Coisas de Casal
1 Capítulo 1
Notas iniciais
John se aconchegou, de maneira confortável, em sua poltrona. Era inverno em Londres e o tempo estava algumas vezes pior do que o usual. O céu estava cinza e o vento uivava do lado de fora do prédio. Chuviscava fino e as gotas batucavam no vidro da janela fazendo um barulhinho gostoso e reconfortante.
O loiro suspirou voltando o olhar para o livro que lia. Estava com sono. Tanto que a visão embaçava as letras negras. Havia passado as últimas duas noites sem um sono minimamente decente, mas isso não era novidade, não quando se mora com Sherlock Holmes. O moreno o havia arrastado para os confins de Londres na noite anterior, não que realmente se importasse – Deus, não, ele amava a adrenalina que pulsava em suas veias quando estava com o outro. – A noite havia sido cansativa. Chovera a maior parte da madrugada e ficar de tocaia em frente a uma boate, debaixo de chuva pela falta de um carro, era mais do que um convite para um resfriado.
Sarcasticamente, o loiro espirrou, suspirando em seguida deixando o livro de lado. Teria de ler o mesmo capítulo em outra ocasião. Decidira que iria dormir e, sorrindo, pensou em sua cama quentinha e aconchegante.
Avistou a figura sorridente de Sherlock na cozinha. O moreno, em uma brilhante epifania, lembrou-se de uma conversa irritada que tivera com um mendigo há duas manhãs e conseguira a informação necessária para saber onde o maníaco atacaria. Estranho e incrível como sempre. Apesar de que o informante do amigo lhe roubara 30 pratas, sabia que não adiantava se irritar.
Sorriu olhando o outro entretido, dançando com a própria música, na cozinha bagunçada. Pensou em chamar o outro para dormirem, mas ligado do jeito que ele estava, sabia que o máximo que Sherlock faria era ficar se revirando na cama.
Caminhou até o mais alto de forma lenta. As pantufas se arrastando contra o chão. Aproximou-se do agitado companheiro e envolveu seu rosto pálido nas mãos quentes. Puxou o moreno para si, empurrando seus lábios contra os do outro em um selinho. Sua intenção era apenas dar-lhe um beijo rápido de boa noite para que pudesse finalmente se enrolar na cama quente que o esperava em seu quarto. E teria feito apenas isto, jurava que teria feito. Isso se Sherlock não tivesse envolvido sua cintura e colado seu corpo no dele.
O moreno forçou sua língua por entre os lábios do loiro e começou um beijo eufórico e quente. Bem, isso também não era nenhuma novidade para John. Quando Sherlock ficava elétrico por resolver um caso, ele acabava ficando elétrico para outras coisas também. Não demorou, todo o corpo de John parecia incendiar.
Sherlock lhe acariciava o abdômen sob as duas camadas de roupa que o cobriam. Os dedos ágeis e gélidos brincando com a pele quente. O contato proporcionando arrepios deliciosos pelo corpo do doutor. Sua boca de lábios cheios deixando a boca do loiro para se ocupar em marcar a pele de seu pescoço com chupões.
O loiro ofegou com todo o contato e fez força com os braços para afastar o moreno de perto de si. Sabia que o outro iria reclamar, mas estava cansado demais para aquilo naquele momento.
–Sherlock – disse o loiro quando o moreno já estava a uma distância segura. – Preciso dormir.
Os olhos terrivelmente claros de Sherlock o fitaram sem um pingo de sono e John teve de se perguntar se não vira o outro dormir, ao menos um pouco.
–Pensei que teria mais energia do que isso – o moreno disse sarcástico com sua voz de timbre baixo. – Sendo o veterano de guerra que você é.
John se irritou ante a zombaria do outro, mas não teve, de fato, tempo de retrucar. Sua mão quente fora enlaçada pela pele gélida da do outro. O corpo puxado pelo corredor em direção do quarto. Tentou protestar, mas foi calado, de maneira um tanto ríspida em sua opinião, pelo moreno.
