Notas iniciais
FINALMENTE!! Leitores, nem o maior dos perdões seria capaz de apaziguar o coração de vocês, eu sei. Porém, não foi culpa minha a falta do último capítulo. Eu não conseguia receber de maneira alguma meu link de recuperação da conta, e até finalmente obtê-lo, foi-se uma longa enxurrada de e-mails entre mim e a plataforma Nyah. Enfim. SEM MAIS DELONGAS, O ÚLTIMO CAPÍTULO DA FANFIC!

Incrível como, mesmo alguns segundos antes de morrer, é possível pensar em tantas coisas. Não diria que minha vida inteira passou diante dos melhores, mas boa parte dela, a parte a qual me fez sentir verdadeiramente viva, a qual me fez aprender, progredir...

Um raio tão branco quanto o sol rompeu o céu, o espaço, o tempo.

Como era de se esperar, Damian não estava mais ao meu lado quando acordei. Era costume meu despertar sempre que o primeiro raio de sol surgisse no céu, mesmo que eu não o visse ou o sentisse verdadeiramente. Ainda sim, ele já havia ido embora.

Eu deveria ficar chateada? De fato, não sabia o que esperar dele. Talvez o vinho tivesse contribuído com o nosso desejo, nos impulsionando a fazer coisas... Bem, ele havia se declarado para mim – além de me contar seu verdadeiro nome e origem – quando estava perfeitamente sóbrio. E se... Não tivesse sido bom para ele?

Preferi espantar aqueles pensamentos da cabeça, ainda mais quando ouvi um barulho ensurdecedor irromper pelos túneis. Coloquei apressadamente meu uniforme, sem saber direito para onde seguir. Não sabia nem que aquele alarme existia, até encontrar Olívia no meio do caminho, a qual mesmo querendo me olhar com malícia e astúcia, indicou que aquilo era um sinal de convocação para a sala de reuniões.

O clima era claramente tenso. Estavam todos os antigos da Liga da Justiça lá, inclusive meu pai, o qual preferiu muletas à cadeira de rodas. Quando apareci, seus olhos se voltaram a mim de um jeito apreensivo o qual nunca tinha visto antes. O resto dos gigantes mantinha-se um tanto mais “não-transparentes”. Roy, sendo contrário a todos, exibia um nervosismo de outro mundo.

— Precisamos estar seguros para dar a notícia. – Tia Donna sussurrou alto o bastante para que todos pudessem ouvir.

Notícia? Vasculhei o local, procurando por alguém. Todos, inclusive o famigerado Damian/Ibn, o qual mirou-me sem muita cerimônia ou expressão diferente. Não havia ninguém faltando, o que me fez suspirar de alívio por algum motivo.

— Chamamos vocês aqui porque temos que lhes contar de uma ação da Liga, feita no início dessa batalha, quando ainda não sabíamos o que estava a causar toda essa desgraça. – Era perceptível que a moça maravilha procurava acertar nas palavras, o que me deixou mais aflita ainda. – Barry ofereceu-se para voltar no tempo a fim de acabar com toda essa situação. Nos comunicávamos com ele através de um aparelho feito pelo mesmo.

Caçador de Marte deu alguns passos à frente e pôs em cima da mesa uma espécie de micro rádio totalmente destruído.

— O aparelho pifou sozinho na madrugada de hoje. – Falou, calculista como sempre.

— Isso significa o que acho que significa? – Perguntou Olívia. Pude perceber que sua voz vinha embargada.

Dick Grayson baixou a cabeça. Ele sempre teve dificuldades em aceitar a verdade, e quando ela doía, isso só piorava.

Por mais que aquilo me fizesse sentir mal, não consegui derramar nenhuma lágrima, muito menos sentir dor. Claro que era uma perca lamentável e importante, pois Barry conseguia ser uma das nossas maiores armas por seus poderes incríveis. Além disso, lembrava das vezes em que o recebíamos na mansão Wayne, tão seguro de si, discutindo política e física com meu pai. O resto dos Titãs, junto com alguns outros heróis que haviam retornado de suas missões, como tio Garfield, demonstraram mais tristeza. Outros, como Damian, pareciam mais apreensivos.

— Temos de ser honestos. – Roy caminhou até a parede mais próxima e se apoiou nela, cruzando os braços enquanto olhava para seus pés. – Não conseguiremos vencer essa batalha.

— Seu pessimismo com certeza não vai ajudar em nada. – Superman soltou.

— Ahn, não me venha com esse papo idiota! – Exclamou Arsenal quase que em um urro. – Nossos oponentes são os mais fortes não só do nosso universo, mas também de vários outros. Um deles já te matou, inclusive. – Estalou a língua. – Barry era nossa arma secreta, e agora está morto. Sabíamos que a probabilidade disso dar certo era mínima. Não sei como ainda nos agarramos tanto a essa esperança. – Sem olhar para trás, Roy disparou para fora do recinto.

