Coelhos, aniversários e uma bombinha ambulante
1 Uma aposta de páscoa
Notas iniciais
Uraraka inclinou-se sobre a janela do dormitório. As flores de cerejeira já tomavam o campus da U.A, indicando o começo da primavera assim deixando o dia mais leve e colorido. Para ela e sua turma, significava o início da Páscoa.
Aos fundos, a garota ouviu no corredor Jiro, falando com lida sobre uma playlist de Páscoa.
— Jiro, acredito que uma playlist de Páscoa deve ter harmonia e renovação! Não conter músicas eletrônicas!
— Então você quer o quê? Um coral de igreja? Eu criei um remix daora e vou pedir aos professores para ver se liberam para mim tocar hoje.
— Se for apropriado, sim! Porém não creio que isso seja adequado para a renomada U.A.
— Fala sério, a turma toda curtiu! — Kyoka responde.
Ochaco desviou o olhar e sorriu quando uma ideia lhe veio à mente e se virou, seguindo para a sala do dormitório.
No meio do caminho, a garota notou Ashido, andando apressada, quase derrubando o objeto que carregava. Em um movimento, ela segurou o embrulho coberto por um pano, e estreitou os olhos, ao estranhar o item.
— Mina, o que é isso?
— Isso? Do departamento de suporte, pediram para testar um equipamento, nada demais. — disse a rosada, porém, Uraraka pode notar um leve sorriso travesso, como se a rosada estivesse prestes a aprontar alguma coisa.
Curiosa, Uraraka tentou espiar o item escondido, e Mina, ao notar sua curiosidade, levantou uma das pontas do pano, mostrando uma orelhinha de coelho, feita de metal.
— Parece fofo!
— Fofo? Pode até pode parecer, mas isso é uma tecnologia nova. Hatsume sabe o que faz.
— Foi a Mei? — Ochaco perguntou e Mina assentiu, animada. — Então provavelmente vai explodir… — cruzou os braços, olhando para as orelhinhas. — Não é perigoso testar em alguém?
— Ei, Ochaco-chan, Só explodiu uma vez… na primeira versão do protótipo. Agora está mais seguro.
— Não sei não…
Ao entrar no ambiente, a castanha viu seus amigos, já acordados, e empolgados com a organização das decorações. Algumas caixas estavam espalhadas no chão, enquanto Momo, Tsuyu e Hagakure separavam os enfeites.
Midoriya e Ojiro, seguiam com alguns coelhos de pelúcia grandes, que encontraram, para colocar na porta de entrada, a pedido de Nedzu.
Uraraka aproximou-se das meninas, e, ainda com a conversa que ouviu a pouco em sua mente, sugeriu:
— Bom dia! Gente, e se fizéssemos uma caça aos ovos?
Sua pergunta chamou atenção de alguns colegas.
— Caça aos ovos de páscoa, kero? — Tsuyu perguntou e recebeu a confirmação dela.
— Sim! Poderíamos pedir para os professores esconderem os ovos pelo campus. Seria divertido! — Midoriya interrompeu sua conversa com Ojiro, para responder:
— Até que é uma boa ideia.
— Se quiserem, posso preparar chocolates caseiros para a gincana. — Sato ofereceu-se e a turma concordou.
Enquanto discutiam, um som de estalo ecoou pelo ambiente. Bakugou, que permanecia recostado na parede, cruzou os braços, ele não gostava da Primavera, nem muito menos da Páscoa:
— Tsc, Quanta perda de tempo! Isso é infantil! Por que não fazem algo útil como treinar? Ei, cabelo de merda! — Katsuki virou-se para Eijirou. — Vamos lá no Ground Beta, estamos aqui para ser heróis, não para brincar!
— Bro, não acho que seja uma ideia ruim a de… — antes de terminar, o ruivo sentiu seu braço ser puxado pelo explosivo. — Whoa!
