Coisas Para NÃO Se Fazer Bêbada
1 Capítulo 1: Eu Nunca Mais Bebo Na Minha Vida
Notas iniciais
Faz tempo que não posto nada novo, até desacostumei .-.
Mas voltei com essa ideia que sou apaixonada (principalmente pelo Peeta), e estou contando que vocês também gostem, então comentem muuuuito, beleza?
Não sei ainda quando vou postar os outros dois capítulos, mas espero que logo.
Se divirtam com essa Katniss controlada e esse Peeta nerd ♥
Já estava com saudade de vocês hahahha
Um beijo, um queijo e até mais :*
Quando eu era criança, meu pai costumava dizer que a vida era feita de momentos e experiências. Nossas experiências mais inesquecíveis geralmente são aquelas com um primeiro as antecedendo. Primeiros passos, primeiro dia na escola, primeiro beijo, primeiro namoro, primeira vez.
Primeira bebedeira.
A minha foi aos vinte. Não tinha idade, mas era universitária, e todo mundo que eu conhecia naquela época era idiota. Quer dizer, fazíamos coisas idiotas.
Foi a pior experiência da minha vida. Não me lembro de muito, mas meus amigos me contavam como eu tinha ficado, e eu prometi a mim mesma que nunca mais ficaria bêbada. Consegui cumprir facilmente, afinal, não era algo difícil. Apenas não beber.
Mas teve uma segunda vez. Minhas duas melhores amigas adoravam festas, só que diferente de mim, também gostavam de beber. Não me lembro tão bem, mas sei que fiz besteira. E, de novo, na manhã seguinte com uma insuportável dor de cabeça, prometi que não beberia outra vez. Novamente, não tive dificuldades em passar longe de tequilas ou coisas do tipo. Não era um sacrifício.
Então houve uma terceira. Bebi um drink para acompanhar meus amigos, mas conversa vai, conversa vem, Katniss estava fora de si de novo.
Três vezes. E desde a última tenho evitado a qualquer custo ir a festas, boates, baladas e o que tivesse bebidas com álcool. Só por precaução, porque sempre me considerei uma pessoa até que controlada.
Até chegar o aniversário de Clove, estava tudo bem. Na verdade, ainda faltava uma semana e eu e Madge estávamos planejando uma festa surpresa. Clove então disse que queria uma comemoração apenas nossa, uma noite de amigas, sem muitos preparativos. Apenas sair.
Sendo seu aniversário, eu não hesitei de aceitar. Só não podia me surpreender se parássemos na frente de uma inauguração de uma nova boate, e foi o que aconteceu.
E aqui estava eu outra vez. Me sentindo deslocada e em outro mundo. Não que não gostasse de baladas, mas não era meu programa favorito. Madge tinha me pagado uma gim tônica, e eu estava encarando o copo em cima do balcão com os olhos semicerrados.
- Katniss! Ainda está aí? — Clove apareceu, suada e vermelha de tanto dançar. — Ai, meu Deus. Ainda com aquela neura de não beber? Deixa de ser boba! — disse, parando para pedir uma tequila.
- Não é neura, é precaução.
- Ficar bêbada é um erro cometido por todos, você não precisa ficar obcecada por isso. No final, todos têm uma dor de cabeça horrível — ela sorriu. — Bebe isso, não vai acontecer nada. Depois pegaremos um táxi pra casa e tudo vai voltar ao normal. — Prometeu.
- Clove — revirei os olhos.
- É só uma Gim! Não vai ficar bêbada com uma Gim! — exclamou. — Acha que é a única que paga micos quando está bêbada? Não lembrar é a melhor parte, e não fazemos isso frequentemente. Não entrando em coma alcoólico, está tudo bem.
- Você é a má influência dessa relação. — junto as sobrancelhas.
- Que seja, só viva um pouco. Eu não vou sair daqui e não vou te deixar sair daqui enquanto não beber isso. — Arqueou uma sobrancelha.
