Colapso

8 Capítulo 8 - Aqueles que sobreviveram


Eduardo começou a contar:

Estávamos em horário de prova, todos os 40 alunos da minha sala, era uma prova difícil de matemática, mas dava para se virar bem, até que em certo momento nossa diretora entrou na sala com um homem armado, todos nós nos assustamos imediatamente, mas a diretora acalmou todos com um sorriso no rosto, eu ficava em um lado da sala que era bem próximo à outra sala então eu escutei alguns gritos, eu comentei isso com Roger que deve estar por aí agora (Lucas nessa hora desviou o olhar de Eduardo, que nem notou) e com o Lucas, mas fui interrompido pelo homem fardado que resolveu falar: “Vocês agora pertencem à comunidade ”Humanidade”, deem suas vidas para que seja possível dominarmos o novo mundo”. Um pouco antes de ele terminar a frase a luz desligou na sala, mas antes do caos ser instaurado o homem atirou contra a diretora primeiramente, depois contra a professora e depois descarregou a arma na turma, mas naqueles rápidos segundos que em minha cabeça pareciam bem maiores, eu notei que o homem estava com os olhos fechados e chorando ao atirar. Eu fiquei de olhos fechados esperando o pior, se passaram alguns segundos, o homem fugiu correndo deixando sua arma, eu abri os olhos e vi ao meu lado um amigo meu, ele tinha sido atingido diversas vezes em suas costas apenas para realizar um movimento que foi me puxar para baixo salvando assim a minha vida. Eu olhei para seu rosto, ele sorria antes de cair no chão imóvel, várias pessoas inclusive eu tentaram acordá-lo, mas já era tarde. Quando entendi que sua história tinha terminado ali para que a minha continuasse me dei conta do que estava acontecendo ao olhar para cima, quando levantei minha cabeça vi todos da minha sala sorrindo como em um dia normal, aquilo era meu cérebro pregando uma peça comigo, pois quando pisquei vi alguns colegas já mortos no chão, outros chorando ou gritando, outros tentando ajudar.

Algumas horas se passaram e ninguém veio socorrer os feridos lá dentro e aqueles que saiam não voltavam, até que chegou um momento em que todos resolvemos ir até lá fora, nós encontramos apenas uma cidade em um completo caos, um grupo tentou nos atacar logo quando saímos da escola mas neste instante um homem nos salvou, ele estava armado e fardado também mas este nos levou até o acampamento 201. É assim que nós sobrevivemos ao pico inicial desse colapso, o homem que atirou na nossa sala nós caçamos por um tempo e descobrimos que ele é do grupo de Mike, a maioria de nós seguiu em frente já que matar ele faria com que nós ficássemos no mesmo nível que ele, porém Lídia nunca o esqueceu”.

Luana se sentiu mal por ter perguntado sobre isso, mas Pedro resolveu concluir a história: “O acampamento 201 era uma tentativa de sobrevivência assim como os outros 299 acampamentos além daquele, o acampamento 201 tinha futuro, bom estoque de alimento, geradores, medicamentos, pessoas especializadas em coisas e úteis, treinamento com armas, boas defesas, tudo que desejávamos. Cerca de um mês depois da abertura do acampamento um exército bateu em nossa porta, eles estavam sendo liderados por Mike, eles queria tomar o acampamento em nome de outra pessoa, eu acho que nesta época e talvez até hoje o Mike trabalhe para alguém, talvez tenha subido em uma hierarquia, mas ainda está abaixo de alguém. Voltando, Mike usou seu exército para tentar tomar o acampamento, mas os militares e civis que foram treinados lutamos até não poder mais. Não sei exatamente quem sobrou agora que sei que Eduardo e vocês estavam lá, mas nós acabamos com quase todo o exército de Mike, porém perdemos o acampamento, diversos amigos e familiares naquele dia fatídico”.

Um silêncio total dominou o ambiente, e para cortar o silêncio chegou Renan dizendo: “Vamos enterrá-los agora”. Chovia muito, mas todos estavam ali para prestar luto, Eduardo estava ao lado de Lucas e antes da cerimônia começar ele perguntou onde estava Roger, Lucas respondeu falando que ele também tinha sido um vítima de Mike, isso tornou aquela noite chuvosa ainda pior para Eduardo.

Após 3 horas de enterro, Eduardo, Leandro, Pedro e Lucas se reuniram para discutir aonde ir, Lucas falou de um hospital ali perto, então foi resolvido dividir todo mundo em dois grupos: O primeiro grupo ia ver como era esse hospital e o segundo iria ficar na base caso algo acontecesse. Leandro, Lohane, Lucas, Lídia, Renan e Estela faziam parte do grupo número um, e Eduardo, Pedro, Robert, Luana e Vitória eram do grupo dois.

O grupo um saiu indo em direção ao hospital, na metade do caminho eles encontraram uma loja que parecia com um jornaleiro sofisticado, dentro dele existiam, além dos jornais e revistas, facas e uma espada. Todos ali procuram por comida e pegaram uma das facas, mas Lohane foi quem pegou a espada, ela não sabia naquele momento, mas aquela espada seria usada contra alguns que ela considera aliados e levaria alguns deles a morte, essa espada também marcava o início da discórdia do grupo.