Colégio Masculino Bewford

4 Capítulo 3:Conturbados sentimentos.


Cap1: Conturbados sentimentos.

O céu estava nublado e a chuva intensa ainda caia forte naquele campus.A ventania forte tombava a copas das arvores e varria feroz as folhas e tudo que encontrava pela frente.Aquele mau tempo já durava alguns dias, mas dentro daquela imensa arquitetura tudo se encontrava na mais perfeita ordem.Principalmente entre os estudantes que naquele momento estavam no salão da cantina desfrutando de outro magnífico jantar e nem se importaram quando um raio veloz cruzou o céu seguido de um enorme estrondo.

Alguns estudantes se assustaram e outros correram para as imensas janelas que contornavam o salão, todos muito eufóricos por causa daquele temporal que poderia causar a suspensão das aulas de educação física.Nesse aspecto a maioria dos alunos estava rezando para que aquela chuva durasse mais alguns dias.Na mesa de centro vários jovens conversavam animados, falavam alto e davam gargalhadas caçoando dos calouros que estavam se borrando de medo da chuva.

No meio de toda aquela aglomeração de vozes, risadas e deboches um garoto loiro estava imóvel próximo ao balcão.Segurava a bandeja com o jantar nas mãos e olhava para todo aquele imenso salão.Nunca foi acostumado a passar o dia todo com pessoas desconhecidas, e muito menos tinha conhecidos ou amigos de sua idade, sempre foi um garoto bastante fechado no próprio mundinho e agora que estava naquele colégio cheio de adolescentes não fazia nem idéia do que fazer. Mas uma coisa ele tinha certeza, estava com fome e tinha que se sentar em algum lugar para comer, antes que a sua comida esfriasse.

-Oi tem alguém sentado aqui?- Perguntou educadamente ao ver um local vago.

-Se por acaso eu disser que tem.O que você vai fazer moleque?

-Bem...- Tentou seu melhor sorriso.-Ai eu vou procurar outro lugar!- Saiu pedindo licença. “Seu estúpido”,como queria gritar isso com todas as suas forças.

Saiu desanimado em busca de outro canto para se sentar.Seria muito mais fácil se fosse acompanhado pelos seus colegas de quarto, mais esses nem o olhavam na cara e nem um “Bom dia” lhe davam pela manha.Nunca imaginou que seria tão difícil ser aceito no meio daqueles adolescentes, se sentia um perfeito peixe fora dágua.

Os garotos sentados na mesa de centro continuavam chamando a atenção como sempre, mas um em particular havia parado a brincadeira fazia um bom tempo.Estava inerte a tudo debruçado na mesa mexia no jantar e observava um garoto loiro procurando um lugar para se sentar no meio daquele aglomerado de alunos.

-Hei Couer, o que ouve?- Uma voz conhecida o despertou de seus devaneios.

-Nada...- Murmurou Couer se recompondo e voltando sua atenção para o amigo.- Maison que tal a gente mexer com aquele pivete ali?- Propôs apontando para o loiro que ainda procurava um lugar para se sentar.

-Quem?- Maison perguntou se virando para encarar o garoto que o amigo apontava e logo deu de ombros.- Você quem sabe cara.

Couer não pôde deixar de abrir um sorriso satisfeito nos lábios, desde que aquele garoto tinha chegado no colégio não pensava em outra coisa a não ser em implicar com o calouro.Percebendo que o loiro se aproximava Couer se inclinou para trás agarrando a borda da mesa fazendo seu cabelo cair sensualmente por seu rosto perfeito, aproveitando que todos seus amigos olhavam intrigados na sua direção fez questão de se mostrar, como sempre!

-Hei loirinho!- Gritou percebendo que o calouro logo parou seu trajeto.

O garoto sentiu um arrepio ao ouvir aquilo e respirou fundo fingindo que não era com ele e continuou seu caminho ate ouvir o grito novamente.

-Por acaso você é surdo?

Couer estava debochando do garoto, claro isso era bastante natural.O loiro fechou os olhos respirando fundo e se voltou na direção do rapaz que o envergonhara, olhou ao redor e percebeu que todos haviam parado o que faziam somente para deixa-lo mais encabulado do que já estava.

-Pode vir aqui, eu não mordo.- Disse Couer com um tom sacana na voz.-Tem um lugar bem aqui do meu lado, pode vir.-Mostrou empurrando um garoto que estava do seu lado.

Constrangido e de cabeça baixa o loiro caminhou o mais rápido possível ate o local vago e se sentou imediatamente arrumando o prato sobre a mesa.Rezando para que o rapaz ao seu lado não implicasse com ele, pegou os talheres e começou a enfiar logo a comida na boca.

Couer analisou o garoto sentado ao seu lado e debruçou-se sobre a mesa o encarando seriamente.Já fazia alguns dias que o observava e estava interessado em saber mais algumas coisas sobre ele.Percebendo que o menino estava travado resolveu quebrar o gelo e puxar algum assunto.

-Qual seu nome?

-Tho...Thomas.- Respondeu o loiro gaguejando e tremendo.

-Olá Tho... Thomas. — Cumprimentou brincando.-Eu sou Couer e aquele do seu lado é o Maison.-Apontou para o amigo ao lado.

-Oi. – Cumprimentou Maison apertando a mão de Thomas e encarando Couer com um semblante bastante desconfiado.

-Você não é muito de conversa não é Thomas?- Perguntou o veterano analisando toda a feição do garoto, já se irritando com a timidez do garoto.

-B...Bem...Eu cheguei anteontem e não consegui me inturmar ainda.

-Que isso cara, você andando sozinho por ai desse jeito.Pode ser perigoso sabia?Ainda mais sendo tão gostosinho.- Murmurou Couer de um modo sacana e lambendo os lábios pervertidos.

-Como assim?- Thomas perguntou curioso, não estava gostando nada da investida daquele garoto metido ao seu lado.

-Bem eu explico.-Se adiantou Maison.- Aqui é um internato só para garotos e tem alguns garotos que são meio afins de garotos sabe?Isso chega a ser meio comum por aqui, logo os garotos estarão te assediando por ai.

Thomas arregalou os olhos e abaixou a cabeça encarando seu jantar.Nunca imaginou que depararia com situação tão constrangedora, muito menos que estaria em um local com pessoas que curtissem o mesmo sexo.Que tipo de lugar tinha se metido, agora seria cantado por homens dentro daquele colégio?Ate que ponto poderia chegar o assedio daqueles garotos?Não estava querendo ser um alvo tão fácil naquele lugar, mas será que poderia acreditar no que aqueles garotos acabaram de lhe dizer?E se por acaso fosse só invenção, deveria ficar atento.