- Não vai querer ficar aqui a noite toda quando pode estar dançando com um cara gostoso que provavelmente vai ser seu sexo casual. — Digo, contornando a borda do copo com o indicador.
- É verdade. E é meu aniversário, não vai me segurar aqui, não é? Vai estar me negando uma transa fodidamente quente, e isso vai te fazer a pior amiga de todas. — Projetou um beicinho, com o lábio inferior à frente.
- Má. Influência. — falo pausadamente, tomando o drink de uma vez e sentindo uma queimação por causa disso.
- Um sacrifício, não? — Ironizou. — Ei, traz mais uma pra essa garota, ela está precisando. — exclamou para o barman. — Eu te amo, baby, se divirta — mandou um beijo no ar quando bufei.
O barman colocou outra gim tônica diante de mim, dizendo:
- É por conta da casa — com um tom gentil e um sorriso.
- Obrigada — sorri também. Ele era bonito, tinha algumas tatuagens e olhos castanhos claros. Mas eu não tinha o mesmo estilo de Clove; casos de uma noite não faziam meu tipo, e com certeza faziam o do rapaz.
Aquele simplesmente não era meu ambiente. Música alta, bebidas, pessoas suadas por causa da dança incansável. Um lugar com o objetivo de flertar não era meu lugar, eu gostava mais que isso.
Uma hora e meia se passou, e eu não estava mais suportando. Dois caras se aproximaram e consegui me esquivar sem ser muito rude, depois tinha visto cenas demais em minha tentativa ao banheiro. Apenas queria ir embora.
- Suas amigas te deixaram? — o barman parou em minha frente quando decidi sair dali.
- Estão se divertindo — dei de ombros.
- Mas você não, pelo jeito. — Ele estava com um palito entre os dentes.
- Acertou. — Sorri um meio sorriso.
- Aqui — ele começou a fazer outra bebida. — Geralmente ajuda.
- Geralmente. — Concordo. — Mas não lido muito bem com bebidas. — Franzi o nariz.
- Bem... é mais uma por conta da casa. — Ele piscou e foi atender outras pessoas.
Suspirei, olhando para o drink, e me levantei, querendo procurar Clove ou Madge para avisar que estava indo pra casa.
Eu não estava bêbada, e isso era um ponto ao meu favor. Mas as duas gins já tinham subido à minha cabeça e exercido sua função de lesar meu encéfalo, e não combinou nada com o empurrão que levei quando um brutamonte passou por mim. Demorou um pouco para eu associar que o conteúdo do copo não estava onde deveria estar, e que eu tinha esbarrado em alguém e derramado a bebida nesse alguém.
- Ai, meu Deus. Desculpe. — Comecei sem nem olhar para a reação do rapaz. Ele estava sentado em um dos bancos, talvez esperando seu pedido. — Me desculpe.
- Gelado, gelado, gelado — repetiu várias vezes, tirando os cubos de gelo que caíram em seu colo e os jogando de volta ao copo em cima do balcão.
- Desculpe, está tudo bem? — pergunto constrangida.
- Sim. Claro, está. — levantou a cabeça por um milésimo de segundo para confirmar que estava mesmo tudo bem.
Eu não sei como explicar. O cara era uma versão alternativa do Clark Kent, acho. Um Clark Kent loiro e não tão musculoso quanto o original, mas bonito do mesmo jeito, talvez até mais. Seus olhos estavam escondidos atrás de uma armação preta, grossa e quadrada, mas eu tinha certeza que as íris eram azuis. Ele me parecia mesmo um jornalista que a qualquer hora quando o perigo ameaçasse a cidade, iria entrar numa cabine telefônica e sairia como um super-herói.
- Desculpe mesmo, alguém esbarrou em mim.
- Sério, não foi nada. — disse novamente.
- Pediu alguma coisa? — perguntei, mas ele balançou a cabeça em negativa. — E o que vai pedir?
- Um Dry Martini? — respondeu mais em tom de pergunta. Estendi a mão para um o barman e fiz o pedido, deixando uma nota sobre o balcão.
