Coffee with cinnamon
1 Capítulo 1
Acordei ofegante o suor fazia com que meu cabelo ficasse preso ao meu rosto me sentei na cama e o som do meu coração era o único que eu conseguia ouvir, era ensurdecedor a luz da lua entrava pela janela e fazia com que o quarto parecesse mais frio e nada aconchegante olhei o relógio e vi que ainda eram 5:30 mas tentar dormir seria inútil, toda noite o mesmo pesadelo já estava ate acostumada com aquela rotina.
Levantei fui ate o banheiro e liguei o chuveiro, precisava daquilo uma ducha bem gelada sempre me acalmava se eu quisesse enfrentar mais um dia naquele trabalho infernal teria que estar de cabeça fria, lidar com aqueles monstros exigia isso, uma cabeça fria e muita precisão, mas eu odiava aquilo sempre odiei toda o sangue as mortes e todas as pessoas e famílias que eram destruídas no processo.
Fui ate a cozinha para preparar algo, fiz um café bem forte e coloquei um pouco de açúcar e canela, adorava o cheiro de canela misturada ao café lembrava da minha infância uma época mais simples e mais feliz, esquentei dois pãezinhos com manteiga e comi pensando em como seria meu dia encarar uma caçada não era fácil. Eu ainda estava devastada por causa da ultima "empreitada" .
Fui ate o banheiro me olhei no espelho e o que vi não me agradou estava com olheiras enormes, houve um tempo que se eu me visse desta forma a primeira coisa que faria seria pegar meu kit de maquiagem e dar um jeito naquilo mas agora isso parecia ser ridículo. Fui ate o quarto e vesti uma calça jeans preta e uma blusa branca de mangas enroladas.
Minha casa ficava em uma cidade bem pequena eu era a esquisitona da casa assombrada bom, pelo menos era assim que as crianças me chamavam quando eu comprei a casa com o dinheiro da singela herança que meus pais deixaram para mim , o lugar realmente estava caindo aos pedaços tinha quatro cômodos todos pintados com o mesmo tom de azul bebe que já estava todo encardido a cozinha era minúscula porém era suficiente e o banheiro tinha água quente que pra mim já bastava apesar de preferir banhos frios e eu gostava do lugar a maioria dos caçadores não tem uma casa fixa, nem sei se é certo chamar aquele pulgueiro de casa, mas eu preferia ter um lugar para voltar ainda guardava muitas coisas da minha antiga casa como o sofá já bem judiado pelo tempo e varias fotos da família penduradas pela casa não dava para guardar tudo no porta malas do carro então porque não?
Eu tinha acabado de voltar de uma caçada que tinha durado mais tempo que o necessário, eu estava destruída porque eu ainda fazia aquilo? para que outras pessoas não passem pelo o que você passou, alguém tem que fazer o trabalho sujo minha querida. Meu subconsciente me lembrava disso constantemente, na maioria das vezes eu queria jogar tudo pro alto e ter uma vida normal só que quando se entra nessa vida só há um final e não é a aposentadoria.
Liguei a televisão um homem de meia idade com o rosto coberto de maquiagem que falhava miseramente em esconder sua idade preencheu a tela, ele apresentava um daqueles programas que pessoas passam por situações patéticas para receberem uma quantia insignificante de dinheiro. Peguei meu notebook e pesquisei acabei achando uma reportagem interessante em um desses blogs sensacionalistas de uma cidade que fica a poucos quilômetros da minha.
Mais um corpo foi encontrado hoje em Nature Hill , assim como as outras, a vitima identificada como Selena Hernandez, foi encontrada morta em sua própria residência e como nos outros casos não houve arrombamento, ou seja as vitimas conhecem o assassino. Recebemos informações de que o corpo estava desfigurado, e há boatos de que partes de Selena foram devoradas, será que estamos lidando com um canibal seriall Killer? a policia pede calma e que os cidadãos andem sempre acompanhados, calma? como podemos ver nossa estimada policia não resolve nada e ainda pede que fiquemos colmos temos um assassino entre nos e um assassino que gosta de carne humana e que é confiável ao ponto de deixarmos que ele entre em nossas casas.