Ochaco geralmente não ligava para os surtos do loiro, mas, algo em si, dessa vez teve a vontade de provocá-lo (Talvez pelo fato da garota valorizar muito essa data), por causa disso, respirou fundo e falou:
— Por acaso está com medo de perder numa caça aos ovos, Bakugou?
A turma arregalou os olhos com a ousadia da garota. Ele freou seus passos e virou-se para a acastanhada, após soltar o braço do seu amigo.
— Medo? Desses extras?! Tcs! Escuta aqui o Chansey: Eu posso acabar derotando cada um de vocês nesse joguinho idiota! — cruzou os braços, irritado.
— Então participa, ué... Se você ganhar… eu faço o que você quiser no seu aniversário. O que me diz?
Mina quase engasgou-se ao ouvir aquilo. Bakugou estreitou os olhos, um sorriso convencido abriu-se, como de quem já tivesse ganho a partida.
— Ele acabou de chamar a Uraraka de pokémon? — Mina sussurrou para Eijirou, que encarou a rosada, incrédulo.
— Ah é? Vai se arrepender dessa escolha, garota. E se eu perder? — perguntou o loiro. — O que claramente não vou deixar acontecer. O que ‘cê ganha com isso?
— Bem… se eu ganhar… você vai ter que elogiar a turma por uma semana!
— Como é que é? Elogiar esses extras?! Tsc, vai sonhando!… Eu vou te derrotar nesse desafio!
Midoriya travou, surpreso, e virou-se rapidamente para a acastanhada:
— U-Uraraka… espera! — chamou, um pouco nervoso. — O Kacchan não é… bem… o tipo de pessoa que sai elogiando por aí, sabe? Não é melhor escolher outra coisa? Só por segurança.
— Não! É por isso mesmo! — Ochaco respondeu. — Ele vive de cara emburrada com todos. Uma semana de paz seria uma maravilha, não?
Izuku encarou Uraraka, como se a garota estivesse frente à morte certa. Ele sabia que seu amigo de infância era orgulhoso, e não desistia fácil quando o provocavam. Já o explosivo, a observou, e sorriu, arrogante, estava confiante de que não perderia
— Tsc, fechado… nem nos seus sonhos você ganha de mim, cara de lua.
— Ué… você por acaso prevê sonhos agora?
— Tsc, não preciso prever para saber o óbvio. — retrucou, com um sorriso de canto. — Ainda se lembra do festival esportivo, não lembra?
Ochaco lembra-se do que aconteceu no festival, e, no momento em que iria dar uma resposta pela provocação, Mina interrompeu.
— Gente! A conversa está interessante, mas preciso testar isso aqui rapidinho em alguém, quem se oferece?
A turma percebeu a Ashido, que se aproximou eufórica deles, e, quase ao mesmo tempo, desviaram seus olhares na direção de Bakugou, que encarou-os, desconfiado. A rosada seguiu o olhar da turma, dando um sorriso de canto, andou ligeiramente até ele, colocando-no o protótipo das orelhas de coelho da Mei.
— Quê? — Katsuki levou suas mãos para o item fixado em sua cabeça e arregalou os olhos. Seu corpo travando por um instante, as veias de suas sobrancelhas saltaram, até que ele enfurece e explode. — TIRA ISSO DE MIM!!… — Ele percebeu Mina parecendo satisfeita com seu feito.
Olhando mortalmente para sua colega, Bakugou tentou retirar o objeto em um puxão mas sentiu como se não desgrudasse. Tentando uma, duas vezes e enfim bufou irritado.
— Foi feito sob medida! — declarou a rosada.
Denki e Sero tentam segurar o riso, enquanto Bakugou puxava as orelhas, sem sucesso.
Uraraka vira-se para sua colega.
— Como assim feito sob medida?
— A Mei não sabia o tamanho certo dele, então fez um tamanho padrão.
Mina sorriu ao lembrar dos momentos mais cedo, na oficina de Mei:
“— É um protótipo de fixação adesiva, baby! Essas orelhinhas tem microventosas ativadas por calor corporal, quanto mais calor corporal, mais gruda. Além de desgrudar sozinho após 24 horas.”
