Colégio masculino Bewford, localizado na região de Los Angeles, Califórnia.Fundado em 1890, o colégio com mais de cem anos de tradição recebe todos os anos distintos alunos, filhos de pessoas do mais auto escalão da sociedade.Uma antiga arquitetura de pedras localizada no centro de um vasto campo, longe o suficiente das tentações da cidade.Assim centrando a atenção dos jovens alunos nos estudos e nas responsabilidades que futuramente cairão sobre seus ombros.

Setembro, as aulas haviam começado há menos de um mês e os professores não deixavam os garotos descansar.Era fim de tarde e a sala de aula do terceiro ano ainda se encontrava com seus trinta alunos trancafiados lá dentro.As mesas estavam espalhadas e os garotos faziam um trabalho em grupo e discutiam temas variados.Trajados de ternos negros e gravatas vermelhas, aquela mais parecia uma sala de empresários ou advogados debatendo alguma sentença importante.Os jovens alunos do colégio Bewford carregavam sempre uma exemplar discrição sobre suas moralidades, eram os maiores herdeiros do país e tinham que agir como tais, sempre mantendo as aparências.

Um grupo de alunos discutia abertamente próxima a mesa do professor de sociologia.Estavam em cinco e os livros e cadernos abertos sobre a mesa indicavam que estavam concentrados em completar aquele trabalho exaustivo.Mero engano, os cinco discutiam sim, mais não era sobre o trabalho.

-Mais tarde posso passar no seu dormitório sem problemas, anota o numero do seu quarto em um papel e me entrega quando sairmos da sala.

-Ainda não discutimos as condições...

-Depois da aula, agora vai se não a mala do professor vai pegar no meu pé.

-Te espero lá fora então.

Couer estava debruçado sobre a mesa enquanto observava o rapaz moreno se distanciar dele.Passou a mão pelo cabelo castanho liso que se espalhava por sua testa e abriu um pequeno sorriso voltando a se sentar na cadeira e se esparramando nessa, mantendo ainda um sorriso travesso naqueles lábios carnudos.Sem via de duvidas não passava de um perfeito playboy.

-Não sei por que você ainda faz parte do nosso grupo Couer, sinceramente você nunca ajuda em nada.

O rapaz de olhos e cabelos negros sentado de frente para Couer comentou seguindo com o olhar o garoto que acabava de deixar a sala.

-Não vem que não tem David, eu já fiz minha parte é por isso que estou atóa agora.- Se defendeu Couer com o mesmo sorriso formado no rosto, encarando a cara feia que o amigo fazia.

David balançou a cabeça em sinal negativo, não adiantava discutir com Couer, já desistira dele fazia anos.Apesar de seu porte avantajado e de medir quase dois metros de altura, David podia por medo em muitos garotos dentro daquele colégio, mais não em Couer, esse já era demais abusado para se assustar com simples massa muscular.

-Cara feia pra mim é fome viu.- Debateu o playboy se debruçando na mesa e passando a mão pelo rosto másculo do amigo, levando um tapa no braço e um resmungo.- Sem dizer que temos esse nerd na nossa equipe, ele serve para fazer as tarefas mais pesadas não é?

O garoto magricela de óculos de lentes grossas, sentado ao lado de David corou no mesmo instante.Sentindo a lapiseira deslizar sobre seus dedos longos e finos, levantou a cabeça para encarar Couer.O rapaz estava se dirigindo a ele, finalmente tinha uma chance de puxar uma conversa.

-Será que você pode parar de dizer besteira só um segundo Couer?

Aquele tom de voz raivoso e serio saiu do garoto sentado ao lado de Couer.O rapaz estava debruçado na mesa com um ar de aspereza e encarava o amigo com um semblante bastante carregado.Seus olhos azuis muito claros faziam um contraste incrível com seu cabelo castanho escuro e sua bela face, com certeza estava na lista de “playboy” do colégio.

-Não sei que tipo de “besteiras” você se refere Maison.- Resmungou Couer erguendo uma sobrancelha para o garoto.

-Deixa ele Maison, o Couer adora ser o centro das atenções como sempre.-Comentou David com um ar descontraído.-Deixa o senhor popularidade se achar.

