Coincidências
13 Viagem para o seu coração: Parte III
Notas iniciais
18h00min
Casa de Henrique
Depois de um dia corrido no trabalho, Henrique havia acabado de chegar a casa, mais cansado que o normal. Seu apartamento não era o mais luxuoso que existia, sendo uma sala, uma cozinha e um quarto, além do banheiro.
Logo, ele apenas tirou sua camiseta de manga cumprida e se jogou no sofá, levando as mãos ao rosto e passando-as por sua face, tentando afastar o sono pois ainda tinha muito o que fazer dentro de casa. Ele nasceu e cresceu no Texas, mas aos dezessete decidiu que queria sair e conhecer o mundo, começando por Los Angeles. Mas ainda sim, ele sabia que ter vinte e um anos e ainda não ter idéia por onde começar sua vida não era uma boa motivação.
Seu sonho sempre foi ser cantor, gostava de Johnny Cash, Miranda Lambert, Tim McGraw, e, principalmente, Keith Urban, afinal, havia crescido em Austin e estava acostumado a música Country desde pequeno. Já havia se apresentado em alguns bares quando era jovem, mas nada comprometedor. Henrique basicamente tinha medo da fama e de que sua musica pudesse perder a essência caso ficasse famoso.
De repente, ele sentiu seu celular vibrando dentro de seus jeans e rapidamente atendeu-o.
— Alô? — ele falou, ainda com outra mão na cabeça.
— Alô, Henrique? Aqui é a Chloe — Henrique sentou-se no sofá rapidamente. Havia esquecido completamente do que havia combinado com Chloe, estava de cabeça cheia — Eu só liguei pra avisar que não precisa me buscar, o seu endereço fica entre o teatro e o meu apartamento, é caminho e eu posso chegar ai rapidinho!
— Que boa noticia… — Disse ele olhando pelo apartamento. Viu que, se Chloe chegasse agora, ela provavelmente esbarraria nas roupas jogadas pelo chão ou se assustaria com a bagunça em cima da mesa de centro, com direito a uma caixa de Pizza que estava ali desde a semana passada. — Ah… Quando você diz rapidinho, quantos minutos seriam?
— Bom… Acho que se o transito continuar bem assim eu chego ai em cinco minutos. Por quê?
— Cinco minutos?! Ah… Por nada, eu só to ansioso pra te ver! Chloe eu fazer umas coisas aqui, daqui a pouco a gente se vê. Tchau!
— Tchau! — Chloe mal completou sua frase e Henrique logo levantou-se para começar a arrumar toda aquela bagunça no apartamento. Recolheu as roupas, jogou as caixas de pizza fora, arrumou os CDs nas prateleiras, caiu aqui, tropeçou ali, mas continuava lutando contra sua própria casa.
— Tenho que chamar uma empregada urgente! — Ele deu uma olhada pelos cômodos. Não estava perfeito, mas pelo menos Chloe não encontraria nada morto dentro de seu apartamento.
Ao olhar para si, ele sentiu o cheiro de fritura em seu corpo e decidiu que seria melhor tomar um banho antes de encarar Chloe. Correu para o banheiro, tirou sua roupa e tomou um “banho de gato”, não poderia demorar mais que dois minutos. Ao sair do banho, amarrou uma toalha a cintura e correu em direção ao quarto para se trocar, mas antes disso ouviu seu interfone tocar.
Com isso, deu meia-volta e atendeu o mesmo.
— Alô?
— Alô, Sr. Henrique tem uma grande chamada Chloe aqui querendo…
— Pode manda subir! — Henrique o interrompeu e desligou o interfone, logo vontando a fazer seu caminho para o quarto.
Lá, ele pegou uma camiseta verde com o logo da banda “All Time Low”, uma calça jeans preta surrada que tinha e colocou os seus tênis pretos novamente. Ouviu a campainha e não acreditou, ela já havia chegado? Mas re-pensou, afinal ele morava no primeiro andar. Logo foi a caminho da porta.
Ela estava vestida com um colete branco por cima de uma blusa de manga cumprida azul, juntamente com uma saia branca e bota marrom e o cabelo preso em um coque japonês.
Henrique arregalou os olhos ao vê-la daquele jeito e logo coçou a nuca, enquanto ela virou a cabeça tentando entender o porquê daquilo.
