Notas iniciais
Eiii... Sei... Sorry... Desde de julho sem atualizar... Desculpe. Estou tendo um bloqueio e a tia Aylla tava sem net... Bom... Espero que ainda estejam conosco e que gostem desse capítulo! Boa Leitura.

“A vida é aquilo que acontece enquanto você está planejando o futuro.” — John Lennon


Narração

Não havia muito no que mexer. Tem é que se saber dar a volta por cima. Dizem que você deve levar a vida como um rio quando encontra uma pedra no meio do caminho... Você deve desviar. Nunca concordei. Particularmente, penso que isso é não enfrentar os obstáculos, mas, coloquemo-nos na posição da água. Ela não tem muita opção. Tem pessoas que são assim. Preferem ignorar o que lhe atrapalha o caminho, e por um lado isso é o correto a se fazer. Não deixar que atrapalhem seu caminho. Mas toda vez que você desvia, surge outra pedra e outra e outra... Vamos desviar até quando?

Simon decidiu seguir em frente. Sim. Ele sabia que não iria facilmente encontrar outros olhos que brilhassem tanto, outra boca, outro sorriso como o de Bia. Sabia que jamais formigaria tanto em um toque e que talvez não sofresse mais com a expectativa do que viria a seguir. Ele sabia. Sabia que nenhum abraço seria tão confortante e que nenhum cheiro o deixaria tão embriagado como o de Bia. Mas ele queria tentar. Afinal, ela perdeu o filho deles e agora se preparava para ter outro de Filipe. Estava tudo como ele nunca achou que estaria. Então ele decidiu planejar sua vida. Não tinha muito o que perder e jamais teria se não investisse em nada.

Filipe recebeu a visita de Luana. Ela estava apaixonada por ele. Bom, fato é que ele também havia se encantado com ela. Luana era simplesmente maravilhosa. Sorria de um jeito avassalador e não era como essas menininhas que se vê por aí. Ela era ela. E não se importava se vissem seus defeitos, fazia parte da essência dela. Bia que não gostou muito dessa história. Pi havia meio que a deixado de lado e ela gostava de Luana, só não gostava da proximidade dela com a verdade.

Suportar ausências sem pirar deveria ser considerado um dom. Você nunca está pronto para abrir mão de algo. Você nem está pronto pra viver e te mandam pra vida. Acho que os espermatozoides deveriam ser questionados se querem nascer. Deveriam receber palestras de como vai ser aqui na terra. Deveriam aprender sobre a droga que amar é e suas sequelas quase que irremediáveis. Deveriam dizer a verdade para eles. Deveriam... No entanto, o deixam a mercê de uma expectativa vã. Eles querem vencer, ser o melhor e chegar ao óvulo como grande campeão... Sem saber que na vida pode ser apenas um derrotado, mas quem vai definir isso são as escolhas que ele fará. Nascemos campeões. A vida é um sopro de vitória. E no minuto seguinte após o nascimento, você acaba se tornando apenas um mero e frágil ser humano. Um ser humano que precisará aprender a ser forte. E isso também deveria ser considerado um dom.

Beatriz

Andei até a caixa de correio com certa dificuldade. A barriga estava grande e meus pés inchados. Estava meio difícil ficar em pé e me locomover. Mas eu queria mostrar que ainda podia andar até a frente da minha casa sem ajuda. Obviamente, estava surtando em ter que ficar de repouso e já havia assistido todos os filmes que minha mãe comprou durante a minha vida inteira. Tudo estava tão chato. Eu me sentia uma bomba prestes a estourar e puta merda, eu queria mesmo estourar logo. O Pi estava todo apaixonadinho pela Luana e ela estava abrigada na casa da minha vó com ele, logo logo ela estaria voltando para Conquista d’Oeste e estava temerosa que Filipe fosse junto. Não me levem a mau... Não é ciúme e coisa e tal... Eu gosto dela. Ela dá ótimos conselhos, mas eu queria ele mais presente. Meio que não me importaria sabe?

Abri a caixa de correio e só tinha um envelope delicado de carta num papel rosa. Olhei curiosa e pela letra redonda e bem definida logo adivinhei de quem era. Ele havia me escrito uma carta. Coração apertou tão forte... Agora eu tinha certeza que essa carta era dele. Conhecia de fato a letra. Andei o mais depressa que pude para dentro e entrei me jogando no sofá.

