Notas iniciais
Boa noite!

Santana e Brittany voltavam da última aula juntas, conversando animadamente. Qualquer pessoa que visse as duas diria que eram apenas amigas, nada mais. Não havia nenhum contato excessivo, nenhuma demonstração de afeto além da amizade. Pareciam colegiais normais. Mas no lado de fora do quarto, tudo era diferente.

Assim que Santana fechou a porta do quarto 689, Brittany abraçou sua cintura e puxou-a para um beijo demorado. Santana abraçou o pescoço de Brittany e deitou a cabeça em seu ombro, com os olhos fechados.

- Eu estou cansada. – Santana murmurou contra o pescoço de Brittany.

A loira sorriu e ergueu Santana do chão, carregando a morena para a cama. Santana riu e deitou-se no travesseiro, esperando por Brittany. Mas ela não veio. Santana abriu os olhos, curiosa, e deixou que seu queixo caísse ao se deparar com a mesma cena que Brittany encarava.

- Uau. – Santana disse, após alguns segundos de silêncio.

- Meu deus. – Brittany respondeu.

A cama de Santana estava com o edredom retalhado. Os travesseiros estavam no mesmo estado, completamente arranhados e com a espuma saindo. No meio da cama, Lord T. dormia tranquilamente, ressonando de leve.

- Como um gato desse tamanho consegue fazer isso? – Santana perguntou, sentando-se na cama.

Brittany não respondeu. Tinha um olhar triste no rosto, estava chorosa. Santana franziu a testa e acomodou-se melhor ao lado da namorada, acarinhando os cabelos louros.

- Britt, o que você tem? – Santana perguntou, beijando o topo da cabeça de Brittany.

- Nós vamos ter que abandoná-lo, não vamos? – Brittany perguntou tristonha.

- O quê? Não, Britt-Britt. – Santana respondeu – Nós vamos ficar com ele.

- Mas você viu o estrago que ele fez, San. – Brittany murmurou. – E quem garante que ele não vá fazer de novo? É melhor nós... É melhor nós o deixarmos no bosque novamente.

- Não. – Santana disse decididamente. – O gato fica.

Brittany levantou os olhos azuis ainda marejados, mas agora com uma ponta de confusão.

- M-m-mas por quê? Você nem gosta dele, San. – Brittany perguntou.

- Eu sei. – Santana respondeu – Mas você gosta tanto dele, Britt-Britt. Eu não quero ver você triste.

Brittany abriu um sorriso largo, fazendo com que todos os vestígios de tristeza sumissem do seu rosto. Ela sentou na cama e puxou a namorada para seu colo, beijando a nuca de Santana.

- Sério, San. – Brittany disse, afagando os cabelos da namorada – Você não tem que fazer isso.

- Tenho sim. – Santana retrucou – Eu faria qualquer coisa para ver a minha namorada feliz. Nós podemos dar um jeito, Britt-Britt.

Brittany deitou ao lado de Santana e aconchegou-se no peito da namorada. Santana sorriu e beijou o topo da cabeça da loira, deixando que o sono dominasse seu corpo, adormecendo minutos depois.

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Quinn ainda não havia voltado ao quarto. Seu corpo estava congelando, mas ela não se importava. Ela não sentia. Sua cabeça estava confusa, com um turbilhão de sentimentos atravessando sua mente. Todos eles ligados a apenas uma pessoa: Beth.

Ela encolheu-se um pouco mais na escada, abraçando os joelhos. Não havia mais ninguém pelos corredores, certamente já passara da meia-noite. Sabia que arrumaria sérios problemas se fosse encontrada fora do dormitório, mas não ligava. Iria sufocar no seu quarto.

Encostou a cabeça nos joelhos e chorou baixinho. Deixou que as lágrimas de anos atrás caíssem de seus olhos e encharcassem seu rosto. Chorava compulsivamente, sem a menor possibilidade de parar.

- Quinn? – Uma voz chamou, fazendo a loira levantar o rosto lentamente.