— “Quanto mais calor, mais gruda”. — Mina repetiu, ao lembrar-se do que Mei falou para si. — Ela falou que sai depois de um dia, então relaxa.
— Quê?! Eu não vou ficar com essa coisa o dia inteiro!
Bakugou voltou a tentar puxar o item.
Foi quando Denki não aguentou, gargalhando mais alto, diferente da turma, que, ainda, tentava segurar-se.
— Continuem rindo que detono cada um de vocês, tsc!
Neste instante, a porta do dormitório foi aberta revelando Aizawa. O professor analisou a movimentação, em silêncio, fixando o olhar em Bakugou, franzindo a testa.
— Nem vou perguntar o que significa isso…
Uraraka virou-se para o professor, perguntando:
— Sensei, a gente estava pensando numa gincana de Páscoa. Os professores podiam espalhar ovos de chocolate pela U.A. enquanto tentamos caçar. O que acha?
— Já temos os ovos feitos por alguns da turma, Koji Koda nos ajudou. — Momo, que até então estava quieta, comentou. — Dá para chamar as turmas 1–B e 1–C para participar também.
Aizawa suspirou e disse:
— Certo, verei com os outros professores.
— Eu não vou participar antes de tirarem isso de mim! Tsc! — Katsuki esperneou, tentando arrancar o item. — Por que isso não sai?! — as orelhinhas se moveram para ambos os lados, conforme suas expressões mudavam de frustração para raiva.
— Pega leve, coelhinho. Quanto mais puxar, mais vai grudar. Se continuar assim daqui a pouco fica permanentemente! — Mina provocou.
— Tsc, a única coisa permanente vai ser a sua cara de boba, depois que eu arrancar isso e enfiar essas orelhas em você!
— Poxa… mas até que ele ficou fofo com as orelhas… — Ochaco murmurou, baixinho.
O sorriso de Mina aumentou ao ouvir o comentário da garota e então respondeu:
— Sensei, será que a gente pode deixar o coelho oficial da gincana participar também? Páscoa sem um dos símbolos dela, não é Páscoa!
Os olhos do explosivo quase saltaram do rosto, suas mãos começaram a disparar pequenas faíscas.
— Quem você chamou de coelho, sua alien?! É melhor você correr! Shine!! — esbravejou, avançando em direção a rosada.
— Ih, o coelhinho ficou bravo.
Mina mostrou a língua para ele, disparando rumo ao corredor, com o explosivo atrás dela. — Volta aqui, sua alien irritante!!
— Nunca! — Mina respondeu entre risos, desviando pelo corredor.
Antes que Bakugou pudesse alcançá-la, faixas enrolaram seu corpo com força, prendendo seus braços junto ao torso
— Já chega! — A voz cansada de Shota Aizawa ecoou pela sala.
— ME SOLTA!! ELA QUE COMEÇOU!!
— Não me interessa quem começou. Sem explosões dentro da escola!
Mina olhava seu colega recuperando o fôlego antes de agradecer:
— Obrigada, sensei!
— Volte para o campo antes que eu enfaixe você também.
— Estou indo! Não precisa me enfaixar também!
Alguns minutos depois…
As três turmas do primeiro ano estavam reunidas no campo. Shota Aizawa explicava as regras da gincana no pátio da U.A, suas olheiras visíveis, indicavam a expressão cansada de sempre.
Ao seu lado, completamente imobilizado pelas faixas, Katsuki Bakugo debatia-se no chão, soltando pequenos xingamentos sobre explodir uma certa alien.
— Voltando para as regras da gincana: Nós espalhamos os chocolates pelo campus, quem encontrar mais deles, vence! — declara Aizawa.
Vlad King, o pro-hero da turma 1-B continuou:
— Não serão aceitas brigas, destruição de patrimônio…
—E principalmente: Sem explosões! — Aizawa completou, lançando um olhar para o loiro. — O uso de individualidade está proibido!