-Relaxa gatinho.- Aconselhou Couer passando a mão pela coxa do garoto. — Logo, logo você se acostuma com os padrões de Bewford.

Os olhos verdes não poderiam estar mais assustados, Thomas sentiu o sangue subir para as suas bochechas e corou na hora.Se aquilo tudo fosse uma brincadeira por que aquele cara deslizava a mão por sua coxa tão ousadamente? O certo seria empurra-lo e se desviar do assedio daquele garoto.Estava decidido a fazer isso mais sentiu um forte puxão no seu rosto, arregalou ainda mais os olhos ao perceber que estava cara a cara com Couer, sentia a respiração do garoto contra seu rosto de tão perto que estavam.Seu rosto ficou ainda mais vermelho ao encarar aqueles olhos mel tão de perto, desviou a atenção para os lábios de seu agressor, tão suculentos e vermelhos como maças, um sorriso tão lindo.

-E ai, gosta do que vê?- Perguntou Couer com uma voz bastante sensual.- Quer provar?

-Eu...Eu...- Thomas ficou sem palavras, não sabia o que estava fazendo só fechou os olhos como resposta.

Do outro lado uma risada agitada quebra toda a tensão.Thomas abre os olhos sem entender nada e encara Maison que se divertia com a cena que presenciava.

-Coitado do garoto Couer ele ta quase te comendo vivo cara.- Debochou Maison tentando conter a gargalhada.

Thomas ficou sem entender e percebeu que Couer entrava na onda do amigo e ria divertido, ambos debochando da sua cara.Maison percebendo que o garoto ficava sem graça resolveu parar de tirar sarro dele explicando a situação.

-Liga não Thomas o Couer é sempre assim, adora seduzir os novatos.

-É, mas dessa vez eu consegui.- A resposta de Couer veio seca.

Maison perdeu todo seu tom irônico olhando espantado para seu melhor amigo.Percebendo que o negocio era serio reparou que Thomas ficava corado e Couer já se levantava com um semblante bastante carregado.

-Vamos sair daqui.- Exigiu Couer friamente se virando logo a seguir para Thomas.-E você garoto esqueça a brincadeira, eu sou caro!Cobro ate por um beijo. – Disse ríspido e saiu apressado do salão.

A expressão na cara de Maison não poderia estar mais chocada.Percebendo que a situação era grave o rapaz se levantou da mesa querendo ter uma conversa bastante seria com seu amigo, mas antes de ir resolveu esclarecer a mente confusa de Thomas.

-Ele é prostituto.É um dos mais caros do colégio, ele não tem sentimentos por ninguém!Thomas esquece ele.- Alertou dando as costas para o garoto e deixando logo o salão.

-Prostituto?- Thomas se perguntou sem entender.- Mais quem disse que eu o quero?- Sem dar atenção para aquela situação voltou a saborear o seu jantar.

Nos corredores para os dormitórios Couer estava furioso.Seguiu ate seu quarto soltando vários palavrões pelo caminho e assim que entrou no quarto jogou com força a porta contra a parede.Maison que vinha bem atrás viu a porta tremer e se deu conta que a situação era mais grave do que esperava.Viu Couer sentado na cama com as mãos na cabeça e se sentou na cama de frente para ele, observando o amigo se recuperar do ataque que acabara de dar.

-Calma cara o que aconteceu para você ficar desse jeito?

-Aquele moleque.Aquele Thomas...- Couer passou a mão pelo cabelo tirando uma mecha que caia sobre seus olhos.- Você viu o descaramento daquele pirralho?- Perguntou já suando de tanto nervosismo.- Nunca vi alguém tão desprezível.

-Não vi nada demais.-Respondeu Maison receoso e não entendendo onde o amigo queria chegar.- Couer, o garoto só queria um lugar para se sentar e você começou a assedia-lo.

-Mais ele não deveria ter retribuído as minhas investidas, aquele lixo pensou que poderia me ter é um convencido.-Gritou chutando o criado-mudo.

Maison ergueu uma sobrancelha não entendendo aquela atitude.Couer sempre investia nos garotos novatos que apareciam no colégio e a maior parte deles contratavam seus serviços mais tarde.Mais o que incomodava tanto no seu amigo a hipótese de Thomas ter ficado interessado nele?

-Não estou entendendo bem cara, você se mostrou para o novato para ele mais tarde vir e te contratar não é mesmo?Eu acho que o Thomas ficou bastante interessado em você.Não era isso que você queria?

-O que você esta dizendo Maison?Eu nunca faria um programa com aquele loiro aguado.-Respondeu Couer recalcado se jogando na cama e cruzando os braços sobre o rosto para cobri-lo.

-Entendi!- Exclamou Maison com um sorriso triunfante.- Você não achou o Thomas interessante não é mesmo?Você só queria tirar sarro dele, queria que ele ficasse interessado em você e sofresse por não tê-lo não é mesmo?- Maison se sentou ao lado de Couer e encarou o amigo desconfiado.- Mais eu achei o Thomas um garoto bastante bonito e legal, o que você não gostou nele?

Couer arregalou os olhos e sentiu seu rosto corar, se virou de lado na cama e ficou pensativo tentando encontrar algum argumento para debater o amigo, mas nada saia de sua mente e seu coração não parava de bater acelerado.

-Eu só não curto o tipo dele cara.- Respondeu receoso.

-Sei...- Maison sorriu e se debruçou sobre Couer alisando seu cabelo castanho.- Por acaso você esta apaixonado?

-Quê?- Berrou Couer se levantando assustado.- Apaixonado eu?E por aquele loiro aguado ainda por cima.Isso é um ato de aberração.

-Sei lá.- Deu de ombros.- Nunca te vi dessa maneira, o garoto não te fez nada.- Comentou erguendo as mãos acima da cabeça sorridente.

-Não torra.- Resmungou Couer se sentando pensativo na cama.

-Escuta, você provocou então agüenta.Sem dizer que o garoto só estava assustado, ele nunca que ia te querer.

-Hun...- Couer murmurou e encarou o amigo com um semblante desconfiado.- E posso saber por que ele não iria me querer, senhor sabe tudo.

-Porque aquele loiro não me pareceu o tipo de garoto que ficaria com alguém só por sexo.Não são todos que caem aos seus pés vendendo ate a própria alma para ficarem com você.

