Notas iniciais
Hello... It's me hahahha How are you, guys? Venho, então, com o último capítulo de CPNSFB! Com vocês, o primeiro encontro de Katniss e Peeta :) Pessoal que favoritou: vocês tem um lugar no meu coração, assim como quem comentou e acessou, porque, assim, deu chance a essa minha ideia. Eu amo vocês, de verdade ♥ Obrigada por tudo. iKarly Emanuely Schreave Horan Silva Souza Castro Fernandes, ou Sis: I love you, and you know it. Obrigada pelo apoio de sempre, pelas reações ao vivo e pela recomendação linda que eu não paro de ler e reler. Você é a melhor ♥ Resumindo, eu agradeço a todos vocês forever and ever. Espero que curtam esse capítulo. Comentem, favoritem e recomendem! Eu gosto muito dessas três ações :D Não tem erro pra me fazer feliz. Um beijo e até a próxima! Ju.

"Hm, oi, K. Eu nem sei seu nome direito, mas é o Peeta, o cara daquela noite confusa. Então, você estava certa, já tinha me passado seu número. Estava pensando que podíamos jantar qualquer dia, ou tomar um café. Você pode me ligar. É isso... hm, tchau."

Engasgo. Simplesmente engasgo; aquilo que acontece quando a epiglote não faz o trabalho dela direito, e o alimento ou a saliva não passa pelo lugar certo. A mensagem tinha tom de hesitação, e eu realmente não estava esperando por ela, ainda mais no meio do trabalho.

— Está tudo bem, Katniss? — Gordon para diante de minha mesa com uma pasta. Trato de me recompor, levantando os olhos para ele.

— Sim, senhor. Não foi nada. — Pouso o celular sobre a superfície de mogno.

— Tudo bem — meu chefe esquece rapidamente, franzindo os lábios, depois estala os dedos para se lembrar do que ia falar. — Parabéns pela matéria sobre a nova geração tecnológica, eu realmente gostei muito. Estará na revista desse final de semana.

— Obrigada, senhor — sorrio satisfeita, esquecendo por um momento do que me fez quase cuspir o suco no teclado do computador. Eu teria que rezar para que nada tivesse acontecido e eu não pagasse pelo dano.

— Bem, já que o trabalho está feito, aproveite o final do dia. Está dispensada — sorriu e voltou para sua sala, me fazendo relaxar os ombros.

Suspirando, comecei a recolher minhas coisas e jogá-las para o interior da minha bolsa. Ao mesmo tempo, rolei a barra de contatos, procurando um em especial.

Chamou, chamou e chamou.

Me diz que é uma emergência, tenho uma reunião daqui dois minutos— atende mal humorada, e aperto o botão do elevador.

— Ele me chamou pra sair — digo direta, conhecendo bem a impaciência de Clove.

Como é?— pergunta sem entender. Respiro fundo.

— O cara daquela noite. Clark Kent. — Especifico. — Ele me deixou um recado me chamando pra jantar ou tomar um café. — Atravesso a catraca e aceno para o segurança do prédio, Steve.

E...?

— O que eu faço? — questiono óbvia. — O que digo, respondo? Eu respondo? Mando mensagem ou ligo? Me ajuda, Clove. — Peço.

Impressionante como você depende de mim e continua reclamando.— Imagino-a revirando os olhos. — O cara é legal, certo?

— Parecia que sim — respondo dando de ombros, mesmo que ela não estivesse vendo.

E é bonito, não é?

— Muito bonito — concordo, ponderando.

Beija bem, bom de cama?— apela, me fazendo rolar os olhos dessa vez e me sentir corada.

— Pelo pouco que me lembro... sim — mordo o lábio, desviando os olhos para a divisão da calçada.

Me diz, Katniss, por que não?— resmunga sem paciência. — Você é linda, inteligente e solteira e tem uma bunda de dar inveja. E... você está livre agora, não é?

