Colégio Interno - Brittana
41 Olivia
Notas iniciais
Santana abriu os olhos escuros com certa dificuldade. Um sorriso se estabilizou em seu rosto ao lembrar-se da noite anterior. Podia sentir a pesada respiração de Brittany contra o seu pescoço, enquanto uma das mãos pálidas da loura abraçava sua cintura com firmeza. Santana aconchegou-se melhor no peito da namorada, sentindo o abraço de Brittany apertar contra sua cintura.
A luz da manhã já dava alguns sinais, mas o sino ainda não tocara. Santana divertia-se observando o contraste no emaranhado de pernas quando sentiu os lábios de Brittany pressionando sua têmpora. Um sorriso instantâneo nasceu em seus lábios e ela virou-se para encarar a namorada. Brittany a observava com um sorriso travesso nos lábios e os olhos azuis brilhando. Santana riu e inclinou-se para beijar os lábios doces da namorada, abraçando-se ao seu corpo.
- Oi. – Santana disse com a voz rouca.
- Oi. – Brittany respondeu sorridente.
Elas ficaram em silêncio por longos segundos, apenas desfrutando da companhia uma da outra. Brittany brincava com os cabelos bagunçados da namorada quando fortes batidas na porta interromperam as duas. Santana arregalou os olhos e Brittany empalideceu. As duas saltaram da cama e correram pelo quarto procurando por suas roupas. Brittany vestiu-se antes e Santana trancou-se no banheiro no exato instante em que a porta se abriu e uma freira mal encarada entrou no quarto.
- Bom dia, irmã. – Brittany cumprimentou forçando um bocejo e tentando esconder as marcas em seu pescoço. – Desculpe, não ouvi a porta.
- Onde está a Srta. Lopes? – A mulher perguntou.
- Aqui. – Santana respondeu enquanto saia do banheiro, com as marcas já cobertas e vestindo seu pijama largo. – Bom dia.
Brittany esboçou um sorriso e levantou-se da cama enquanto a mulher revistava o quarto. Assim que ela saiu, Santana caminhou para os braços de Brittany e a abraçou.
- Essa foi por pouco. – Ela disse com um sorriso.
- Verdade. Temos que tomar mais cuidado. – Brittany concordou tomando os lábios de Santana para si. – E é melhor nós nos arrumarmos, San. Vamos nos atrasar.
Santana concordou com um aceno de cabeça e estendeu a mão para Brittany, puxando-a consigo para o banheiro.
Xxxxxxxxxxxx
Quinn acordou com uma forte dor de cabeça. Não conseguiu abrir os olhos sem soltar um gemido de dor baixinho, chamando a atenção de Rachel.
- Quinn? O que houve? – A morena perguntou, sentando ao lado da loura.
- Enxaqueca. – Quinn respondeu – Enfermaria. Agora.
Rachel assentiu e vestiu-se rapidamente com a primeira roupa que não fosse seu pijama de gatinhos e levou a loura até a enfermaria, segurando em sua cintura firmemente.
Quando entraram, Quinn enxergou Olivia fitando a janela vagarosamente, com os olhos vermelhos. A enfermeira virou-se para elas e recompôs-se rapidamente, colocando um sorriso forçado no rosto e caminhando em direção às meninas.
- O que posso fazer por vocês? – Ela pergunta, a voz visivelmente arranhada.
Rachel abre a boca, mas nenhum som sai de seus lábios. Quinn encaminha-se para a maca mais próxima e encara Olívia com os olhos verdes curiosos.
- Pode me dizer o que aconteceu com você. – A loura murmurou.
Olivia ficou com o rosto vermelho e rapidamente desviou o olhar para o chão. A mulher arrumou os cabelos no rabo de cavalo e deu as costas para Quinn, pegando uma xícara de chá e a entregando. Quinn bebeu o conteúdo sem tirar os olhos da mulher, observando cuidadosamente seus movimentos.
- Enxaqueca. – Quinn disse baixinho. Olivia assentiu e saiu, voltando com um comprimido na mão.
Quinn tomou o remédio e deitou-se na maca. O comprimido logo faria efeito e ela adormeceria em pouco tempo.
- Quando sair daqui, pode fazer uma coisa para mim? – Olivia perguntou.
Quinn assentiu e posicionou-se melhor para ouvir a morena.
- Diga a Srta. Holiday que ela pode ficar aqui se ainda estiver mal. Eu peço para Shelby atende-la. – Olivia disse em um sussurro, com uma expressão tristonha no rosto.
Quinn assentiu, sabendo que não arrancaria mais nada da mulher. Chamou Rachel e segurou sua mão, aproximando-se de seu ouvido.
- Avise Brittany que ela precisa conversar com a Srta. H. Algo sobre Olivia. Mas por favor, Rach, faça isso rápido.
Rachel assentiu e beijou a testa da namorada, antes de sair em busca da amiga pelo colégio.