-O que quer dizer seu...

-Boa noite senhor galã.- Desejou Maison seguindo ate a porta e se despedindo do amigo.

Couer bufou encarando a porta e se deitou nervoso.Levou as mãos para trás da cabeça e encarou o teto pensativo, daqui á poucos minutos seus colegas chegariam para dormir e não queria que eles o vissem preocupado.Sem contar que quase todo dia um de seus amantes ia dormir naquele quarto e precisava estar bem disposto para o seu trabalho.

Relaxou e fechou os olhos tentando espantar toda aquela tensão de sua mente, mas a primeira imagem que veio a sua cabeça foi o rosto de Thomas.Abriu os olhos assustados e se sentou na cama tentando se recuperar do choque.

-“Droga, não acredito que estou pensando naquele novato de novo...” — Resmungou alisando o queixo e coçou a testa pensativo.- “Não, mais isso que eu tenho é a coisa mais normal do mundo, eu sempre tive isso com todos os novatos que aparecem, afinal das contas é melhor me acostumar com a hipótese de que eles queiram sentir prazer comigo”.

Couer caiu na cama e começou a rir consigo mesmo ate que notou duas figuras paradas na porta do quarto, os dois o fitavam com um semblante um pouco confuso.

-Esta tudo bem cara?- Perguntou um rapaz muito alto e musculoso de cabelos e olhos escuros já ajeitando sua cama.

-Sabe David, às vezes eu preciso de um tempo para mim.- Respondeu Couer analisando o colega de quarto que o encarava ainda confuso.- Sem dizer que estava me preparando para minha noite com o Vitor.

O garoto pequeno que segurava um travesseiro nas mãos corou violentamente escondendo seu rosto, fazendo sua franja longa e negra cair sobre seus olhos azuis.

-C...Couer.- Vitor balbuciou o nome do amante sem graça e encarou David que já se preparava para dormir.

David abriu um sorriso no rosto ao analisar as feições tímidas do garoto.Apesar da galinhagem de seu companheiro de quarto não podia negar que adorava quando Vitor ia lá, mesmo que fosse para se deitar com Couer.Sabia muito bem que Vitor não era um garoto promiscuo, já haviam se tornado amigos e o garoto lhe confidenciara que estava apaixonado pelo pervertido garoto de programa.

-Não sei por que você ainda esconde isso Vitor.Eusei á muito tempo sobre o seu relacionamento com o Couer.- Disse David fazendo Vitor abrir um sorriso inocente no rosto.

-Pelo que eu sei...-Se meteu Couer sem se importar.-Nós não temos nenhum tipo de relaciomento.O Vitor me paga e tudo bem.

David ficou chocado com a falta de sensibilidade do companheiro de quarto.Mais sua preocupação no momento foi constatar a cara que Vitor fazia diante daquele comentário.Uma lagrima rolou pelo rosto de Vitor e o garoto seguiu logo para a cama desocupada e entrou debaixo das cobertas se cobrindo ate a cabeça;

-Cara...Que isso o garoto é louco por você.-Repreendeu David chateado.

-Melhor relaxar ok?-Sugere Couer já entrando debaixo das cobertas de Vitor.-Eu sei como agradar os meus clientes.- E num impulso tomou os lábios de Vitor o acariciando e sendo retribuído igualmente.

**************

Pela manha Thomas se remexia embaixo das cobertas sonolento.Abriu os olhos devagar e reparou que estava sozinho no dormitório.

-Já é de manha?- Se perguntou pegando o relógio do criado-mudo ao seu lado e arregalou os olhos verdes assustados.- o despertador não tocou, não tocou.- Correu pelo quarto se vestindo e reclamando.-Aqueles dois poderiam ter me acordado não custava nada.Amigos da onça!- Xingou e saiu reclamando ate o salão da cantina para tomar o café.

No salão da cantina todos os alunos já tomavam seu café e conversavam animados sobre as próximas aulas e o feriado que estava se aproximando.Thomas apareceu no salão e ficou pasmo ao constatar que todos os lugares estavam ocupados, de novo!

-“Deus e agora? Vou me atrasar outra vez?” — Thomas se perguntou e saiu choramingando entre as mesas.

Na mesa de centro alguns garotos conversavam em grupinho e no meio deles Couer se encontrava outra vez muito quieto.O garoto mal havia mexido no café e estava pensativo encarando para fora da janela a chuva que já estava diminuindo.

-E ai Couer passou bem à noite ontem?- Perguntou Maison tentando quebrar o clima tenso que o amigo se encontrava.

-É, mas ou menos...-Sussurrou enquanto segurava o sanduíche na frente da boca.- Ontem o Vitor eu...Você sabe né?

-Claro que sei.- Respondeu Maison olhando preocupado para a cara de desilusão do amigo.Não era normal vê-lo daquele jeito.-Olha Couer eu acho que este negocio não esta mais dando certo, por que você não para de se vender?Para que continuar com essa vida cara?

-Do que você esta falando Maison?Eu sei o que faço, não me venha com sermão, pois já discutimos isso.

-Você é quem sabe.- Murmurou Maison se sentindo derrotado.Estava cansado de ver a cara de desanimo do seu amigo, era raro vê-lo assim, logo o Couer que sempre foi tão extrovertido.

Dando uma boa olhada pelo salão Maison acabou avistando Thomas, que como no dia anterior estava procurando um lugar para se sentar.

-Olha só quem esta ali Couer, é o novato!O Thomas.Lembra dele?

Não precisou falar duas vezes, no mesmo instante todo o desanimo de Couer desapareceu quando seus olhos mel se encontraram com a imagem do loiro que mendigava outra vez um lugar para se sentar.

-Nossa cara, o que foi?Aquele moleque te agrada tanto a ponto de levar a sua cara amarrada embora?

-Cala a boca Maison, vamos mexer com ele.- Disse Couer balançando a mão.- Hei Thomas.

Thomas virou na direção de Couer com um sorriso estampado no rosto.O garoto correu ate a mesa do veterano e se sentou no lugar vago ao lado de Couer.

-Que bom que se lembraram de mim.Pensei que ficaria sem tomar o meu café outra vez.-Disse sorrindo.

-Mas por que diz isso?-Perguntou Maison debruçado sobre a mesa encarando o loiro de cima abaixo.

-É que não me enturmei direito ainda, os garotos aqui não foram muito com a minha cara.-Confessou o calouro fazendo uma cara deprimida.- Acho que não vou conseguir me adaptar.

