Coisas Estranhas Acontecem
2 Capítulo 2
Quando chegaram à arena, podiam-se ouvir as primeiras notas da primeira música da banda de abertura. Gabriela arregalou os olhos, atônita. Já começara, será que os deixariam entrar? Esperava que sim, ou faria uma enorme loucura.
– Vamos logo Tiago! – Exclamou excitada saindo do carro saltitante.
Não conseguia se manter parada por mais que um segundo. Sempre ficava assim quando estava ansiosa, ou nervosa. Também falava demais, ou perdia a fala.
– Vamos, vamos... – O moreno concordara, colocando-lhe a credencial no pescoço e puxando-a pelo cotovelo até a entrada. Ela até reclamaria com ele, mas esqueceu-se quando os porteiros os deixaram passar.
Eles ficariam ao lado do palco, junto com algumas outras fãs da banda e jornalistas. Todos, sem exceção, olharam para Gabriela. Olhavam-na como se vissem uma alienígena. A jovem apenas revirou os olhos e ficou com uma expressão indiferente no rosto.
Não tinha culpa se a roupa que escolhera para vestir esta manhã não condizia com o show. Só soubera que viria para o mesmo há pouco mais de meia hora. Usava uma saia de cós alto cinza e sem detalhes, uma blusa branca de botão manga longa e scarpins pretos, que a deixava com quase 1,77m. Se soubesse que teria um show pra ir, teria colocado ao menos um all star ao invés de saltos tão altos.
– Gabriela... – Tiago a chamou parando em sua frente. Ela apenas ergueu uma sobrancelha, indicando que ele deveria prosseguir. – Não acha melhor tirar os saltos, sabe? Tenho a certeza que você vai pular horrores aqui quando eles aparecerem... E estes sapatos vão lhe machucar os pés...
– Nunca que eu vou descer do salto, Tiago! – Gabriela disse rindo. – Obrigada pela preocupação, mas Lily pediu que eu fosse profissional e é o que eu serei... até mesmo durante o show. – Disse tentando convencer a si mesmo destas palavras. Sabia que não iria se controlar ali, tão perto de seus ídolos, poucos metros os separariam, ela sabia. Precisava pensar em uma maneira de não fazer loucuras. Não queria desapontar a chefa e amiga. Não mesmo.
Umas sete músicas depois, finalmente a banda de abertura finalizara seu show com uma última batida na bateria. O silêncio reinou por míseros segundos, o instante em que as luzes se apagaram, e então o povo foi a loucura quando uma luz roxa se acendeu. No topo da escada, colocada no palco, atrás de uma cortina podia se ver as sombras de quatro rapazes. Essa visão fez parecer para quem estava do lado de fora da arena, que houve uma enorme explosão por lá.
Gabriela sentia que não iria conseguir se controlar, quando as luzes fossem acesas e o baixista de seus sonhos aparecesse. Assim que este pensamento passou por sua linda cabecinha, as luzes começaram a se mover, da lateral esquerda para o centro e então para a lateral direita, conforme iam acendendo-se as luzes, os gritos aumentavam. Danny foi o primeiro a entrar no palco, passando as mãos pelos mamilos que tanto adorava. Tom entrou em seguida, sorrindo, os flashes não saiam de sua covinha e as luzes em seu rosto o deixavam mais rosado que o normal.
Dougie entrou pulando e foi para o lado direito do palco — o lado onde Gabriela e os outros jornalistas, assim como umas poucas fãs, estavam. Harry foi o último a entrar, com toda sua pose de fodão, erguendo uma sobrancelha e olhando para o povo como um lutador quando entra no ringue, logo indo para sua bateria.
Gabriela não olhava para mais ninguém, tampouco se importava com os olhares das outras equipes. Não olhava para mais nada que não fosse o baixista. O momento era único e como todos os momentos únicos na vida, esse tinha de ser inesquecível. E o que torna um momento inesquecível? Um belo e grande mico. Um tombo, por exemplo.
Gabriela começara a pular, sendo contagiada pela emoção de todos os fãs e também pela energia da banda ao entrar no palco. Acabou por tropeçar nos próprios pés e teria caído de cara no chão, se não fosse seu anjo da guarda, mais conhecido como Tiago, agarrá-la pela cintura. Mas o principal motivo de sua quase trágica queda, fora a dancinha (um tipo de rebolado estranho) e a piscadela feita por Poynter olhando para onde ela estava. Não existia uma forma de ficar imune aos charmes do baixista, qualquer coisa que o mesmo fazia a deixava desnorteada, sem ação. Ou simplesmente a fazia parecer uma idiota.
Gabriela olhou agradecida para Tiago. Seu mico teria sido muito mais memorável se tivesse realmente caído no chão. Estava tão distraída tentando manter-se em pé em seus próprios pés que não reparou que Dougie Poynter olhava a si e a Tiago com um sorriso nos lábios. Ele havia visto quando ela tropeçara com o que fizera. E gostara de saber que com um simples gesto podia desestabilizar uma pessoa. Aquilo certamente enlevou seu ego.
Quando Gabriela voltou seus olhos para o palco, já segura de que não iria mais cair, Dougie havia voltado sua atenção para os fãs, que não haviam entendido o porquê do riso do baixista ao olhar para a lateral do palco. Mas tudo foi esquecido quando os primeiros acordes de End Of The World foram escutados.
Gabriela deixou sua atenção voltada para Poynter o tempo todo, se concentrando ao máximo em babar no baixista, em cantar as músicas, em babar no baixista, em pensar no que poderia escrever sobre o show depois, em babar no baixista, em se lembrar de que depois estaria muito mais perto dele, em babar no baixista, e em que a matéria seria só dali algumas horas, que não devia se preocupar agora, afinal, babar no baixista, neste momento, era bem mais importante.
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