Cold
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Eu de novo...
POR DAMON
Algumas pessoas estavam gritando.Rose e eu entramos de novo,indo atrás de alguém que pudesse nos informar.Encontramos um cara que trabalhava ali,perto do relógio.O horário era quase o mesmo que o Titanic I havia afundado.–Que inferno que houve lá fora?-Perguntei.Rose estava chorando,segurando minha mão com força.O cara saiu correndo.–Parece que batemos em um iceberg.-Marye disse,se aproximando.–Como não viram? É enorme! E temos radares e sei lá mais o que!–Todos que trabalham aqui estão bêbados,inclusive o capitão.Como vão ver a droga de um iceberg se não sabem nem os próprios nomes? Não chore,menina,vai ficar tudo bem.–O navio é resistente,não é?–Viu o tamanho da coisa em que batemos? Provavelmente afundamos em menos de uma hora.-E saiu.O choro de Rose aumentou.–Shh,calma.–Vamos morrer.-Murmurou.-Vamos morrer,Damon.-Novamente,o chão tremeu.Alguém gritou ¨Segundo Iceberg!¨ e então fomos parar no chão.Lá fora,havia uma névoa que parecia de filme de terror.–Não vamos morrer.Acredite em mim.Cadê seus pais?–Maldição.Eles estão lá embaixo,provavelmente.–Por que?–Yuli está lá.–Quem?–Nossa Golden Retriever.Ela veio com a gente,está numa jaula.-Novamente,batemos em alguma coisa.–Alguém acorde a porra do capitão!-Um homem gritou,passando por nós,correndo.- Vamos morrer!-As luzes piscaram,som de coisas fritando.Íamos ficar no escuro enquanto afundávamos.Não parecia real.–Preciso achar meus pais.–Vamos ficar aqui em cima.-Avisei.-Nada de descer.Vamos afundar mais rápido que o último Titanic.Já deve ter água lá.–Damon,são meus pais.–E se eles não desceram?–Preciso tirar Yuli de lá!–Rose,não.-Ela se soltou de mim e saiu correndo.Garota complicada.Comecei a segui-la.- Rose! Rose McKlair! Rose,volta aqui!–Não!-Lances de muitas escadas,depois...(parecia não ter fim,era enorme!)...Rose parou de correr.-Damon...água.Muita água.-Fiquei ao lado dela.Rose encarou a água como se fosse uma criança frente a frente com o Bicho Papão.Um latido de cão fez ela balançar a cabeça,como se tivesse despertado.-Yuli?-Outro latido.-É ela!–Você não vai lá!Tentei segurar o braço dela,mas a garota era rápida.Desceu as escadas,indo pra água, que estava na altura de seus joelhos.Repentindo a palavra ¨frio¨ como um mantra, continuou indo em direção ao cachorro preso em um cano.–A coleira dela engatou aqui!-Puxou com força.-Não consigo! Damon!-Desci as escadas,e fui até ela.Puxei a coleira uma vez,soltando-a.–Precisamos dar o fora daqui,agora,estávamos num nível muito baixo.–Tá.Yuli!-A cadela se soltou e correu.Rose suspirou e foi atrás dela.-Yuli,aqui menina! Yuli!-Agarrou a coleira,puxando com força.O animal latiu e voltou a correr,indo pra cima.- Volta aqui!–Vamos subir,ela vai direto lá pra cima e alguém vai tirá-la daqui.Vamos logo.-A água estava subindo.Malditos,disseram que a merda do navio era resistente.-Você vai até um dos botes.–Nós vamos.–Mulheres e crianças primeiro,lembra?–Não vou sair dessa droga sem você,Damon.Não tente me convencer.–Você é complicada.Vamos logo.Peguei a mão dela e a puxei comigo.Não haviam barreiras,e não havia terceira classe,mas a agitação era clara.Gritos,sons altos.As luzes voltaram a piscar.Rose parecia apavorada. Ela podia morrer,eu não,só não podia dizer pra ela.Chegamos no convés,havia fogo em alguns pontos.O que diabos estava acontecendo ali, de verdade? Explosões,água...o que era aquilo? Alguns desesperados queriam ajudar a soltar os botes,mas vários deles caíam na água,sem ninguém,acidentalmente.–Rose,me escuta.-A segurei pelos ombros.-Você vai pra um desses botes...–Não.Não sem você.–Me escuta.Vai fazer isso.Viu a droga do filme e sabe o que vai acontecer se não fizer o que eu estou dizendo.–Não vai rolar.Eu não vou sair daqui sem você.-Tudo bem,isso não ia dar certo.–Olha pra mim.–Não.-Olhou pra baixo.-Não.Sem você,eu não vou.–Não é hora de ser Rose DeWitt,droga!-Tudo tremeu de novo,fomos jogados no chão com força.Rose bateu a cabeça na parede,mas continuou consciente.-Precisa ir,não vê que é perigoso?–Sem você eu não saio daqui.Entendeu?–Não seja insistente! Rose era uma personagem!–Eu sou real.E eu não vou sair daqui!–Você é suicida.–Dane-se.-Ouvimos alguém gritar ¨Onde estão os malditos botes?¨,do lado de fora.–Maldição.–Parece que eu vou ter que ficar.–Isso não é bom,sua...boba.-Me levantei,ajudando-a a fazer o mesmo.Nós fomos pro lado de fora,vendo a bagunça que estava ali.–Acho que meus pais não estão aqui.–Significa que eles foram espertos.-Ela olhou pra mim.–Eu não ia abandonar você.–Não estaria abandonando.Íamos nos ver de novo.-Na parte de trás do navio,algo explodiu,todo mundo foi lançado pro chão,agora.Algumas pessoas gritaram ¨Fogo¨ antes que eu pudesse vê-lo.–Damon...–É oficial,vamos afundar.-Levantamos,começando a andar.-Lembra do filme?–Já vi mais de dez vezes.Ganhei esse nome como homenagem,lembra? Espera...o que quer...