-É, bem que eu reparei que desde que chegou aqui você sempre esta sozinho.- Comentou Couer sem pensar.

-O que?- Questionou Maison erguendo uma sobrancelha, muito desconfiado.

-Quero dizer...- Couer revirou os olhos tentando se corrigir.-É que eu estava lá na escadaria matando o tempo com o pessoal quando o Thomas chegou.Então desde aquele dia esse garoto aparece na minha frente e sempre o vejo sozinho e chorando.

Thomas engoliu o sanduíche na mesma hora ao ouvir isso, ficou encarando Couer que o olhava com um semblante, que parecia preocupado e tomou o resto de sua vitamina de uma só vez.

-Então você me viu naquele dia.- Murmurou o calouro cabisbaixo.- Meus colegas de quarto não gostam de mim, naquele dia eles estavam me jogando indireta, querendo que eu saísse do quarto.

-E só por isso você saiu?Por causa do que dois moleques disseram?-Questionou Couer dando um tapa na cabeça do calouro.-Você é muito frouxo garoto.

-Mas...- Thomas abaixou a cabeça ficando constrangido.

-Quando você esteve com o Thomas ein Couer?Você não me disse nada.- Perguntou Maison de mau humor.

-Eu não estive com ele.- Respondeu o garoto comendo o resto do sanduíche.- Eu só estava passando pelo corredor do segundo ano porque estava indo encontrar um cliente.Então eu vi esse garoto encolhido na porta do quarto chorando feito bebe.

-Ah...- Murmurou Maison surpreso.- Mas o Couer tem razão Thomas, você não deve se chatear só porque esses seus colegas de quarto não gostam de você.

-É eu não ligo mesmo.-Debateu o loiro com um sorriso no rosto.-Eu queria que o Couer e você fossem meus companheiros de quarto, achei vocês muito mais legais.

Couer deu uma gargalhada intensa batendo uma das mãos na mesa e a outra batia no próprio peito.De tanto que ria o garoto se engasgou e alguns de seus amigos batiam em suas costas para que voltasse ao normal.

-Você nos acha legal?Não sonha pivete nos não somos legais.Ainda mais com garotos chorões que nem você.Só deixo você sentar na minha mesa por que não tenho nada melhor pra fazer e olhar para a sua cara de sofrido me faz rir.Não pense que somos amigos.

Aquela atitude de Coeur sem via de duvidas deixou Thomas sem graça.O garoto já estava ficando com os olhos cheios de lagrimas, mas Maison se interveio sem pensar.

-Não liga para ele Thomas.Sabia que você confundiu bem a cabeça do meu amigo aqui?- Deu uma risada olhando da cara surpresa de Thomas para a cara furiosa de Couer.- Tinha que ver, ele esta doido na sua.

Couer no mesmo instante ficou furioso com o amigo e lhe deu um tapa na cabeça, Maison perdia o ar de tanto rir e seus amigos que estavam ao redor perguntavam qual era o motivo da graça.Thomas ficou encarando a brincadeira dos dois sem entender e entrelaçou os dedos parecendo envergonhado.

-M...Mas...-Thomas gaguejou ficando sem jeito.- Eu não posso pagar.Bem...Acho que não.

Maison e Couer pararam no mesmo instante com a brincadeira e se olharam intrigados.Os amigos de ambos que estavam ao redor desataram a dar gargalhadas diante da inocência do calouro.

-Nossa Couer, o garoto esta mesmo afim de você.- Disse Maison de bom humor.

-To vendo.- Respondeu Couer com um sorriso triunfante.- Eles sempre estão.

Thomas arregalou os olhos assustados.Não queria ter dito isso, não gostava de homens, mas não sabia como corrigir o que disse.

-Eu...Eu...Desculpe-me. — Pediu o garoto.- Eu não quis dizer dessa maneira.Eu não gosto de você...Bom...-Gaguejou ficando muito vermelho.- Não que você não seja bonito.

Aquela situação estava ficando a pior possível.Thomas sentia o olhar de todos aqueles garotos sobre si e ficou sem saber o que fazer.

-Olha só, o calouro esta se achando não é mesmo?

-Ate parece que o Couer perderia tempo com um moleque esquisito desses.

-Hei Couer, você não vai fazer programa com esse rato de laboratório vai?Fala serio né.

Os garotos ao redor agora estavam centrados naquela conversa.Todos estavam debochando de Thomas e riam da sua cara sem pudor, o calouro já estava se sentindo um alvo por ter dito aquelas palavras.Mas não estava interessado em Couer, apesar de acha-lo muito bonito não gostava de homens.Respirou fundo encarando todas aquelas caras que riam dele e reunindo toda a sua coragem resolveu sair por cima daquela situação, depois daria um jeito de explicar as coisas para o veterano, de algum jeito.

-Então...Qual é seu preço?

Um murmúrio passou entre os garotos naquela mesa e Couer ficou encarando o semblante de Thomas com um olhar bastante contraído e debochado.

-Desculpe, mas não me envolvo com crianças.

-Eu já tenho quinze anos.

-E eu dezessete!Por isso esquece garoto.

-Mas...Mas...-Thomas gaguejou não entendendo por que estava sendo dispensado.- Por que você não me quer?Me achou feio?

Couer corou na hora diante daquele comentário.Os garotos na mesa esperavam ansiosos pela resposta do amigo e Couer não sabia nem o que dizer.Aquele garoto de algum modo mexia com ele e mexia muito, isso não era normal.

-Olha aqui seu...Seu pivete!Vê se me esquece falou?Eu não sou para o teu bico.

-Mas Couer, você disse que era caro e eu quero saber seu preço.Quem sabe posso pagar?

Thomas se mostrava bastante convicto no que queria, ate Maison olhava surpreso para a mudança repentina do garoto que ate a poucos minutos parecia tão frágil.

-Olha Thomas...- Maison se meteu encarando Couer que já ficava vermelho de raiva.- Sei lá o que ta pegando entre vocês dois, mas não é assim.O Couer não pode marcar com qualquer um saca?Ele já tem muitos clientes aqui dentro.Não é Couer?

-Talvez.- Disse Couer com uma voz bastante maliciosa.- O horário da aula já começou por isso me encontre no meu quarto hoje á tarde para conversamos sobre isso ok?-Disse já se levantando.

-Claro, estarei lá.

-Melhor irmos para a sala.-Sugeriu Maison puxando Couer pelo braço e sendo seguido pelo resto dos garotos.

