Coisas Estranhas
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Ele estranhava cada vez mais aquela garota, afinal ela era um pouco diferente das outras. Aquele “um pouco” era um elogio, porque ela era bastante incomum das outras. Desde as vestes até o seu modo de falar totalmente informal. Lembrava-se da primeira vez que a tinha visto:
“Prazer, eu sou o Conde Phantomhive-”.
“Ei, você não está um pouco velho para brincar de pirata?” —A garota de cabelos loiros e olhos castanhos brilhantes, indagou. Logo após deu um tapa nas costas do conde e começou a rir. —“É brincadeira, seu chato”.
Ciel simplesmente não aceitava aquele jeito. Não era formal e nem ao menos educado, aquela menina simplesmente não parecia uma dama de uma família tão importante quanto era.
Lembrou-se de quando foram “apresentados formalmente”:
“Essa é minha neta, conde.” —A Rainha deu uma pequena pausa para olhar para a neta que sorria simpática. —“Ela se chama Larissa. É filha do meu segundo filho”.
“V-V-Você!” —O pequeno garoto de cabelos azuis gritou ao reconhecer aquela menina mal-educada na qual conhecera em um baile qualquer. —“Ela é sua neta?!”.
E sim, as coisas pioraram com o passar das semanas. Ciel fora praticamente obrigado há passar duas semanas com Larissa, pois prometeu para a Rainha que ensinaria esgrima para sua única neta:
“A posição não é assim.” —Os olhos azuis começavam a fechar com impaciência, colocara novamente a loira no lugar correto. —“É assim.”
“E do que importa?” —Ela bufou também impaciente, Ciel era extremamente rígido e parecia não se importar com suas reclamações constantes. —“A moral é nós conseguirmos matar a pessoa, não dançarmos balé com as espadas. Essas coisas de posições são irritantes”.
E aquilo fora somente o primeiro dia, no segundo a coisa piorara gradativamente. E Sebastian havia prometido que tinha que capturar Undertaker antes que coisa pior acontecesse, mas já estava atrasado dois longos dias:
“Sebastian, onde você está?” —Ele murmurou mal-humorado com a garota que desistia com facilidade. “Eu tenho que conseguir...”.
“Quem é Sebastian?” —Larissa indagou, sentando-se ao lado dele.
“Meu mordomo.”
“Ele é bonito?”
“Eh?”
“Não acredito que você gosta dele, Conde-kun”.
“Onde que você tirou essa ideia maluca?!”
“Nem sei.” —Ela riu. — “Só queria ver reação”.
Ciel sempre tentava ser paciente, mas quando percebeu que há primeira semana não deu nenhum resultado, tentou ser eficiente de outro modo. Um modo que ela se interessaria.
“O que tem debaixo desse seu tapa-olho?” —Ela perguntou tentando mexer, porém impedida pela mão do conde. —“Uma cicatriz?”.
“Se aprender alguma coisa em esgrima talvez eu pense em lhe mostrar.” —Ele deu um pequeno sorriso forçado. —“Que tal?”
“Tudo bem, então.”
Era um método eficiente. Larissa realmente aprendeu o básico da esgrima em três e o derrotara uma vez. Mas a culpa não foi do Conde. Com certeza não, ele somente se distraíra.
“Mais rápido.” —Resmungou impaciente no segundo dia de aula efetivo.
“Já que quer.” —Ela resmungou enquanto pulava em cima dele, a posição ficara realmente desconfortável para os dois, enquanto o conde se preocupava com a posição e ficava envergonhado, Larissa colocou a espada no centro de barriga dele. —“Venci”.
“Isso é trapaça” —Resmungou ainda vermelho.
No outro dia pela manhã Larissa o incomodava para tirar seu tapa-olho. Ciel pensava consigo mesmo se era necessário, após uma grande confusão ele tirou e abriu seu olho, seu pentagrama aparecia claramente.
“Então?” —Ele resmungou para Larissa que olhava atentamente. —“Satisfeita”?
“É estranho, mas como você também é isso não me surpreende.” —Ela começou a rir imediatamente com a reação do conde. —“Essa sua carinha de cachorro é muito linda”.
“Sua...” —Ciel resmungou. — “Argh...”
E então o Sebastian chegara, no nono dia:
“Jovem mestre, peço perdão.” —O mordomo negro se ajoelhou. —“Ele fugiu.”
“Esse é o Sebastian?” —Larissa murmurou corada. — “Ele é muito bonito.”
“Essa é a neta da Rainha, Larissa, nos dias que você saiu eu e a ensinei o básico de esgrima.” —Ciel resmungou para o mordomo.