- É por minha conta, desculpe outra vez. — sorri um pouco e coloquei o cabelo atrás da orelha, planejando sair de novo sem interrupção ou empurrões.
Mas houve uma interrupção.
- Ei, espera — virei para trás quando Clark Kent chamou. — Acho que isso é um pouco estranho, mas... — assenti para que ele continuasse quando diminuiu o tom de voz. — Não quer ficar e me acompanhar? — Olhei para os lados, aquelas pessoas dançando incansavelmente.
- Estava indo procurar minhas amigas. — disse, colocando o cabelo atrás da orelha outra vez.
- Ah — ele abaixou a cabeça.
- Mas duvido que vou achá-las no meio de toda essa gente — completo, indo me sentar ao seu lado. — Katniss. — Me apresento.
- Peeta.
- Você não parece estar gostando muito. O que faz aqui? — começo a puxar assunto. Uma companhia não faria mal.
- Ah, faz tempo que meus amigos tentam me trazer para um lugar assim. Eu cedi hoje porque precisava dar um tempo em tudo, acho. — Seu olhar caiu para o Martini.
- Posso tentar adivinhar? — ele me olhou intrigado. — Terminou com sua namorada. — Arrisco.
- Ela terminou comigo — corrigiu.
- Entendi. Aconteceu o mesmo comigo. Demora um pouco pra superar, mas passa. — Dei de ombros.
- Não estávamos dando certo, mesmo. E já faz um tempo.- disse tranquilo. — Não quer beber alguma coisa? — questionou, quase chamando o barman.
- Não, não – o impeço. — Eu, hm, não sou do tipo que lida muito bem com bebidas — torço o nariz.
- Acredite, eu também não. — Peeta olhou para o Martini. — E você, por que está aqui? Também não parece muito animada. — Observou.
- E não estou. É aniversário da minha amiga, e eu prometi que iríamos aonde ela quisesse. Eu vim por ela, mas não curto isso aqui — indico tudo ao redor. — Agora, elas me abandonaram e me deixaram bebendo.
- Os meus meteram no pé quando arrumaram companhia.
- Eu entendo perfeitamente. – Sorri.
- Tem certeza que não quer nada? Você me pagou uma bebida, acho justo fazer o mesmo.
- Ainda acho que é melhor não. Duas são o suficiente para me dar dor de cabeça quando acordar.
- Sei... — ele pegou a taça e bebeu metade do conteúdo, fechando os olhos com força logo depois. — Argh!
- Você realmente não é acostumado com álcool. — Ri um pouco.
- Eu sou um péssimo mentiroso — sorriu também, e só então pude ver os dentes alinhados e brancos. Seu sorriso era perfeito. — Posso contar um segredo? — baixou o tom.
- Está seguro comigo — assenti.
- Acho que só sei o que é um Dry Martini por causa do James Bond. — Seu rosto e pescoço ficaram vermelhos quando comecei a rir.
- Depois dessa, não posso te deixar sozinho — fiz sinal para o barman.
- Obrigado.
Não posso dizer que lembro nitidamente dos acontecimentos que se sucederam. Mas minha cabeça ainda tinha palavras-chave: bebida, risadas, beijos, táxi, apartamento.
Apenas. Aquela foi a quarta vez que fiquei bêbada. O que posso dizer é que impressionantemente foi mais marcante que a primeira.
*****
Matar Clove. E depois matar Madge. Ou matá-las simultaneamente.
Foi a primeira meta do dia quando acordei, sem precisar abrir os olhos para sentir minha cabeça explodindo. Tentei mudar de posição, ficando de bruços para ter a cabeça entre os travesseiros.
Caralho.
Eu sentia meu cérebro latejando, como se estivesse pesado. Suspirei, mas alguma coisa estava errada. Suspirei outra vez.
O perfume pregado nos lençóis era bom. Mas era um perfume masculino.
Lentamente, abri apenas um olho. Conclusão: como eu pensava, aquele não era meu quarto.