-Ate mais tarde Thomas.- Se despediu Couer com um sorriso safado no rosto desaparecendo nos corredores.

-Ate.- Acenou Thomas voltando a atenção para seu café da manha.

O clima aquela tarde estava ameno.A chuva tinha dando uma pausa e por isso a maioria dos garotos se encontrava no campus ou no pátio do colégio.Couer e Maison estavam conversando com amigos sobre as aulas e o poliesportivo quando notaram que um garoto ruivo se aproximava meio tímido.Couer desviou a atenção de seus amigos e fitou o castanho claro dos belos olhos do garoto á sua frente.

-Eu posso te ajudar?- Perguntou o veterano tentando cortar o silencio incomodo do garoto.

-Eu...Eu...

-Fala logo garoto.-Dessa vez era um rapaz alto de cabelos encaracolados que ficava alterado.

-Couer...É esse seu nome não é?

-Isso mesmo, o que você quer?

O garoto quase teve um ataque cardíaco.Seu rosto ficou muito vermelho e Couer não entendia mais nada.Um rapaz loiro que já não agüentava mais aquela cena se levantou empurrando o ruivo.

-Ate logo gente, quando se livrarem deste estorvo me procurem.- Avisou o loiro irritado.

-Espera que eu vou junto.- Disse o moreno se levantando e sendo seguido pelo resto dos garotos.

-Viu o que você fez?- Censurou Couer furioso.-Fala logo o que você quer ou caia fora.

-Certo.O meu nome é Eric e bem...Fiquei sabendo que você faz programa.

-E...?-Couer fazia questão de deixar o garoto ainda mais sem graça.

-E eu quero fazer um programa com você.-Disse de supetão.-Quanto você cobra?

Couer olhou para Maison com um sorriso debochado e percebeu que o amigo lhe encarava com um semblante bastante serio.Maison se levantou sem dizer nada e foi embora chateado.

-Esta tudo bem?O que ele tem?- Perguntou Eric timidamente.

-Liga não...E mudando de assunto, qual seu nome mesmo?

-Eric!

-Bonito nome.-Disse Couer já se levantando.- Então vamos para o meu quarto.

Eric esboçou um enorme sorriso e seguiu Couer admirando a beleza desse.Finalmente aquele homem seria seu, estava de olho nele fazia meses já e só agora teve coragem de se aproximar.Os dois conversavam pelos corredores, na verdade Eric falava enquanto Couer só acenava com a cabeça.

-Aqui estamos.-Interrompeu Couer abrindo a porta do quarto ciente que seu companheiro não estivesse lá naquele momento.

-

Thomas olhou ofegante para a porta.Já estava lá a horas e estava pensando em ir embora,pensando que Couer só sabia falar as coisas da boca pra fora.Mas o garoto agora sentia o coração pulsar veloz dentro do peito ao ver o veterano entrando no quarto.

Ao abrir a porta Couer ficou em estado de choque.Não conseguia acreditar naquela coisa loira sentada tranqüilamente na sua cama.

-Thomas?O que faz aqui?Você sabe que é proibido entrar nos quartos sem autorização.

-Eu sei, mas quando cheguei fiquei te esperando na porta como combinado.Mas um amigo seu um tal de David pediu que o esperasse aqui.

-Quem é ele Couer?- Uma voz tímida saiu de trás de Couer, o ruivo encarava Thomas com muita raiva nos olhos.

Couer fitou os olhos verdes de Thomas que começavam a escurecer para um tal acinzentado, isso mostrava que o garoto estava com alguma coisa, ele estava nervoso.Couer percebeu que aqueles dois garotos se fitavam com ódio e nada, mas sensato de que acabar com aquela rixa.

-Thomas eu não sei o que você esta fazendo aqui, mas agora eu estou muito ocupado.-Esclareceu o veterano dando de ombros.- Seja lá o que você quer comigo é melhor voltar, mas tarde.

-O que?Mas foi você mesmo quem me pediu para te encontrar aqui.Como assim não sabe o que vim fazer?- Questionou o loiro se sentindo irritado.

-Acontece que eu cheguei primeiro.- Se meteu Eric interferindo na discussão.

-Mas ele marcou comigo antes.

Os dois começaram a se encarar e a se enfrentar.Couer estava no meio daqueles dois sendo disputado como um troféu e não podia deixar essa briga continuar, caso contrario alguém poderia saber da sua posição ali dentro.Para alguns alunos era boato a historia de que vendia o corpo, pois se chegasse nos ouvidos de algum professor ou aluno linguarudo um fato concreto de sua profissão, toda a sua imagem iria por água abaixo.

-Já chega vocês dois.Não quero saber dessas rixas idiotas.-Gritou Couer já perdendo a paciência.

-Me...Desculpa-me Couer.- Choramingou Eric entrelaçando os dedos.-Eu pensei que você estivesse sem visitas, mas já que é assim eu vou embora.- Disse o ruivo já deixando o quarto.

-Não Eric você fica é o Thomas que eu quero fora.

-Mas por que?- Thomas pergunta querendo recomeçar a discussão.

-Porque eu já falei que sou caro que você não é nada e que não me envolvo com crianças.- Respondeu o veterano com sem muita paciência.

Thomas ficou indignado, não podia acreditar que Couer o tratava daquela maneira tão desprezível.Ate poucos minutos atrás estava empolgado pensando que tinha ganhado alguns amigos dentro do colégio.Conversaria com Couer e talvez o veterano gostasse da sua companhia, seriam bons amigos ali dentro.Mero engano, Couer era como seus colegas de quarto, não estavam nem ai para ele.

-Eu posso até ir embora, mais digo que esse ruivo deve ter a mesma idade que eu.-Thomas disse aquilo com um jeito tão terno, como de uma criança querendo se desculpar.Couer por pouco não começou a rir como sempre fazia, mas resolveu não piorar a situação e desviou o olhar.

Ao sair do quarto Thomas deu uma trombada com o ruivo na porta que o fitou com ódio.Logo depois de sair Thomas ouviu a porta batendo atrás de si com força e ficou furioso.Não entendia por que Couer havia preferido aquele ruivo, morto de curiosidade o calouro abriu uma greta da porta observando os dois conversando no quarto.

-Couer me desculpa se te causei algum constrangimento.- Pediu Eric ressentido.

-Liga não.- Disse Couer que já tirava a camisa.-Aquele Thomas é muito mimado.-No mesmo instante ficou chocado com as suas palavras.Falava de Thomas como se já o conhecesse, mas foi tirado de seus devaneios por uma voz insistente.