Couer sentiu seus músculos se contraírem com raiva, já ia abrir a boca para debater o amigo mais foi impedido pelo sinal que acabava de tocar, dando a aula como terminada.

Os alunos daquela sala do terceiro ano entregaram em ordem os trabalhos ao professor na mesa e logo se retiraram da sala.O corredor ate pouco tempo silencioso agora se enchia com as vozes dos alunos no primeiro andar, e logo todos se encaminhavam para o amplo salão onde bem no centro havia uma grande escadaria que os levariam aos dormitórios.Mais aqueles jovens não poderiam estar mais animados, apesar de uma sexta feira bastante estressante com o professor de sociologia, não podiam negar que o final de semana era um descanso por demais merecido por eles.Nas escadas já afrouxavam as gravatas e retiravam os paletós, loucos por um pouco de liberdade.

À noite por volta das sete horas o salão da cantina estava cheio.O local era bastante amplo e espaçoso e dava lugar a varias mesas retangulares enfeitadas sempre de variadas frutas e sobremesas após cada refeição.Os alunos estavam vestidos a vontade, ainda assim apesar das roupas mais soltas possuíam todo aquele ar de garotos pomposos, os quais os diferenciavam com certezas de jovens comuns.

Em umas das mesas do centro Couer estava sentado com seus amigos, falava e ria o tempo todo e qualquer que fosse o assunto que tratasse era sempre o centro das atenções.Um perfeito playboy da alta sociedade, bonito, popular e carismático era um líder nato e com um futuro bastante genial por sinal, um garoto perfeito aos olhos da sociedade e o típico rapaz prodígio.

Após o jantar o salão da cantina estava quase vazio.Couer estava entusiasmado com seus amigos debatendo qualquer assunto que surgira no momento.Entre tantas risadas e euforia, ele reparou que encostado à porta do salão um garoto moreno estava de braços cruzados esperando.O sorriso de Couer logo se tornou malicioso e pedindo licença aos amigos deixou a mesa em passos largos seguindo ate o garoto.

-Onde pensa que o senhor vai?

Couer deteve seu caminho ao ouvir a voz de seu melhor amigo o chamando.Encarou por cima do ombro a imagem de Maison que havia saído da mesa no mesmo instante que viu Couer fazer o mesmo.

-Maison.- Suspirou o nome do amigo e se virou para ele coçando o queixo em um sinal infantil.-Tudo bem?Quer alguma coisa?

-Quero saber por que saiu da mesa, por um acaso você vai fazer o que?- Os olhos azuis de Maison se estreitaram para um ponto atrás de Couer, recaindo sobre o garoto que estava impaciente na porta.

-Mau cara, mas...Tipo...Vou ficar sem grana esse mês, meus pais você sabe como eles são.Tenho alguns lances para resolver e estou mesmo precisando de grana.

-Me fala de quanto precisa.-Pediu Maison já tirando a carteira do bolso.

-Não cara...Não quero seu dinheiro.-Explicouparecendo impaciente.- Eu tenho como arranjar a minha grana beleza?E gosto do que faço.

-Você prometeu que não se venderia mais.- Repeliu Maison furioso.-Me jurou que dessa vez ia parar com essa merda.-Seu tom de voz já era alto e alguns garotos já observavam a conversa.

-Maison fala mais baixo.-Repreendeu o amigo ficando nervoso.- Olha aqui, não adianta me olhar com essa cara de nervosinho que não cola.Eu gosto de ser assim falou?É meu trabalho, curto o que faço é grana fácil e não preciso me rebaixar para aqueles coroas me darem dinheiro.Estou cansado de melhorar por eles, estou cansado de saber que eles me desprezam, cansei de fingir que sou um bom garoto.Sinto muito cara, mais estou quebrando a nossa promessa.

Maison ficou perplexo ao ouvir aquilo, Couer já se distanciava dele em direção ao moreno.Seu melhor amigo, a pessoa que mais amava no mundo se vendendo daquele jeito.Não conseguia acreditar como aquele cara podia ser tão idiota, fechou o punho irado desistindo de uma vez por todas de por juízo na cabeça daquele desmiolado.

