Colégio Interno - Brittana
5 Apaixonada
Notas iniciais
Quinn acariciava os cabelos escuros de Rachel em sua cama. A pequena tinha a cabeça recostada sobre o peito da loira, que tinha um sorriso bobo nos lábios.
– Como vamos fazer isso? – Rachel perguntou – Quer dizer, as freiras não podem nem desconfiar, é claro. Não seríamos bem vistas. Mas... E as meninas?
– Santana e Brittany precisam saber. – Quinn disse decidida.
– Ok, mas por quê?
– Santana está claramente apaixonada pela loirinha, mas ela precisa de um empurrão. Senão, eu tenho certeza de que ela não vai tentar nada. Ela ainda tem medo. – Quinn murmurou lembrando-se da amiga.
– Medo? Do quê? – Rachel perguntou.
– Não posso contar, Rach. É pessoal, se um dia ela quiser se abrir sobre isso, vocês descobrem. Mas se ela não quiser, não é de mim que vocês vão descobrir qualquer coisa.
– Certo. Não vou discutir sobre isso.
Quinn sorriu e puxou a morena para os seus lábios, beijando-a delicadamente.
– Mas isso é fato, toda a loira precisa da sua morena – Quinn disse, puxando Rachel para mais um beijo apaixonado.
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Os sinos da igreja soaram pela manhã, acordando a latina com um sorriso no rosto. Santana sentou na cama, pousando seus olhos para a figura ainda adormecida na cama ao lado. Era domingo, dia de ir à igreja.
A latina caminhou até a cama de Brittany e deitou ao lado da loira, pousando as mãos nos cabelos louros.
– Vamos, Britt... Nós vamos nos atrasar. – Santana murmurou.
– Sono... – Brittany respondeu, escondendo o rosto na curva do pescoço moreno.
– Precisamos levantar. – Santana disse, tentando puxar a loira consigo.
– Não. – Brittany respondeu firme, deitando com o corpo por cima da morena e a imobilizando.
Santana tentou levantar, mas Brittany era mais forte e mais pesada do que a morena, então facilmente a manteve presa no seu abraço. Santana desistiu, deitando a cabeça no travesseiro e passando os braços pela cintura da amiga.
– Se não levantar, não vamos tomar café. – A latina tentou, por fim.
– Shiu. Dormir. – Brittany resmungou, enterrando o rosto no peito de Santana.
Santana desistiu de acordá-la e fechou os olhos, apreciando o contato da pele de Brittany na sua. A latina sorriu inconscientemente, adormecendo com a loira abraçada a sua cintura.
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– San? San! Acorda! – Brittany chamou sentando em cima da latina – Nós estamos mais do que super atrasadas!
– O-o quê? – Santana gaguejou sonolenta.
– Nós dormimos demais. Eu acho que eu te prendi aqui.
– Você me imobilizou, para ser mais exata. Deus, Britt! É impossível te acordar!
A loira sorriu e levantou, estendendo as mãos para Santana. Brittany rapidamente pegou o uniforme e começou a despir-se. Pela milionésima vez, Santana perdeu-se nas curvas da loira, prendendo os olhos na sua barriga definida.
Brittany abotoou a camisa branca e saiu atrás de sua saia, fazendo com que Santana despertasse do seu transe. Ainda atordoada, a morena começou a despir-se rapidamente. Colocou o uniforme e, enquanto ajeitava a camisa, sentiu algo prender seu pescoço, fazendo-a girar.
– Abotoe a camisa, latina. – Brittany disse sorridente enquanto prendia a gravata no pescoço de Santana – Temos que estar na igreja em cinco minutos.
Santana corou e terminou de se vestir, arrumando rapidamente os cabelos escuros. Brittany puxou-a pela mão e as duas correram pelos corredores, parando apenas quando chegaram perto da capela.
– Reze pelas nossas almas, Santana. – Brittany murmurou, arrancando um sorriso da morena.
– Rezarei.
As duas entraram silenciosamente, esgueirando-se pelo canto do corredor. Ninguém, a não ser a Srta. Holiday, pareceu nota-las. Santana puxou Brittany para um banco no fundo, onde Quinn estava sentada com Rachel.
– A noite foi boa, Lopez? – Quinn perguntou com um sorriso torto.
– Não enche, Fabray. – A morena respondeu, apertando o braço da amiga.