-Então, quanto você cobra?

-Mil e quinhentos dólares.

-Quanto tempo?

-Duas horas.

-Trato feito.-Suspirou o garoto empolgado.

-Mas eu tenho algumas condições.- Alertou Couer se sentando na cama e fixando os olhos no garoto.

-Quais?

-Eu só fico por cima, sempre sou o ativo.Se não gostar é melhor ir logo embo...

-Tudo bem!- O garoto já interrompia Couer novamente, não agüentava mais esperar.

Couer abriu um sorriso no rosto ao perceber que o garoto ficava excitado antes da hora, ele se aproxima do ruivo que estava corado e o puxa para um beijo longo e demorado, fazendo questão de mostrá-lo á qualquer um que estivesse na porta.Couer descia beijando o pescoço do menino com insinuações retirando a camisa do garoto e descendo os beijos para os mamilos do garoto o atacando e chupando com volúpia.

Os olhos de Thomas se encontravam arregalados atrás da porta, nunca imaginou que fosse serio a historia de Couer se deitar com garotos.Nunca na vida havia visto dois homens junto e muito menos tinha visto pessoalmente duas pessoas quase transando na sua frente.Sentiu um formigamento em suas partes intimas e corou ficando muito vermelho ao ficar excitado com os gemidos que vinham do quarto.

-Oi Thomas.

O garoto deu um pulo na porta e levou as mãos na boca a tampando.Observou que não tinha atrapalhado nada dentro do quarto e fechando cautelosamente a porta se virou para a pessoa que quase o matara do coração.

-M...Maison...Você é doido?Quase me matou do coração.

-Doido eu?Por acaso era eu quem estava agarrado na porta do quarto dos outros?-Questionou olhando intrigado para o calouro.-E afinal de contas o que você estava espiando ai ein?

-N...Nada.

-Nada ein.- Desdenhou Maison abrindo uma greta da porta e ficou chocado com a cena que viu.-Mas Thomas, aqueles dois...

-Ahan, isso mesmo.- Concordou o garoto ficando vermelho.

Maison fechou a porta devagar, era melhor não interromper aquela ocasião tão “delicada”.Voltou sua atenção para Thomas que se mostrava bastante aflito diante daquela situação.

-Er...Bem Thomas aquilo é impróprio para menores.

-Mas o garoto que esta com o Couer é de menor.-Resmungou.-E o Couer também é.

-Bem...É...-Maison não conseguia achar palavras para explicar aquela situação.Agarrou no braço de Thomas querendo leva-lo de lá o mais rápido que podia.-Vem comigo, depois eu te explico tudo.

-Não tem nada para explicar.-Debateu o garoto se soltando das mãos do veterano.

-O que?

-É isso que você ouviu.O Couer não gosta de mim, não adianta insistir com isso não é?- Argumentou o garoto com os olhos cheios de lagrimas.-Desde o inicio eu pensei que vocês dois estavam querendo ser meus amigos, mas eu me enganei.Vocês só queriam zoar com a minha cara.

-Thomas...N...Não é nada disso.-Maison tentou se defender, se aproximou do garoto, mas ele já saia correndo pelos corredores.

-Ah Couer seu idiota.- Murmurou Maison indo embora chateado.

O campus estava bastante deserto naquele fim de tarde.Thomas estava sentado sozinho nas arquibancadas da quadra, seus olhos verdes estavam marejados de lagrimas e sua respiração estava acelerada.Pensou que tivesse fazendo as coisas certas dessa vez, mas de novo aquela sensação de ser rejeitado o consumia, outra vez o deixavam de lado.Se encolheu escondendo o rosto entre as pernas e começou a chorar,não agüentava mas queria desaparecer daquele lugar.

-Thomas, o que aconteceu?

Aquela voz despertou o loiro de seus pensamentos.O garoto levantou a cabeça dando de cara com seu companheiro de quarto, era a primeira vez que o menino vinha falar com ele desde que chegara no colégio e se assustou com aquela aproximação repentina.

-O que você quer?

-Só quero saber o que você tem.- Respondeu o menino se sentando ao lado do loiro.

-Quer saber?Certo.- Thomas sentiu seu coração pulsar forte e encarou o garoto ao lado com ódio.- Eu estou sozinho o tempo todo, isolado como se não fosse bom o suficiente para esse lugar.Por isso quando o Couer puxou assunto comigo me senti no direito de tentar explorar essa amizade e como o Couer estava se exibindo dei bola pra ele e ele me dispensou.

-Thomas...- O garoto balbuciou tentando consola-lo de algum jeito.

-O que é?Vai me humilhar também?

-Claro que não.- Respondeu o garoto tentando concertar o seu erro.-Sei que eu e meu companheiro de quarto não estamos de tratando bem e me sinto culpado por não ter te falado do Couer antes.Ele não presta, não era para você ter se aproximado de alguém como ele.Ele da em cima de qualquer um, brinca com os sentimentos de todo mundo.

-Eu não me importo com o que você pensa.-Debateu Thomas encarando o garoto de mau humor.- O Couer pelo pior que fosse ele foi muito, mas prestativo do que você, pelo menos ele e o Maison conversaram comigo.-As lagrimas já desciam abundantes pelo rosto do garoto.- Eu não preciso de você, não preciso do Couer e nem do Maison, eu agüento ter que viver sozinho.

-Não Thomas, por favor, eu quero me desculpar.-Pediu o garoto tentando abraçar o companheiro de quarto.- Me deixa reparar o meu erro.Fui muito idiota com você.

-Não preciso de você nem de ninguém, vê se me deixa em paz!- Gritou Thomas se levantando e saindo correndo, tentando esconder aquelas lagrimas.

No quarto Couer estava acordado e olhava para o teto pensativo.Pensava em Thomas: “Garoto metido, quem pensa que é?” Ficou com esses pensamentos na cabeça ate que o garoto ao seu lado se mexeu mostrando que havia acabado de acordar.

-Couer...Oi.- Cumprimentou Eric se sentindo nas nuvens.- Você foi maravilhoso.-Disse se espreguiçando na cama.

-Sei...Mas já passou às duas horas não?

-O que?- Eric encarou Couer ficando muito sem graça.- Claro, acho melhor ir embora.Vou deixar o dinheiro em cima do criado-mudo né?

-É sim.- Respondeu o mais velho se virando para o outro lado e se cobrindo com o edredom ate a cabeça.

