Eu quero dormir

E não consigo

Me sinto ridícula

Eu tenho prova amanhã

Tenho que dormir

Existe algo muito terrível e melancólico nas coisas que podiam ser e não foram.

E talvez nunca sejam

Quanto ao menino de olhos verdes

Demorou pra caramba pra mim concluir que eles eram verdes mesmo

Sou míope e desatenta

Só conclui quando estava bem perto

Eu sinto que podia ter colocado minhas garrinhas nele

Estava tão fácil, tão perto

E eu, tão incerta, inexperiente

Estúpida

Flertavamos e eu nunca sabia se era sério

Me fez estudar linguagem corporal

Foi efetivamente o primeiro que fez minhas mãos suarem

Me fez ir para um lugar de música alta só para vê-lo

Eu odeio música alta

Eu gostava da adrenalina

De ver se ele reparava no meu decote

De sempre cumprimentá-lo com um beijo na bochecha

Eu odeio dar beijinhos

Só dava porque era perto da boca dele

Então, descobri que ele gostava de ecstasy mais do que de mim

Maconha também

E outras coisas que nem quero saber

Admito, prefiro ser a chata do que a viciada e morta

Menino, você pode se entupir de bebidas e drogas toda festa

Vai acordar ileso, um pouco mais burro e talvez assaltado

Eu não tenho a mesma sorte

Não arrisco

Puritana mesmo

E então, só amigos

Outra garota cravou as garras nele

Admito que me irritei no início

Me senti insuficiente

Achei que talvez pudesse consertar ele

Por dois segundos, esqueci que não sou uma clínica de reabilitação

E aí ele se infiltrou no apartamento dela

Sem pagar aluguel, sem tarefas doméstica, comendo comida de graça

Ainda no Tinder, eu vi

Existe males que vem para bem

Ainda bem que não era eu

De vez em quando, ainda me sinto atraída

O infeliz é bonito

Aí lembro que mais verde que os olhos dele

São os dólares que quero ganhar

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!