As paredes eram cinza, com pôsteres colados, e as cortinas pretas. Uma mesa em L estava cheia de monitores e equipamentos de tecnologia. Também haviam coisas um pouco estranhas de decoração, itens colecionáveis como sabres de luz, uma estátua de um stormtrooper, uma estante de histórias em quadrinhos e figuras de ação. Era o quarto dos sonhos do meu irmão de dezesseis anos.
Eu tinha feito merda.
Tomando coragem, abri meu outro olho, virando a cabeça. Estava tudo silencioso.
- Acho que ela está acordando — ouvi um sussurro, e meu coração começou a bater extremamente rápido.
- Fiquem quietos! — outra voz pediu. — Vamos, saiam do meu quarto. — Completou.
- E perder essa cena? Nem pensar, Conquistador — havia uma terceira voz, mais maliciosa.
- Saiam ou vou tirá-los daqui — a segunda voz suspirou, e ouvi uma porta ser aberta.
- Finnick, deveríamos ter ido com Cato e Gale ontem, até Peeta se deu bem! — o terceiro voltou a falar.
- Nah, Peeta disse estavam bêbados — aquele que pensei ser o tal Finnick falou.
Isso. Eu estava bêbada, era a razão para o que eu pensava ter acontecido ter acontecido. Mais um motivo para me manter longe de bebidas. Outra vez. Por que eu sempre acabava exagerando, mesmo sabendo da minha fraqueza para bebida?
- Mesmo assim, ela é muito gata! — o que deveria ser Marvel exclamou ainda em tom de sussurro. — Usaram camisinha, não é, Conquistador?
- Vocês são surdos? Saiam antes que ela acorde e se assuste.
- O que te faz pensar que ela não se assustará com você? — Marvel retrucou.
As três vozes ficaram mais distantes, e a porta bateu. No mesmo instante, me sentei na cama, enrolada ao lençol.
Eu estava nua. Ótimo.
Rapidamente, corri os olhos pelo quarto inteiro, procurando meu celular e minhas roupas. A primeira peça que achei foi meu sutiã preto, sobre o criado mudo, e depois minha calcinha jogada no chão.
- Filho. Da. Puta. — Meu queixo caiu, e eu praguejei ao ver uma das laterais rasgadas. — Isso é Victoria's Secrets — resmunguei, tentando amarrar as extremidades do lado esquerdo do meu quadril.
Me ajoelhei do lado da cama, tentando ver se havia algum pertence meu ali.
- Puta que pariu — virei para trás, e a porta estava aberta outra vez. Um moreno de olhos castanhos — naquela hora, arregalados -, e um pouco baixo estava estancado, segurando a maçaneta.
- Droga — sussurrei para mim mesma. — Oi? — digo, sem nada melhor para dizer. Ele continuou sem reação. — Hm, olha... me desculpe, mas eu não me lembro o que aconteceu noite passada. Só que eu não sou esse tipo de pessoa, tudo bem? — ignoro o fato de estar apenas de lingerie. Por mais que eu não lembrasse, ele já tinha me visto sem as peças. O rapaz me fez sinal para esperar, e arqueei uma sobrancelha.
- Peeta, vem aqui! A Bela Adormecida acordou! — gritou para fora do quarto.
Ai. Meu. Deus. Que vergonha.
Peguei o lençol — que só então percebi ser do Batman -, e coloquei em frente ao corpo. Pendurado na cadeira, estava meu short de couro, e me apressei em pegar e vesti-lo. Meu blazer vermelho estava aos pés do stormtrooper, mas minha blusa parecia não estar em lugar algum. Até que eu a achei.
- Eu não acredito — sussurrei mais para mim, com minha boca em um o. Estava simplesmente rasgada. Um pedaço de pano e nada mais.
A porta tornou a bater, e me virei, tomando um susto.
- Desculpe — era outro cara. Esse totalmente diferente do primeiro. Loiro, alto, forte, olhos azuis escondidos atrás de um óculos que completava seu estilo parecido com o do Clark Kent.
