Cold As You
28 Epilogo
Notas iniciais
PDV ELENA
Após sete meses afastados minha família resolve voltar a Mystic Falls, acho que a dor da perda de minha mãe já não é a mesma e que eu posso aguentar, claro que ainda não estou totalmente bem. Não gosto de imaginar que quando entrar na mansão Gilbert não terei o abraço quente de minha mãe, mas também é o que espero, seu abraço. Alguma parte de mim ainda tem a esperança de que ela esteja, e é tão tolo alimentar isso. Mas eu faço sem nem perceber.
Ao sair da carruagem todos nos olhavam novamente como se ainda fosse no ano anterior quando chegamos após passarmos dois anos escondidos de todos. Não me incomodei com os olhares.
Luke, com quatro anos recém-completados, caminhava com a mão dada ao pai, estava tentando parecer com ele, usava uma boina igual a de Stefan, e era uma graça, inquestionável que fosse seu filho. Estava também com um macacão marrom claro e uma blusa branca, os sapatos pretos faziam um barulho engraçado contra o chão, e ele adorava brincar com isso.
Miranda estava à meu colo. Agora com sete meses ela já conseguia quase sentar-se, por precaução deixava meu braço atrás de suas costas. Ela olhava atenta Mystic Falls e dava risadas animadas quando acenavam para ela, ela acenava de volta balançando as duas mãos gorduchas. Seus olhos eram puxados para o verde, mas não deixavam o castanho, seu cabelo era escuro como o meu e ondulava em baixo.
Stefan questionou-me se queria passar primeiro à casa de meu pai ou de meu irmão, neguei, queria ir direto a mansão Salvatore, agora eu gosto de recordar que nosso amor começou ali, estaríamos comemorando o casamento de Master Salvatore com a mais nova Senhora Salvatore, Katherine, eles estavam fazendo um ano de casados, e apesar de sermos convidados para a pequena cerimônia eu não estava bem para comparecer, pedi para que Stefan fosse, e se assim quisesse levasse Luke, ele teimou em ficar ao meu lado. Graças a Deus a família não tinha ressentimentos.
Ao chegar lá fomos cumprimentados com abraços e paparicos a Miranda e Luke, até Katherine me abraçou e eu deixei que o abraço fosse bem vindo, Stefan ficou hesitante, mas aceitou. Talvez ele começasse a perdoar ela agora.
—Bonnie! – Falei ao abraçá-la, estava tão feliz de revê-la. – Estás grávida! – Falei notando o pequeno volume no seu abdômen.
Ela sorriu para Jeremy, que parecia orgulhoso.
—Finalmente – Ela disse alegre.
Stefan chegou a minha orelha e cochichou para que só eu ouvisse:
—Podíamos tentar outro, não?
Ri animada, mas respondi:
—Quem sabe.
Joguei meus braços ao redor de meu irmão enquanto Bonnie paparicava minha filha.
—Parabéns papai – Comentei sorrindo feliz por eles.
Logo depois fui até Rose e Damon, abracei-os e os cumprimentei, como fez Stefan e Luke, e Miranda acenou do colo de Bonnie, risonha.
Peguei minha afilhada do colo de Damon, ela já tinha os meses de Miranda e era tão risonha quanto ela, era uma loira acastanhada e tinha olhos azuis como os de Damon, sua pele era morena como a de Rose, e ela era envergonhada e tímida.
Depois de cumprimentos feitos e de novidades contadas, Katherine quis fazer um anuncio, até cheguei a pensar que ela estava grávida, mas não era muito possível. Eu conseguia até perceber nela que ela começava a envelhecer, começou a ter olheiras, uma coisa que vampiros não tem. Acho até que ela estava gostando de não ser vampira e poder envelhecer com Master Salvatore.
Katherine pediu para que Master começasse com a noticia que ela logo voltaria, e sumiu para o andar de cima da mansão.
