Colégio Interno - Brittana
10 Única
Notas iniciais
Santana estava deitada com a cabeça no estômago de Brittany observando o céu estrelado. As duas foram para a área mais isolada da escola assim que jantaram e ficaram deitadas na grama.
- No que está pensando agora? – Brittany perguntou.
- Nada específico. – Santana respondeu – Só em nós.
- Fale mais. – Brittany pediu com um sorriso.
- Bem, em nós daqui a alguns anos – A latina disse corando – Quando sairmos daqui. Eu não sei explicar, Britt. Mas eu gosto.
- Nós vamos continuar juntas. – Brittany sussurrou segurando a mão da latina. – Só eu e você, San.
Santana sorriu e sentou na grama. Ela fechou os olhos e deixou a brisa suave da noite bater contra seu rosto, apreciando a sensação. Brittany sentou ao seu lado e passou os braços ao redor de Santana, beijando a bochecha da latina. Ela sorriu e encostou o rosto no peito da loira, recebendo um beijo suave no topo da cabeça.
- Às vezes eu acho que eu não te mereço – Brittany sussurrou contra os cabelos escuros – Você é tão inteligente, linda... Eu nunca tirei notas boas, não chamo atenção pela aparência e de longe me comparo a você. Por que eu, Santana? O que você viu em mim que te chamou tanta atenção?
Santana afastou-se do peito da loira e segurou seu queixo, fazendo-a olhar diretamente em seus olhos da mesma maneira que Brittany fazia quando queria conversar com a morena.
- Você é linda, da primeira vez que eu te vi, com o pijama de patinhos e tudo mais, – A morena completou com um riso – eu achei que tinha visto um anjo. No meu primeiro dia aqui, eu me perdi em seus olhos e, cá entre nós, no seu corpo também. Você é a pessoa mais genial que eu conheço, você vê o que ninguém mais vê, pensa de um jeito próprio e eu acho isso encantador. Você é de longe a pessoa mais doce e carinhosa que eu conheço, sem falar na mais atenciosa e adorável. Você tem paciência comigo, me entende, me escuta, cuida de mim, me trata bem e se importa comigo. Você me enxergou além da menina mal-humorada e grossa que eu sempre fui. Me aceitou mesmo eu tendo mil e um problemas psicológicos. Você me enxergou além de todas as minhas barreiras, além do meu corpo. Você me viu de um jeito que apenas Quinn, com muito tempo de convivência, conseguiu ver. E isso em menos de um ano. Você aprendeu a ler meus sentimentos, a ver o que eu estava pensando, e mesmo assim você me pergunta o porquê de eu ter me apaixonado por você? Não tem ninguém no mundo como você, Britt-Britt. Você é única.
Brittany abriu um sorriso largo no rosto e segurou o rosto da morena entre as mãos, puxando-a em direção aos seus lábios. Santana abraçou a loira pelo pescoço e abriu um sorriso doce, encostando o rosto no de Brittany.
- Você é perfeita, Santana. – Brittany sussurrou contra seus lábios. – E eu gostei.
- Do que, B?
- De você me chamando de Britt-Britt.
Xxxxxxxxxxxx
- Lopez, sai de cima de mim! – Quinn reclamou, afastando a amiga que caíra em cima dela.
- Não tenho culpa se você é desastrada, Fabray. – Santana disse, aceitando as mãos de Brittany que a puxaram contra seu corpo.
Santana encostou-se contra o corpo magro da loira e deitou a cabeça na curva do seu pescoço. Brittany sorriu e apertou o abraço ao redor da latina. Rachel puxava Quinn e a ajudava a ficar em pé, rindo da loira que tropeçava tentando levantar. As meninas ensaiavam a coreografia para a apresentação no grupo. Brittany tentava ensinar as amigas com toda a paciência do mundo, mas as três não tinham a habilidade da loira para movimentar-se. Santana e Quinn constantemente tropeçavam nos próprios pés ou em Rachel, ocasionando quedas hilárias no ponto de vista de Brittany e Rachel.
Após um longo tempo de ensaio, as meninas decidiram que estava bom e que ensaiariam mais outro dia. Santana entrelaçou a mão na de Brittany e estava a puxando para a saída quando Quinn passou pelas duas que nem um raio e puxou Santana com ela.
- Vamos inverter para não chamar muita atenção – A loira explicou, puxando Santana com ela.
- Mas que porra é essa, Fabray? – Santana disse quando as duas se afastaram.
- Precisamos conversar. – a loira disse dando de ombros – E relaxe, a sua loira não vai ficar tanto tempo longe. Não custa nada você vir comigo.
Santana não argumentou e seguiu a amiga pelo pátio da escola. Tinha uma espécie de floresta um pouco mais adentro, lugar onde ela e Brittany costumavam a ir quando queriam total privacidade. Era mais fácil alguém invadir o quarto das duas para fazer a revista semanal do que entrar no meio das árvores. Quinn puxou Santana pelo braço para perto da floresta. A latina hesitou e parou no caminho.
- Fabray, quer falar logo o que você quer? – Santana perguntou – Não há a menor possibilidade de eu entrar ai.
- Como não? Já vi você e Brittany aqui algumas vezes – a loira retrucou, fazendo Santana arregalar os olhos – Relaxa, Lopez. Duvido que mais alguém tenha visto.
- Fale logo, Q.