— Quer que o chame pra sair agora? — abro a boca.

Eu não quero, você quer— penso em seu sorriso malicioso. — Eu e Madge vamos sair hoje, você pode aproveitar o apartamento vazio.

— Clove...

Vou desligar. Ligue, fique ainda mais gata e vá jantar por conta de um nerd gostoso. Beijos!— E desligou na minha cara.

Bufei para o telefone, agora mudo, e procurei pela minha segunda opção.

Oi, Kat— disse ela simpática. Como duas pessoas tão opostas podiam ser tão amigas quando Clove e Madge eram?

— Maddie, o Clark Kent me deixou um recado me chamando pra sair. O que eu faço? — Tombo a cabeça para um lado.

Ligue pra ele e marque um encontro.— Responde com convicção.

— Só pra ter certeza. — Mordisco o polegar. — Obrigada, nos vemos em casa, beijos — desligo e assovio para chamar um táxi.

Preciso fazer apenas uma coisa; ligar. Tocar e ligar.

Apenas inspire fundo, Katniss.

Chama. Chama. E... não chama mais, porque ele atende mais rápido do que eu espero. Mas que droga, universo!

Alô?— Respire e vá.

— Peeta? — sorrio, confiante. Continue assim, confiante.— É a Katniss.

Katniss?— pergunta, parecendo confuso e um pouco lerdo. Lembro-me do recado, em que ele me chamava de apenas K e dizia não saber meu nome realmente.

— Ah, hm... K — digo, entrando no táxi e sussurrando para o motorista o endereço do meu prédio. — Acho que não fomos devidamente apresentados — rio sutilmente.

Ah, é... hm— o ouço tossir. — É verdade— concorda. — Katniss— repete lentamente, testando o som.

— Bem, eu recebi seu recado. Podemos marcar algo qualquer hora — sugiro.

Hm, é... sim, podemos— um barulho ao fundo de algo batendo no chão. — Podemos. É, quando você está livre?— questiona.

— Na verdade... agora — fecho um dos olhos, esperando que ele também.

Agora? Tipo, hoje?— Gaguejou um pouco.

— É. O que acha de um jantar? — Convido. Ele parecia um pouco atrapalhado, mas de um jeito adorável.

Pra mim está ótimo. Onde?

— Tem alguma sugestão? — Por instinto, arqueio a sobrancelha.

Conheço um restaurante legal. Fica na Hyde, se chama... The Cavern.

— Por mim tudo bem. Nos encontramos lá.

Às sete?— Olho as horas no painel do carro. Marcava 16:21. Eu teria bastante tempo.

— Claro. Então, até lá — sorrio e desligo.

Imediatamente, digito uma mensagem para Clove e Madge: Pronto!. E quando chego em casa, a primeira já respondera: O apartamento é seu essa noite, fique tranquila, o que me fizera revirar os olhos.

As seis e quarenta e cinco, eu estava pronta. Minhas amigas já haviam saído para mais uma boate, e eu retoquei o batom uma última vez antes de ouvir Roger tocando o interfone para dizer que o táxi já chegara.

O restaurante parecia bem comum por fora. Em compensação... era uma caverna por dentro. No sentido literal. As paredes pareciam de cavernas, havia estalagmites e estalactites, e bem no meio, entre as mesas, estava pendurado um esqueleto de dinossauro. Era um lugar incrível.

Corri os olhos pelas mesas, procurando por Peeta. Não demorou muito para notá-lo acenando e sorrindo para mim.

— Oi — ele ficou sem jeito de me cumprimentar, optando por um... aperto de mão?

Ok, ele era um pouco estranho. Um pouco.

Em compensação, era cavalheiro, puxando minha cadeira para que eu me sentasse.

— Acho que começamos de um jeito estranho — diz, ajeitando os óculos no rosto e sorrindo. À que parte ele se referia? O aperto de mão ou toda história anterior?

Escolhi a segunda opção.

