Cold As You
20 2° Temporada 1° CAPÍTulo
Notas iniciais
POV NARRADOR
—Eu sinto muito, irmão — John Gilbert acabara de sair do quarto de Miranda e Grayson Gilbert.
Senhor Gilbert virou-se com os olhos marejados de preocupação.
—Qual foi seu diagnóstico?
—Eu receio que seja tétano. Sinto muito. Mas são todos os sintomas. Espasmos musculares, a febre... E ela está começando a alucinar. São os problemas neurológicos, o sistema dela está comprometido — Ele mal sabia que John Gilbert estava com o coração tão apertado quanto o dele. Mal sabia quanto amor ele já havia dado para aquela mulher.
Grayson sentou-se na cadeira do corredor, escorou a cabeça na mão e massageou as têmporas.
—Eu já perdi minha filha... Eu não posso perdê-la, irmão.
John afagou o ombro do irmão, como se já não bastasse sua dor o coração também doía em uma dor solidária. Lembrando-se como se fosse ontem do amor que ele e Miranda compartilharam.
—Eu realmente sinto... Tétano foi descoberto há dois anos... Estamos estudando, nada é o concreto o suficiente. Farei o possível, convocarei outros especialistas. Lutaremos por ela.
—Queria poder avisar Elena.
—Eu também.
—
Da escada Jeremy havia ouvido tudo. Havia passado na antiga casa para visitar a mãe, que ele soubera que adoecera. Agora seus olhos arderam... Ele precisava contatar Elena sobre isso... E finalmente o detetive seria útil. Ele se encontraria hoje com ele e conseguiria as informações que ele o prometera e ele e sua esposa e também melhor amiga de sua irmã, Bonnie, partiriam em busca da irmã.
—
—Eu vou te pegar! — Disse Elena rindo enquanto corria atrás do menino de dois anos, o qual sempre lhe dava uma razão para sorrir.
O garoto de cabelos caramelo gargalhou e apressou os pezinhos que ainda eram um pouco desequilibrados. Elena se abaixou e o agarrou pela cintura, sentou no chão, e o puxou para seu colo causando cócegas em seu corpo e depois beijando suas fofas bochechas.
—Mamãe! Paia! -Ele disse entre risos.
—Por que eu pararia de fazer meu garotinho rir?
—Porque ele está em desvantagem. — Disse uma voz masculina de trás de Elena, ela a conhecia bem e há dois anos não confundia essa voz com mais ninguém.
Elena se virou sorrindo para seu marido. A criança de seus braços escapou para o colo de Stefan que deu um beijo na bochecha dele.
Elena se levantou e limpou o vestido para ir até o marido e lhe dar um beijo.
—Como foi o trabalho?
—Mesmo de sempre. E o dia de vocês?
Ela sorriu e novamente selou seus lábios aos dele.
—Melhorou agora.
—Papai, mamãe corre atrás de mim! — Disse o pequeno fazendo gestos. Elena e Stefan riram.
—E eu te peguei — Ela afofou a barriga dele. Ele riu. -Venha — Ela estendeu os braços pra ele — Vamos preparar sua janta enquanto o papai toma banho.
Ele se jogou para os braços da mãe.
Enquanto ela preparava a janta percebeu um movimento em seu quintal, ela já estava pronta para deixar ali as panelas e se encaminhar ao pátio, porém Stefan estava na sala, encaminhando-se no lugar dela.
—Deixe comigo, querida.
Elena assentiu com um sorriso. Virou-se para seu filho que havia dormido na cadeira de madeira a sua altura e riu. Decidiu que enquanto terminava a janta o levaria para a cama.
Ela o pegou e escorou a cabecinha dele em seu ombro enquanto acariciava suas costas e o levava para seu quarto. Ela o deitou na cama de casal e o rodeou com os travesseiros.
Quando voltou a sala levou um susto. Sobressaltou-se e levou a mão a seu coração que começou a bater com maior velocidade, seus olhos se encheram de lágrimas, e seus braços formigaram com a vontade de abraçá-los.