– Ok. Mas depois precisamos conversar.
Santana deu de ombros e voltou sua atenção para Brittany. A loira parecia tentar entreter-se com uma mecha do próprio cabelo, mas sem muito sucesso. A latina abriu um sorriso e voltou os olhos para o padre, o único homem permitido no internato.
O padre era um homem estranho. Ninguém sabia o seu nome, todas o chamavam por padre. Ele era um homem de altura normal, magro e com cabelos castanhos ondulados. Tinha por volta de seus quarenta anos, talvez um pouco menos.
Santana se perguntava o que o fizera virar padre. Era um rapaz jovem, provavelmente inteligente e com futuro promissor. A latina não conseguia entender o que fazia alguém seguir a carreira religiosa.
Brittany pousou os olhos azuis em Santana. A latina parecia a todo custo tentar não dormir no meio da prece, mas estava sendo difícil. Brittany apertou a mão da amiga, que pareceu despertar ao contato das duas. Santana olhou-a com os olhos sonolentos e abriu um sorriso fraco. Brittany tentou controlar o desejo de tomar os lábios da morena para si, mas estava difícil. Ela queria tanto possui-los, pelo menos uma vez. Mas não podia. Não queria arriscar perder a pessoa que a fazia tão bem com um simples sorriso.
No fim da missa, Brittany teve que sacudir Santana para acorda-la. Os esforços da loira para mantê-la acordada foram em vão, a latina dormira antes de chegarem na metade da missa.
Brittany colocou o braço de Santana ao redor de seu pescoço e pegou a morena no colo, erguendo-a do chão.
– O que você está fazendo? – Santana perguntou agarrando o pescoço da loira com mais força.
– Levando o meu bebê para a caminha. – Brittany respondeu com um sorriso – Você está morta de sono, assim como eu.
– Não estou não – Santana disse escondendo um bocejo.
– Claro que não está. – Brittany retrucou sorrindo – Mas eu quero dormir mais um pouco antes do almoço, e você sabe que eu odeio ficar sozinha. Podia ficar só um pouquinho comigo, até eu dormir.
– Só um pouquinho. – Santana concordou – Mas me põe no chão, Britt. Nós vamos cair.
– Nem pensar. Confia em mim?
– Sabe que sim.
– Ótimo. Então fica quietinha que eu vou te carregar lá pra cima.
Brittany carregou a morena pelos corredores, recebendo alguns olhares confusos durante o caminho. A loira abriu a porta do quarto e deitou Santana, quase adormecida, em sua cama.
– Só um pouquinho. – Santana murmurou, aconchegando-se na amiga.
– Eu sei. – Brittany respondeu, afagando os cabelos da morena até que ela caísse no sono.
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Quinn puxou Rachel pela mão até o quarto das amigas. A morena fez uma expressão confusa ao ver Quinn puxando uma chave e girando a maçaneta.
– Longa história – Quinn disse, percebendo o olhar de Rachel.
As duas entraram no quarto e se logo um sorriso irônico formou-se no rosto de Quinn. Santana e Brittany dormiam abraçadas, a morena com o rosto no peito de Brittany. Um sorriso inconsciente tinha se formado nos lábios de Brittany, que ainda tinha a mão na nuca de Santana.
– Sim, só “amigas”. – Quinn repetiu irônica.
A loira ajoelhou-se ao lado de Santana e apertou o ombro da amiga. A morena resmungou algo ininteligível e aconchegou-se mais no peito de Brittany.
– Acorda, Lopez. Precisamos conversar. – Quinn murmurou sacudindo o ombro da latina de leve.
Santana abriu os olhos sonolentos e deparou-se com Quinn sorrindo.
– Mas que merda...
– Longa história. – Quinn cortou a latina. – Podemos conversar com você e com a sua “amiga”?
– O que... Ah, oi Rachel. – Santana murmurou, tentando soltar-se dos braços da loira.
– Pode ficar ai mesmo, não vou demorar. – Quinn disse. – Mas só me tire uma dúvida, da última vez que eu vim aqui, você me disse que ela tinha medo de tempestades. Hoje só está nublado, qual é a desculpa da vez?
Santana corou furiosamente e voltou a esconder o rosto no peito da loira, que ainda dormia tranquilamente.
– Me deixa, Fabray – Santana murmurou.