— Começamos mesmo. Ao contrário, na verdade — pela sua interpretação, consigo visualizar um leve rubor em seu rosto. — Então... — coloco minha mão por cima da mesa, estendendo-a para mais um cumprimento. — Katniss Everdeen.

Peeta, ao entender, sorriu.

— Peeta Mellark. Encantado — rio.

— Igualmente — olho em volta. — Não conhecia esse restaurante.

— É um dos meus favoritos. Eu gosto de coisas temáticas — dá de ombros.

— Acho que isso eu já percebi — me lembro de seu apartamento. Então, ele fica vermelho outra vez.

— Está com fome? — pergunta, e afirmo ao mesmo tempo em que um garçom para ao nosso lado.

Pedi um combo com hambúrguer, fritas e refrigerantes, mas não deveria ter me surpreendido quando vi que as batatas tinham forma de dinossauros. Mesmo assim, achei engraçado e bonitinho.

— Você trabalha com o quê? — pergunto começando a comer.

— Engenharia de Software. Sou formado no MIT— completa, me fazendo arregalar os olhos.

— Isso é demais — sorrio. — E onde você trabalha?

— A maioria das pessoas não acredita muito quando digo — começa. — Parece meio irreal ter uma empresa física do Google— dá de ombros. Ok, Peeta era totalmente atrapalhado, mas surpreendente. Ou não... afinal, eu não esperaria coisas muito diferentes de um nerd.

— Trabalha no Google? Hm... deve ser um gênio da tecnologia. — Ele ri.

— Não exatamente. – Faz um careta.

— Por isso todos aqueles monitores e equipamentos? — questiono interessada. Peeta era interessante. De um jeito diferente, mas, ainda assim, interessante.

— É. Bem, é com o que eu gasto meu dinheiro. Eu gosto de jogos, artigos tecnológicos, quadrinhos— frisa -, esse tipo de coisa. Então, é meu investimento, acho. — Dá de ombros outra vez. — Como eu amo essas batatas! — exclama baixo, me fazendo rir. — Gosto dessa música — completa, se referindo ao que tocava baixo no ambiente.

Warriors?— Pergunto.

— É da trilha sonora do League of Legends— responde sem jeito, me fazendo rir.

— Que música mais você gosta?

— Eu não sei. Gosto de algumas, mas não ouço tanta música quanto jogo. — Ele coloca o canudo de um lado na boca, de um jeito bonitinho.

— Me deixa facilitar. Que tal... seu filme favorito? — continuo comendo minhas batatas. Realmente eram as melhores.

— Você não facilitou em nada — riu genuinamente. — É muito difícil escolher. Tem Guerra nas Estrelas, Jornada nas Estrelas, Guia do Mochileiro nas Galáxias, De Volta Ao Futuro... não tem como — estreita os olhos. — Sinto como se só estivéssemos falando de mim — diz, e sorrio.

— Hm, tudo bem. Pode perguntar.

— O que você faz?

— Sou editora, trabalho em uma revista. — respondo. — Formada em Stanford. — Ele parece tão impressionado quanto eu ao descobrir sua universidade. — O tipo de matéria que mais gosto de fazer é sobre avanços tecnológicos.

— Que demais — comenta com entusiasmo. — Gosta disso?

— Do meu trabalho? — franzo o cenho. — Eu adoro. Gosto de escrever e gosto de saber que as pessoas leem o que escrevo.

— Gosta de desenhos animados? — estranho um pouco sua pergunta.

— Quem não gosta? — mesmo assim, respondo.

— Agora, uma pergunta séria — Peeta se inclina pra frente com o semblante realmente sério. Passou a língua rapidamente pelos lábios, deixou o hambúrguer de lado e franziu um pouco as sobrancelhas. Eu estreito os olhos. — Qual é seu super-herói preferido?

De repente, começo a rir, e ele abre um sorriso, desfazendo toda expressão.