Lá estava sua melhor amiga com a expressão mais madura do que ela se lembrava. Stefan sentado em sua poltrona habitual. E ao lado de Bonnie, no sofá, estava seu irmão mais novo, agora com a expressão de um homem, taciturno. Eles levantaram.
—Jer-Jeremy...
Elena correu para abraçá-lo, ele a apertou contra si e beijou sua face.
—Meu irmão -Elena tentava controlar a voz. — Ah, como eu senti sua falta. Achei que talvez não lhe visse mais... Como... Como...?
—Shhh, calma Elena — Disse Jeremy tentando sorrir.
Elena se separou dele, sorrindo imensamente, ela assentiu e virou-se para Bonnie que abriu os braços para abraçá-la. Elas se abraçaram como duas adolescentes com os nervos a flor da pele.
—Senti sua falta! -As duas falaram ao mesmo tempo e riram.
—Elena... -Stefan interrompeu quando elas se desgrudaram, ele passou a mão pela cintura dela e a puxou para sentar-se perto dele, ela fez uma caricia em seus cabelos. — Jeremy e Bonnie precisam conversar com você.
—Claro! Temos que nos por a par... E céus! Como estão todos?!
—Elena — Stefan acariciou a mão dela enquanto Bonnie e Jeremy trocaram olhares — É sério.
A expressão de Elena mudou, tornou-se um pouco sombria.
—O que foi?
—Elena... Algumas coisas mudaram lá. Muitas... — Começou Jeremy tentando pegar leve, ele deu a mão a Bonnie — Começando com nosso casamento -Elena sorriu empolgada, não por muito tempo — E... Damon -Ele tentou pegar leve, mas Stefan travou os dentes e Elena o encarou com amor — Ele e Rose se casaram... logo depois de sua partida.
—Como nos acharam? -Elena continuou a olhar para Stefan.
—Sua carta... -Explicou Jeremy — Mesmo sem localização me serviu de algo. Eu não desistiria de você, Elena. Eu contratei um detetive. E depois de dois anos... Finalmente, não é? Mas só eu e Bonnie... E o detetive sabíamos dela. Como pediu para eu não mostrar para ninguém.
—Obrigada. — Falou Elena.
—Elena... Precisamos lhe contar algo. — Bonnie deu o primeiro passo.
—O que foi?
—É mamãe, Elena — A voz de Jeremy falhou. -Ela... Eu... Eu fui visita-la está manhã... Ela está doente, sem querer ouvi a conversa de tio John com papai — Ele tentou tomar cuidado com as palavras. Mas Elena estremeceu, certamente ele interpretaria isso errado. Não sabia o efeito que o nome do tio provocava nela, após saber que ele era seu pai. — Eu ouvi o diagnóstico de mamãe... E... Argh, não há um jeito fácil de dizer isso. Ela contraiu tétano. Uma doença...
—Descoberta há dois anos? Sem uma cura especificada? Leio jornais, Jeremy. Aprendi a ler. -Elena comentou com os olhos inundados de lágrimas, ela lutou para limpá-las com os as mãos trêmulas, Stefan a abraçou e ela escorou a cabeça em seu peito se permitindo a alguns soluços e lutando para controlar-se.
—Mamãe? — A voz de sono de uma criança soou na sala, Elena livrou-se das lágrimas em uma velocidade incrível e levantou-se para caminhar até o filho e apanhá-lo no colo.
—Meu querido — Ela beijou sua testa enquanto acariciava seus cabelos -Achei que estivesse dormindo.
—Luke teve pesadelo mamãe! Ruim. Ruim.
—Awn, querido — Mal ele sabia que a vida real era o pior de todos os pesadelos — Agora está tudo bem. Venha aqui.
Ela o protegeu entre seus cabelos enquanto o embalava em seu colo, ela voltou a sentar-se com Stefan que beijou os cabelos de seu filho.
Jeremy estava de pé e só agora Elena se dera conta.
—Jer... Tudo bem? — Ele olhava fixamente para a criança que Elena protegia com os braços — Ah!
