Notas iniciais
Mais um capítulo gente bonita!

Às vezes parece que estamos em um filme.

Foi o que aconteceu comigo. No aeroporto esbarrei com um garoto, infelizmente não pude aprecia-lo por mais tempo. Seu rosto vem aos meus sonhos toda noite, mas em forma de borrão. A única coisa que me lembro bem são seus olhos. Verdes e intensos como o mar mais poderoso.

O que me assusta é que já se passaram um mês desde que eu o vi. Cada vez que fecho os olhos o que me vem à mente é ele. O pior é que não sei seu nome e nem sei se ele é de Nova Iorque.

Não sei se isso é ilusão minha, mas quero vê-lo novamente.

As aulas estão prestes a começar, tenho que confessar, não estou preparada psicologicamente para isso.

Tanto eu quanto minha irmã não estamos habituadas a conhecer pessoas novas.

– Será que a mamãe vai nos levar ao colégio? – perguntou minha irmã.

­- Eu acredito que não. Do jeito que ela trabalha nem olhar na nossa cara ela vai.

Jenny suspirou.

– Só queria que ela nos desse um pouco mais de atenção.

– Vamos mudar de assunto – falei. – Como vai você e o Josh?

– Não vai nada bem. Ele queria me levar a uma festa, mas eu não quis.

– Por qual motivo? – pergunto.

Não queria atormentá-la com isso, mas a minha curiosidade é maior.

– É que a festa é muito pesada. Drogas e outras coisas.

Como eu suspeitava. Josh não é flor que se cheire.

– E o que exatamente ele fez? Brigou com você por causa disso?

O olhar de Jenny era distante e triste.

– Ele disse que se não fizer o que ele quer, nosso namoro acaba.

– A pergunta é: o que você vai fazer?

– Eu não sei. – confessou. – Gosto muito dele Annie.

Já estava na hora desse namoro acabar. Ela não percebe que está se machucando. Está cega. Não irei expor minha opinião, ela vai ter que descobrir sozinha.

– Olha, só vou te dizer uma coisa, faça o que achar certo.

O grande dia de desespero chegou.

Como eu suspeitava, não, na verdade tinha certeza, a dona Atena, minha mãe, não veio ao nosso encontro.

O chofer nos esperava na frente do edifício em que morávamos. Ele usava um terno preto e óculos escuros. Aparentava ter 50 anos.

– Bom dia senhoritas! – falou o homem.

– Bom dia! – respondemos em uníssono.

– Sua mãe me pediu para falar que está muito ocupada. – falou. – Meu nome é Jeff.

– É um prazer te conhecer Jeff! – estendo minha mão para cumprimentá-lo.

– O prazer é meu, senhorita Chase. – Jeff dá um sorriso simpático.

Jenny estava observando a conversa. Sua aparência não era boa. Profundas olheiras destacavam em sua pele branca. Seus cabelos estavam amarrados em um rabo de cavalo bagunçado.

Jeff abre a porta do carro, enquanto isso falo com minha irmã.

– Vamos Jenny! Anime-se. – falei.

Meio hipocrisia da minha parte, pois minha vontade era de estar com a cara enfiada no travesseiro.

Jenny me responde com cara de tédio.

– Como pode estar tão animada?

– Quem disse que estou animada? – respondo com desdém.

Seu olhar era incrédulo.

– Foi você quem me falou para se animar! Além disso, você está parecendo uma supermodelo.

Abri a câmera frontal do celular. Meus cabelos estavam soltos em cachos e um leve gloss dava brilho aos meus lábios.

– Está exagerando. – falei.

– Não estou! – continuou Jenny.

– Está sim!

E começamos uma briga para saber quem está certo. Não paramos até Jeff nos chamar atenção.

– Senhoritas! Desculpe atrapalhar, mas é que já chegamos ao local.

O local estava cheio de adolescentes, alguns chegando com seus carros caros, grupinhos se espalhavam por todo o lugar. O nome da escola é Goode High School. Pelas minhas informações é uma das escolas mais caras de Nova Iorque ou talvez a mais cara. Conhecida também por suas regras rígidas, como o uso do uniforme. O uniforme é diferente para os sexos.

– Bem vinda à selva. – disse minha irmã.

– Idem. – falei.

Descemos do carro e adentramos o local. Algumas pessoas nos mandavam olhares, cheio de expectativas. Outros nos mandavam olhares maldosos.

– Por que todos nos olham? – perguntou Jenny.

