Gabriela estava andando para lá e para cá, ansiosa demais para ficar parada, sabendo que seus meninos entrariam a qualquer instante naquela sala. Quase caiu de novo. O motivo desta vez foi Danny e não Dougie. Duvido que você não quase cairia se visse Danny Jones entrar quase arrancando a porta na sala com toda a sua educação. Sendo que a sala em questão estivesse em um silêncio profundo, pois todas as pessoas no local estavam tensas pensando em como deve ser conhecer o carinha de seus sonhos. Então, nada de rir da pobre Gabriela, este motivo tinha um fundamento. Quem lê isso e não conhece a banda em questão, acha que o Danny é feio e assustou a menina por causa de sua aparência assombrosa. Mas não é nada disso. O choque foi devido à sala mortalmente silenciosa sendo, em poucos segundos, preenchida por uma risada escandalosa. A risada característica de Danny Jones, que balbuciava também alguma coisa sobre... mamilos? É, era exatamente sobre isto que o branquelo falava. Agora, imagine tudo isso e some com a imagem de Danny Jones erguendo a camiseta e passando as mãos pelos seus mamilos, todo suado. Seria nojento, claro, se não se tratasse de Daniel Alan David Jones. Gabriela o encarou segurando o riso. Era hora de agir como profissional e orgulhar Lily Medeiros, sua querida chefa. Tom entrara em seguida, balançando a cabeça negativamente e falando alguma coisa muito parecida com “Não liguem, o Danny não é normal, mas o resto de nós é”. Dougie entrou depois, dizendo que Danny não deveria tomar toda a atenção para si, porque ele era feio e iria assustar todo mundo. E porque seus lagartos eram melhores que ele. Gabriela teria rido disso, ou teria ficado babando no loiro ali mesmo. Mas ainda não acreditava na sorte que tinha. Mas só foi quase impossível não babar quando avistara Harry Judd, o último a passar por aquela porta, passar uma toalha pelo pescoço, batendo nas cabeças de Dougie e Danny e então a atirando no sofá mais próximo. O que se seguiu depois desta pequena ação do baterista aconteceu tão rápida e intensamente, que os garotos do McFLY e os jornalistas ali presentes ficaram paralisados. Era o mesmo que ver um grupo de babuínos famintos atacarem a um cacho suculento de bananas. O único pensamento de Gabriela no momento foi “fãs brasileiras me assustam, às vezes... ainda bem que não sou famosa”. Aposto que seu pensamento não seria tão diferente se você tivesse estado naquela sala junto com a jovem jornalista e tivesse presenciado a reação das fãs. Talvez até pensaria pior. Uma loira, que só sabia falar que queria a sobrancelha do Judd enfeitando o parapeito de sua janela (se fosse uma americana, falaria ‘o console da janela’), então imagine a expressão de puro pavor que passou pelo rosto de Harry ao ouvir esta babaquice. Vai que a loira realmente fizesse o que dizia? Como ele continuaria sedutor sem sua sobrancelha? Dougie estava mortalmente arrependido de ter citado seus pobres lagartos, pois uma ruiva não parava de falar no falecido e amado Zukie. Danny ria alto, chamando a atenção das meninas e babando nas curvas de seus corpos. Não se lembrava que tinha uma namorada e que ela provavelmente ficaria com raiva se o visse assim. Tom estava sorrindo de lado, mostrando sua covinha, fazendo várias garotas babarem e suspirarem por ela. A putaria só acabou quando Gabriela, não aguentando mais aquele massacre ao seu favorito, e se aproximou da ruiva. – Garota, eu tenho uma entrevista para fazer e não vou conseguir realizá-la se um dos garotos ficar mortalmente triste por ter sido lembrado do seu falecido lagarto! – Disse revirando os olhos. – Deixa o Dougie em paz! – Dougie? – Encarou o menino, confusa. – Achei que você fosse o Tom. – Ela saiu de perto o mais rápido que conseguiu. Este fora um momento um tanto quanto constrangedor, mostrando como posers conseguem coisas que fãs de verdade matariam para ter. E elas (posers) não se esforçavam nem um pouco para fingir que conheciam a banda muito bem. Gabriela deu de ombros e sorriu de volta para Poynter, que lhe sorria agradecido, e voltou para perto de Tiago, que ria tirando fotos. Só quando a balburdia finalmente cessou os garotos sentaram-se juntos em um sofá e Gabriela sentou-se em frente a eles, assim como os outros jornalistas, para começarem as entrevistas. Mas a jovem iria pedir um tempo a mais com eles, queria uma entrevista original. Seus concorrentes não poderiam saber o que perguntaria. Não queria suas perguntas inéditas roubadas. Os garotos acenaram para que os cinco jornalistas começassem a fazer suas perguntas. O primeiro foi um jovem, que vestia roupas despojadas e tinha o cabelo bagunçado propositalmente. – Como é sentir todo o calor dos brasileiros de novo? Gabriela revirou os olhos, uma pergunta que todos já sabiam a resposta, praticamente. Será que os jornalistas de revistas teens não sabiam inovar? Pelo amor que ela tinha pelo McFLY. – É maravilhoso... Adoramos o carinho que nossos fãs brasileiros têm por nós! – Respondeu Danny, dando uma piscadela marota. – Qual a música favorita de vocês do novo álbum? – Desta vez fora uma garota baixinha, cheinha com roupas descoladas, quem perguntara. – Acho que cada uma tem uma, mas a que todos nós gostamos é That’s The Truth. – Tom respondeu com um sorriso, mostrando sua covinha solitária. – Como vocês se sentem ao serem quase pisoteados pelas fãs brasileiras? – Um rapaz de aparência de no mínimo trinta anos perguntara erguendo uma sobrancelha. Gabriela sorriu, até que esta pergunta era original. – O carinho que as fãs brasileiras têm por nós é bastante intenso, mas o adoramos de qualquer forma. – Harry respondeu por alto. Não queria falar demais para não falar alguma coisa que desagradasse às fãs. – O que vocês mais gostam no Brasil? – O último repórter, antes de Gabriela, perguntou com um sorriso afetado no rosto. – Bundas! – Danny e Dougie falaram juntos, e depois riram. Gabriela não segurou o sorriso, aqueles garotos a contagiavam de forma inimaginável. – Jurava que você falaria lagartos, Poynter... – Harry comentou desapontado, fazendo um biquinho fofo. Gabriela quase teve um orgasmo ao ver PUDD tão perto de si. Era muito melhor que os vídeos, ou qualquer outra coisa que já tenha visto. Controlou-se, respirando fundo, era sua vez de perguntar. – Então, guys, qual o sobrenome da Carla à qual vocês se referiram no oferecimento da música Five Colors In Her Hair? – Perguntou com um sorriso malicioso. Era hora de descobrir. – E, ah! Quando vocês pretende ficar pelados mais uma vez em pleno palco? As fãs adorariam que o fizessem, acreditem. – E deu uma piscadela marota. Os garotos estranharam a pergunta, mas deram de ombros e fora Tom quem respondera. – Carla Fernandes, ela é brasileira... – mas antes que pudesse terminar a resposta, Danny o cortou. – Se quiser, ficamos pelados aqui e agora e... – Não Danny! – Tom deu um pedala no amigo, rindo.

Notas finais
Espero que gostem...