— Isso pode dizer muito sobre alguém — diz divertido, mas com um pouco de seriedade no tom.

— Super-herói preferido... — penso. — Eu admito, não sei. São muitos. Mas gosto bastante do Homem Aranha — dou de ombros. Ele sorriu outra vez.

— Eu gosto do Flash — diz. — O acho muito legal.

— Posso assumir algo? — Pergunto suavemente, um pouco tímida. Peeta balança a cabeça em afirmativa, curioso. — Não lembro muito de quando "nos conhecemos" — faço aspas -, mas me lembro de ter te comparado com o Clark Kent.

De um jeito adorável, seus olhos se arregalaram.

— Sério? — assinto, rindo. — Caramba! — Exclama. — Nossa — rio mais ainda. — Só uma pergunta. — franze o cenho. — Por quê? — Questiona como se realmente não entendesse a comparação.

— Bem, porque você é alto, forte, usa óculos — analiso. — E é muito bonito — coro ao mesmo tempo que ele. — Eu diria que você é uma versão loira dele.

— Esse foi o melhor elogio que já me deram — começo a rir alto. — Mesmo que o Super Homem seja bem apelão — observa brincando. — Você poderia ser a Mulher Gato, se quisesse — diz olhando para a mesa, e rio.

— Está falando sério? — ele me olha e concorda. — Só uma pergunta — o imito. — Por quê?

— Você é incrivelmente bonita, incrivelmente sedutora, e seus olhos são incrivelmente incríveis. Parecem de gato. — Começo a rir.

— Também acho que foi o melhor elogio que já me deram. — Semicerro os olhos.

— Duvido que já não te disseram que seus olhos são incrivelmente incríveis. — diz naturalmente, mas ainda um pouco encabulado.

— Nunca me disseram que eu poderia ser a Mulher Gato— arqueio uma sobrancelha.

— Gosta de séries? — troca de assunto.

Friends é minha favorita — respondo de imediato.

— Eu apostaria que sim — sorriu. — Eu gosto muito. Meu personagem favorito é o Chandler.

— Minha personagem favorita é a Monica— sorrio com a coincidência.

— Gosta de física? — Questiona.

— É, gosto – respondo depois de pensar.

— Posso colocar essa azeitona dentro do copo sem tocá-la — diz, acabando de comer o lanche e pegando um copo vazio, depois uma azeitona no prato de aperitivos.

— Eu quero ver — sorrio. Rodando o copo, ele conseguiu, e o olhei impressionada.

— Força centrífuga — digo. — Ok, teve seu momento de Leonard Hofstadter— ri.

— Obrigado — riu comigo.

— Gosta de animais? — pergunto de repente.

— Sim, os acho interessantes. Tive uma tartaruguinha quando criança, pensava em ser biólogo porque fingia que a estudava — riu consigo mesmo ao se lembrar.

— De biólogo para engenheiro de software, é uma grande mudança — observo. — Tive um hamster. E um peixe, mas esquecia de colocar ração, então ele morreu em duas semanas.

— Assassina — acusou com diversão, rindo alto. — Fiquei traumatizado quando encontrei Ted morto.

— A tartaruga se chamava Ted?

— Pois é. Depois que o perdi, só tive bichinhos virtuais, achava que não conseguiria cuidar de um animal outra vez. — Discursou tristemente. — Era uma criança exagerada — fez uma careta.

— Eu sempre quis ter um cachorro — digo.

— E por que não teve?

— Minha mãe é alérgica ao pelo — explico. — Você mora com seus amigos? — pergunto, me lembrando das duas vozes além da sua naquela manhã.

— Sim. Meus melhores amigos, Finnick e Marvel. Eles são meio estranhos e brigam grande parte do tempo. Mas conseguimos conviver bem, na verdade. Talvez por sermos parecidos. — Responde. — Aliás, Marvel pediu desculpas pelo que aconteceu naquele dia.