– Isso eu não sei te responder.

Caminhamos em direção à secretaria, para pedir informações. Enquanto andávamos, vimos o quanto a escola era grande e moderna. O chão era de mármore preto, as paredes de uma cor creme, quase branca.

Viramos o corredor e encontramos a secretaria.

– Até que enfim. – disse Jenny.

Sorri.

– Por que não senta ai? – apontei para um banco do lado da porta. – Enquanto eu peço informações?

Jenny assentiu com a cabeça.

Adentrei o local e encontro uma mulher jovem, com longos cabelos loiros ondulados. Usava uma roupa bastante provocativa, uma saia preta que vai até metade de suas coxas, uma camiseta social ensacada e um blazer preto por cima. Seus saltos são pretos e médios.

– Bom dia. – falei.

– Bom dia. – respondeu com sorriso.

– Será que você poderia me ajudar?

– Será um prazer. O que quer? – falou simpática.

– Bom, eu queria saber qual é minha sala e da minha irmã.

– Nomes, por favor. – falou enquanto digitava algo em seu computador.

– Annabeth Chase e Jenny Chase.

– Seu sobrenome é familiar, senhorita Chase.

– Deve ser por causa da minha mãe. – falei envergonhada.

A secretária da qual eu não sabia o nome arregalou os olhos.

– Sua mãe é Atena Chase? A famosa arquiteta? – sua voz transparecia animação.

– Sim. – confirmei de cabeça baixa.

– A propósito, meu nome é Isabelle.

– É um prazer conhecê-la. – falei educadamente. – Você poderia dizer a minha sala?

– Ah sim, desculpe. – sorriu. — A sua sala é a de número 3-C e o seu armário é o de número 237. Antes que eu me esqueça, a sala da sua irmã é a de número 1-B e o armário dela é o 230.

– Obrigada Isabelle. – dei um sorriso. – Nos vemos por ai.

Sai de lá sem esperar uma reação.

Encontro Jenny sentada ao banco conversando com um menino. Sua pele estava marcada por pequenas sardas e seus cabelos ruivos encaracolados caíam por sobre os olhos.

– Jenny? – chamo-a.

Ela vira seu corpo para ficar de frente comigo.

– Vejo que já arranjou um amigo. – falei sorrindo maliciosamente.

Seus olhos se reviram.

– Jean essa é minha irmã, Annabeth.

Jean dá um sorriso tímido e estende sua mão para me cumprimentar.

– É um prazer Jean. Posso roubá-la um pouquinho?

O pobre coitado corou dos pés a cabeça e minha irmã me deu um olhar feio.

– Muito bonito seu amigo. – sussurro.

– Quer parar de me encher? – reclama Jenny e sorrio com isso.

– Calma sua esquentada. Só vim dizer que a sua sala é a de número 1-B e o armário 230.

– Certo. Obrigada.

– Não se esqueça de ir para a aula assim que tocar o sinal. Se eu souber que está matando aula, eu mato você.

– Quer parar de ser nerd! Que saco, claro que eu vou pra aula. – falou irritada.

– Vou te dar um apelido se continuar esquentada desse jeito. Vou te deixar em paz, tchau. – falei dando uma gargalhada.

Sai andando sem rumo, até esbarrar em alguém.

– Desculpa. – murmurei.

A garota se levantou do chão irritada.

– Olha para onde anda loirinha. – falou sarcástica.

O apelido me irritou, mas decidi manter a calma.

– Eu já pedi desculpas.

– Peça de novo. – ordenou.

Olhei-a dos pés a cabeça incrédula.

– Não sou obrigada a isso. Com licença?

Tentei passar, mas minha passagem foi barrada por ela.

– Com quem pensa que está falando? Loira oxigenada!

– Essa loira tem nome, pequena garota fútil.

– Posso te processar. Sou Alicia Jones, filha de Robert Jones, o grande empresário.

– Pouco me interessa quem você é. – falei com desdém. – Eu só quero passar, é a minha única vontade.

A morena a minha frente bufou.

– Vai se ver comigo, loira aguada. – ameaçou.

– Mal posso esperar. A proposito meu nome é Annabeth! – gritei enquanto ela andava irritada pelos corredores.

Parece que arranjei uma inimiga logo no primeiro dia de aula. Não teria arranjado se meu orgulho não fosse tão grande.

O sinal soa alto, indicando inicio das aulas.

O inferno vai começar.

Notas finais
Pessoas lindas, comentem. Isso me deixaria muito feliz!