O ruim de usar esse tipo de blog como ponto de partida de uma caçada é que quase sempre levam a lugar nenhum mas eu estava sentindo algo e minha intuição era sempre certeira. Ainda era cedo se eu pegasse a estrada agora não demoraria muito a chegar em Nature Hill, deliguei a TV e fui para meu quarto a cama ainda estava desarrumada os lençóis estavam jogados pelo chão em meio a peças de roupas sujas e papeis de doces, meu quarto era uma verdadeira zona mas eu não tinha tempo de arruma-lo fui ate o armário que praticamente vomitava minhas roupas peguei as peças sociais que sempre usava quando fingia ser de algum jornal ou coisa parecida e joguei na mochila velha junto com um kit de maquiagem barato e meu notebook e peguei um par de sapatos de solto alto pretos. Sai e fui ate meu carro que estava estacionado em frente a casa, entrei e joguei a mochila e os sapatos no banco e dirigi em direção a Nature Hill, depois de uma hora de viajem parei em um posto de gasolina para abastecer e comer alguma coisa. desci do carro e depois de encher o tanque fui ate a loja de conveniências. Quando entrei o atendente, um cara alto de cabelos loiros ensebados que iam ate a altura dos ombros, me olhou e deu um sorrisinho que não tive a menor vontade de retribuir, vistoriei as prateleiras peguei dois pacotes de biscoito e quatro latas de refrigerante, andei ate o balcão e pude ver o atendente mais de perto não parecia ter mais de dezessete anos estava usando uma camisa de mangas curtas que tinha uma mancha enorme do que parecia ser ketchup ele sorria o tempo todo e isso era tão desagradável, aproveitei e peguei umas barras de chocolate que estavam no balcão.
- O total é 19,50.
Dei o dinheiro e fui direto para o carro depois de mais uma hora de viajem cheguei em Nature Hill e encontrei um hotel, o lugar era agradável todo arrumadinho com paredes pitadas de verde e com uns vasos de flores espalhados pelo local uma senhora que aparentava ter entre 45 a 50 estava na recepção.
-Boa tarde.
-Boa tarde, tem algum quarto vago.
-Deu sorte querida temos apenas mais um quarto vago hoje, dinheiro ou cartão?
-Cartão.
-Geralmente a forma de pagamento preferida por aqui é o dinheiro mas hoje as pessoas estão mudando um pouco.
Não dei atenção ao que ela disse mas dei um sorrisinho, peguei a chave que ela estendia e virando-a vi que era do quarto 23, encontrei meu quarto e assim que entrei peguei minhas coisas e joguei na cama, o quarto era aconchegante tinha duas camas de solteiro forradas com lençóis amarelos, um criado mudo ficava entre elas e uma tapete preto felpudo cobria o chão o banheiro era bem pequeno mas pelo menos era limpo. Hora de começar o trabalho me sentei na cama e peguei meu notebook e entrei no blog de noticias da cidade cliquei na aba contatos e mandei uma mensagem para o autor do blog dizendo que era de um jornal da cidade vizinha que tinha me interessado pela historia e elogiei o texto que ele escreveu logo fui respondida marcamos um encontro em uma restaurante no centro, entrei no banheiro e tomei um banho rápido, tirei as roupas da mochila e vesti uma saia lápis preta uma blusa social branca de mangas compridas e um blazer preto estavam um pouco amarrotadas mas tudo bem, peguei o kit de maquiagem e passei um batom rosado e contornei meus olhos com um lápis preto que realçavam meus olhos cor de mel terminei passando um pouco de blush nas bochechas só para dar um ar de saúde calcei os sapatos. Sai do hotel e entrei no meu carro peguei uma bolsa de ficava no banco de trás nela tinha uma identidade falsa, dinheiro e um bloco de notas e um celular que usava para gravar conversas tinha que andar com essas coisas para fingir ser mesmo uma repórter. Dirigi ate o centro da cidade onde encontrei o restaurante marcado para o encontro, o restaurante era grande tinha varias mesas de madeira espalhadas pelo lugar uns bancos com estofado de couro vermelho próximos ao balcão onde duas meninas de aproximadamente dezoito anos usando blusas brancas com pequenos crachás indicando seus nomes atendiam os clientes. Me sentei na mesa ao fundo e logo uma das garçonetes veio anotar meu pedido.
-O que vai querer?
-Um café e pode colocar um pouco de canela?