— Aizawa, esse seu aluno já causou problema desde cedo... — Vlad comentou, cruzando os braços. — Não é melhor deixá-lo de fora?
— Sensei! — Ochaco interveio, levantando a mão. — Acho que ninguém deve ficar de fora da gincana… afinal, é Páscoa! Além disso, tenho um desafio para cumprir com ele…
Bakugou parou de tentar soltar-se da faixa por alguns segundos e encarou-a. Ele não esperava que a garota fosse importar-se com o fato dele ficar de fora — pelo visto, ela estava levando a sério esse evento.
Aizawa arqueou uma de suas sobrancelhas, desconfiado.
— Desafio?
— Sim, já que teremos a gincana, eu o desafiei a ver quem conseguia mais. Se eu vencer, ele vai ter que elogiar a turma, e, caso eu perca ele quem decide o que vai acontecer.
—... Que problemáticos. — murmurou Shota Aizawa, afrouxando as faixas, libertando enfim o aluno, que esticou-se, resmungando.
★
O início da caça aos ovos seguia, com todos correndo pelo campus da U.A., procurando pelos pequenos pedaços de chocolate. Alguns alunos das turmas B e C já haviam encontrado doces, em volta do pátio.
Bakugou olhou para Monoma, que passou por ele, com uma cesta cheia, exibindo-se.
— Olha só, o aluno explosivo não encontrou nada até agora? Vocês da 1-A são realmente um bando de perdedores.
O loiro explosivo bufou, mas, sequer respondeu, pois, no minuto seguinte, seus olhos fitaram Uraraka — que passou correndo, rumo a um ovo, que estava camuflado, embaixo de uma árvore.
Ignorando Monoma, ele avançou em direção à garota.
— Esse ovo é meu, sua bochechuda!
Gritou, tentando alcançá-la.
— Uh? — Ochaco percebeu Katsuki, avançando atrás de si, e respondeu: — Nem vem, eu achei primeiro!
O garoto a alcançou, e, em um timing perfeito, ambos agarraram o ovo.
— Vai sonhando, cara de bolacha! — retrucou, segurando o item.
Sentindo a textura macia das mãos da garota abaixo das suas. Com um puxão, Bakugou ergueu o braço, tirando o ovo do alcance dela, levantando-o para cima.
— Ei! — Uraraka esticou-se o máximo que pôde, ficando nas pontas dos pés, a centímetros de distância dele, enquanto o garoto exibia um sorriso de vitória.
Ochaco quase pensou em usar sua individualidade, contudo, decidiu erguer-se mais um pouco, quase encostando sua mão no item, até sentir seus pés desequilibrarem-se.
— Ahhh! — gritou, sentindo seu corpo pender para trás.
Em reflexo, Ochaco segura-se na blusa de Katsuki, fazendo com que ele se inclinasse para frente, e o ovo (Que antes estava em sua mão), caísse no chão. Por instinto, o loiro levou seus braços até as costas dela, sentindo o impacto na grama.
Ambos olhares encontraram-se, por um breve momento. Seus rostos a centímetros um do outro, com a respiração acelerada pela corrida. O cheiro de grama impregnou o local e o silêncio fez-se presente, interrompido apenas pelo som do ovo caindo no chão. Uraraka podia sentir a temperatura corporal dele, o suor de ambos,escorrendo, enquanto recuperavam o fôlego.
Entretanto, a tensão foi quebrada, quando Mina passou por perto parando de correr, olhando fixamente para os dois.
— Hum… será que estou atrapalhando alguma coisa? — disse, sorrindo maliciosamente.
Bakugou piscou, saindo do transe, soltou Uraraka rapidamente, afastando-se dela.
— Olha por onde anda, idiota! — resmungou para a acastanhada antes de sair, pisando duro na direção oposta, deixando ambas ali.