– Só quando você admitir que está apaixonada por ela. – Quinn retrucou.
– Não gosto dela mais do que como amiga. – Santana respondeu.
– Certo. Porque você dorme agarrada com todas as suas amigas. – Quinn disse sorrindo.
– Cale a boca.
– Se ajuda um pouco, nós viemos contar uma coisa para vocês duas. – Quinn disse puxando Rachel para mais perto – Mas não precisa acordar a sua Bela Adormecida, princesa encantada. Depois você conta pra ela. Eu e Rachel... Nós estamos juntas agora.
– O quê? – Santana disse, arregalando os olhos escuros.
– Você ouviu bem. Juntas. Que nem você e a sua princesa deveriam estar. Mas é um segredo, Santana. Você sabe o que as freiras fariam se soubessem.
– Hm, então parabéns, eu acho. – Santana disse abrindo um sorriso.
– Obrigada. Agora vamos deixar vocês dormirem. E a propósito Lopez... Você deveria procurar a Srta. Holiday. Garanto que não vai se arrepender.
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Brittany abriu os olhos, deparando-se com Santana deitada em seu peito. A latina brincava com a mão de Brittany que apertava sua cintura de leve.
– Já acordou, bonitinha? – Brittany perguntou abrindo um sorriso – Achei que não ia se mexer até a hora do almoço.
– Quinn me acordou – Santana respondeu virando-se para a loira. – Ela e Rachel vieram aqui. E por sinal, você por acaso deu a cópia da chave do nosso quarto para ela?
– Não que eu saiba. Por quê? – Brittany perguntou.
– Porque ela abriu a porta com alguma chave, e não era nem minha, nem sua.
– Ela já deve ter conhecido a “máfia” daqui.
– Como assim? – Santana questionou, arqueando uma sobrancelha.
– É complicado, depois eu explico. – Brittany respondeu – Mas o que elas vieram fazer aqui?
– Elas estão... Namorando, eu acho. Ou juntas.
– O quê? Sério? Uau, essa eu não esperava.
– Nem eu. – Santana confessou.
Brittany sentou-se na cama e passou o braço ao redor do corpo de Santana. A latina deitou a cabeça no ombro de Brittany e fechou os olhos por alguns segundos. Afrouxou a gravata enquanto tentava em vão entender o que Quinn quis dizer ao manda-la procurar a Srta. Holiday.
– Eu acho isso legal, sabe? – Brittany disse cortando o silêncio.
– O quê? – Santana perguntou.
– Duas pessoas do mesmo sexo se apaixonarem. Quer dizer, a maioria das pessoas vê como algo diabólico ou coisa assim, mas eu não. Eu acho que essas pessoas são incríveis. Você sai do padrão, você sai da mesmice. Você enxerga a pessoa pelo o que ela é, não só pelo corpo. Você aprende a se apaixonar pela alma, não pelo que é visível. Para mim, é o amor mais puro que existe.
Santana sorriu e aconchegou-se no corpo de Brittany.
– Eu gosto do jeito que você vê as coisas. – Santana disse – Mas o que você faria se uma mulher se apaixonasse por você?
– O que há para ser feito? Não sei. Se eu estivesse apaixonada por ela, ficaria com ela sem pensar duas vezes. Mas se não estivesse... Bom, faria o mesmo que faria com um homem. Diria que eu não estou apaixonada.
– Já se apaixonou por uma mulher? – Santana perguntou.
– Já. – Brittany respondeu, desviando os olhos de Santana.
– E o que fez?
– Nada.
– Nada? – Santana retrucou.
– Eu... Eu não consegui. Ela tirou todos os meus sentidos, me deixou boba por ela. E eu fiquei com medo de perdê-la. Não podia estragar a nossa amizade.
Santana ficou sem palavras. Por alguns segundos, apenas encarou a loira ao seu lado. Por fim, voltou a falar.
– Estragaria a amizade com alguém se estivesse apaixonado por você? – Santana perguntou.
– Claro que não! – Brittany respondeu – Eu só... Eu só achei que ela não fosse gostar mais de mim.
Santana assentiu e deitou a cabeça no peito da amiga. Talvez devesse contar, talvez. Enquanto refletia, Brittany se perguntava como a morena reagiria se soubesse que ela estava completamente apaixonada por ela.
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