-Sim claro, só isso?
-Só.
Assim que ela saiu, um menino de uns quinze anos se sentou na minha mesa, ele tinha cabelos pretos ondulados que passavam os ombros usava uma camisa de banda jeans rasgado e delineador que ressaltavam seus olhos azuis. Ele me olhou serio durante alguns segundos parecia me analisar, abri um sorriso amigável que ele não retribuiu.
-Allan Cruz?
Ele respondeu com um aceno de cabeça, a garçonete chegou e colocou café em minha mesa um pode de açúcar e um vidrinho de canela.
-Obrigada, vai querer alguma coisa Allan?
-Não obrigado, pareceu surpresa quando me viu
-Não esperava que você fosse tão jovem.
Ele deu uma risadinha pegou um celular parecia verificar a hora.
-Então Allan me fale sobre aquele texto.
-De que jornal você é mesmo senhora Flores. -Senhora eu nem era tão velha assim por favor.
-Pode me chamar de você ou simplesmente de Ana, eu trabalho no Folha da Manhã
-Nunca ouvi falar desse jornal.
-Somos bem pequenos. Peguei a canela e polvilhei no café e adicionei três colheres de açúcar e tomei um gole.
-Sobre a reportagem Allan, o que mais você pode me dizer além do que esta em seu blog?
-Não tem muito o que dizer as mortes começaram no mês passado e todas as vitimas são mulheres e ouvi dizer que elas foram devoradas, na real acho que tem um maluco canibal no meio da gente mas ninguém aqui me escuta ficam dizendo que sou um maluco e tal que a policia vai resolver mas ate agora nada.
-Entendo, antes das mortes começarem alguma coisa estranha aconteceu por aqui, alguma pessoa nova se mudou para a cidade?
-Não que eu saiba é uma cidade pequena meio que todo mundo se conhece e quando alguém de diferente passa por aqui ficam hospedados no hotel perto da estrada fora isso...
Terminei de tomar meu café
-Muito obrigada pelas informações Allan.
-Ana se você for escrever uma matéria sobre isso vai citar meu nome né?
-Vou sim Allan, agora com licença.
Me levantei e me dirigi ate a porta esbarrei em um cara de terno preto pedi desculpas e nem me dei ao trabalho de olhar para o rosto dele continuei andando e fui ate meu carro, dirigi ate a delegacia.
Muitos caçadores preferem fingir serem polícias ou agentes do FBI é mais fácil conseguir informações dessa forma o problema é que ninguém acreditaria que sou do FBI ser jornalista é mais fácil a idade não é um problema no jornalismo só que polícias não são fãs de jornalistas mas tenho meus truques, não sou uma daquelas meninas que fingem não saber o quão bonitas são, sei usar a minha beleza a meu favor, estacionei o carro e me olhei no espelho retrovisor tirei o batom rosa e passei um vermelho claro soltei meus cabelos e tirei o blazer, assim que sai do carro senti o vento bater em meu rosto e vi um policial saindo da delegacia era um homem bonito aparentava ter uns trinta anos tinha um olhar preocupado quando nossos olhares se cruzaram abri um sorriso que ele retribuiu com um sorriso cansado.
- Olá sou Ana Flores, sou reporte do jornal Folha da Manhã — disse estendendo as mãos para cumprimenta-lo.
-Uma jornalista, deve ser de outro lugar pois conheço todos aqui e não me lembro de você.
-Sim sou da cidade vizinha.
-E o que a trouxe até aqui?
-O senhor já deve imaginar, vim até aqui por causa dos assassinatos que vem acontecendo desde o mês passado.
Ele ponderou por um segundo.
- Pra qual jornal a senhorita trabalha mesmo?
- Folha da manhã.
- Hum... tenho que patrulhar agora, talvez mais tarde.
Ele virou as costas, segurei seu braço e olhou para mim com uma intensidade que me deixou desconfortável mas logo me recuperei.
- Por favor, tenho que entregar essa matéria até sexta e meu chefe está me pressionando bastante só preciso de algumas informações.
Ele ponderou por um segundo
- Por favor
- Eu realmente tenho que patrulhar agora, passe por aqui quando o meu turno terminar lá pelas 18:00 ai eu te passo algumas informações.
-obrigada
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