—Esse... Ele é...?
Elena conseguiu sorrir, ela se levantou.
—Seu sobrinho?
—É?
Elena riu um pouco.
—Luke? — Elena chamou, Lucas respondeu ao chamado espiando pelos cabelos da mãe — Não quer conhecer seu tio?
O rosto de Luke se tornou vísivel para os outros.
—Titio? -Ele olhou para Jeremy. Que não conseguiu não sorrir para a criança de olhos claros e cabelos caramelo, bochechas rechonchudas.
—É... Ele é irmão da mamãe. Sabia? Seu tio. — Luke havia olhado atentamente para Elena durante sua explicação. Agora fitava Jeremy.
—Titio? — Repetiu.
—Quer pegá-lo? — Perguntou Elena. Luke animou-se no colo dela.
Jeremy estendeu os braços e recebeu a criança que recentemente descobrira ter seu sangue também.
—Hey, garotão. Eu gostaria de ter lhe trazido um presente.
—Presente? Você pode dá presente pra mim!
Eles riram, quebrou a tensão no recinto. Stefan orgulhou-se do filho que fez a mulher que amava rir.
—Eu lhe darei. — Prometeu Jeremy. — Quem sabe uma bola?
—Bola! Você e papai podem joga comigo! — Ele pulou e Jeremy teve dificuldades em segurá-lo. Ele se estendeu para ver Bonnie atrás do ombro de Jeremy. — Quem você é? — Ele inclinou a cabeça para o lado. Bonnie riu e se levantou.
—Essa -Disse Elena -É a melhor amiga da mamãe, a mulher do titio, Titia Bonnie, amor.
—Oi titia! — Ele abanou as mãozinhas.
—Olá, querido. — Bonnie cumprimentou -Como é todo o nome dele?
Elena acariciou seus cabelos enquanto o pequeno brincava com a gravata do tio.
—Lucas Ethan Salvatore. — Ela disse orgulhosa.
— Como não nos contou dele, Elena? — Cobrou Jeremy — Ele é lindo.
—Desculpa. — Ela sentou-se novamente ao lado de Stefan — Fizemos de tudo para mantermos-nos invisíveis. Não funcionou... Graças a Deus.
Eles assentiram, Stefan acariciou os cabelos de Elena e se pronunciou.
—O que quer fazer, meu amor?
Elena deu um longo suspiro.
— Ei... Luke? — Luke virou-se no colo do tio para ver a mãe — O que acha de viajar, querido?
—Viajar? Eu quero! Vamos! Quando mamãe?
Elena soriu para ele.
—Vamos sair hoje — Ela olhou para Stefan — Vamos arrumar as malas?
—Claro, amor.
Os dois levantaram e Stefan aprofundou um beijo na boca de Elena, ela acariciou seu peito. Jeremy pigarreou.
—Há crianças aqui.
Elena se separou de Stefan.
—Ah, qual é Jeremy, você já fez coisas piores.
—Hahaha, você é tão engraçada.
—Elena... — Chamou Bonnie — Estão casados? — Ela gesticulou para Stefan e Elena.
Ambos sorriram lembrando-se.
—Sim — Disse Elena. -Assinamos o contrato que diz isso. E não podia ser melhor.
—Claro que não. — Concordou Stefan acariciando a face dela.
Ela segui-o até o quarto de ambos, onde Stefan abriu a maleta e eles começaram a botar as roupas deles e do bebê. Em meio a isso Elena começou a refletir sobre a conversa. Ela estava perdendo sua mãe. Perdeu dois anos. E se sentia tão culpada. Algumas lágrimas silenciosas escorreram por seus olhos e depois alguns soluços foram arrancados de sua garganta. Stefan parou o que fazia e estendeu a mão para Elena, ela soluçou mais e a pegou. Ele a puxou para seu peito enquanto acariciava os cabelos dela, oferecendo seu apoio e tentando acalma-la.
—Ela vai morrer — Soluçou Elena.