— Pediu? — Arqueio as sobrancelhas. Eu tentara esquecer o incidente a qualquer custo desde que acontecera, ainda envergonhada.

— Não exatamente. Mas se eu estivesse no lugar dele, pediria, então... — começo a rir. — E você? Mora sozinha?

— Não, também moro com minhas melhores amigas. Nos conhecemos há muito tempo, e não sei o que faria sem elas, por mais que me façam passar vergonha, muita vergonha. — Sorrio. — E duvido que conseguiria morar sozinha, pra ser sincera.

— Por quê?

— Gosta de filmes de terror? — respondo com outra pergunta.

— Nem um pouco — balança a cabeça, já compreendendo.

— Pois é, eu também não. — Pisco. — Você tem irmãos?

— Duas irmãs mais velhas, são gêmeas — responde. — E inseparáveis. Audrey e Alex. Acreditaria se eu dissesse que elas também namoram gêmeos? — sorriu.

— Sério? — arqueio uma sobrancelha, duvidosa.

— Sim. Eles se conheceram num encontro planejado para gêmeos. Você não sabe como é estranho.

— Imagino, na verdade.

— E o seu irmão? Me fala sobre ele. — Pede.

— Bem, o nome dele é Connor. Ele é, tipo, um gênio. Dezesseis anos e já tem garantia de umas três universidades. Acredito que ele vá pra Harvard, quer ser Engenheiro Mecânico, é apaixonado por robótica e carros. Ganhou a última feira de ciências da escola por criar um robô com sucata. — lembro. — E, hm... eu o amo demais — dou de ombros.

— Você me parece o tipo de irmã protetora e ciumenta — comenta sutilmente com ar de riso.

— Só um pouco – sorrio, admitindo.

— Que tal pedirmos um sundae? — Ele pega o cardápio do lado da mesa.

— É uma boa ideia — me inclino para olhar os sabores. — Quero de chocolate.

— Chocólatra? — pergunta.

— Não — faço uma careta. — Apenas gosto. — Peeta acenou para o mesmo garçom e fez os pedidos.

— Então, o que você faz além elaborar softwares para o Google, colecionar coisa legais, assistir filmes e séries e jogar com seus amigos? — Apoio o queixo na mão.

— Hm, vamos ver — ele pensa. — Eu faço musculação três vezes na semana antes do trabalho. Duas vezes eu corro. E no final de semana ando de bicicleta, eu adoro andar de bicicleta — dá ênfase. Por isso os braços fortes, e aquelas pernas... sem contar a bunda! — Se meu eu de cinco anos atrás me visse tão ativo, acharia que é uma piada — rio com ele. — Eu cozinho, também. Tinha três mulheres na casa, o que não faltou foi aulas de culinária — sorriu. — Mas acho que é isso. Agora me diz você. — O garçom coloca as taças de sundae na mesa. — Obrigado.

— Deixe-me ver — bato a unha no queixo. — Eu desenho. Faço ioga, e nos finais de semana jogo tênis com meu pai. Faço aulas de dança e leio muito. E também adoro andar de bicicleta — completo.

— Acho que encontramos uma boa ideia para o segundo encontro. Se você aceitar, claro — sorriu demonstrando um pouquinho de expectativa.

— Eu aceito — sorrio de volta.

— Mais uma pergunta — se aproxima. — Como consegue fazer ioga? — rio.

— Minha amiga me pergunta a mesma coisa. — Mexo o sorvete com a cauda de chocolate.

— Eu não tenho equilíbrio pra isso.

— Eu também não tinha — dou de ombros.

— Você desenha?

— Como um hobbie. Gosto de colorir também. Acho que é uma das poucas coisas artísticas em mim. — Ri pelo nariz. — Quer dizer que você cozinha? — ergo uma sobrancelha.

— Dá pra quebrar o galho. — Diz parecendo um pouco envergonhado.

— Qual sua especialidade? — questiono.

