Notas iniciais
Noite...

Brittany caminhou amargurada pelos corredores da escola. Não sabia bem ao certo para onde estava indo, só sabia que não suportava mais a atmosfera do quarto. Ela acidentalmente batera na escrivaninha e derrubara um pequeno objeto. Quando o pegara, reconheceu a aliança que dera a Santana.

Brittany continuou caminhando até dar-se por conta de onde estava. Parada na capela da escola, não soube ao certo o que fazer. Caminhou até a sacristia e conseguiu arrombar o armário que guardavam o vinho. Bebeu a garrafa inteira, ainda em meio às lágrimas. Santana devia ter se cansado dela, cansado de esperar. Ela sentia-se estúpida, inútil. Caiu em um banco, completamente bêbada e transtornada e chorou. Não deu-se por conta de que um homem a observava da porta da igreja, com dó da loira.

O padre aproximou-se e ergueu Brittany, tirando-a da igreja e levando-a para seu quarto. Deitou a loira na cama e deixou que ela chorasse todas as suas mágoas enquanto preparava um café bem forte para tentar curar a embriaguez.

- Eu a amo tanto... – a loira choramingava – Ela prometeu que nunca iria embora. E ela foi, ela me deixou!

- Acalme-se, Brittany. – O padre respondeu, entregando à loira a xícara de café.

Brittany bebeu o café amargo muito a contragosto e aos poucos começou a recuperar os sentidos. Quando se deu por conta de onde estava e com quem estava, ficou com o corpo encolhido e os olhos azuis arregalados.

- V-v-vai me entregar p-p-para elas? – A loira gaguejou.

- Nunca faria isso. – ele respondeu – Escute, sei que não confia em mim, então vou te levar para uma pessoa que acredito que confie. Vai ficar bem com a Srta. Holiday, Brittany?

A loira apenas assentiu e deixou-se levar pela mão do padre. A menina ainda sentia-se tonta, mas nada comparado há minutos antes. A loira encolheu-se quando o padre bateu na porta e fora recebida por uma professora com uma cara reprovadora.

- Você bebeu? – Holly perguntou, assim que o padre saiu – Pelo amor de deus, Brittany. Eu tento achar qualquer coisa com álcool nesse lugar há anos e você consegue encontrar em minutos?

Brittany sorriria se não estivesse à beira de um colapso nervoso. A loira desmanchou-se em lágrimas novamente.

- Ela me deixou, Srta. H. – A loira choramingou – Ela n-n-não me ama mais, eu sou estúpida.

- Nunca mais diga isso, nenhuma dessas coisas – A professora disse – Ela te ama, Brittany. E você não é estupida. Mas o que foi que aconteceu dessa vez?

- E-eu n-n-não s-s-sei – A loira gaguejou, voltando a chorar.

A professora deixou que a menina chorasse por um longo tempo, até que pegasse no sono. Amanhã resolveriam isso, precisava de um tempo para pensar.

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Santana acordou sentindo um peso na cama. Sentiu os olhos ficarem úmidos ao lembrar-se da ruiva com os braços ao redor da sua loira. Sua.

A latina virou o rosto e conseguiu distinguir a silhueta de Quinn. Esperou que os olhos se acostumassem com a escuridão; pelo visto a luz não havia voltado. Quinn tinha uma ruga de preocupação na testa e olhava para a amiga com certa pena. Santana odiou o olhar, então novamente fechou os olhos com força.

- Como você está? – Quinn perguntou, afastando os cabelos escuros dos olhos de Santana.

A latina não respondeu, apenas encolheu-se na cama e apertou o travesseiro. Quinn desviou os olhos do rosto de Santana para as suas mãos e sentiu falta do pequeno objeto que há algum tempo vivia em seu dedo anelar.

- Onde está a sua aliança? – Quinn perguntou – Santana, o que foi que aconteceu?