Os dormitórios em Bewford eram divididos entre os garotos do primeiro ao terceiro ano.Cada dormitório era amplo e possuía três camas, uma mesa de estudos e três cômodas. Havia uma regra nos quartos, onde as portas não eram trancadas á chave, mas era permanentemente proibida a entrada de qualquer aluno que não pertencesse a tal dormitório invadir espaço alheio sem consentimento de um dos moradores.Caso isso acontecesse seria avisado ao diretor e esse passaria uma correção imediata no aluno infrator.Por esse motivo, Couer precisava sempre estar alerto a essas pequenas regras e ficar sempre esperando quando seus “clientes” fossem procura-lo.Mais aquilo já não era um problema, depois de dois anos nesse ramo as coisas começaram a fluir naturalmente e já há muito tempo havia tomado gosto pela adrenalina correndo em suas veias sempre que um garoto lhe procurava cheios de expectativas...Seu auto-ego era enorme.

-Quarto 2B, então sou seu veterano.-Debochou Couer assim que avistou a placa na porta indicando o numero do dormitório.

-Eu fiquei te esperando por horas, pensei que você viesse aqui.-Debateu o garoto entrando no quarto e dando passagem para o veterano.

Couer entrou e fitou a única cama que estava arrumada, as outras duas estavam desarrumadas sendo que uma delas já estava ocupada por seu dono que roncava.

-Vamos fazer aqui mesmo?Seus companheiros de quarto não vão causar encrencas?- Perguntou Couer já retirando a jaqueta.

-Relaxa, foram eles mesmo que me indicaram você.- O garoto sorriu e apagou a luz observando Couer só pela luz acesa do abajur ao lado de sua cama.

-Ah ótimo!- Um tom irônico se fez na voz de Couer.-Antigos clientes ein.

O garoto não relaxou com esse comentário.Foi ate a cama que estava arrumada e se sentou levando as mãos para o joelho e logo em seguida abaixou a cabeça olhando para os pés.Couer sabia muito bem o que tinha que fazer;

-É a sua primeira vez? – Perguntou aos pés do garoto, ajoelhado a sua frente acariciando seus cabelos negros.

-S...Sim.-Murmurou tímido.

-Tudo bem.

Couer era bastante experiente com esse tipo de garotos, tratou logo de tirar a camiseta e a calça deixando o moreno ruborizado diante de si.Deitou o garoto na cama e logo se pôs sobre seu corpo, beijando seus lábios e seu pescoço.Assim que sentiu que o menino estava mais solto resolveu avançar e desceu puxando a camisa do garoto para cima, beijando seu tórax e subindo para seus mamilos mordendo de leve, o excitando.

Aos poucos o moreno cedia e Couer aproveitava para explorar mais daquele corpo virgem.O menino já estava entregue a ele, despido embaixo de seu corpo se contorcendo com prazer enquanto o experiente garoto de programa o excitava, o penetrava, um repetido movimento de vai e vem frenético.O barulho dos corpos se chocando, o suor, os gemidos e o êxtase.

A cama ainda estava molhada quando Couer se levantou e acendeu a luz do abajur procurando sua roupa.Analisou o quarto e encarou a cama onde as outras duas figuras dormiam tranqüilamente, provavelmente deveriam ter assistido toda sua transa com o companheiro de quarto.Mais eles também já haviam sido seus clientes, não dava para acreditar, já tinha dormido com tantos garotos naqueles dois anos que esteve ali que ate já tinha perdido as contas.Assim que estava vestido foi ate o criado-mudo e puxou um envelope embaixo do abajur, era seu pagamento.O garoto tinha feito do jeito que combinaramdeixando ali o dinheiro de seu serviço.Abriu o envelope: Mil e quinhentos dólares!Deixou um riso debochado se formar em seus lindos lábios estava de volta à ativa, mais outro ano ganhando dinheiro fácil às custas de garotos apaixonados.

