Colégio de Artistas

3 Casa do Aluno parte 1


Todos sabem que não há nada mais desconfortável de acontecer do que dividir um quarto com uma pessoa que ronca quando se tem um sono sensível. Era realmente algo terrível, Milo estava passando por isso agora, Kanon roncava de maneira estrondosa, não sabia como todo o dormitório não estava acordado e se perguntava como Saga conseguia aguentar aquilo.

Após a tentativa frustrante de tentar dormi Milo se deu por vencido: nada poderia competir com o barulho de Kanon. Ele se levantou da cama e caminhou pela região de penumbra que era o seu quarto, tivera muita sorte da lua ajudar a iluminar aquele local onde não poderia acender a luz.

O grego colocou uma calça comum e uma blusa branca de mangas compridas, só precisava disso. Sua ideia era dar uma volta pelo lugar e fazer alguns exercícios para ficar cansado o suficiente para conseguir dormir feito uma rocha e não se incomodar com os roncos.

Já passava de duas horas da manhã e o cansaço extremo não vinha. Já havia nadado quase o colégio inteiro, agora já estava chegando perto da estufa do colégio que ficava na parte mais afastada do mesmo. Aquele era conhecido por ser o local mais bonito de todo o colégio.

Havia uma grande quantidade de rosas, exigência de Afrodite— o cantor cuidava delas sempre que podia, considerava uma forma de relaxamento. Havia alguns bancos para deixar o ambiente parecido com os de filmes romântico e havia um grande piano branco e azul de calda.

Depois de andar mais um pouco ele se aproximou do local, podia-se escutar uma música suave ecoando no local. Uma pessoa estava sentada tocando, só uma pessoa poderia tocar daquela maneira. Camus.

Ele chorava ao mesmo tocava, Milo ficou sabendo do que havia com os pais do pianista. Esse devia ser a forma de Camus expressar o que sentia, ele era francês, frio por causa da sua própria educação provavelmente.

Isso era verdade, mas a frieza de Camus superava qualquer outro francês, ele não tinha o costume de se abrir com as pessoas, sempre fora muito fechado. Porém, a partir de agora não poderia fazer mais isso, não com grego. Milo também já tinha sofrido esse tipo de perda, ele perdera os pais e seus três irmãos em um incêndio quando tinha dez anos, ele foi o único que sobrevivera a catástrofe, ainda tinha uma marca branca contrastando com a pele bronzeada, a lembrança daquele dia estaria sempre com ele. No momento ele tinha o resto da sua família, eles moravam todos juntos em uma casa que é basicamente do mesmo tamanho do prédio do colégio.

Mesmo sabendo que ele não tinha nada a ver com o francês ele foi até ele. Camus fazia um esforço para não chora, seus soluços eram abafados, ele fazia o que todos mandavam quando isso acontecia: “não chore”... Milo era totalmente contra isso.

Camus não tinha percebido que alguém tinha visto aquela cena, percebeu apenas quando sentiu uma mão tocar o seu ombro. Ao levantar o rosto viu o de Milo, mas esse não demonstrava nada que o desagradasse, não mostrava pena e nem compaixão.

O grego apenas sorriu fraco, como se também sentisse a sua dor. Milo sentou ao lado de Camus e o puxou para um braço, atitude impensada, mas isso fez com que Camus desmoronasse.

Embora soubesse que aquele deveria ser um aluno ele não se incomodou, sabia que precisava disso e sabia que aquela pessoa não fazia aquilo com segundas intenções, podia sentir isso.

Eles ficaram desse jeito por um longo tempo, abraçados, Milo não se incomodou em ficar até o amanhecer desse jeito com Camus, sabia que o francês precisava disso.

–-Obrigado — agradeceu Camus quebrando o abraço, ele já estava mais calmo e não soluçava mais, apenas a dor insistia em permanecer.

Milo lhe direcionou um sorriso singelo. Por algum motivo havia simpatizado com o rapaz.

Camus se levantou e lhe estendeu a mão.