A latina não conteve mais suas lágrimas. Quinn rapidamente abraçou a amiga que desatou a chorar. A loira tentava desajeitadamente confortar Santana, mas nunca fora boa em demonstrar carinho ou afeto. Santana já sabia disso, então recebeu os tapinhas nas costas como as mais doces palavras de conforto. Afastou-se do pescoço de Quinn ainda fungando em busca de ar.

- E-e-ela me traiu, Q. – Santana choramingou – Ela n-n-não me ama.

- Não diz essas besteiras, San. Ela te ama sim. E ama muito. – A loira retrucou – Como tem tanta certeza de que ela te traiu?

- Eu a vi agarrada com outra pessoa – Santana respondeu, secando as lágrimas. – Por que eu nunca sou boa o suficiente, Quinn?

- Santana, você deveria conversar com Brittany. Eu posso garantir que foi só um mal entendido. E pelo que te conheço, você saiu sem dar nenhuma explicação para ela, não saiu? – Quinn perguntou, fazendo Santana corar – Ela deve estar destruída, San. Pelo amor de deus, vocês duas andam muito dramáticas ultimamente. Vai conversar com ela, por favor.

Santana tentou protestar, mas Quinn já segurava seu braço e a arrastava para o lado de fora do quarto. A loira puxou Santana pelo corredor e só parou na porta do quarto.

- Boa sorte. – Quinn disse com seu habitual sorriso torto.

Santana suspirou e entrou no quarto. Um cheiro forte de álcool invadiu suas narinas, deixando-a levemente tonta. Seus olhos encontraram uma loira deitada na cama, com um olhar perdido para o teto. A latina aproximou-se e tocou em seu ombro. Brittany nem se mexeu.

Santana sentou-se ao lado da loira na cama, ainda sem conseguir um mísero movimento da menina. Buscou suas mãos e viu que ela estava agarrada a um pequeno objeto de prata. Seu anel. Tirou-o da mão de Brittany, fazendo com que ela desviasse os olhos do nada e fitasse o rosto de Santana. Assim que reconheceu a morena, Brittany sentou-se na cama em um salto.

- S-s-San? – A loira gaguejou – V-v-você v-v-voltou?

- Nós vamos conversar. – A latina disse, tentando manter o ar frio. – Você bebeu, Brittany?

A loira baixou a cabeça, envergonhada. Santana franziu a testa e puxou o queixo de Brittany para encará-la.

- Responda. – A morena exigiu.

- Bebi. – Brittany disse.

- Por quê?

- Você foi embora.

A latina sentiu seu coração se despedaçar ainda mais com as palavras da loira. Sentiu seu corpo fraquejar e seus olhos marejarem.

- Por que você fez isso, San? – a loira perguntou com os olhos cheios d’água. – eu te amo, mas mesmo assim você não me quis.

- Eu te quero – a latina respondeu – Eu quero de verdade, mas não vou te dividir com ninguém mais, Brittany. Eu quero você por inteira.

- Você me tem.

- Então o que você estava fazendo com aquela ruiva ontem de madrugada?

Brittany arregalou os olhos azuis.

- Jennifer? – a loira perguntou arqueando uma sobrancelha.

- Que seja. – Santana respondeu.

- Ela é... Uma amiga antiga, San. Eu juro.

- Você se agarra com todas as suas amigas?

- Eu estava congelando. Sério. Minha pele estava azul. Ela me abraçou porque eu estava triste e com frio. E fazia muito tempo que nós não nos víamos.

Santana brincou com o anel em suas mãos, ainda sem olhar para a loira.

- Eu juro que só existe você, Santana. – Brittany disse, puxando a morena para mais perto. – Confia em mim?

- Confio – Santana respondeu, cedendo ao abraço de Brittany.

- Ótimo – A loira disse sorrindo – Mas o que você foi fazer lá fora?

- Eu... Eu senti sua falta. E você nunca leva um casaco, Britt-Britt.

- Você é perfeita – A loira disse sorrindo – Eu te amo. Me perdoa por ser idiota?

- Eu amo você. – Santana respondeu, tomando os lábios da loira para si. – Minha loira. Só minha.

Notas finais
Aprovado?