disse que eram seus preferidos. Então, aqui está.

Ele entregou os dois calçados para Thalia, que estava emocionada. Ela se sentou no chão, ignorando o frio da neve, e calçou-os. Nico retirou dois patins pretos que havia comprado para si e colocou-os também. A garota não o esperou terminar e praticamente correu para o lago, sentindo aquilo que sempre sentia quando estava em cima do gelo. Uma lágrima caiu pelos seus olhos enquanto deslizava pelo gelo, tendo que se segurar para não começar a rodopiar ali mesmo. Olhou para Nico e riu de felicidade enquanto mais lágrimas caiam de seu rosto. O garoto que ainda estava sentado sorriu para ela, que patinou até perto de onde ele estava e estendeu a mão.

– Venha patinar comigo! – Pediu. Nico riu e aceitou a mão dela para que pudesse se levantar.

– Essa é a primeira vez que coloco este troço e eu nunca pisei em cima do gelo na minha vida. – Avisou, enquanto dava o seu primeiro passo, e o primeiro tombo. – Ai!

Thalia gargalhou e o ajudou a ficar de pé. Apesar de ficar com ambas as pernas abertas e um pouco inclinado para frente, conseguiu se equilibrar. Ela o ajudava a dar passos para frente sem cair, mas era impossível para o garoto não escorregar e cair.

– Você faz parecer tão fácil! – Exclamou em seu décimo terceiro tombo. Thalia riu e ajudou-o a levantar.

Horas depois, quando a lua já estava alta no céu, Nico conseguia deslizar pelo gelo sem cair, mas ainda estava um pouco inclinado para frente. Já Thalia, ia de um lado para o outro e rodeava Nico com perfeito equilíbrio. Era tão engraçado pensar que aquele simples movimento, que para ela era como andar, fosse tão difícil para o garoto.

Decidiram que já estava tarde e precisavam voltar logo para casa. Com a tristeza de uma criança, Thalia retirou os sapatos, fazendo um pequeno biquinho. Não fora o suficiente. Precisava de mais horas para repor todas aquelas que perdera.

– Não se preocupe. – Nico sorriu. – Se quiser, podemos voltar amanhã, o que acha?

– Eu vou adorar! – Abriu um grande sorriso.

Andaram de volta para casa. Nico estava cansado e dolorido, mas sorria para a garota eufórica ao seu lado. Chegaram mais rápido em casa do que na ida e Zeus os esperava na sala. Ao ver a filha tão feliz e Nico sorridente, o homem abriu um sorriso. O brilho voltara aos olhos de sua filha.

✧❃✧

– Eu amei muito hoje, Nico. – Thalia olhou para o garoto sentado do seu lado, sorrindo. Zeus disse que já estava tarde para ele voltar para casa e o convidou a dormir ali. Agora, a garota e Nico estavam na sala assistindo a um filme aleatório que passava na televisão. O garoto olhou de volta para ela também sorrindo.

– Fico feliz que tenha gostado. – Estavam falando baixo, mas se ouviam perfeitamente. – Eu gosto de você assim, Thalia, sorridente.

Thalia suspirou e se inclinou para frente, unindo seus lábios aos do garoto. Há um tempo percebera o que sentia por ele, percebera que Nico a fazia feliz. E esse sentimento era quase tão forte quanto o de patinar. Finalizou o beijo observou Nico. Ele também a olhava, e sorria.

– Você me faz sorrir, Nico. – Sussurrou. O garoto a beijou, a sensação parecia maravilhosa para os dois. Ele pediu passagem para sua língua e Thalia a concedeu de bom grado. Haviam até mesmo se esquecido do filme, que era bem chato, aliás.

Notas finais
E então? Comentem amores! ~Kisses!