Clark Kent. Eu me lembrava de algo assim.
- Olá? — arqueei uma sobrancelha. — Você é, hm... — olhei para a cama totalmente bagunçada.
- Sim — ele mordeu o polegar, desviando os olhos para o chão.
- Peeta, certo? — o loiro balançou a cabeça em afirmativa. — Você... se lembra de alguma coisa? — pergunto baixo.
- Nada. E você? — me olhou por cima dos óculos, logo depois os empurrando para o rosto outra vez.
- Não. — coloco o cabelo atrás da orelha.
- Desculpe — dissemos juntos, seguidos por um meio sorriso um do outro.
- Na verdade, eu não sou esse tipo de pessoa...
- Eu entendo perfeitamente — Peeta interrompeu. — Eu também não.
- E nós bebemos...
- Além da conta — completou, e fiquei aliviada.
- É muito bom deixar tudo tão claro. — sorri. — Ei, hm... você tem alguma camisa para me emprestar? É que... — mostrei minha blusa rasgada. De repente, ele ficou vermelho.
- Ahn, tenho. Eu... — ele abriu o guarda roupa. — Não é aqui, hm... — abriu outra parte, procurando entre os cabides. — Essa — tirou uma camiseta branca. — É a menor que eu tenho. — havia o logo do Google na frente dela.
- Obrigada. Posso usar o banheiro?
- Claro. É a porta da frente. — Indicou. Rapidamente, vesti a camiseta, que mesmo servindo bem, ficou um pouco grande. Meus olhos pararam na mesa com os equipamentos, onde estava meu celular.
- Obrigada. — Pego o telefone e saio, trancando a porta do banheiro quando entrei.
O que dizer? Era um banheiro diferente. Quase temático. A cortina era uma tabela periódica, e o revestimento era colorido, para formar uma fase do Mario Bros. Haviam três escovas de dentes; uma do Lanterna Verde, uma do Homem de Ferro e outra do Super Homem, e o frasco de sabonete líquido era a cabeça do Darth Vader. Os shampoos eram bonecos do Homem Aranha e Capitão América. A pasta de dente era a única coisa comum, junto com o vaso sanitário.
- É — disse, olhando em volta. — Eu transei com um nerd.
Me despi e afastei a cortina para tomar um banho rápido, prendendo o cabelo. Quando acabei, me vesti e usei o dedo e a pasta para dar um jeito em meu hálito, ainda de bebida. Depois, arrumei o cabelo, sentei no vaso e desbloqueei meu celular. O brilho da tela parecia me dar mais dor de cabeça.
- Dez por cento? — resmunguei. Havia três recados, e toquei para ouvi-los.
- Ei, gata, acho que você já foi pra casa e está em seu oitavo sono — é o que eu também imaginava que aconteceria, pensei quando comecei a escutar o recado de Clove. — Mas queria te deixar avisada, não vou voltar hoje. Quero contar tudo pra você e Madge amanhã, beijo! — acabou. Clove era tão previsível.
- Kat, provavelmente você está dormindo então só vai escutar isso de manhã. Não vou pra casa hoje, ok? Eu, você e Clove precisamos conversar. Até amanhã, beijos! — será que elas estavam tão bêbadas quanto eu? Madge não era tão desligada de tudo quanto Clove, mas às vezes acontecia.
Então começou o terceiro recado.
- Bom dia, filha. Espero que esteja bem. Eu só queria te lembrar que hoje é domingo, e temos um almoço marcado. Provavelmente você chegará atrasada, mas não esqueça. Eu, seu pai e seu irmão estaremos te esperando no Palace. Um beijo, querida, até mais tarde. — Era da minha mãe.
Meu Deus, meu Deus, meu Deus. Não era possível eu ter esquecido, não de novo. O lembrete, eu tinha colocado o lembrete em meu celular.
- Que droga — praguejo choramingando. Tínhamos marcado ao meio dia, eram onze e quarenta e três. E eu nem sabia onde estava.