— Henrique? — ela falou, o olhando de cima a baixo e depois se olhando de cima a baixo — Algum problema?
— Nenhum problema. — Ele disse rindo bastante sem graça e ficando um pouco corado. — Entre.
— Ah... Obrigado! — ela sorriu e entrou tímida no apartamento, logo olhando em volta. Estava mais arrumado que a maioria dos apartamentos de solteiro dos seus primos e amigos...
Chloe se virou de volta para ele e disse.
— Então é... — ela olhou para os pés — Eu trouxe uns filmes pra gente assistir, se você quiser é claro! — ela abriu a bolsa que carregava no ombro e sacou três caixas de DVDS — Quando um Estranho Chama, A Névoa, O Pânico. Eu gosto de terrores clássicos!
— Claro, vai ser um máximo. — Ele disse, mas era um pouco estranho garotas se animarem tanto com filmes de terror, principalmente naquela parte da cidade.
— Eu vou fazer a pipoca ok? — Henrique disse, passando por ela e indo até a cozinha. Ele sabia que aquele clima estava estranho entre ele e ela, mas tudo poderia melhorar. Tirou o milho de pipoca e uma panela do armário, mas foi quando ouviu um grito de Chloe o chamando. Ele voltou à sala e viu-a mexendo em seus CDs... Demo
— Você canta? — ela disse, olhando cada um dos CDs, que deveriam ser uns 10
— Nossa, você me assustou, pensei que tinha acontecido alguma coisa. — Disse ele parado com a mão no coração. — Sim, eu canto, mas não acho que sou tão bom.
— Vamos ver! — Chloe colocou um dos CDs, escrito "Lost in My Memories" a caneta, no DVD. Uma musica agitada, tocada com um banjo e um violão. Porém, a letra foi o que mais deixou Chloe intrigada:
"I'm Lost in my Memories (Estou perdido em minhas memórias)
Lost in my Illusions (Perdido em minhas ilusões)
This is a big world for both of us (É um grande mundo para nós dois)
But you'll note if I go out of it?" (Mas você notaria se eu saísse dele?)
Parecia mais uma letra para musicas lentas, mas sem duvida era sobre um coração partido.
— Viu? Não sou bom. — Ele disse chegando um pouco mais parte dela.
— Viu? Não sou bom. — Ele disse chegando um pouco mais perto dela.
— Cara você é demais! Podia até... — Foi ai que uma ideia plantou na cabeça de Chloe — ...Porque você não faz a trilha sonora da peça lá no teatro? Eles estão precisando de faixas originais e pagam bem por alguns resultados!
— Não sei se deveria, não tenho preparo pra isso. — Ele disse se virando e depois sentando no sofá.
— Que isso, você arrasaria! Vamos fazer assim, eu levo alguns desses CDs amanhã pro diretor e ele te dá à resposta em alguns dias! — Chloe sugeriu. Henrique levou a idéia em consideração.
— Ok!
— Ótimo! Agora vamos fazer essa pipoca! — Chloe disse animada, pegando Henrique pelo pulso e arrastando para a cozinha de sua própria casa — Enquanto isso me fala um pouco de você! — ela disse, despejando olho na panela.
— O que você quer saber? Quero dizer, eu não sei o que falar. — Ele corou um pouco e abriu um sorriso de canto.
— Bom, começa por esse lugar! Porque Los Angeles?
— Eu sempre quis viajar por todo mundo, fui criado pelo Texas, mas quando cheguei a Los Angeles, achei que conseguiria me firmar na carreira de cantor, mas não deu certo, infelizmente.
— Bem isso esta prestes a mudar! — Chloe lhe disse com um sorriso confiante na face, enquanto tapava a panela de pipoca, deixando-a estourar — E como conheceu Sakura? Você é um ex dela?
— Não, eu a conheci quando ela foi comer pela primeira vez na lanchonete, estava um pouco triste e eu perguntei o que havia acontecido. Tinha sido uma discussão com ex namorado dela.
— Por falar em ex... Aquele tal de Lee, eu ouvi umas histórias estranhas deles dois, Sakura perdeu toda a herança da família por causa dele?