–Vamos pular.–Não.-Ela estacou,tive que parar.-Não.Eu não sei nadar,Damon,eu não sei nadar.–Por que não entrou no maldito bote?-Mais lágrimas escorreram pelo rosto dela.-Desculpa gritar,mas...Rose,você tinha que ir.–Não sem você.-Sussurrou,limpando o rosto com a mão.–Tudo bem,vamos.A proa vai erguer,e nós vamos pular.Entendeu?–Não consigo fazer isso,não dá!–Você é corajosa,é forte.Uma garota incrível.Vai conseguir,eu tenho certeza.-Tudo apagou.Um cara bêbado se jogou na água.-Rose,pode fazer isso?–Posso.–Então vamos.Se você já viu o filme,sabe do que eu estava falando.Foi quase a mesma coisa,se bem que Rose não parava de gritar e chorar.Eu queria dizer alguma coisa pra ela,mas...¨vai ficar tudo bem¨ parecia uma mentira.Perdi Rose por alguns segundos,na água.Ela realmente não sabia nadar.A puxei pra cima, preocupado.–Rose?–S-sim?-Murmurou,tremendo.-Fria...m-muito.É pior d-do q-que...i-imaginei.–Eu sei.-Alguma coisa bateu nas minhas costas,alguma coisa que eu não vi direito naquele dia,mas flutuava.Empurrei Rose pra cima dele,que tremia como se fosse aqueles brinquedos de dar corda.–N-n-não s-seja o Jack.-Deitei ao lado dela,aguentava nós dois.Puxei a garota pra perto de mim,abraçando-a.–Eles vão vir...vai dar tudo certo,Rose.–O-odeio e-essa p-p-parte d-do f-filme.Jack...m-morre.–Não vou morrer.Vou ficar com você.E...vamos estar em Nova York,logo,e vamos alugar um apartamento onde tenha lareira.Ou uma casa,talvez.–M-meus p-pais...i-iam pro...Marrocos.–Isso aí.Eles vão e você fica comigo.–P-perfeito.-Fechou os olhos.Deus,eu só queria tirar Rose dali.Parecia uma boneca de porcelana,branca,frágil.Eu não queria vê-la morrer.–Eles estão vindo,ouve isso?–N-não.M-mas p-parece que v-você houve t-tudo.-Engoliu seco,olhando pra mim.–Você precisa resistir.Eu tenho uma coisa pra te contar.–Conta.–Não,não agora.Só vai saber se sobreviver.-Deu um sorriso mínimo,como se seu rosto não pudesse se mexer,e era o único movimento que ela podia fazer.–Q-quero s-saber.–E vai.Sei que vai sobreviver.-Estavam demorando muito.¨Remem mais rápido,malditos¨, pensei.-Onde quer ir,depois de Nova York?–Brasil...é-é q-quente.-Sorri.–Vamos ficar quanto tempo você quiser.–S-seria...b-bom.–E,além disso,vamos onde mais onde quiser.Tem muitos lugares.E podemos até viajar de carro.–T-tudo...m-menos...n-navios.–É,tudo menos isso.Não coloco os pés numa droga dessas de novo.Sabia que é provável que façam um filme? Vamos ficar famosos,Rose.-Ela tentou rir,mas saiu um som estranho.¨Remem,malditos,remem¨.–Q-quero que...Lucy Hale m-me i-interprete.–Não acho que ninguém mais pode fazer meu papel,além de mim.Não seria lindo o suficiente.–N-não,n-não s-seria.M-me...p-pergunto...se...se a-acharam Yuli.–Ela era esperta.Deve ter pulado em algum bote.–D-d-deve.-Ficou um tempo em silêncio.–Não durma,Rose.–P-por q-que...t-tão...f-frio...m-maldito o-oceano?–Eles vão vir.Estão...vindo.Eles...vão nos buscar.–E-eu...v-vou...a-apagar...–Não,não vai.Precisa ficar bem,lembra?-A abracei com mais força.-Não vamos ser como Jack.Vamos sobreviver como Rose.–N-não...c-consigo...-Seus olhos se fecharam,eu podia ouvir o coração dela,cada vez mais lento.–Rose? Ei,Rose,acorda.Rose.É o Jack que morre.Ela nem se mexia mais.Uma lágrima escorreu,fiquei surpreso por ser minha,por estar chorando.Rose não podia morrer,alguém tinha que vir.Mas eles eram lentos demais.E ela já estava quase morrendo.Eu não podia salvá-la.Não podia vê-la partir.Escorreguei pra fora do nosso barco improvisado,e comecei a empurrá-lo.Tinha que levá-la mais rápido até os botes,que não chegariam antes de Rose morrer.