Xxxxxxxxxxxx
Holly Holiday não cogitou levantar da cama. A gripe já havia a derrotado, e agora ela espirrava e tossia feito uma condenada. Daria tudo para estar na enfermaria, mas não conseguia olhar nos olhos escuros de Olivia. Arrependia-se amargamente de suas palavras para a mulher.
FLASHBACK ON
- Eu... Eu acho que estou me apaixonando por você, Srta. Holiday.
Holly engoliu em seco. As palavras de Olivia ecoavam fortemente em sua cabeça, fazendo-a sentir-se nauseada. Ela desviou dos olhos castanhos da mulher e fitou o chão.
- Por favor, diga alguma coisa. – A enfermeira sussurrou, com os olhos enchendo-se d’água.
Olivia aproximou-se cautelosamente, tocando o braço da professora que se afastou rispidamente.
- E-eu não sou assim, eu não posso fazer isso. – Holly disse levantando da maca.
- Eu...
- Não diga mais nada. Por favor, só me deixe sair daqui. – Holly cortou.
A loura deu as costas à enfermeira que sentiu lágrimas escorrendo por suas bochechas. A professora não conseguiu olhar para trás, não conseguiria encará-la. Apenas caminhou com passos firmes de volta ao seu quarto, agoniando por cada palavra que havia dito.
FLASHBACK OFF
Agora deitada em sua cama, Holly sentia-se a pessoa mais estúpida do mundo. Além da gripe que a nocauteara, suas palavras a torturavam e feriam. Doera mais nela própria do que na enfermeira.
Fortes batidas na porta a despertaram de suas memórias. Ao certo seria uma das freiras ou alguma professora querendo satisfações. Então, encaminhou-se à porta e a abriu, dando de cara com Brittany. A menina tinha os cabelos louros presos em um rabo de cavalo e Holly enxergou uma mancha vermelha mal coberta em seu pescoço pálido.
- Brittany, não é uma boa hora. – A mulher disse. – Avise que não estou em condições de dar aula hoje. E vá cobrir o seu pescoço, ninguém precisa saber o que você e Santana fazem naquele quarto.
- Eu cobri todas as marcas, mas ela me atacou quando eu saí do banheiro e eu já estava atrasada, então não tive tempo. – a loura respondeu, dando de ombros. – E aparentemente, eu vim cuidar da senhora.
Só então Holly notou a pequena sacola que Brittany trazia em mãos. Com um suspiro, ela deu passagem para a aluna e voltou para a cama.
- E então, gripe? – Brittany perguntou servindo uma caneca de chá.
- Quem mandou você aqui, Brittany? – A mulher perguntou em meio a um acesso de tosse.
Brittany abriu um sorriso irônico e encaminhou-se à professora.
- Não posso me preocupar com você, titia Holly? – Brittany perguntou com um olhar inocente.
- Falo sério, Britt. E você sabe melhor do que ninguém que aqui dentro eu sou apenas a sua professora. – A mulher respondeu.
Brittany abriu um sorriso relaxado. Holly não era sua tia de sangue, mas era amiga da família. De certa forma, adotara Brittany quando a levaram para o internato, e desde então, a loura passava as férias com ela. Era como uma segunda mãe.
- Eu sei. E ninguém me mandou aqui. Quer dizer, a Rachel me mandou vir falar com você...
- Sobre o quê? – Holly perguntou, tomando a caneca que era estendida pela loura.
- Sobre quem. – Brittany corrigiu. – O que foi que aconteceu com Olivia?
Holly gelou. Não queria falar sobre isso com ninguém, muito menos com Brittany. A menina percebeu o olhar da professora e aproximou-se.
- O que foi que aconteceu? – Brittany tornou a perguntar. – Por favor, eu sou praticamente sua filha. Confie em mim.
Holly não conseguia encarar Brittany, mas a menina puxou o queixo da mulher e forçou o contato dos olhos. Elas eram, de certa forma, parecidas. Ambas possuíam brilhantes olhos azuis e cabelos louros. Tinham algumas semelhanças, tanto físicas quanto emocionais.
- Ela disse que está apaixonada por mim. – A mulher confessou, dando-se por vencida.
- E o que você fez? – Brittany perguntou.
- Eu fugi.
Brittany a encarava da outra ponta da cama com um olhar sério no rosto. Ela sentou-se mais perto da professora e estudou as expressões do seu rosto.
- Não é tão fácil quando você se vê no nosso lugar, é? – Brittany disse com um meio sorriso.
- Não. – A professora concordou. – Escute, eu quero ficar um tempo sozinha. Vá para a sua aula, eu vou ficar bem.
Brittany assentiu e levantou-se da cama. Deteve-se na porta e olhou para a mulher mais uma vez.
- Eu falei com Rachel. – A loura disse. – Olivia falou que se você quiser voltar para a enfermaria, ela pede para Shelby cuidar de você.
Holly sentiu um aperto no peito, mas apenas assentiu. Brittany deu as costas e fechou a porta do quarto, deixando a professora absorta em seus pensamentos.
Fale com o autor