A professora Holiday a fitava com uma expressão suave no rosto enquanto aproximava-se cautelosamente. A mulher sentou-se ao seu lado e passou o braço ao redor de seus ombros, em uma tentativa de confortá-la.

- Rachel está te procurando – A professora disse – Ela colocou todo o coral atrás de você. Vem, vamos voltar para o seu quarto.

- Não. – Quinn disse afastando-se – Eu não quero ir para lá.

Holly arqueou uma sobrancelha.

- Aconteceu alguma coisa com vocês? – Ela perguntou.

- N-n-não. – Quinn disse gaguejando – Eu só... Eu não quero voltar para lá. Iria me sufocar.

- E onde você quer ficar? – Holly perguntou.

Quinn parou e pensou por alguns segundos. Só havia uma pessoa que queria ver agora, e por mais que amasse Rachel, não conseguiria lidar com os olhos preocupados sobre si.

- Santana. – Quinn disse – Eu preciso de Santana.

- Então vamos achar a Salsa Caliente. – A professora respondeu, levantando – Vou te deixar no quarto dela.

As duas caminharam por um curto tempo até esbarrarem com a morena no corredor.

- Fabray! – Santana esbravejou – Mas que porra! Aonde você se enfiou? Eu dei a volta nesta merda de escola atrás de você, retardada!

Holly arregalou os olhos e cutucou Quinn. A loira tinha um pequeno sorriso nos lábios ouvindo Santana falar.

- Tem certeza mesmo que quer ficar perto dela agora? – Holly perguntou.

- Absoluta. – Quinn respondeu.

Santana continuou discutindo com a amiga até chegarem ao dormitório. O motivo que fizera Quinn ficar com Santana era simples: Santana não sentiria pena, Santana não a trataria com delicadezas excessivas, Santana apenas seria Santana. E era isso que Quinn mais precisava naquele momento.

- Desembucha logo, Fabray – Santana disse. – Que merda você estava fazendo? A Frodo nos fez ir atrás de você, porra. Você sumiu desde o fim das aulas.

- Eu encontrei a Beth. – Quinn disse em um sussurro.

- Quem? Ah, a sua filha. – Santana concluiu, dando um tapa na própria testa. – E qual é o motivo desse drama todo?

- Hm, não sei – Quinn retrucou ironicamente – Ah, quem sabe o fato de eu conhecer a minha filha com três anos quando eu estou na escola e ela nem tem ideia de quem eu sou?

- É uma boa razão. – Santana concordou – Mas ela está bem?

- Sim.

- Está feliz?

- Acho que sim. – Quinn disse confusa.

- Então cale a boca e fique feliz por isso, Fabray. Ao menos você sabe que ela está bem. – Santana falou enquanto se esticava na cama.

Quinn olhou para a amiga incrédula.

- Como você consegue ser tão prática? – A loira perguntou.

- Sendo. – Santana respondeu – Eu nasci assim. Pare de chorar, Q. Você a conheceu, ela está bem, ela está feliz. Fique feliz. O resto a gente resolve depois. Mas depois mesmo, porque agora eu vou procurar a minha namorada e dormir agarrada com ela. Ah, você pode ficar, se quiser. Só avise a sua anã.

- Não chame a Rach de anã – Quinn reclamou.

- Certo. Frodolina então? – Santana perguntou esperançosa.

- Vá se foder, Lopez. – Quinn xingou.

- Vá você, imbecil. – Santana disse com um sorriso torto no rosto.

Quinn sorriu de volta e dirigiu-se à cama de Santana, parando no caminho.

- S... Que foi que aconteceu aqui? – Perguntou referindo-se ao estado dos lençóis.

- Gato. E cuidado para não esmagar ele, vai deixar a minha Britt-Britt triste. E eu juro que se você fizer isso, eu te mato. – Santana avisou. – Ah, e ele gosta de se pendurar nas costas das pessoas.

Quinn sorriu e preparou-se para dormir. Aconchegou-se na cama de Santana e logo um gato felpudo empurrou-a para aconchegar-se no travesseiro.

- E agora, Lord T., o que eu vou fazer?

Notas finais
E ai, o que acharam?