Eric se levantou e se vestiu se sentindo um pouco constrangido com o modo que Couer lhe tratara.Tirou o dinheiro do bolso da camisa e deixou em cima do criado-mudo, pensou em dar um beijo de despedida em Couer, mas achou melhor não.Deixou o quarto se sentindo muito desconfortável com aquela situação.

***************

A noite todos se encontrava no salão da cantina jantando.Thomas andava entre as mesas como sempre procurando um lugar para se sentar.Pensou em se sentar junto com seu companheiro de quarto mais resolveu que era melhor não, não confiava plenamente nas palavras daquele garoto.

No centro do salão Couer estava sentado com seu grupinho de amigos como sempre.Conversava de banalidades qualquer e com um sorriso estampado no seu belo rosto, agia como se nada no mundo o atormentasse, como se todo o mundo girasse em torno de seu umbigo.Mas Maison não estava compartilhando de toda aquela felicidade, o garoto encarava o amigo com um semblante serio e carregado.Estava planejando ter uma conversa bastante seria com Couer assim que subissem para os dormitórios.

Thomas já estava entrando em pânico por não ter onde sentar, não agüentava mais perambular entre as mesas e tentou passar o mais longe possível da mesa dos veteranos, queria evitar Couer de todo jeito.Mas o calouro não passou despercebido por Couer, o veterano assim que depositou seus olhos sobre o loiro ficou mudo e seu semblante estava carregado de seriedade.

-É o Thomas de novo não é?- Questionou Maison com um tom carregado na voz.- Para você ter calado a boca, só pode ser ele.

-Cala a boca seu idiota.- Irritou-se Couer levantando as mãos para chamar a atenção de Thomas.- Hei loiro, tem um lugar bem aqui do meu lado.

Thomas se virou encarando Couer com uma cara amargurada sentiu nojo só de olhar para aquele sorriso na cara do veterano.Sem esperar duas vezes seguiu ate a mesa de centro e se sentou entre Couer e Maison e se virou para Maison com um sorriso simpático.

-Oi Maison.- Cumprimentou e logo voltou a atenção para seu jantar.

-Hun...-Couer murmurou impaciente ao perceber que o garoto o evitava e resolveu implicar.-Ah...Como foi maravilhosa a minha tarde com aquele ruivo gostosinho.

Couer estava se sentindo com o dia ganho, sua melhor diversão era ver a cara de frustrados que deixava os calouros iludidos daquele colégio.

-Maison depois você poderia me dar uma força com um dever de casa?- Pediu Thomas interrompendo as narrativas de Couer, deixando o rapaz furioso.

-Nossa Thomas, você finge tão bem.Como deve ser levar um fora ein?Ser dispensado.

-Cala a boca Couer.-Gritou Maison nervoso.

-Deixe-o Maison.-Pediu Thomas sem se alterar.- Eu não me importo com o que esse falso fale pra mim.

-Quem é falso aqui seu imbecil?-Urrou Couer se ponde de pé.

-Você mesmo.Quem me pediu que esperasse no quarto hoje à tarde mais fugiu como um cãozinho?-Debochou Thomas ainda com a atenção voltada para seu prato.-Você não passa de um playboy exibicionista que não ta com nada.

-Seu filho da mãe!- Gritou Couer já erguendo os punhos e agarrando Thomas pelo colarinho da camisa tirando o garoto da mesa.- Vou quebrar todos seus dentes.-Disse já com o punho em riste, mas foi impedido bem a tempo por Maison que segurou o amigo.

-Para com isso Couer, violência não leva a nada.-Pediu Maison empurrando Thomas para longe.

-Me solta que eu vou partir esse moleque no meio.

Thomas se levantou do chão assustado.Não queria que as coisas chegassem naquele ponto, todos ao redor olhavam para eles e aquela discussão estava começando a chamar muita atenção.Thomas resolveu sair do salão sem terminar o jantar, mas ao perceber isso Couer já chamava a atenção do garoto novamente.

-Espera Thomas.- Gritou Couer que agora estava sendo segurado por mais dois garotos.- Não sou nenhum medroso, se quiser vá ao meu quarto hoje à noite.Eu estarei te esperando, leve a grana e juro que tu vai virar homem, moleque.

O garoto não podia ter ficado mais surpreso, depois de toda aquela discussão Couer ainda queria se encontrar com ele, mas por que?O loiro ficou perdido em pensamentos encarando a expressão nervosa naquele rosto tão perfeito.

-Chega cara, vou te levar para o quarto.-Estourou Maison furioso.-Você já ta ficando fora de controle.

-Espera Maison...-Pediu Thomas criando coragem.- Pode deixar Couer, eu vou ao seu quarto hoje à noite e vê se não fuja dessa vez.

-É claro que não, você não perde por esperar.- Disse Couer se soltando dos braços dos colegas e seguiu para o dormitório pisando firme e xingando diversos palavrões.

À noite Thomas estava se arrumando no quarto.O garoto estava um pouco nervoso mais queria dar uma lição em Couer.Seu colega de quarto já o encarava há um bom tempo e resolveu se aproximar de Thomas com cautela.Queria descobrir se era mesmo verdade o que estavam espalhando sobre ele.

-Hei Thomas...

-O que você quer agora Jhean?

-É verdade que você vai dormir com o Couer hoje?

-Algum problema?- Perguntou voltando sua atenção para o garoto.

-N...Não claro que não.-Jhean gaguejou dando um passo para trás.- Mas pense bem Thomas, tem certeza que é isso mesmo que você quer?O Couer não presta, ele não ama ninguém e...

-Já chega!- Gritou Thomas já ficando irritado e chamando a atenção do outro garoto que lia na cama.- Me deixa em paz, o corpo é meu e faço com ele o que eu bem quiser.

-Tudo bem.- Concordou Jhean assustado.- Só quero que saiba que qualquer coisa, eu estou aqui.

Thomas encarou o garoto se sentindo meio embaraçado, mas estava agradecido por aquele apoio repentino.

Quase meia noite Thomas andava pelos corredores do colégio, ele se aproximou correndo da porta do quarto de Couer e bateu levemente.

-Couer!Sou eu; — Gritou o garoto batendo mais forte na porta ao não ser atendido.

A porta se abriu de repente e Thomas se assustou ao ser agarrado com força e ser puxado para dentro do quarto sem prévio aviso.

-Fica quieto, quer acordar todo mundo cara?- Grunhiu Couer nervoso.- Quanto você tem ai?