- Você já contou a ela? – Quinn perguntou arqueando uma sobrancelha.
Santana suspirou e deixou o corpo pender para o lado.
- Não. Eu não sei nem como começar esse assunto. – A latina respondeu.
- Não vai fugir disso para sempre, San. Fale com ela. Não confia em Brittany? Vai ver que no final vai se sentir melhor. – Quinn argumentou.
- Eu sei Quinn, eu... Só me deixe sozinha, certo? – Santana disse, a voz em um sussurro.
Quinn acompanhou com um olhar tristonho enquanto a amiga entrava na floresta. A loira sabia que Santana não agiria por conta própria, então esperou por Brittany e Rachel na entrada da escola.
- Ela está na floresta – disse Quinn à Brittany – E eu acho que ela tem alguma coisa para te contar.
Xxxxxxxxxxxx
Brittany entrou no meio das árvores do pátio e atravessou o emaranhado de plantas. O pequeno bosque parecia mesmo uma floresta. A loira duvidava que alguém cortasse a grama ali a pelo menos alguns meses. A grama estava alta e ela tinha certeza de que deveria ter algum animal passeando por ali.
Mas o segredo das duas era atravessar essa parte do bosque. Logo após isso, havia um lugar tranquilo, inabitado e muito bonito. A grama não parecia que iria engoli-las de repente e as árvores pareciam mais vivas. Era onde Brittany sabia que sempre encontraria Santana.
A loira aproximou-se por trás da latina e abraçou sua cintura, deixando um beijo em sua bochecha. Santana instantaneamente sorriu e virou o rosto para beijar os lábios de Brittany.
- Senti sua falta. – A latina disse abraçando-se ao pescoço da loira.
- Mas não ficamos nem meia-hora separadas. – Brittany disse sorrindo.
- Mesmo assim, não suporto ficar longe de você. – a latina retrucou afastando-se do pescoço de Brittany.
Santana sentou-se na grama e Brittany abraçou sua cintura por trás, pousando o queixo no ombro da garota. As duas ficaram em silêncio por um longo tempo, apenas apreciando a paz e a companhia uma da outra.
- San... – Brittany chamou – Quinn disse que você queria me contar alguma coisa. O que é?
Santana sentiu o corpo gelar. Sabia muito bem quais eram as intenções de Quinn, só não sabia que ela iria tão longe para fazê-la falar.
- E-e-ela disse? – A latina gaguejou sem querer.
- Sim, e por que você está gaguejando? – Brittany perguntou arqueando uma sobrancelha e observando o rosto da morena. – Esqueça. Eu já sei sobre o que é. Sabe que não precisa...
- Sim, eu preciso. – Santana interrompeu, virando-se para Brittany.
- San, Quinn não pode decidir sua vida por você. Fale quando quiser falar.
- E eu quero, Britt. Hoje ela me perguntou se eu queria, e se eu confiava em você. Eu disse que sim, só que não sabia como abordar... Você sabe. – A latina disse segurando o rosto da loira entre suas mãos – Ela só me deu um empurrão.
Santana puxou o rosto da loira e beijou seus lábios finos, invadindo-a com a língua. Brittany afastou-se em busca de ar e beijou a testa da morena.
- Se você tiver certeza, sou toda ouvidos – a loira sussurrou.
Santana suspirou pesadamente e encostou-se na testa de Brittany.
- Minha história começou quando eu completei dez anos. Meu pai morreu quando eu tinha cinco, pouco me lembro dele. Minha mãe casou novamente, dando a mim e a minha irmã um padrasto. Jason. Ele era legal conosco, sempre nos levava para passear, nos dava atenção... Ele nos tratava como suas filhas. Ou ao menos eu achava isso. Poucas semanas depois do meu aniversário, ele me levou para o porão. Disse que queria me mostrar uma coisa, e que eu ia gostar. – a morena disse com uma expressão chorosa no rosto. Brittany pousou a mão na da garota e a apertou. – Ele... Ele me obrigou a tocá-lo, Britt. Eu estava sozinha em casa, à mercê dele. Quando terminei, ele quis me tocar. Eu saí correndo, e a minha mãe chegou em casa bem na hora. Eu contei a ela, disse tudo. Ela prometeu que ia resolver e me mandou para o meu quarto. No dia seguinte, eu acordei com as minhas malas prontas. Ela... Ela me chamou de ordinária, disse que eu não prestava e que eu era uma decepção. E assim fui “jogada” em um orfanato. Eu não sei da minha irmã há cinco anos, Britt-Britt. Minha mãe não quer me ver, e ele... Ele ainda está lá.
Brittany abraçou Santana que instantaneamente começou a chorar. A loira sussurrava palavras reconfortantes no ouvido da morena, abraçando seu corpo frágil. Brittany esperou que Santana se acalmasse um pouco e levou-a direto para o quarto. Deitou a latina na cama e vestiu seu pijama. A loira deitou ao seu lado, puxando-a para o seu peito e deixando que ela chorasse.
- Eu estou tão orgulhosa de você, Santy. – Brittany murmurou apertando o abraço – Você não faz ideia do quanto eu te admiro por se manter forte esses anos todos.
A latina afundou o rosto no peito da garota e deixou que Brittany acariciasse seus cabelos.
- Eu não vou deixar ninguém tocar em você, San. Nunca, nunca mais. Você é minha.
Fale com o autor