–Você vai ficar bem.-Sussurrei.-Vai ficar bem.Eu não me sentia mais egoísta.Talvez (mais provável que fosse assim) o antigo eu empurraria Rose pra água,deixando-a morrer.Mas eu não faria isso,em algum momento, nos poucos dias que passamos juntos,alguma coisa tinha mudado.Eu queria salvá-la, queria estar com ela.E pra isso,ela tinha que estar viva.Uma luz iluminou o corpo de Rose,uma lanterna.Alguém havia chegado.Tentaram me tirar da água,mas eu fiz eles pegarem a garota primeiro,então entrei,abrançando Rose, enquanto um cobertor era colocado sobre nós.Ela ia ficar bem.Tinha que ficar.***–O número de mortos foi maior do que a da última tragédia,em 1912.-A repórter dizia.- Isso foi causado por muitas explosões,fogo e choques.Os sobreviventes foram encaminhados para hospitais em Nova York,o mais rápido possível.Muitos estão em estado grave,e alguns ainda não acordaram.Acompanhe a matéria completa...Tirei os olhos da TV,encarando o chão.Os pais de Rose estavam bem,mas em outro hospital,eu não fazia ideia de onde.E eles não era minha preocupação,e sim a filha deles, que não havia acordado.Rose.Ela estava um pouco melhor,de acordo com os médicos,mesmo assim,eu queria era ver com meus próprios olhos a melhora dela.–Senhor Salvatore?-Ergui a cabeça.Era o médico que sempre vinha me dizer como ela estava.-Se o senhor quiser ver a senhorita McKlair...–Com certeza.-Me levantei,ele apontou para a porta.Eu entrei o mais rápido possível. Rose estava deitada,de olhos fechados,com cobertores grossos a esquentando.A cor tinha voltado ao seu rosto.Estava bem,de verdade.-Rose?-Abriu os olhos,devagar.–Oi.-Murmurou.-Eu...estou...viva?–Está.–Sério?–Arrã.A única coisa é que você provavelmente terá uma gripe daquelas.-Ela riu.–Meus pais? Sabe alguma coisa deles?–Estão bem.E Yuli está num abrigo para cães.-Me sentei na ponta da cama,Rose segurou minha mão.-Ainda quer viajar comigo?–Com toda certeza do mundo.Então...o que queria me contar?–Não sei se devo dizer isso aqui.–Você...é procurado pela polícia?–Não.–Um serial killer? Pode me dizer,Damon,não importa o passado,o que importa é agora. Seja lá o que você fez...–Não é o que eu fiz.É o que eu sou.–E o que você é?-Olhei pro outro lado.Rose empurrou as cobertas e sentou,me fazendo olhar pra ela.-Diz.Pode confiar em mim.–Não é questão de confiar,Rose,é a sua reação que eu temo.–Não sou muito de gritar.Pode dizer.-Olhei pra baixo.–Sou um vampiro.Acredite se quiser.–Eu já sabia.-Olhei pra ela,surpreso.Rose sorria.–Como...?–Não é o primeiro vampiro que eu conheço.Na Índia,três anos atrás,eu conheci Rayler,um vampiro.-Deu de ombros.-Sei que não me machucaria.–Quando percebeu?–Na noite em que nos conhecemos.Não disse nada,queria que contasse,se quisesse.O seu anel te entregou.E...você se move de um jeito...inumano.Sem dúvida vampiro.–Uau.-A porta abriu,era uma enfermeira loira,baixa.–Você já está liberada,senhorita McKlair.-Avisou,e saiu.–Pra onde agora?-Rose perguntou.Sorri antes de responder:–Pra onde você quiser.
Notas finais
É isso. Se leu tudo isso, podia dizer o que achou, não é? :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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