Sherlock mal se deu ao trabalho de acender as luzes, apenas empurrou o corpo do loiro contra a cama, o fitando de forma ávida e apaixonada.
–Sherlock! – protestou o loiro em um ofego. – Eu quero...
–Calado – respondeu o outro se aproximando de John com movimentos calculados e lentos.
John sentiu um formigamento em seu baixo ventre e suspirou apoiando o corpo com os cotovelos.
Sherlock subiu em cima de si, ficando com uma perna de cada lado do corpo do loiro, mas resolveu trocar de posição segundos depois, fazendo com que seus quadris roçassem um no outro. Movimento que fez John suspirar uma segunda vez.
O moreno estremeceu parecendo finalmente se dar conta do frio que estava fazendo, mesmo ali no quarto.
–Está frio – disse mais pra si mesmo, embora fitasse o doutor, em uma constatação simples.
–Pois é Sherlock, está frio – disse tocando o rosto gelado do outro. – E você vai acabar pegando um resfriado se não se esquentar.
O moreno sorriu enormemente antes de pular para fora da cama e se dirigir até o guarda-roupa no canto do quarto.
John observou de maneira curiosa enquanto o outro abria o guarda-roupa e puxava uma coberta azul e felpuda de dentro do mesmo. Sherlock andou de volta para cama, jogando a coberta sobre John. Macia e quente.
Sherlock puxou John pelas pernas e depois puxou os tecidos quentes que o cobriam. Tecidos amarrotados pelo beijo anterior. Tirou-os de forma rápida, os jogando a um canto qualquer.
–Mas que diabos você...?
–Cale a boca, John – Sherlock o calou de forma ríspida, uma segunda vez, apesar de portar um sorriso nos lábios.
O doutor se calou com uma expressão irritada, mas permitiu que Sherlock continuasse a despi-lo. Logo estava apenas de cuecas, e com um sorriso satisfeito o moreno o deixou de lado.
Sherlock começou a se despir, um sorriso malicioso nos lábios. A pequena brincadeira fez com que John ficasse um pouco mais acordado do que antes, a vontade de tocar a pele pálida do outro aumentando gradativamente à medida que o detetive deixava a pele mais amostra.
O moreno ficou apenas de cuecas, assim como John. Depois se sentou na cama ao lado do loiro. Sherlock cobriu seus corpos desnudos com a coberta quente e colou seus corpos num abraço acolhedor, já que o corpo pequeno se encaixava perfeitamente no esguio.
–É isso que os casais fazem nas noites frias, certo? – Sherlock sussurrou no ouvido do loiro. – Estava esperando para poder testar isso com você, John.
O loiro sentiu o rosto esquentar ao ouvir a confissão do outro. Sentindo o peito aquecer com a ternura do momento. John selou seus lábios de forma leve e doce, envolvendo os ombros do outro de forma carinhosa.
Sherlock respondeu ao ato com a mesma ternura e a mesma calma. Puxando o corpo do loiro para que se deitassem na cama.
John sorriu antes de adormecer. Sentindo a pele, agora quente, de Sherlock contra a sua, sem roupas para atrapalhar. Apenas pele contra pele. O cheiro dele. O som da respiração do mais alto e o chuvisco contra a janela. Estava com tanto sono que quase se esqueceu de sussurrar no silencio do quarto:
–Boa noite, Sherlock.
–Boa noite, John – o moreno respondeu se apertando mais contra o corpo quente do outro.
Não demorou muito – 1h para ser exato. –, Sherlock começou a se remexer contra os lençóis quentes da cama, começando a cutucar o pequeno John a seu lado. Beijando-lhe a orelha e lhe mordendo a pele do pescoço. Apesar da inquietude do outro, John ainda se sentia confortável ao lado de Sherlock. Pois, sabia ele, tudo estava em seu lugar.
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