—Isso é uma possibilidade, amor, não uma certeza.
—Não há cura Stefan... Você sabe disse.
—Você sempre teve esperanças Elena...
—E elas sempre me machucaram...
—Ei, ei — Ele ergueu a cabeça dela, para encarar os olhos castanhos cheios de culpa, ele reconheceu aquele olhar — Não tem culpa disso Elena, você sabe que não. Não se torture assim. Se você tiver algum erro cometido, você o remediará. Elena, não diga que as esperanças lhe machucam tanto... Eu tinha tantas esperanças de que você seria minha — Ele botou o cabelo dela para trás da orelha — E agora você é — Beijou a testa dela. — Não tinha esperanças de ter uma família... Como essa?
—Claro, Stefan, vocês são minhas bençãos. Sabe disso... Mas minha mãe... Ah, Deus. — Ela agarrou-se ao peito dele e soluçou mais e mais, até não ter mais forças para manter-se de pé e Stefan a arrastou para seu colo na cama.
—Calma, calma. Tudo bem.
—Nã-o. Não está.
—Vai ficar. Você a verá, se acha que errou com ela se desculpará.
Elena limpou as lágrimas e assentiu.
—Claro... Eu tenho que aproveitar esse tempo.
—Sim... — Ele beijou a testa dela. — Ei... — Ela olhou pra ele — Eu te amo.
Com um fraco sorriso ela respondeu:
—Eu também te amo meu amor. Para sempre.
—E sempre.
Com a mala na mão e o rosto seco eles voltaram a sala, Elena foi a cozinha e desligou as panelas que havia deixado no forno, livrou-se do conteúdo dela e pegou apenas a mamadeira de seu filho e uma fruta para dar a ele caso senti-se faminto.
Com tudo pronto, avisos dados aos amigos, eles partiram. Para chegar em Mystic Falls pela manhã.
Os olhares da cidade estavam neles. Elena sentiu-se desconfortável e apertou o filho adormecido contra o peito. Stefan mantevue sua mão firme na cintura da esposa.
Jeremy abriu a porta da mansão Gilbert para todos entrarem, sendo o último a entrar e contemplar o que menos esperava. Uma sala onde se via, Izobel e John Gilbert, seu pai e... Master Salvatore, Rose Salvatore... E Damon Salvatore.
Todos se levantaram sobressaltados. Aqueles eram Stefan e Elena. E eles haviam voltado. Elena se encolheu para o abraço do marido e tentou tornar o filho invisível ao olhar de todos, principalmente o olhar espantado de Damon. Stefan cerrou os dentes e acolheu a esposa e seu filho.
—Então... — Começou Jeremy — Achei que seria bom trazer Elena de volta.
—Minha filha! — Senhor Gilbert levantou em um salto, abraçou como pode Elena e encarou a criança. — Acho que temos muito a conversar.
—Si-sim — Elena não havia tirado o olhar de Damon, que não havia feito diferente.
— O que ele faz aqui? — Stefa perguntou entre dentes enquanto gesticulava com o queixo para Damon.
—Filho, — Disse Master Salvatore — É bom tê-los de volta... Nós apenas viemos oferecer apoio.
—Argh, grande apoio o de Damon.
Damon olhou irônico para o irmão, Elena e Stefan odiaram isso.
—Bem vindo de volta... irmão, Elena.
Eles iam responder quando foram interrompidos.
—Elena, filha, sentem-se contem essa história... E apresentem essa criança.
Elena sentou-se com Stefan grudado ao seu lado, ela deitou a criança em seu colo e acariciou o rosto dele adormecido, com tanto amor e orgulho nos olhos. Ela ajeitou seu cabelinhos e disse:
—Tudo começa quando fugimos... -Ela contou toda sua desventura amorosa com Stefan, ocultando o fato de que a criança fora gerada antes mesmo de um noivado com Stefan, e do quase assedio de um Damon bêbado. — E esse — Elena gesticulou para Luke — É Lucas Ethan Salvatore, nós o chamamos de Luke. Ele é nosso filho.
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