Couer deixou o quarto sem fazer nenhum barulho, cobriu o garoto antes de sair depositando um beijo em seus lábios e apagou a luz do abajur.Saiu cantarolando pelo corredor e enfiou o envelope com dinheiro dentro do bolso, não podia estar mais satisfeito consigo mesmo, de alguma coisa servia ser tão belo quanto era.Assim que chegou em seu quarto deitou-se na cama exausto e encarou o relógio no criado-mudo que marcavam quatro horas da manha, aquela noite rendera.Espreguiçou bocejando e fechou os olhos sonhando com sua própria sorte.

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Era inicio de outubro,o vento do outono varria as folhas no campus do colégio Bewford aquela noite.Um garoto estava sentado no gramado, encarava aquela noite agitada com uma expressão melancólica naqueles tão belos olhos verdes.O vento arrogante balançava as copas das arvores espalhando as folhas secas e amareladas pelo chão, os cabelos loiros do garoto esvoaçavam com a forte ventania, mais ele parecia não se importar e se deitou no chão de folhas com os braços abertos encarando o céu sem estrelas.O semblante carregado de tristeza, aqueles olhos tão lindos.Logo lagrimas começam a rolar pelo rosto do garoto que fechou os olhos tentando deter os soluços involuntários, mais desistiu, era melhor por sua dor para fora, o único modo de vencer isso era superando seus próprios medos.

Já fazia dois dias que havia chegado no colégio Bewford e não se enturmara com ninguém.Seus dois colegas de quarto não foram nada receptivos com ele, pareciam estar fechados em seus próprios mundinhos e o trataram friamente como se fosse um fantasma.Não que ele se importasse mais naquele momento tão delicado da sua vida a ultima coisa que queria era ficar sozinho com suas dores.Ultimamente pensava muito, principalmente na súbita decisão de seus pais de o mandarem para aquele colégio.Não que houvesse muita surpresa, afinal desde que soubera que ia ganhar um irmãozinho já temia que seus pais o quisessem longe.Não que odiasse a idéia de ter um irmão, muito pelo contrario, não se importaria em dividir seu espaço com seu novo irmãozinho, mais sabia perfeitamente o motivo de não quererem encaixa-lo naquela família: Eles não o queriam mais, talvez por ser adotado e com a chegada de um filho legitimo...

Realmente ele os entendia, não queria prejudica-los.Pelo menos teria uma educação e não seria abandonado a própria sorte, não sentiria uma vez mais a sensação do abandono mesmo que isso que estivesse sentindo naquele momento fosse como se tudo lhe estivesse mais uma vez escapando por entre os dedos,e ele não pudesse fazer nada para evitar.Seus olhos voltaram a esquadrinhar o céu, agora de uma cor acinzentada e muito mais triste que antes, estava sozinho e não conseguia conter aquela dor, o céu era a única testemunha de suas lagrimas, pelo menos era o que pensava.

Em uma das janelas daquela bela construção um rapaz espreitava por trás das cortinas.Seu corpo nu estava enrolado por um fino lençol e o vento brincava com seus cabelos, seu semblante era sereno.Seus olhos cor de mel se fixaram no garoto novato que estava disperso a tudo, o estava analisando a algum tempo, de um certo modo ele o intrigava.Desde que chegara vivia sozinho e chorando pelos corredores, não falava com ninguém e sentava afastado de todos, era um garoto por demais esquisito.Perdido em pensamentos teve sua concentração interrompida com um leve sussurro que vinha da cama.

-Couer...Volta pra cama.-Pediu um rapaz em um sussurro.

Couer voltou seu olhar ao dono da voz e percebeu que ele ainda dormia, passou a mão pelo cabelo castanho e abriu um pequeno sorriso.Se aproximou do criado-mudo e puxou debaixo de um abajur uma certa quantia em dinheiro.

-É, parece que as coisas estão começando a melhorar.

Seu sorriso era malicioso e de satisfação.Começou a pegar suas roupas espalhadas pelo chão e se vestiu, tratando de se retirar logo daquele quarto antes que alguém chegasse.Olhou para os corredores vazios e abriu um belo sorriso no rosto e saiu colocando o dinheiro no bolso da calça e assobiando uma musica conhecida.Sua estabilidade financeira estava muito mais do que garantida dentro daquele lugar.