Uraraka ainda tentava processar o que havia acabado de acontecer, mas logo recuperou-se. Mina deu uma risada, virando-se, indo contar o que viu para seus colegas. Respirando fundo, Ochaco voltou a correr pelo campus, tentando encontrar mais doces.
Minutos depois, Aizawa anuncia pelo megafone o fim da gincana. Os alunos começaram a reunir-se, alguns com suas cestas cheias, outros nem tanto. Ao longe, a acastanhada pode notar o dekusquad, conversando animado, com várias guloseimas nas cestas. Já os amigos do Bakugou, haviam pego alguns, porém, seu olhar fixou-se em Bakugou, que estava emburrado.
Decidida, ela segue até o Bakusquad para ver como seus colegas tinham saído-se. Ao aproximar-se, Mina, Eijirou e Denki entreolham-se, lembrando do que a rosada havia dito mais cedo.
— Olha só quem chegou… — murmurou Mina, com um sorriso sugestivo. — Acho que eles querem conversar em particular, não? Vamos dar espaço a eles.
— Eles tão namorando? — sussurrou Denki.
Eijiro Kirishima apenas riu de canto enquanto Mina o respondeu, toda convencida:
— Se depender da cupido aqui, talvez, quem sabe?
Logo em seguida ela puxou Denki junto aos outros, afastando-se da dupla. Bakugou lançou um olhar irritado para os amigos, como se mandasse todos calarem a boca, antes de desviar sua atenção para Uraraka.
— Tsc! O que você quer, bochechuda?
— Uh… Parece que você não conseguiu nenhum chocolate…
— Veio esfregar a vitória na minha cara?! Só de pensar em ter que elogiar esses extras…
— E-Espera! — Ochaco pegou um dos ovos de chocolate da cesta e estendeu sua mão para ele. — Toma… é para você.
Bakugou travou por um momento, seu olhar arregalou-se e fixou-se na mão estendida da garota. Em seguida, franziu as sobrancelhas desconfiado, e falou irritado:
— Eu não preciso da sua consolação! — reclamou, afastando a mão da garota de forma brusca.
Ochaco inclinou a cabeça, mantendo o olhar na grama e respondeu, levando o chocolate para perto de si:
— Mas… fiz esse justamente para você. O Sato pode ter feito para a turma, mas também o ajudei, eu achei que talvez você gostasse de algo mais apimentado. Mas acho que me enganei…
Katsuki observou o olhar entristecido dela enquanto Ochaco virava-se para ir embora. Algo em seu peito apertou, fazendo-o mudar de ideia.
— Ei!
Antes que ela desse mais algum passo, Bakugou segurou seu braço levemente — o que deixou a garota surpresa pelo ato. — O loiro desviou o olhar, sentindo-se tenso e irritado consigo mesmo.
— Tsc… Pare de tirar conclusões idiotas. Você estava simplesmente enfiando isso na minha cara! — comentou, soltando o braço da garota e puxando o chocolate de sua mão. — Já que fez, é melhor não desperdiçar.
Desembrulhou o doce, mantendo a expressão emburrada e deu uma pequena mordida para experimentar. Sua feição logo sendo substituída por um leve franzir de sobrancelha.
— Hum… até que não está tão ruim.
— Mesmo? Fico feliz que tenha gostado! — Uraraka sorriu no momento em que ele desviava o olhar.
Logo, a garota notou o protótipo de orelhas mover-se conforme o rosto dele tornava-se vermelho.
— Bakugou… suas orelhas.
— Quê é?
— Você está… sentindo vergonha?
— EU NÃO ‘TÔ COM VERGONHA! — retrucou-o, as orelhas movendo conforme sua reação.
— Tem certeza?
— Não enche cara redonda! — reclamou, tentando puxar novamente o item.
No dia seguinte, Bakugou desceu para a sala do dormitório. Para alívio do garoto, o protótipo que antes estava colado em sua cabeça, havia saído à noite, enquanto dormia e, quando acordou, tratou de jogar o item pela janela.