— Sim, ela ficou tão mal, que eu tinha que ir todos os dias na casa dela, fazer comida, lavar a roupa, a fazer rir. Fiquei assim durante uma semana, depois dei um esporo nela, e levei pra tomar umas bebidas.
— É, pelo visto você sabe como animar uma garota! — Chloe brincou, fazendo Henrique rir — E a suas namoradas? Sakura me disse que você tem fama!
— Eu preciso ir ao banheiro, já volto. — Desconversou e correr pro banheiro.
— Tudo bem? — Ela disse. Chloe até ouviu alguns cochichos no banheiro, achava que estava assustando ele de algum jeito... O que será que ela poderia estar fazendo errado desta vez? Enfim, ela colocou a pipoca em duas bacias e deixou-as em cima da mesa, seguindo para a porta do banheiro — Henrique você esta bem?
— Sim, me desculpa, eu acho que comi algo que me fez mal. — Ele disse saindo do banheiro.
— Ok, ah... Vamos ver os filmes?
— Sim, vou colocar. — Ele levantou-se colocou uns dos filmes e sentou ao seu lado no sofá.
— Sim, vou colocar. — Ele dirigiu-se a estante, colocou uns dos filmes e sentou ao seu lado no sofá.
Chloe via o filme enquanto saboreava a pipoca e, vez ou outra, olhava para Henrique.
Este também fazia o mesmo, comia, via o filme que "até que não era tão ruim", e ainda sim olhava para Chloe. Seus lindos lábios preenchidos com um batom rosa, sua linda face branca e suave, seus olhos azul da cor do céu...
— Ainda não me contou da sua fama senhor, Henrique! — Chloe se acomodou de frente para ele, sentada no sofá, enquanto Henrique deu um leve suspiro. Desta vez não escaparia.
— Eu sempre fui muito bom com as garotas, eu tenho bons assuntos, o que posso fazer! — Ele deu um sorriso e retornou ao assunto. — Todas as garotas que tenho saído até hoje nunca quiseram compromissos e eu também não ligava pra isso, mas com você é diferente. Eu gosto de você, eu me sinto atraído, não quero você pra ficar apenas uma noite, eu quero você pra mim a vida toda, eu quero estar com você. — Ele mesmo não havia notado as palavras que haviam escapado de sua boca e logo arregalou os olhos surpreso com sua própria atitude.
Chloe olhou fixamente aos seus olhos e, quando Henrique achou que iria ser julgado de todas as formas possíveis, ela apenas risada.
Uma risada? Sério mesmo? Que tipo de garota dá uma risada logo após de ganhar uma declaração de amor? Henrique estava confuso
— Henrique, não precisava falar que me ama só pra conseguir que eu fique aqui! — ela disse, pondo a bacia de pipoca na mesa de centro e começando a se explicar — Sabe por que a maioria dos meus namoros não dá certo?
— Por quê? — Ele lhe perguntou bastante curioso.
— Duas palavras: Beijo, Técnico — com isso, Henrique pensou e pensou, estava tão confuso que Chloe teve de explicar — Henrique eu faço teatro desde os meus 16 anos, é o meu sonho! Mas, desde aquela época, sempre teve um diretor babaca que me coloca para fazer beijo técnico. Na primeira vez, foi estranho, eu tinha namorado e achei que estaria traindo ele se fizesse isso... Mas depois eu vi que era só uma representação! Não tinha maldade naquilo... Mas o meu namorado e todos depois dele não entendiam isso, sempre querendo me desviar do meu sonho, eu sou mais que a garota que é beijada, cara, eu já fiz vários papéis diferentes! Só que ninguém vê isso...
— Eu confio no seu potencial, e confio em você. Sei que você é ótima no que faz e será ótima no que vai fazer. Confie em si mesma e esqueça o que os outros pensam. Aqueles caras eram um bando de idiotas que não sabiam valorizar a mulher maravilhosa que tinham.
— Papo de pegador! — ela disse dando uma leve risada...
— Não mesmo, eu nunca fui tão sincero com garota nenhum como sou com você. — Ele continuava a encará-la.
— E o porquê disso? Conversamos umas três ou quatro vezes, quase não nós conhecemos.
— Porque eu gosto de você de um jeito que nunca gostei de garota nenhuma, você é especial, você é diferente de todas elas.