–-Venha—falou—vou pegar uma das minhas camisas para você usar, acabei sujando a sua.

Milo pegou não mão do francês e eles foram para o local onde ficavam os professores. Ele se surpreendeu ao ver que Camus se direcionava a uma casa de tamanho considerável atrás da estufa.

No momento que eles entraram na casa Milo ficou chocado. Era uma sala de estar com uma grande mesa posta, Afrodite, um tal de Aldebaran que seria seu professor, Shaka e Saga estavam lá. O que Saga estaria fazendo lá?

–-Alguns professores vivem juntos aqui— explicou Camus— e aquele rapaz de cabelo azul é o namorado do Shaka, ele é estudante também.

Saga parou de comer o seu sanduiche natural feito por Shaka e acenou para Milo.

–-Pela sua cara o Kanon não te deixou dormir né Milo?

Saga e Camus pareciam ser os únicos que ligavam para existência de Milo, mas depois do comentário de Saga todos focavam a atenção em si.

–-Então você deve ser o rapaz que divide o quarto com o Saga e o irmão dele— falou Shaka— eu passei pela porta e escutei os roncos do Kanon, na hora eu pedi para o Saga sair de lá. Coitado de você que escutou aquilo.

Eles riram.

–-O kanon parece mesmo um monstro roncando—confirmou Saga.

Camus ignorava a presença daquele rapaz, ele puxou Milo novamente pela mão e o levou ao seu quarto, desse modo poderia lhe dar logo uma camisa para que ele não ficasse com aquela suja de lagrimas e toda catarrenta. Também não queria encarar aqueles que estavam na sala e que provavelmente já deviam ter notado que estava chorando.

–-Aqui está a camisa— falou Camus— espero que essa caiba em você.

–-Obrigado— agradeceu Milo.

A camisa ficaria um pouco justa, mas nada muito alarmente. Ele tirou a sua sem se importar com a presença de Camus e colocou a outra, tinha esquecido completamente da sua cicatriz.

Olhou para Camus e percebeu que o mesmo estava vermelho olhando para o lado, provavelmente para não ver o seu corpo, ele estava quase ficando roxo. Bonito, observou Milo.

–-Desculpe— falou Milo— não pensei que se incomodaria com isso.

–-Sem problemas— falou Camus— gostaria de se juntar a nós para o café?

Por mais que estivesse com muita vontade de fazer isso, ele não faria, ainda não tinha intimidade para fazer isso e não queria se sentir deslocado. Recusaria a oferta.

........................................................................................................................................................

Quarto 211

O despertador tocou de maneira ensurdecedora. Aiolia, Aiolos e Shun acordaram afobados, marcaram aquele horário no relógio, pois não queria correr o risco de se atrasar como aconteceu na hora da palestra, atraso nesse colégio era algo intolerável. Porém, nenhum deles possuía a mínima vontade de se levantar já que eram seis da matina.

Aiolia foi o primeiro a estender a mão para bater no despertador com o propósito de fazê-lo parar de tocar, não havia nada mais detestável do que ter que acordar a força, mais agradecia aos céus por ser um despertador e não um de seus primos. A sua família era bem pior.

–-Bom dia!—disse Shun empolgado se levantando e indo em direção ao banheiro, ele seria o primeiro a tomar banho.

Aiolos se levantou sem empolgação, não tinha a menor vontade de ficar em pé, mas tinha que ir organizar as suas roupas que estavam na mala no armário...

Aiolia e Aiolos são irmãos legítimos, mas Aiolia surgiu depois da separação de seus pais e ele só fora reconhecido quando tinha 15 anos por seu pai já que o chefe da família não sabia da sua existência. Porém, não foi nada incomodo se juntar novamente a família, sua mãe voltara com seu pai e eles vivem juntos até hoje.