— Pedir pizza — responde e me faz rir alto com sua resposta. — Ah, esqueci de uma coisa. Gosto de nadar, também. — por isso os ombros largos. Havia algo de errado nele? Eu não via nada de errado, sequer um defeito. Ao menos fisicamente. — Mas admito que não gosto tanto de praia quanto um californiano deveria. — Torce o nariz.

— Sempre morou em Mountain View? — inquiro.

— Não, eu sou de San Diego. Vim pra cá por causa do trabalho, o Google sempre foi meu sonho. E você?

— Eu sou daqui. Sempre vivi aqui e minha família está toda aqui. — respondo.

— Quer dar um volta? — convida quando vê que acabei minha sobremesa, e aceito.

Peeta gentilmente pagou a conta, me impedindo de dividir e alegando que estava tudo bem. Então, saímos do restaurante para caminhar pelo quarteirão.

— No que você acredita? — questiono.

— Como assim? — devolve.

— Ah, não sei. Todo mundo acredita em alguma coisa — dou de ombros. Ele permanece em silêncio, parecendo refletir.

— Extraterrestres — sorriu divertido. — Sério — reforça quando mando minha expressão duvidosa. — Esse universo é grande demais pra estarmos sozinhos. — Explica. — Acredito em Deus e acredito na ciência também, e não acho isso contraditório. O mundo precisa dos fatos científicos e da religião.

— Somos dois — dei-lhe um meio sorriso. — Acredito em pessoas. — Digo.

— Em pessoas?

— É. Acredito que pessoas sempre mudam e acredito na diferença que fazemos por menor que seja. — Mordo o lábio. — Aliás, também acredito em extraterrestres — sorrio.

— Acredito em outra coisa também. Parece meio bobo.

— Diz — peço.

— Acredito que nada acontece por acaso — responde, e consigo ver o sangue subindo em seu rosto.

— Que fofo — começo a rir de sua vermelhidão. — É brincadeira. Vai, diz por que.

— Ah, é que cada coisinha que acontece com a gente dá uma diferença enorme na nossa vida, porque com elas vamos construindo o que somos, até o fim de tudo. E, bom, pra mim tudo está entrelaçado, acontece por alguma razão. E a razão é para sermos nós. Ficou confuso? — Estreita os olhos, estancando na calçada.

— Um pouquinho — admito, indicando um tanto com o polegar e o dedo indicador. — Mas é bem convincente. Então não foi por acaso que eu esbarrei justamente em você? — arqueio uma sobrancelha, parando em sua frente.

— Eu acho que não. — Dá de ombros, tentando desviar os olhos. Dou um passo a frente, sentindo-o tenso. Só preciso erguer a cabeça, por estar de salto, e com isso já consigo beijar seus lábios.

Maciez com sorvete. Foi a primeira coisa que se passou pela minha mente e consegui registrar. Era apenas a primeira nota e toque, pois apenas com isso nos afastamos. Eu o beijara anteriormente, mas nenhum beijo estava tão claro.

Peeta abriu um sorriso.

— Viu? Também não é por acaso o fato de você ter me beijado primeiro — sussurra.

— Por quê? — tombo a cabeça.

— Desse jeito tenho coragem de te beijar de novo, mas agora certo — sorrio também. Ele coloca a mão em meu pescoço e se inclina minimamente.

Sinto meu corpo se aquecer quando nossas línguas se tocam. Uma corrente passa por mim como um choque, e consigo sentir o hálito de hortelã.

Eu queria apenas um defeito, porque ele também beijava tão bem.

— Acho melhor eu ir pra casa — digo quando já estava ficando tarde e tínhamos dado voltas suficientes.

— Tudo bem.

— Quer dividir o táxi? — sugiro quando assobio para um parar.

— Claro. — Concorda. — Deve ser muito bom te ter por perto quando se quer um táxi — riu. Sua risada tinha um timbre gostoso e contagiante. Ele abriu a porta do carro para mim quando um parou na guia.