Bloqueei meu celular e saí do banheiro vestindo meu blazer e correndo meus olhos por todo o apartamento. Não para ver até onde aquela decoração singular ia, mas para achar meus saltos, que estavam no tapete do Pac Man.
Não havia mais vozes, apenas um barulho que parecia vir da cozinha.
- Peeta? — chamo suavemente.
- Hm, oi — ele apareceu detrás de uma bancada. — Ahn... Café? — ofereceu, mostrando uma caneca de Jornada nas Estrelas.
- Obrigada. Eu aceitaria, mas acabei esquecendo e tenho um compromisso muito importante daqui quinze minutos. — Mordo o lábio.
- Ah, tudo bem. Vem, eu te acompanho até a porta — o loiro indicou a frente. A cada passo, minha cabeça latejava.
- Espera — estanquei diante de uma parede, com um quadro destacado, estreitando os olhos. — Isso é...
- A primeira edição do Batman? Sim. — ele parecia sorrir orgulhoso. — Entende disso? — questionou curioso.
- Eu? Não, eu só... — gaguejo, desconcertada. — Tá, só um pouco. — Admito e dou de ombros, como se não fosse nada demais. — Eu tenho um irmão mais novo louco por essas coisas — explico, coçando o braço.
- Ah, sim.
- Como conseguiu isso? É tão raro e custa milhares de dólares... você comprou? — Pergunto, de olhos arregalados.
- O quê? Não! — Balançou a cabeça. — Pra conseguir um desses eu provavelmente teria que vender um órgão no mercado negro. Nem assim, acho — sorriu de canto. — Quem me dera fosse original.
- Ah, entendi. Você mesmo fez a cópia?
- É, fiz, com uma ajuda dos meus colegas de quarto. Não denuncie a pirataria. — Pediu, me fazendo rir.
- Está seguro comigo — assenti.
- Obrigado — ele sorriu de volta.
Seus olhos eram muitos azuis, e ele ficava tão bem com aqueles óculos.
- Eu preciso ir mesmo, já chegarei atrasada. — Digo, me lembrando do almoço. — Isso é muito legal. — Aponto a HQ. — Hm, acho que nos vemos por aí.
- Sim — concordou, segurando a porta.
- Tchau — aceno, me afastando. A uns cinco passos, Peeta me impediu.
- Ei, espera — virei para trás quando Clark Kent chamou. — Acho que isso é um pouco estranho, mas... — assenti para que continuasse quando diminuiu tom de voz. — Pode me passar, você sabe... seu número? — eu sorri.
- Algo me faz acreditar que eu já passei. — ergui as sobrancelhas e continuei meu caminho até o elevador.
*****
- Desculpem o atraso — peço quando me sento ofegante.
Pegar um táxi havia sido complicado, explicar o endereço para um motorista mexicano tinha sido ainda mais.
- Claro, querida, está tudo bem. — Papai sorriu, pegando minha mão.
- Como você está?
- Bem — forço um sorriso, pois a dor de cabeça dizia o contrário. — E vocês?
- Muito bem — respondeu mamãe. — Seu irmão ganhou o a feira de ciências da escola, ficou sabendo? — ela sorriu com orgulho para Connor, e ele devolveu corado.
- Verdade? Não me contou isso quando me ligou ontem, pirralho. — Olho para ele. — Esse é meu irmãozinho esperto! — aperto sua bochecha.
- Ai, Katniss — reclamou, e bebi um gole d'água. — Ei, que camiseta é essa? — Franziu o cenho, me fazendo engasgar.
- Ah... é, eu ganhei em um... um sorteio de uma loja — invento qualquer coisa.
- Legal — disse, e suspirei.
- Com licença, vou lavar minhas mãos — papai se levantou.
- Eu também — Connor fez o mesmo. Quando eles se afastaram o suficiente, mamãe se virou para mim.
- Quem é? — questionou interessada.
- Hm? — Junto as sobrancelhas.
- Namorado novo, não é? — Perguntou como se estivesse sendo óbvia.