Era perfeito ficar em casa. Afinal, todos os seus parentes moram no mesmo local, inclusive seu primo estaria aqui estudando com o objetivo de ser cantor. O esquema da sua casa era ótimo, como ela era muito grande cada integrante da família um tinha um quarto só para si e a casa tinha três salas de estar, duas salas de jogos, uma academia para as atividades físicas e para as meninas que gostavam de dançar, não podia se esquecer da quadra poliesportiva e a grande piscina que tinha no local. Sua família era muito rica, eles são donos de uma grande linhagem de hotéis e aquele lugar ia ser um hotel, mas a família decidiu se juntar para morarem todos em um único lugar. As brigas eram constantes, e as pazes também.

–-Espero que o Shun saia do banho logo— comentou Aiolia— nós combinamos de nos encontrarmos com o Milo no refeitório para depois irmos pra casa, mal posso esperar para voltar.

Aiolos riu.

–-Ora Olia, você sabe que chegamos aqui ontem, não tivemos tempo nem de respirar e você já sente falta daquela casa— falava descontraído— você sabe que teremos que voltar de novo para o colégio para nos enturmamos.

–-Sei disso, aproveita e pergunta se o Shun quer ir.

Logo a porta foi do banheiro foi aberta e Aiolia entrou para tomar seu banho.

Enquanto isso Aiolos convidou Shun para ir a sua casa. O garoto aceitou imediatamente, não queria ficar em um lugar onde não conhecia as pessoas.

–-Que bom!—disse Aiolia quando saiu do banho e ficou sabendo que Shun iria.

Assim que Aiolos voltou do banho ele e Aiolia seguiram para o refeitório, Shun disse que iria andar pelo colégio. Os irmãos falaram a ele que se ele quisesse chamar alguma pessoa poderia chamar, quanto mais gente melhor.

Milo já se encontrava no refeitório, ele estava comendo seu café da manhã, ele comia penas um maçã e seu olhar mostrava que não tivera uma boa noite de sono. Kanon estava ao seu lado, ele aparentemente já havia terminado o seu café.

–-Bom dia Milo!— falou Aiolia empolgado recebendo apenas um sorriso do primo— nós chamamos um amigo nosso para ir com a gente.

–-Eu chamei o Kanon— disse Milo apontando para o azulado— o irmão dele também foi chamado, talvez ele leve o namorado, mas acho isso bem difícil.

–-Olá— disse Kanon simpático sendo cumprimentado pelos primos do grego logo em seguida .

O café da manhã se passou rapidamente. Eles já se encontravam no estacionamento do lugar, Milo estava dentro do seu carro com Kanon, uma BMW branca e Aiolia estava junto com seu irmão no seu conversível azul. Só faltava Saga e Shun para seguirem para a casa dos gregos.

Depois de um longo tempo de espera, Kanon recebeu uma mensagem de Saga, ele contava que estava com Shun e disse que levaria alguns dos professores para o local. Saga não foi específico, mas isso significava que eles poderiam seguir sem ele e foi o que fizeram. Em vinte minutos já se encontravam na casa dos gregos.

.........................................................................................................................................................

Enquanto isso na casa dos professores...

Camus estava terminando de tomar seu café da manhã junto com seu irmão, ambos estavam arrumados, pois Hyoga foi chamado por um amigo para ir para a casa de dos amigos dele. Hyoga não estava muito empolgado para ir, mas Camus falou que seria bom para o irmão espairecer um pouco. Porém, Hyoga falara que se ele tinha que ir, o irmão iria também, então Camus concordou em ir. Essa semana Hyoga teria seu apoio para tudo devido ao que aconteceu.

Ele não fazia a mínima ideia de quem era a casa, mas ele não iria sozinho, Saga levaria Shaka consigo e o tal garoto que chamou Hyoga, Shun.

Assim que terminaram o café ele seguiram para a casa, Saga lia a mensagem de Kanon para explicar como era o caminho para se chegar lá. Logo eles pararam em frente a um grande portão e ficaram abismados, o lugar era extremamente grande, mas assim que comentaram isso Saga explicou o motivo contando que toda a família morava ali.

–-Eu mandei uma mensagem pro Kanon— falou Saga— ele já deve estar chegando para abrir esse portão.

Continua...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.