Assim que chegou perto do ambiente, viu Uraraka conversando com Tsuyu e suspirou fundo, lembrando-se da aposta.
O Bakusquad se encontrava sentado no sofá, Mina olhava os arredores, procurando o explosivo. Quando seu olhar parou no garoto, uma frustração surgiu em si.
— Droga… — murmurou Mina Ashido. — Eu gostava mais dele com as orelhinhas.
— Era muito mais fácil de ler ele assim, né? — Denki Kaminari concordou.
Katsuki aproximou-se deles, com os olhos estreitados.
— Vocês dois querem morrer?! — Katsuki Bakugo respondeu, já irritado.
Virou-se para ir até a cozinha, porém parou, ao notar a acastanhada olhando pra si e resmungou, voltando seu olhar para a dupla.
— Tsc… digo… vocês são irritantes, mas pelo menos são melhores que esses extras aí.
Denki e Mina entreolharam-se:
— O Bakugou foi abduzido? — perguntou Denki
— Eu… nunca pensei que viveria para ver isso! — Mina colocou a mão no peito. — Um elogio vindo dele, que emoção!
— Cala a boca, alien! — Bakugou rebateu na hora, já irritado. Porém, lembrou-se do combinado. — quero dizer… será que me dão… o prazer do silêncio?
Um silêncio pairou no ar, Katsuki achou que finalmente tinham ouvido, quando Denki comentou:
— É… ele realmente foi abduzido…
— Talvez ele bateu a cabeça — Mina respondeu, desconfiada.
— Ou vai ver ele foi clonado? — Denki falou.
As veias da testa de Katsuki pulsavam, enquanto ele apertava as mãos, que já saiam pequenos estalos.
— Eu posso ouvir tudo, sabiam?
— Nós sabemos — a rosada falou. — E é por isso que fica mais engraçado ver você se segurando.
— Vocês… deixa pra lá. — Bakugou resmungou e seguindo para o corredor, a caminho da sala de aula.
Durante o treinamento de Aizawa, o que era para ser uma aula normal, acabou tornando-se uma situação estranha. Primeiro, foi em uma corrida onde os meninos tinham que chegar até o outro lado do campo. Midoriya e Bakugou entreolharam-se e assim que o sensei deu o sinal, foram com tudo. Izuku havia conseguido ultrapassar seu amigo de infância, enquanto pararam para recuperar o fôlego e a equipe das meninas seguiam o treinamento, se posicionando para correrem, Katsuki aproximou-se e disse:
— Ei nerd… até que você não foi tão inútil hoje.
Midoriya piscou, não acreditando no que ouvira.
— E-Eu… obrigado?
Na pista ao fundo, Ochaco chegou a tropeçar nos próprios pés durante a corrida ao escutar o loiro elogiando seu rival.
— Ele realmente está levando a sério! — ela sussurrou, recompondo-se e voltando a correr.
— O Bakugou acabou de elogiar o Midoriya? — Eijirou perguntou, incrédulo.
— Acho que hoje vai chover, kero. — Tsuyu comentou.
— É um milagre pós-páscoa! — Denki falou, puxando a blusa de treino de Mina, para limpar as falsas lágrimas.
— Ei! — a rosada puxou o tecido de volta.
— Tsc… vocês são patéticos. — resmungou Katsuki, desviando seu olhar, que acabou parando na acastanhada. — Menos a cara redonda. — disse a última parte em um tom mais baixo.
— Bem que o Bakugou podia ser simpático sempre né? Já estou ficando mal acostumada. — provocou ashido.
Bakugou estalou a língua, claramente irritado com a rosada.
— Tsc… pois não se acostumem, é só até o fim da semana!
— Próxima equipe! — a voz de Aizawa cortou o momento, levando a turma a voltar a fazer as atividades.
No início, cada elogio causava um choque nos alunos, depois, virou rotina.