Nós ainda trocamos mais alguns beijos no táxi, não tentando chamar tanta atenção do motorista.

— É aqui — olho meu prédio pela janela. — Você... quer subir? — Convido um pouco incerta, mas não arrependida de já ter dito. Peeta parece hesitar tanto quanto eu.

— Tudo bem — consigo percebê-lo gaguejando. Mas aquilo chegava a ser fofo.

Peguei sua mão e entramos, andando direto para o elevador. Até subir para o décimo andar, demorava. Por isso, não hesitei em aproveitar para beijá-lo no percurso.

Minha vizinha do andar de baixo, Sra. James, me olhou maliciosa e piscou quando saiu tão rapidamente quanto entrou. Eu fiquei sem reação, porque Sra. James estava prestes a completar seu octogésimo aniversário.

— Fique à vontade — digo, acendendo as luzes e deixando minha bolsa no cabideiro ao lado da porta. — Quer alguma coisa pra beber? — ofereço.

— Obrigado — balança a cabeça em negativa. — Apartamento legal — olha tudo em volta timidamente, ajeitando os óculos.

— Obrigada. O seu também é. — Descalço os saltos. — Senta — indico o sofá, me arrumando também com uma almofada no colo.

— Sabe, sobre aquela noite... — ele se senta. — Acreditaria se eu dissesse que nunca tinha feito aquilo? — Pergunta, mordendo o polegar. Arregalo os olhos, surpresa, e meu coração começa a bater mais rápido.

— Nunca fez... sexo?— questiono desconcertada. É a vez dele de ficar impressionado com minha pergunta.

— Não! — Exclama rapidamente. — Eu já fiz sexo, é que... — depois de perceber o que dissera, Peeta começou a ficar corado. — Digo, eu nunca... eu nunca tive sexo casual, entende? — Esclareceu em um fôlego.

— Ah — me acalmo. — Nossa. — Fecho os olhos fortemente. — Caramba. Sim, eu entendo. Também nunca tinha acontecido comigo. — admito.

— Sorte a nossa, certo? — sorriu. — Pelo menos ter sido um com o outro. — Completa.

— Não foi por acaso — sorrio de volta. Peeta se inclinou e me beijou novamente.

Nos beijamos por muito tempo e muitas vezes. Quando a distância entre nós, ainda que pouca, me frustrou, eu me aproximei até estar em seu colo.

— Paramos por aqui? — pergunta, como se o ar estivesse escasso.

— Você quer parar? — sussurrei, beijando seu pescoço e com as mãos na barra de sua camiseta.

— Fica difícil responder desse jeito — diz, e começo a rir, parando. Eu ia sair de cima dele, mas o próprio segurou minha cintura.

— Isso é um não? — Em resposta, ele me beijou.

— Isso é um não — e começou devagar outra vez. Senti-o arrepiar quando minha mão foi parar debaixo de sua camisa, a subindo.

Respirei fundo em uma pausa, enquanto a peça passava por sua cabeça.

— Tem uma tatuagem? — me afastei bruscamente, curiosa ao ver um desenho na parte interna de seu bíceps.

— Ah, não... — gemeu frustrado, abaixando o braço.

— Peeta, eu quero ver — peço. — Por favor.

— Você vai rir – negou, enrubescido.

— Eu juro que não. — Prometo. — Por favor.

— Droga — desistiu e ergueu o braço. Era um desenho preto e bem feito, familiar para mim. — Foi minha primeira tatuagem, há uns três anos. Marvel me desafiou, e eu acabei sendo um idiota de aceitar. Provavelmente estava bêbado demais pra ser sensato, e depois sensato o suficiente para não deixar incompleta. Eu gosto, para ser sincero, mas só quando estou cercado de gente... como eu. As outras pessoas não entendem ou acham idiotice, então não arrisco compartilhar.