—Então, eu já tenho dois filhos, muito bem sucedido, que me deram lindos netos, e são muito bem casados – Master levantou o copo de vinho como em um brinde ao lisonjear os filhos. Pude ver que Damon se sentiu pela primeira vez amado pelo pai. – Mas Katherine, após passar por tantas coisas e muitas que ela nem sabia, precisava ter a experiência de ter um filho dela. Por mãos do destino, eu um dia abençoado, recebemos nosso filho, Thomas Nicholas Salvatore.
Katherine desceu as escadas com um bebê de tamanho de um ano, ele tinha os cabelos cacheados e escuros, os olhos escuros eram cautelosos por toda a sala, e ele tinha um sorriso tímido, tentava se esconder nos cabelos da mãe, era lindo e parecia um anjo.
Todos soltaram exclamações em aprovações, nós mulheres, fizemos questão de paparicá-lo, e depois sentamos para ouvir o resto do milagre.
—Achamos Tommy perto de casa – Contou Katherine enquanto balançava o bebê enrolada em uma manta verde — Ele foi deixado apenas com uma fralda, enrolado em um monte de panos e deixado em um cesto, no meio do nada. Eu estava passando e graças aos Céus eu ouvi o seu choro, acolhi-o de imediato. – Katherine beijou a bochecha do garoto com um estalo.
—Não sabe nada da família dele? – Perguntei.
—Talvez a mãe fosse uma prostituta, não quisesse o filho, e sinto muito por ele ter que aguentá-la por tanto tempo. Suspeito que ele tenha um ano e comemoraremos seu aniversário na data em que o encontrei. – Ela estava tão radiante em ser mãe que fazia todas nós sorrirmos com ela.
—Parece que ganhamos um novo irmão – Diz Damon e ergue o copo de vinho – A Thomas Nicholas Salvatore, bem vindo a família.
Todos imitam seu gesto e erguem a taça de vinho, exceto Bonnie que ergue um copo com água.
—Então Margaret, é sua vez de casar – Meu pai comentou com um sorriso desencorajador.
—Não tenho nem dez anos! – Minha irmã reinou – Só caso quando tiver dezenove ou vinte! Como Elena!
Ah, claro grande exemplo que eu era.
Todos riram.
—Sem pressa, pai, sem pressa. Margaret é bonita agora e será quando tiver seus trinta anos.
Margaret sorriu ao meu elogio e me abraçou de lado, e eu não estava mentindo, seus cabelos eram cor de mel e caiam em cascata, os cachos eram tão bem definidos, seus olhos azuis pareciam ter um contorno preto natural, sem precisar ser como algumas mulheres e contornar com o carvão.
—Elena – Stefan me chamou – Não é melhor comunicar sua decisão a eles?
—Que decisão? – Bonnie perguntou – Vai dizer que já está grávida de novo, Elena?
—Não — Gargalhei – eu dou um tempo antes de pensar em ter outro – Pisquei para ela – Só queria dizer que por mais que eu e Stefan amamos Forks estamos pensando em voltar para cá.
Ficaram todos mais animados do que eu realmente estava com isso.
—Pensamos que Forks podia ser nosso lugar para quando queremos dar uma folga do mundo – Stefan continuou.
—Vai ser ótimo ter minha filha de volta – Meu pai me abraçou e eu apenas sorri para eles.
Por enquanto a ideia ainda era vaga, mas talvez voltássemos, comprássemos nossa própria casa, não ficaríamos bem morando na mansão Gilbert ou na casa de meu irmão, muito menos na mansão Salvatore, acho que minha família é muito independente, ninguém gosta de ficar sob o teto do outro ou sob os criados do outros. Cada um tem sua casa e sua vida.
Acho que era isso que estávamos aprendendo, a não ligar para a opinião dos outros, e não julgar os outros. Apenas viver nossas próprias vidas sem intromissões e fazer o que julgamos ser certo não o que os outros esperam que seja. Porque a única coisa certa era nossa felicidade.
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