Colégio Interno - Brittana
15 Nunca vá embora
Notas iniciais
Santana acordou com os braços de Brittany ao redor de seu corpo. A latina sorriu e virou-se para encarar a namorada, fazendo seu sorriso desaparecer de imediato. A loira tinha os olhos inchados e profundas olheiras, sinais de que havia chorado. A testa de Santana enrugou-se e ela apertou a loira em seus braços. Sabia muito bem que ela estava mal, mas não conseguia entender o porquê.
Brittany lentamente começou a abrir os olhos azuis, sorrindo ao sentir o corpo de Santana abraçado no dela. Beijou o pescoço da namorada e afastou-se com um sorriso. Brittany franziu a testa no momento em que viu a expressão preocupada da namorada.
- Está tudo bem? – Brittany perguntou, acariciando o rosto de Santana com o polegar.
- Eu é que pergunto – Santana retrucou, recebendo um olhar confuso de Brittany – Britt, vá se olhar no espelho.
Brittany levantou preguiçosamente da cama, arrastando-se ao banheiro. Assim que viu seu rosto, arregalou os olhos. Ligou a torneira e lavou o rosto, como se pudesse se livrar do inchaço e do vermelhão que ela estava. Debruçou-se na pia e ficou estática, lembrando-se da noite anterior. Santana parou na porta do banheiro e cruzou os braços.
- Vai me contar o que está acontecendo? – a latina perguntou.
- Não é nada de mais, San. Não precisa se preocupar. – Brittany mentiu.
- Nada de mais? Brittany, olhe para você! Seu rosto está inchado e vermelho, você está com olheiras e não é nada de mais? – Santana explodiu – Não minta para mim. O que está acontecendo com você? E não ouse me dizer para não me preocupar, eu não sou cega.
- Santana, se acalme. – A loira pediu, tentando manter a calma.
- Não! – A latina gritou, aproximando-se e prendendo a namorada na parede. – O que você está escondendo de mim, poxa?
- Nada.
Brittany observou os olhos castanhos da latina ficarem mais escuros do que o normal. Sabia que ela estava com raiva, e por um segundo ficou com medo que Santana desferisse um tapa em seu rosto. Mas a latina apenas se afastou, caminhando de volta para o quarto. Brittany a seguiu para fora do banheiro e observou Santana abotoar a camisa branca do uniforme e vestir sua saia.
- Aonde você vai? – Brittany perguntou.
- Não importa. – Santana respondeu sem olhar para a loira. – Mas se você quer tanto saber, vou sair para tomar um ar. Não se atrase para o café.
- San... – Brittany chamou sentindo os olhos se encherem d’água. – Por favor, não briga comigo.
- Eu vou sair exatamente para que isso não aconteça. – Santana respondeu friamente.
Brittany arregalou os olhos ao ver a morena prendendo perfeitamente a gravata no pescoço. Santana pegou a mochila e aproximou-se da porta, mas Brittany a barrou.
- Há quanto tempo aprendeu a dar o nó na gravata? – A loira perguntou com um pequeno sorriso nos lábios.
- Brittany, saia da frente. – Santana respondeu, desviando os olhos dos da loira.
A garota olhou para Santana com os grandes olhos azuis magoados, mas deu passagem para a morena. A latina hesitou alguns segundos antes de sair, voltando os seus olhos para a loira. Por fim bateu a porta. Brittany voltou para a cama e abraçou o travesseiro da latina, deixando as lágrimas rolarem mais uma vez. Teve raiva de si mesma, e Santana deveria estar sentindo o mesmo. Não a culpava, ela tinha o direito de ficar magoada com a loira.
Enquanto chorava, não percebeu que Santana voltara ao quarto e a observava da porta, com lágrimas nos olhos. A latina ignorou a mágoa que sentia por Brittany não conseguir confiar nela como Santana confiava e deitou ao lado da loira, abraçando-a com força. Brittany virou-se e escondeu o rosto na curva do pescoço morena, encharcando sua camisa.
- Não vá embora, por favor, nunca faça isso. – Brittany choramingou abraçada à namorada.
- Britt, não chora – Santana pediu, deixando algumas lágrimas escorrerem por sua bochecha contra a sua vontade. – Eu nunca vou te deixar. Eu juro.
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Mais uma manhã fria, mais um dia de aula. A Srta. Holiday tentava equilibrar pilhas de provas e trabalhos corrigidos em suas mãos, pela milionésima vez no ano. Tentou ignorar a sensação de frio a manhã inteira, mas estava se tornando quase impossível. A neve caia no pátio com tanta intensidade que deixava a escola mais escura, como se fosse o auge da madrugada. Quando finalmente conseguiu empilhar tudo em seus braços, as luzes da escola se apagaram. A professora ficou estática por alguns segundos, esperando para ver se a luz voltaria ou não. Mas a escola continuou um breu, então a mulher jogou as provas em cima de sua escrivaninha e voltou para a cama.
Quando estava se aquecendo, ouviu uma batida na porta. Holly Holiday levantou-se da cama, acendendo uma vela e caminhando até a porta. Abriu-a e encontrou uma latina com a expressão chorosa e os olhos vermelhos.
- Santana? – A professora chamou – Mas o que está fazendo aqui? Achei que fosse passar o resto do dia com Brittany.
A professora a puxou para dentro do quarto, ajudando a latina a sentar.
- Quer me contar o que aconteceu? – A professora perguntou calmamente.
- E-eu não sei – Santana gaguejou – Eu... O que foi que eu fiz de errado?
A morena encolheu-se, apertando os joelhos com força e escondendo o rosto. A professora não conteve um sorriso ao lembrar que Brittany ficava exatamente na mesma posição quando estava triste ou frustrada.
- Querida, me conte o que aconteceu. – A professora pediu.
- E-eu acordei e quando fui m-m-me virar para abraça-la, eu vi o rosto dela todo inchado e com olheiras. – Santana disse segurando as lágrimas – E ela acordou depois, a gente discutiu e eu saí do quarto. Quando eu b-b-bati a porta, eu ouvi ela chorando. E-eu voltei e ela estava tão... Frágil. Eu nunca vi a B assim antes, e ela n-n-não confia em mim, e isso é uma merda, porque eu a amo mais do que eu já achei que seria capaz de amar qualquer pessoa nesse mundo, e eu achei que ela me amasse também por que ela me pediu em n-n-namoro e...
Santana não conseguiu terminar a frase. As lágrimas começaram a rolar desesperadamente por seu rosto, embargando sua voz. A professora ajoelhou-se e abraçou a menina, apertando-a com força. Mierda, Brittany. Custa muito engolir seus medos? A professora resmungou mentalmente.
- Você a ama? – Holly perguntou, secando as lágrimas do rosto da morena.
- Amo. – Santana respondeu.
- E você já disse isso a ela? – a professora perguntou calmamente.
Santana abriu a boca para responder, mas calou-se.
- Então o que ainda está fazendo sentada aqui? – A loira perguntou.
Santana sorriu e levantou-se da cadeira, correndo para fora do quarto. A professora suspirou, enfim seu merecido descanso. Mas não seria hoje. Ouviu a porta bater novamente e abriu-a, arregalando os olhos ao ver a figura parada à sua frente.
- Será que podemos conversar?
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