CoffeePasta - Interativa

1 Prólogo: " Acho que nem mereciam a primeira"


Notas iniciais
Olá, bem-vindo a minha volta como escritora. E desculpa pelo sumiço de anos. Assumo que eu sou uma irresponsável que perdeu todos os meus leitores de O Diário das Creepypastas, mas tentei fazer essa historinha para recompensar vocês :3 Será que algum leitor meu ainda vive nesse site? Espero que gostem, tem bastante gore e humor negro. Por ora só irei introduzi-los no universo da fic e o meu personagem. ~Boa Leitura o/

No meio de tal noite ventosa, em uma vizinhança pacata de famílias comuns da classe média-alta, algo de não muito natural se sucedia. Iluminado pelos postes alaranjados, uma sombra escapava furtivamente pela janela de seu quarto no segundo andar, carregando nas costas uma mochila desgastada pelos anos. Caiu desajeitadamente sobre o gramado da residência, grunhindo com a dor nos joelhos, contudo não havia tempo para choramingar. Correu pelas ruas, olhando apreensivo por todos os lados.

O capuz do moletom vermelho de super-herói cobria os curtos cabelos castanhos, mas não escondia as olheiras assustadas. Era evidente que tramava um plano sujo.

No bolso, seus dedos apertavam o metal firmemente, temendo que o objeto caísse de sua posse e revelasse suas intenções. Repetia internamente que tudo era por um bom motivo. Tudo era apenas um acerto de contas. Mas a sensação de ser seguido não passava, por mais que soubesse que nada nem ninguém estava acordado naquele bairro.

Ele tinha de se acalmar ou botaria tudo a perder. Por mais que já previsse onde tudo aquilo acabaria, queria continuar vivo. Queria poder respirar mais uma vez em paz.

Com tamanha pressa, seus passos o encaminhou para uma garagem em poucos minutos. Nesse ponto já suava frio, as extremidades de seu corpo quase dormentes de tão gélidas. Abriu o portão com chaves trêmulas, revelando um Chevrolet Zafira com um amassado na porta do motorista. Deu partida; estava começando a sentir a adrenalina fazer efeito.

Parou em frente a uma casa com suas luzes apagadas. Respirou fundo para tomar coragem.

Bundão!, a voz ecoava dentro de sua mente. É um merdinha, é isso que você é! Nunca termina nada do que começa.

O rapaz deu alguns socos no próprio crânio, para que aquilo parasse e rezou baixo por pouco tempo antes de tirar finalmente a pistola do bolso, destravando a arma. Analisou o brilho do pecado e percebeu que não poderia mais voltar atrás após aquele ponto.

A próxima parte foi fácil, com alguns clipes destravou a porta dos fundos e teve sorte do alarme não estar ativo naquela madrugada. Subiu cautelosamente pelas escadas, passando pelo quarto de um casal que roncava em seus sonos profundos. Engoliu em seco e seguiu para o próximo quarto, e ali estava ele: recém-adormecido com o notebook ainda aberto num site pornô, papéis higiênicos amassados “escondidos” debaixo da cama. Peter.

Os de cabelos castanhos sacou a arma e mirou hesitante na cabeça do líder de gangue. Sua respiração começara a pesar.

Faça isso logo!

Seu dedo estava congelado no gatilho, sua mente mandava as informações porém o corpo não respondia. Sabia o que deveria ser feito, então porque não fazia simplesmente?

O jovem que dormia se remexeu.

Rápido! Rápido! Rápido! Rápido!

Todavia, ele não conseguiu atirar.

Peter despertou, e tão rápido visualizou o cano da arma em sua cabeça já gritou, desesperando o outro que em pânico, saltou da janela. O líder de gangue ainda tentou atirar com sua própria arma seu assassino, acertando frustradamente apenas o gramado enquanto o rapaz de moletom corria, deixando para trás até mesmo o carro que usará.

Peter pegou o celular e ligeiramente ligou para seu grupo.

— É Casper! Ele tentou me matar. Está aqui no bairro! Acabem com ele!

Casper só podia se condenar por ser tão covarde. Tinha uma arma, e se tem uma coisa que aprendeu é: Se mirar para um homem, é pra atirar pra matar.

Entrou em um beco a algumas quadras dali, jogando seu corpo contra a parede e respirando descompassadamente. Estava frito. Sabia disso.

Nem deu tempo de se recompor, uma figura surgiu tampando a luz de um dos postes e também a entrada por onde passará. O rapaz tropeçou para tentar fugir pelo outro lado, mas outra pessoa tampou sua saída. Tinha uma faca.

Eles se aproximaram, diminuindo o espaço livre de Casper. Estava ciente de que morreria ali naquele momento, de tanto apanhar. Tudo por causa de um erro seu.

Você merece isso.

O jovem levou muitos socos de um gordo com um soco-inglês. Ele focou principalmente no rosto. Estava suportando, mas não conseguiu fazer mais do que isso. Tossiu o próprio sangue.