O estranho era que Bakugou continuava. Fora um “obrigado” para Sero, quando estavam resolvendo uma tarefa. No outro dia, ele apoiou a ideia de Yaoyorozu para a turma da 1–A.
Em uma tarde, Ochaco arrastava algumas sacolas grandes pela escada, levando uma por uma pelos degraus.
— Isso está muito pesado! — sussurrou. — Acho que vou usar a gravidade...
Katsuki seguia pelo corredor rumo às escadas que levavam ao seu quarto, quando notou Uraraka, com dificuldades, e parou. Antes que Ochaco pudesse ativar sua quirk, Bakugou aproximou-se e tomou as sacolas de suas mãos.
— Eu levo isso!
A garota de olhos castanhos arregalou os olhos com sua atitude e desconversou-o, rapidamente:
— N-Não precisa! Eu consigo carregar isso!
Tentou, falhamente, tirar o item das mãos dele.
— Tsc… para de drama, ô bochechuda! — Bakugou revirou os olhos, já seguindo pelo corredor.
Ochaco travou por um segundo e correu atrás dele.
— Cuidado! — disse, um pouco aflita. — Tem coisas frágeis aí dentro!
Bakugou arqueou as sobrancelhas e respondeu:
— Eu sei segurar uma sacola, cara redonda!
“Se ele descobrir o que tem ali dentro, acabou…”, pensou a garota, que logo o alcançou.
Chegando na despensa do dormitório, Bakugou viu as duas únicas portas do local. Logo, imaginando que ela iria querer guardar na primeira porta, aproximou-se da mesma. Uraraka arregalou os olhos e correu, entrando na frente do garoto.
— Tá querendo me atropelar por acaso?!
— É na outra porta!
— O quê? — perguntou confuso.
— Eu quis dizer que é para colocar na outra porta.
Bakugou inclinou levemente a cabeça, analisando a garota com desconfiança.
— Tsc! Você tá muito esquisita… Mas, tanto faz. — levou os itens para onde a acastanhada indicou e, em seguida, virou-se para ela. — Da próxima vez, não pegue coisas que você não consegue carregar.
— Eu consigo, mas você simplesmente tirou da minha mão.
— Claro, até porque quase ia ativar sua quirk, não é? O que tem ali? Chumbo? É algum tipo de peso para treino?
— N-Não! São só… algumas coisas da turma! — respondeu-o, apressada.
Ele observou-a, em silêncio, ainda desconfiado, até que o silêncio foi quebrado, por uma voz:
— OCHACOO!! — Mina apareceu no corredor, notando o garoto ao lado de sua colega. — Uh… gente, ‘cês tão perdendo o Midoriya.
— O que tem o nerd?
— Ah… A Jiro desafiou a turma no karaokê e aí o Midoriya disse que você não ia conseguir acompanhar ele… já que só sabe gritar.
Um silêncio pesado caiu no ambiente.
— …Aquele nerd, disse o quê? — questionou, cerrando os punhos.
— Exatamente! — disse a rosada. — E, sendo sincera, acho que ele está certo!
— Tsc, um karaokê, né? Eu vou fazer aquele nerd engolir o microfone! — exclamou o herói explosivo, em seguida, virando-se e saindo pelo corredor, para ir tirar satisfações.
O som dos passos dele foram sumindo e, assim que teve certeza de que estavam seguras, Mina falou para a acastanhada:
— Eu inventei tudo. O Midoriya já sabe, nós combinamos de despistá-lo caso ele desconfiasse.
— Mas, como você sabia? — Ochaco perguntou confusa.
— Querida, assim que eu vi ele puxando as sacolas, pensei: Vai dar merda! E eu estava certa.
★
Horas mais tarde, após Bakugou pedir para uma revanche no karaokê (deixando Midoriya quase surdo), ele seguiu para o pátio, com um sorriso convencido, depois de ter escolhido um rock para duelar com seu colega. Observou o céu estrelado e suspirou. Esses dias foram um verdadeiro desafio para ele. Katsuki nunca imaginou que Ochaco poderia ter iniciado aquela aposta, e, agora, de certa forma, sentia-se um pouco diferente.