- O quê? Mãe...
- Katniss, olha pra você. Chegar atrasada é normal, mas esse é o tipo de roupa que você usa à noite. E essa camiseta? É grande pra você, querida. Você ainda está de batom, mas não tanto quanto estava quando fez a maquiagem. Seus olhos estão vidrados e distraídos, seu cabelo está levemente despenteado e os lábios um pouco inchados. — Disse rapidamente, quase me fazendo tropeçar em suas próprias palavras, sem pausa para respiração. — Há um homem.
- Caramba — silvo, de sobrancelhas erguidas.
- Está namorando outra vez? Finalmente superou aquele Chase?
- Mamãe, Chase é passado. Eu já o superei há meses. — Reviro os olhos.
- A primeira pergunta é a mais interessante, querida — sorriu.
- É, estou namorando outra vez — minto para que ela pare de insistir.
- Quero que o apresente. — Avisou.
- Hm, é recente. Estamos nos conhecendo. — Disfarço bebendo água outra vez. — Não conte para o papai.
- Claro que não. — Concordou, e meu pai e Connor sentaram à mesa. — Meu bem, adivinhe.
- O quê? — papai perguntou olhando o cardápio.
- Katniss está namorando — simplesmente falou. Bati com a mão na testa.
Como eu odiava estar de ressaca.
*****
- Madge, Katniss chegou! — Clove gritou quando bati a porta e voltou a pintar as unhas do pé de vermelho.
- Finalmente! — Mad veio correndo do quarto. — Onde você estava?
- Almoçando com meus pais — respondo, colocando meu celular na tomada, já que ele implorava por bateria.
- Ah, domingo. — lembrou-se. — Então, quem conta primeiro de ontem? Gatas, foi tão...
- Espera, Mad — Clove semicerrou os olhos, fechando o esmalte. — Você — apontou para mim. — Senta aí. — Eu me sentei na poltrona. — Clove se levantou, andando estranhamente por causa das unhas recém-pintadas. — Katniss Everdeen. — Ela parou atrás de mim. — O que você faz com a roupa que estava usando ontem? E com essa blusa do Google que serviria em um homem de um metro e oitenta e três?
Pois é, se tinha alguma coisa que Clove entendia, era de homens.
- Ah, meu Deus! Eu renuncio o lugar de contar primeiro, isso é inédito. — Madge soltou um gritinho e pulou ajoelhada em minha frente. — Desembucha, KitKat.
Suspiro e coloco a cabeça para trás.
- Ontem eu estava indo embora daquela boate. Ia procurar vocês, porque sabia que se ligasse não atenderiam, e ficariam preocupadas se eu sumisse. Mas aí, no caminho, eu acabei derrubando a bebida em um cara, aí ele me convidou pra sentar com ele, nós começamos a conversar e beber e... eu não me lembro de nada — Quase soletro a última palavra, de tão devagar que falei. — Eu acordei no apartamento dele, e foi bem estranho. — franzo o cenho. — Só me lembrei do almoço com meus pais por causa de um recado que minha mãe tinha deixado. E aqui estou eu. — resumo toda a ópera.
- Rolou e pronto? — Clove arqueou uma sobrancelha, de braços cruzados.
- Ele... pediu meu número quando eu estava indo embora — completo rápido.
- Por que foi estranho quando você acordou? — Mad tombou a cabeça, curiosa.
- Ah... Sei lá. Aparentemente, ele divide o apartamento com mais dois colegas um pouco esquisitos. E o quarto dele — mordo o polegar. — Vocês deviam ver. Histórias em quadrinhos, figuras de ação, computadores avançados, pôsteres, stormtroopers, sabres de luz, varinhas do Harry Potter... — listo tendo de volta a visão do quarto. — Mas se vocês o vissem — mordi o lábio. — Imaginem o Clark Kent loiro.
- Céus! — exclamou Mad.
- Quer dizer que seu primeiro caso de uma noite foi um nerd? — Clove debochou levemente.
- Um nerd gostoso — Madge corrigiu.