Quando Peter chegou, trazendo um taco de beisebol consigo (parecia bem puto), o homem com a faca perfurou seu estômago. Definitivamente, não conseguiria levantar naquele ponto.

— Você realmente pensou em me matar, seu filho da puta? — Indagou Peter com um sorriso sádico no rosto, o taco sobre o ombro.

Casper se esforçou para se levantar, mas tudo o que conseguiu foi um chute no nariz. Tudo girava para ele, como se estivesse em outra dimensão. Uma dimensão tão dolorosa que lhe abria uma fresta para O Outro Lado.

Quando sentiu que ia perder a consciência, a voz dentro dele gritou mais alto.

Você não pode acabar assim! Acabe com eles, acabe com eles, acabe com eles, acabe com eles! Mata, mata, mata, mata.

Tentou se levantar de novo enquanto a gangue se entretia em jogar gasolina em cima dele, rindo.

Tremendo sem forças, Casper alcançou sua pistola no bolso. Mas levou outra tacada de beisebol na cabeça.

— Você é insistente, heim, garoto? — Peter cuspiu.

Enquanto eles riam, o de moletom de super-herói apenas desistia.

Bastardos.

Cada piscada era como uma morte diferente. Em milésimos de segundo lembrou de sua vida, de sua infância. Lembrou-se de Daiana, lembrou-se de antes de tudo aquilo acontecer.

E de repente tudo o que via eram suas memórias sendo queimadas, deixando apenas um rastro de ódio e sofrimento para si.

O sentimento foi tão forte que o fez se lembrar do canivete que tinha no cinto. Peter se aproximava com o isqueiro, pronto para incendiar o rapaz.

Casper parecia ter se revigorado. Arranjou forças de suas dores para amputar dois dedos do infeliz que berrou com a dor, vendo o sangue esguichar dos cortes. Os outros homens avançaram.

O jovem facilmente se levantou e desviou do primeiro, atirando duas vezes em suas costas. Dessa vez não possuía nenhuma hesitação, o segundo percebeu no olhar dele todo o ódio. Era como encarar o próprio demônio, enfurecido e determinado a acabar com cada alma viva naquele beco.

O homem tentou um golpe na vertical, mas foi bloqueado. Nem deu tempo de tentar outra investida. Sua garganta foi perfurada profundamente.

Casper então se virou calmamente para Peter, encostado na parede com a expressão horrorizada. O jovem sorriu, com a face tomada por sangue. Não se tinha certeza se dele próprio ou dos homens que acabara de matar. Dissera roucamente:

— Você só é um garotinho mimado que bate punheta quando está entediado… Esse taco de beisebol não combina com essa cara chorona de um bunda mole.

Casper esfaqueou o estômago do homem caído a seus pés dezenas de vezes até que as tripas estivessem à vista. Peter já não tinha mais o controle sobre as suas bexigas, impotente, derramando-se no chão com os joelhos fraquejados diante a cena de horror.

O de moletom agarrou alguns órgãos internos e caminhou até Peter que tentou se arrastar para longe, falhamente, e jogou as vísceras ainda mornas sobre o líder de gangue.

— Coma. — Peter não se mexeu. Tremendo como uma gelatina. — COMA!

O mais velho começou a chorar enquanto, reluntante, tocou os restos fétidos de seu capanga. Aproximou de sua boca e vomitou.

— Quem é o fracote agora, Peter?

— P-por… Favor…! — Dizia entre soluços o outro. Casper riu, tomando o taco de beisebol para si e analisando-o.

— Seres imundos como você não merecem uma segunda chance. Acho que nem mereciam a primeira.

Dizendo tais palavras, pegou impulso com o pedaço de madeira, descarregando com força no topo da cabeça de Peter. Fez o mesmo movimento continuamente, sem parar. O som de ossos se partindo foi satisfatório. E só cessou quando viu o cérebro do rapaz se misturar em uma coisa só com as partes miúdas dos ossos.

==========(X)==========

Casper saiu do beco cambaleante. Achava que uma de suas pernas estava quebrada. Arrastava consigo o bastão de beisebol, fazendo barulho pela calçada ainda deserta. Um nevoeiro se intensificava conforme ele andava vagamente. Não sabia para onde estava indo, todavia algo o puxava para tal trajeto. Até que avistou uma cafeteria. Ou seria um bar? Ele não sabia, só sentia que tinha de entrar lá. Era como se o convidasse igual as sereias convidavam os piratas em alto mar a se afogarem.

Deu seus tropeços até dentro daquele recinto, quieto. Sua primeira visão de dentro era embaçada, porém pôde identificar cinco figuras esquisitas. Uma delas estava sentada despojadamente em uma cadeira, e o encarou. Continha… Um sorriso quase orelha a orelha, sangrento.

— Precisa de alguma coisa? — Indagou tal figura.

Casper desmaiou.

Notas finais
Obrigada por lerem, e adoraria que me dissessem o que acham através dos comentários. As fichas acabaram! Agradecida aos leitores ♥