Foi apenas pensar na garota, quando ouviu passos leves e virou seu olhar. Uraraka estava ali, parada a alguns metros, com as mãos apoiadas no muro, olhando o céu noturno. Ele pode notar seus fios castanhos voando, quando uma brisa passou por eles.
— Veio atrás de mim ou só se perdeu mesmo? — perguntou, esperando pela reação dela.
— Uh? Bakugou? N-Não! Eu só… — Uraraka hesitou, desviando o olhar. — Só precisava de um pouco de ar!
— Tsc. — o loiro voltou a observar o céu.
O silêncio pairou sobre os dois, até que ela resolveu quebrá-lo:
— Ei… Obrigada por hoje.
— Pelo quê? — ele arqueou a sobrancelha.
— Pela ajuda na escada… você ajudou bastante.
— Aquilo não foi nada — respondeu. — Com essa cara de bolacha, e esses braços finos aí, era capaz de você derrubar e ainda cair.
— Eu consigo levantar até três toneladas com minha quirk, tá?! Sou mais forte do que você pensa! — inflou as bochechas.
Por instinto, ele segurou seu rosto e afirmou.:
— Eu sei que é.
Logo, notando seu ato, arregalou os olhos e afastou a mão, desviando o olhar em seguida.
Com o toque inesperado, Ochaco arregalou os olhos, sentindo o rosto esquentar, instantaneamente.
— Bakugou… — respirou fundo, criando coragem. — Você… pode vir comigo rapidinho?
— Para onde?
— Só… confia em mim!...
O olhar do herói explosivo fixou-se nela, avaliando cada reação.
— Tsc… se for perda de tempo eu vou embora.
— Não é, eu prometo!
Foi assim, que ele seguiu-a de volta para o dormitório. O caminho seguiu, silencioso, enquanto Bakugou tentava pensar no que a garota estava aprontando, e, sem se dar conta, acabaram parando em frente a duas portas, onde o corredor mantinha-se um breu.
— Por que aqui está tão escuro? Não enxergo nada! — resmungou.
— O botão deve estar em algum canto… — Ochaco falou, tentando localizar o interruptor.
— Achei! — Bakugou anunciou, apertando o botão.
No instante em que as luzes foram acesas, a escuridão deu lugar a uma sala enfeitada com balões, guloseimas e, ao próprio All Might, que estava acompanhado de sua turma.
— Surpresa! — gritaram.
— Que merda é essa?! — perguntou, ainda encarando a cena à sua frente.
— Uma festa surpresa, óbvio! — Mina Ashido respondeu, animada.
— Depois dessa semana, você merecia! — Eijirou comentou ao fundo.
— Ah, e obrigada por carregar as sacolas para a Uraraka. Essas decorações eram pesadas, né Ura-chan? — Mina comentou.
O olhar de Bakugou se voltou para a acastanhada.
— Você… me fez carregar as decorações da minha própria festa surpresa?! — perguntou, incrédulo.
— Você quem quis carregar… — Ochaco respondeu, olhando-o de forma inocente.
Katsuki colocou a mão em sua nuca, e resmungou:
— Além de a garota do infinito, agora é a do impossível, tsc?
O barulho das conversas começou a preencher o ambiente, enquanto Ochaco guiava-o até a mesa de guloseimas. Entre os doces, Katsuki notou pequenas trufas de chocolate com pimenta e decidiu experimentar. Mastigou, tentando desfrutar do sabor, e, ao sentir a mistura suspirou.
— Eu que fiz esses, você gostou? — Uraraka perguntou, curiosa.
— É… Está aceitável.
Ochaco deu um sorriso pela resposta, e, ao fundo, ouviram alguém comentar:— Ele elogiou de novo?
— NÃO COMEÇEM, SEUS EXTRAS!!
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