“Prazer em conhecê-la, sou Sebastian Michaelis.”
“Cieeel.” —Ela cantarolou. —“Sebastian-san é muito bonito, mas eu ainda prefiro você com sua carinha de cachorro fofo”.
“P-Pouco me importa quem você acha mais bonito”. —E então, o cão da Rainha sentiu suas bochechas arderem em vermelho.
Ela realmente era diferente. O Conde fora abalado com isso, não estava acostumado a ser chamado pelo primeiro nome sem ser por Lizzy. A diferença entre ela e Lizzy era que mesmo conhecendo a sua “noiva” há muitos anos, ele preferia a Larissa.
A estranha Larissa.
“Eu estava vendo as notícias hoje, você é noivo da Lizzy?”
“Conhece ela?” —Murmurou interessado por ela chamar sua noiva com tanta intimidade. Se bem que ela era a Larissa... —“Sim, estou noivo dela”.
“Conheço e bem, você gosta dela?”
“Gosto”
“Prefere Lizzy ou eu?”
“Isso realmente é importante?”
“Claro”
“Por que é importante?” —O conde indagou.
“Porque eu te amo, queria só saber...” —Ela falou tão rápido quanto nunca, com a vermelhidão em seu rosto. —“Eu te amo, Ciel...”.
“E-Eh?” —Sentiu seu coração bater mais e mais rápido que o comum.
“Bem, eu não vou repetir.” —Ela gritou e depois de alguns segundos em silêncio ela atirou um prato na direção do conde que brincava com a comida, com o pensamento distante. —“Me responda, seu idiota!”.
“Responder o que sua maluca?!” —Ciel gritara também. A formalidade de suas palavras se foi com a sua sanidade com aquela pequena peste ao outro lado da mesa.
“Se prefere a Lizzy ou eu”. —Ela murmurou, o grito do garoto havia a assustado um pouco.
“Tsc. Não tenho tempo para essas coisas.” —Ele abaixou a voz novamente.
“Seu idiota.”
Ciel não vira Larissa durante dois dias inteiros, até o dia que ele partiria e voltaria para a sua mansão. Ele não estava preocupado com ela, mas ao mesmo tempo ficou pensando mais nela do que em tudo.
E então, um pouco antes de partir a porta de seu quarto fora aberto:
“Desculpe. Fui rude aquele dia.” —Ela entrou e sentou na cama, olhou para o Sebastian que parecia uma estátua em um canto e olhou para a porta novamente, o mordomo somente assentiu e os deixou a sós.
“Já estou acostumado com o seu vocabulário comigo.” —Murmurou baixo o conde que mantinha o controle da situação, apesar de sentir um pequeno incomodo no seu estômago, algo como... Nervosismo.
“Você vai embora daqui a pouco?”
“Sim”
“Vai voltar para me ver algum dia?”
“Se a Rainha precisar da minha ajuda.”
“Eu disse “para ME ver” não a vovó”.
“Hm”
“Vai?” —Insistiu com a pergunta.
“Não sei”
“Idiota, dê respostas concretas!” —Ela começou a rir.
Ela era diferente demais das outras. E estranhamente, ele não odiava isso. Não odiava o modo de que ela vivia o xingando ou então o modo na qual Larissa não aceitava não facilmente.
“A carruagem chegou Jovem Mestre”
“Já vou.”
“Bem...” —Ela se levantou corada e foi em sua direção, o conde já começava a ficar vermelho com a proximidade deles. E então, Larissa o beijou rapidamente e se afastou. —“Eu vou te acompanhar até a carruagem”.
“L-Larissa?” —O conde indagou enquanto ela segurava a grande mala dele em uma das mãos.
“Sim?” —Ela olhou para ele, esperançosa.
“O Sebastian pode levar a mala.”
“S-Seu estúpido!” —Larissa gritou brava. —“Eu estou esperando uma resposta e você me vem com isso! Argh! Seu grande, grande idiota!”.
“Eu queria ver a sua reação.” —O conde riu quando viu a garota ficar vermelha de vergonha. —“Eu vou voltar para te ver, depois de acabar meu noivado com Elizabeth...”.
“Vai terminar o noivado?”
“Eu sou só amigo dela, não consigo a ver mais do que como uma irmã.” —Ele comentou, enquanto segurava a mão dela e a abria, em segundos deixando seu grande anel azul em suas mãos. — “Cuide dele até eu voltar, isso é como uma certeza que voltarei, certo?” —Ciel sorriu enquanto a loira chorava sorrindo e o abraçando.
Ciel gostava de coisas estranhas, que se destacavam.
Isso incluía Larissa.
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