- De qualquer maneira, Kat deve ter gostado. Ela não sabe esconder o lado geek que tem, mesmo que tente. — reviro os olhos.
- Ele também é tímido na cama? — a loira perguntou maliciosa.
- Poderia responder se eu me lembrasse. Mas... — volto a mordiscar o polegar.
- Mas...? — as duas pediram para continuar em uníssono.
- Hm, ele me deu essa camiseta porque eu achei minha blusa totalmente rasgada no chão. — Espero os bombardeios de exclamações, corada.
- Uau — se olharam surpresas. — Nerd integralmente, selvagem na cama? — a Undersee completou rindo.
- E tem mais — me levanto, abaixando o short do lado esquerdo para mostrar minha calcinha amarrada.
- Ai. Meu. Deus. — voltaram a dizer juntas, como se fosse ensaiado. — Isso é Victoria's Secrets! — resmungaram como eu de manhã.
- Precisamos brindar isso — disse Clove, levantando.
- Brindar o quê? — pergunto. — A minha dor de cabeça horrível? Aliás, tem algum analgésico aí?
- Brindar seu primeiro sexo casual. — Explicou, pegando três latas de Coca na geladeira e analgésicos no armário. — Uma mulher solteira e independente em busca do próprio prazer sexual. — Clove também era meio estranha.
- Ok, seu primeiro sexo casual. — Batemos nossas latas. — Ele parecia ser do tipo que fazia isso? — Mad perguntou.
- Nós esclarecemos tudo — dei de ombros. — Estávamos bêbados, aconteceu. Ele disse que também não era esse tipo de pessoa.
- E ele pediu seu número... — Clove observou. — Dou três dias.
- Acho que segura dois — Madge rebateu.
- Como assim? — perguntei, não entendendo.
- Katniss, olhe só. Duas pessoas solteiras acabam transando, porque estão bêbadas, mas nenhuma delas fez isso alguma vez na vida. Mesmo com um clima possivelmente estranho, ficou algo de que se aconteceu, havia chances. Ele ficou interessado, estava na cara quando pediu seu número — a morena bebeu um gole de Coca. — Entre dois ou três dias, ele vai te ligar, temos certeza.
- O quê, Clove? Um café? — Madge arriscou.
- Ou um filme, Mad, já que é mais fácil para pessoas tímidas. Talvez um jantar.
- Estão planejando meu futuro a curto prazo? — rio.
- São probabilidades, gata. — Mad sorriu. — Depois nos confirme.
- Seu celular está chamando. — Avisou, o desconectando. — Número não adicionado.
- Será que ele decidiu ligar mais cedo?
- Não, eu acho que conheço esse número — junto as sobrancelhas. — Alô?
- Katniss? — chamou uma voz conhecida, que só de ouvir, reviro os olhos.
- Quem fala? — pergunto sem necessidade, pois sabia quem era.
- Sou eu, Chase — esclareceu.
- Ah, Chase, oi — minhas amigas ficam alertas ao ouvirem o nome.
- Oi, como você está?
- Muito bem, e você?
- Bem. Eu, hm, vi sua mensagem e estava pensando... podíamos sair qualquer dia. — Sugeriu incerto, mas eu não ouvi quase nada depois da palavra mensagem.
- Mensagem? — pergunto.
- É, a mensagem que você me mandou ontem. — Fecho os olhos, pensando no tanto de merda que fiz na noite passada.
- Ah, sei. Agora eu estou ocupada, mas quem sabe te ligo depois, tchau — desligo rápido.
- O que foi? — Perguntou Clove.
- Quanta coisa eu fiz ontem? — comecei a procurar as mensagens enviadas.
"Chase, vc deev saber, é a Katnissss. Se vc sabe, appague meu numero do seu cellular. Espero q ja tenha em esquecido, pq euu ja te esqci. Quando nñ for mais um idiota, me ligue."
Bufo para mim mesma e jogo meu celular no sofá.
- Eu nunca mais bebo na minha vida.
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