“Olá Bia

De repente me deu vontade de escrever para você. É que eu desisti de investir no nosso amor. Desculpe. Acho que nem deveria ter começado isso. Certo. Não tive muito como optar em não te conhecer. Talvez se eu tivesse sido um bom irmão e não ter tentado lhe matar todas as vezes em que te vi, eu pudesse tê-la conhecido antes e isso evitaria os conflitos que nos metemos.

Sabes que para mim toda essa história foi uma loucura. Coisa de novela mesmo. Mas escrevi mesmo como despedida. Nossos pais não deram certo por serem diferentes. Dizem que a diferença é o segredo para um bom relacionamento. Quer dizer, não há como completar um quebra-cabeça se tivermos peças iguais. Mas os nossos pais eram tão diferentes que eram peças de quebra-cabeças diferentes entende? E estou falando deles porque também temos essa diferença. Só que a nossa se encaixava... E agora, você terá um filho.

Posso imaginar sua cara agora. Pois é. Eu sei sobre o filho. Isso me fez desistir, aliás, penso que você sequer pensou que eu saberia sobre isso. Agradeço a consideração. Espero que o Filipe seja o pai que eu sempre quis ser.

Você nunca soube perdoar. É teimosa. Quer tudo na sua hora e a demora te faz surtar. É impulsiva e... Tá longe de mim. E fico aqui tentando não me perder sem você e lembro que sim. Poxa vida, você está tão longe de mim e meu coração aperta como uma calça que não me serve mais. Aperta e grita que tu tá longe, mas tá aqui dento e que se dane o sentido! Porque esse merda de distância jamais vai apagar a falta que me faz você.

Achei que nunca chegaria a esse ponto. Achei que nunca precisaria assumir meu coração vazio, mas o estou assumindo para a única pessoa que pode preenchê-lo. E... como sei que não lhe terei outra vez... Fica aqui a pergunta que não se cala: Quando deixarei de te amar? Quando irei superar você?

Saiba que todo meu amor é seu. Não só hoje. Todos os dias.

Seu Simon”

Eu não consegui não chorar. Havia tanta coisa ali... Não era apenas um papel que o tempo ficaria esquecido dentro de uma caixinha qualquer. Eu senti os sentimentos transpassados ali. Passei a mão pela letra e supôs pela forma que as letras estavam bem marcadas, que havia sido um grande desafio para o Simon escrevê-la. E ele sabia sobre o bebê... Fui tomada por uma onda de soluços e minha mãe chegou desesperada perguntando se eu estava bem. Não mãe. Não estou bem. Mas nem isso eu conseguia dizer, me aconcheguei nos braços dela segundos antes de ser tomada por uma série de contrações e de repente me senti toda molhada. Acho que a bomba iria mesmo explodir.

Minha mãe correu desesperada pegar a minha bolsa e a do bebê, enquanto toda sem jeito ligava para o Filipe. Fui para o carro dela e logo vi Luana e Filipe entrarem em outro carro e saírem atrás da gente. Cheguei no hospital já em trabalho de parto. Mandaram-me para uma sala enquanto eu sofria aquelas malditas contrações. Depois que fui anestesiada, fiquei um tanto grogue. É... Acho que a mini-Bia estava chegando aí.

Luana

– Como isso? Falta umas semanas ainda para o dia do parte. – ouvi Filipe questionar para a mãe de Bia.

– Ela estava lendo algo. E soluçava muito quando a encontrei. Foi tudo meio repentino e...

– Ela passou por nervoso? Por que ela estava chorando?

– Eu trouxe o que ela estava lendo. Pelo que vi era uma carta. Do Simon. – Filipe engoliu em seco e pegou a carta das mãos dela. Sentou do meu lado e começou a ler. Fiquei dando uma bisbilhotada.

_ Meu Deus! – ele falou assim que terminou. – Simon sabe da gravidez. E acha que o pai sou eu... Mas como ele sabe?

– Acho que isso eu posso explicar – comecei, falando pela primeira vez desde que chegamos lá. – Eu me tornei muito amiga dele e antes de vir ele me contou que a Bia havia ligado para ele, eu fiquei tão eufórica que perguntei “O que ela queria? Falar sobre a gravidez?” e quando percebi o que havia feito, não quis He dizer mais nada. Não disse que o filho era dele.

– Luana... A Bia deve ter, no mínimo, pirado. Ela ama ele. Ai meu Deus! Precisamos desmentir isso.

– Não. Não podemos fazer isso sem a Bia saber. Irei para lá daqui a uma semana, se ela permitir conto pessoalmente para ele. Vamos esperar, tá?

– Ok amor. Ok.

[...]

Notas finais
E então...? ~Keel