— Idiota? — franzi o cenho. — Eu gostei. Morsmodre— sussurrei para a tatuagem da Marca Negra. – Poderia ter feito no antebraço para ficar legítimo de um Comensal da Morte. — O rubor de seu rosto foi sumindo, substituído por um sorriso sincero. — Aliás, se você é um idiota por isso, eu também sou — digo, e seus olhos me fazem uma pergunta. Como resposta, subo meu short até a frase estar visível. – É meio bobo, também não estava sã de verdade, mas não me arrependo realmente e... ah, já foi, e as únicas pessoas que sabem são Clove e Madge. Agora você. — Eu juro solenemente não fazer nada de bom, estava escrito em minha coxa. — Não costumo expor muito esse lado — faço uma careta.

— E por que não?

— Bem, não era muito fácil encontrar pessoas com os mesmos gostos, e eu queria me enturmar — Dou de ombros. – Mas, honestamente, somos iguais. – ri.

— Acho que é seu lado mais legal — sorriu. Foi minha vez de corar.

— Você tem mais tatuagens? — questiono com curiosidade.

— A promessa de não rir ainda tá de pé, né? — assinto em concordância. — Uma nas costas e outra aqui — ele colocou a mão de um lado da costela. Uma âncora linda e detalhada.

— Uau — passo o dedo levemente. — E nas costas? — saio de cima dele para tentar ver, e Peeta se vira um pouco. Era uma aranha, como o logo do Homem Aranha. — Você é bem original — ri.

— Eu sempre quis ser um super-herói — justificou envergonhado. — Você tem outras? — mudou de assunto.

— No ombro — afasto o cabelo para que ele veja. Quatro pássaros voando, era a tatuagem.

— Legal. — A ponta de seus dedos tocaram levemente o desenho. — Você gosta de quadrinhos, é fã de Harry Potter, formada em Stanford, entende de física, me comparou com o Clark Kent, é bonita... — observou. — Duas perguntas. Por que diabos eu não te conheci antes? — Sorri, o beijando.

— Segunda pergunta. — Peço, também beijando um ponto abaixo de sua orelha.

— Quer casar comigo? Sabe, podemos nos casar no Dia da Toalha, em Asgard. — Explodo em uma risada.

— Acho que isso não pega muito bem no primeiro encontro — brinco com uma careta.

— Não, né? — Faz o mesmo. — Pode ser a longo prazo, então. — Propõe.

Nós nos beijamos.

— Isso pega bem no primeiro encontro? — pergunta quando não paramos, em apenas uma pausa para tomar fôlego.

Sinto-o finalmente tomando iniciativa. Suas mãos seguram minha cintura, e seus beijos começam em meu pescoço.

Parte de minha consciência, a qual chamo de Clove, por ser pervertida e louca, me diz para relaxar e continuar dando sinal verde. Outra parte, com a voz mais baixa, tenta me chamar atenção, me dizendo para parar por ali, ser sensata e deixar isso acontecer futuramente.

— Katniss — chama.

— Sabe de uma coisa? — me separo e me direciono para seus olhos azuis, que me encaram de volta com curiosidade.

Era impossível ouvir a segunda voz, pois a primeira gritava e a irritava. Então deu no que deu.

— Acho que não foi culpa da bebida.

Afinal, naquela hora, eu podia culpar qualquer coisa.

Mas que bebida?

Notas finais
Alguém mais acha esse Peeta super atrapalhado a coisa mais fofa de todas? Melhor jeito de chamar alguém pra sair hahahha Espero de verdade que tenham gostado. Aliás, vejo que gostaram muuuito de CPNSFB, então decidi deixar no modo de "não terminada" ainda. Se você aí tiver, talvez, alguma ideia para um possível bônus - #TodosNósAmamosCPNSFB -, é só me mandar uma MP. É isso. Obrigada mais um vez! E desculpem qualquer erro, inclusive qualquer coisa sobre a cultura nerd - não sou completamente, só um pouco, mas admiro muito hahahha. Um beijo, de novo. E até mais!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.