— Sério? E o que eu tenho que elas não tinham?
— Tudo. — Ele respondeu rapidamente.
Chloe deu mais uma risada, olhando pelo cômodo e, logo voltou a olhar para Henrique. Tentava desvendar seus olhos verdes, que esbanjavam sinceridade.
— Última pergunta: Como vou saber que não está me mentindo para mim só para ganhar um beijo?
— Porque você é a única pessoa que eu não mentiria.
— Repito: você nem me conhece.
— Mas isso não significa que eu não posso gostar de você. Você me encantou desde a primeira vez que te vi...
— Repito: Papo de pegador — Disse Chloe. Ela estava sendo, provavelmente, a garota mais difícil de toda a sua vida. Outro motivo para ter gostado dela. Após analisar novamente a situação, ela pensou consigo mesma — Dane-se! — Chloe puxou a cabeça de Henrique para um beijo valente, doce e... com amor? Henrique logo correspondeu ao beijo, indo para cima de Chloe, pondo uma mão em suas costas e outra em sua cabeça, aprofundando o beijo.
Chloe adentrou com suas mãos macias dentro da camiseta de Henrique, sentindo seu abdômen definido e os músculos de seus braços definidos. Chloe amarrou suas pernas ao tronco de Henrique, tentando aprofundar ainda mais o beijo. Logo, ela se livrou de sua camisa e Henrique fez o mesmo com a de Chloe, deixando-a somente de sutiã, porém ambos se assustaram com os gritos vindo da TV e caíram no chão
— Sério mesmo?! — Henrique gritou, batendo a cabeça contra o chão. Chloe suspirou, logo quando estava começando a ficar animada...
— Que tal vermos logo essa porcaria desse filme trairá?
— Fazer o que...
— Tinha que ter pegado uma comédia romântica, não um filme de terror!
— Ai também não né! — Henrique a fez rir, enquanto esta saia de cima dele e voltava a sentar-se no sofá.
Logo, eles voltaram a ver o filme, desta vez com Chloe apoiando a cabeça em seu colo, enquanto conversavam. Parecia que agora estavam mais prestando atenção no que o outro falava do que no filme, pois nem sequer notaram o momento em que o mesmo acabou.
Eles acabaram dormindo de conchinha no sofá. Aquela noite havia sido ótima.
Mais tarde, já passando da meia-noite, Chloe acordou. Ela olhou e volta e viu o braço de Henrique, que por acaso ainda estava sem camisa, apertando-a forte.
— Henrique, acorda!
— Que foi? — Ele disse também olhando em volta e notando que haviam adormecido durante um bom tempo. Ele sorriu e se levantou.
— Eu preciso ir... Amanhã eu tenho que ir de volta pro teatro e... Isso vai comigo! — Disse ela, pegando um dos CDs que havia nas estantes
— Eu pensei que você poderia desistir disso, mas tudo bem. Tem certeza que não quer ficar mais um pouco? — Ele disse olhando no fundo dosolhos de Chloe
— Proposta tentadora! Mas acha mesmo que eu chegaria lá às cinco da manhã se ficasse aqui? — Chloe disse dando uma risada e Henrique fez uma cara de tristeza. Chloe se virou, mas Henrique pegou braço e, antes que ela pudesse dizer algo, selou seus lábios em um beijo quente e avassalador. — Isso é uma boa lembrança!
— Obrigado pela noite maravilhosa. — Ele disse segurando a porta.
— Até mais Henrique! — Disse Chloe, pegando sua bolsa e indo embora do apartamento. Ela olhou para traz hesitando em ir embora várias vezes, mas por fim decidiu ir embora...
Henrique fechou a porta de seu apartamento, sorridente por como aquela havia dado certo apesar de tudo. Logo, ele se dirigiu a cozinha, porém ao dar um passo para dentro da mesma, ele se incomodou com um pequeno fato: Ela estava com o piso todo encharcado.
Ao olhar dentro dela, viu que havia deixado a torneira aberta. Frustrado, ele adentrou a cozinha... Porém, sentiu uma forte corrente elétrica percorrer o seu corpo inteiro, ficando grudado no chão. Não conseguia se mover e viu tudo escurecer em poucos segundos...
Seria assim que terminaria sua vida..?
Continua...
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