-Oitocentos dólares, você não me disse ao certo quanto era.

-É mais do que o necessário vai tirando a roupa sem fazer barulho e vai para a cama.

-Mas Couer...- Gaguejou Thomas ficando sem graça.- Eu nunca fiz isso.

-Hun...-Couer abre um sorriso malicioso no rosto.- Relaxa, eu já tirei a virgindade de muitos garotos nesta escola.

-Mas...

-Mas nada, tira logo essa roupa.

-E se os seus companheiros de quarto nos virem?

-Deixe-os.

Couer apagou a luz do abajur e se deitou sobre o corpo do calouro que ficou imóvel.Thomas sentiu que Couer lhe beijava a boca e fechou os olhos com força e prendeu a respiração.

-Thomas você tem que relaxar cara.

-Não consigo.-Choramingou tentando tranqüilizar sua respiração.

Couer tentou focalizar a imagem no meio da escuridão e beijou Thomas com força.Explorava e apalpava o corpo do belo garoto abaixo do seu.Aos poucos retirou sua camisa, Thomas estava muito nervoso e começou a choramingar baixinho, mas Couer não pareceu se importar com isso e continuou suas caricias no corpo do menor.Percorria todo o corpo do calouro e lambia seu pescoço e descia os beijos para o peito desnudo do menino, onde chupava seus mamilos freneticamente, soltando um suspiro muito excitado do loiro.Couer sorriu com isso e aproveitou para abrir a calça do garoto, colocando a mão dentro da sua cueca e introduzindo um dedo em seu interior.

-Pare com isso!- Pediu o garoto se livrando das mãos de Couer e se encolhendo no canto da cama.-Não quero, mas.

-O que?

-É isso mesmo, me devolva minha camisa.

Couer ascendeu à luz do abajur nervoso e pela primeira vez teve a oportunidade de ver Thomas seminu.Seu corpo apesar de magro era muito sedutor e tinha a pele clara e macia, estava com o rosto vermelho de vergonha e seus cabelos loiros lhe caiam sobre os olhos e ele tentava esconder seu peito com os braços e olhava para Couer muito tímido.

-Tho...Thomas.- Couer tentava recuperar a razão depois de deslumbrar aquele ser perfeito na sua frente.-Eu...Eu sinto muito, mas não vai dar para voltar atrás não.

-O que, mas como assim?-Perguntou o garoto olhando assustado para o veterano.

-Cara eu já estou excitado.-Explicou Couer indo para cima do garoto sem pensar duas vezes, o beijando e o apalpando com volúpia.

-Pa...Para Couer, eu já disse que não quero.- Thomas forçava seu braço contra o peito do mais velho sem efeito algum.- Me solta!- Gritou com toda sua força.

-Cala a boca seu idiota.-Censurou Couer tampando a boca de Thomas e segurando com força em seus braços, fazendo o garoto se debater nervoso.

Aquela gritaria despertou David e Vitor que naquele dia havia ido dormir no quarto dos veteranos, os dois se levantaram assustados e enquanto Vitor corria para ascender à luz, David já puxava Couer de cima de Thomas.

-Me solta David,me deixa em paz.-Se debatia Couer furioso.

-Calma ai, eu não vou deixar você estuprar o garoto.-Advertiu David segurando os braços de Couer.

-Ele é um cliente David me solta.- Gritou Couer se livrando das mãos de David e ajeitando os cabelos que estavam em total desordem.Encarou Thomas que estava chorando assustado sobre a cama e revirou os olhos depositando sua atenção em Vitor que estava com os olhos cheios de lagrimas também.- E agora?O que você tem?- Couer se aproximou do moreno demonstrando alguma preocupação.

-Não foi nada.-Respondeu Vitor agarrado á maçaneta; — Eu só não sei por que você continua atrás desses caras que não te dão valor.- Disse começando a chorar e levou as mãos no rosto soluçando alto.

-Hei calma.- Pediu Couer já um pouco mais calmo abraçando o garoto carinhosamente.-Aquele idiota não é nada para mim, você sabe que o meu favorito é você.

-Você jura?

-Eu juro!- Confirmou Couer olhando de cara feia para Thomas.-É com você que eu sinto amor quando estamos juntos.

Aquilo foi um balde dágua fria em Thomas.O garoto de algum modo estava começando a se sentir incomodando com aquelas palavras e sentiu uma vontade incontrolável de acabar com a vida daquele tal de Vitor.Estava tão perdido em pensamentos que nem percebeu a voz de David perguntando se estava bem.

-Hei garoto, garoto você esta bem?- Insistia David novamente.

-Eu estou ótimo.- Debateu Thomas tentando controlar a situação.-Eu só fiquei um pouco nervoso porque era a minha primeira vez, mas já estou me sentindo bem melhor.Acho que podemos continuar não é Couer?

-Acho melhor você ir embora Thomas.-Pediu Couer delicadamente.

-Mas eu já te paguei.

-Pegue seu dinheiro e dê o fora!

-Fugindo de mim de novo.-Censurou Thomas com um sorriso triunfante.

-Você fez isso antes, não quero mais discutir...Caia fora!-O tom grave da voz de Couer estremeceu ate David que estava do outro lado do quarto.

-Tudo bem.

Thomas vestiu sua camisa e não pôde deixar de reparar na forma carinhosa com que Couer cuidava de Vitor.O loiro engoliu suas lágrimas e saiu do quarto pegando seu dinheiro de volta,não se deu ao trabalho de fechar a porta.Correu pelos corredores escuros com as lágrimas rolando por seu rosto, não sabia por que doía tanto aquela cena que presenciara.Couer não era nada para ele, mas por que então doía tanto vê-lo com outro?Assim que chegou no seu quarto bateu a porta com força e se jogou na cama chorando desesperado.

-“Estraguei tudo, tudo... Eu sou um burro”.- Disse socando diversas vezes o travesseiro sentindo o seu coração pela primeira vez bater sofrido dentro do peito.

Enquanto chorava descontrolado na cama nem percebeu que alguém deitava ao seu lado alisando seu cabelo com todo carinho do mundo.Thomas levantou seu rosto assustado e viu Jhean ao seu lado com os olhos marejados de lagrimas também.

-Thomas eu estou aqui para você.- Consolou Jhean chorando junto com Thomas.

Sem pensar duas vezes Thomas puxou o garoto e caiu em seus braços em um forte abraço, desabafando todas as suas magóas.

Continua...