Nunca pensei que o silêncio pudesse doer tanto.

Um turbilhão de coisas me vinha em mente, e eu não fazia a menor ideia de como organizar tudo. Todos se olhavam e tentavam arrancar uns dos outros um flagelo de esperança. Afinal, havíamos perdido tantos entes queridos, passado por inúmeros perrengues, sacrificando todo nosso corpo e alma por aquele planeta, para no final descobrirmos que nada daquilo adiantaria. Tudo evaporaria pelos ares, e era só questão de tempo.

Em passos largos, quase como se fossem pulos, meu pai aproximou-se do centro da sala, tendo os olhares todos voltados para si. Ele também olhou para todos, principalmente para Superman e para mim.

— Escolhemos dar tudo de nós não só para as pessoas, mas para nós mesmos também. Morrerei feliz lutando, apesar de não ser lembrado no futuro, porque não haverá futuro, não haverá ninguém para cantar sobre nós ou fazer estátuas. Fugir será pior, na minha opinião. – Encarando-me, falou como se não houvesse mais ninguém na sala. – Eu só não gostaria de vê-la morrer.

— Pai... – A palavra saiu no automático. Aquilo sim perfurou meu coração absurdamente.

Coisas precisavam ser ditas. Eu precisava abraçá-lo e concordar inteiramente com tudo o que ele havia dito. Aquela era a definição de herói, a maior das essências. Pena que precisei de tanto tempo e tanto aperto para finalmente entender e aceitar meu real destino. Queria estar mais pronta, mais bem treinada, mais bem convencida de que morrer lutando era o que eu preferia fazer, mas quando os túneis começaram a tremer tão fortemente a ponto de rachaduras profundíssimas começarem a se formar no teto e nas paredes, eu sabia que não havia mais tempo. Nos olhássemos todos, as cabeças confirmaram e nosso sexto sentido pareceu aflorar.

Aquilo era o fim do mundo.

A magnitude do tamanho deles, do combate, que tudo que os envolvia fez com que minhas pernas tremessem. Apocalypse, com o corpo tão perdido entre cristais gigantes e pontudos, gritava horrores em uma língua estranha. Parecia mais com uma besta errante e sem mente, o que me fez pensar em como aquela coisa conseguiu arquitetar e bater de frente com Darkseid, este já tão inteligente e aparentemente seguro. O tempo de todos saírem do que restava da torre Titã foi suficiente para que os raios letais que brilhavam em vermelho vivo daqueles olhos ferozes, atingindo o resto da construção que um dia fora minha segunda casa, junto com tudo o que estava abaixo dela. Uma onda gigante foi criada, e em um piscar de olhos, os que voavam tiveram de salvar os que não, o que não deu oportunidade a ninguém de avisar aos humanos ali próximos ou coisa do tipo.

Gritos. Mortes.

Os monstros não pareciam estar a fim de falar, muito menos explicar alguma coisa. As únicas palavras vociferadas para qualquer um de nós foi de Darkseid ao Superman, o qual deixou claro que “haviam escolhido a Terra para confronto final porque ambos odiavam tudo o que havia nela. Se algum deles morresse, a Terra iria junto como brinde”.

Meus raios os alcançaram junto com os discos de energia que brotavam de minhas mãos, o que pareceu fazer algum efeito de início, porém, mesmo com altura imensurável, conseguiam mover-se rápido o suficiente para deixarem todos abaixo.

Cada vez que um de nós atacava, parecia ainda mais inútil. Superman era o único que conseguia atingi-los com forte impacto, e apesar dos esforços contundentes, Apocalypse só precisava tocá-lo para acabar com todo um ataque. A proporção de cada golpe atingia partes da cidade, destruindo restos de destroços, machucando pessoas, matando pessoas.

Meu coração me deixava cada vez mais conturbada e agressiva, e eu tentava, de todas as maneiras, usar aquilo ao meu favor. Não era o suficiente.

Tanto ao ponto de ser pega por aquela gigantesca mão pontuda, cortando-me de todas as maneiras possíveis. Por um momento, achei que meu braço esquerdo estivesse pendurado ao meu corpo apenas por algumas partes de pele e músculo. Do nada, senti que meus poderes iam se esvaindo, enquanto mais e mais cristais cresciam ao redor daquela figura demoníaca.

A dor não tinha como ser descrita, eu não conseguia abrir a boca para gritar. Eu queria tanto que alguém me ajudasse, eu queria tanto duvidar dos novos conceitos que tinha apegado para mim. Talvez não estivesse nem um pouco a fim de morrer, realmente. Não valeria a pena, tudo estaria perdido...

Era tarde demais.

Meu pescoço estava imobilizado. Meu pai, meus amigos, Damian... Todos gritavam para mim, todos tentavam de algum jeito, mesmo sabendo que poderia ser o fim deles também, me salvar.

Como seria seguir em frente a nova etapa do meu relacionamento com meu pai?

O que teria Ibn para me dizer? O que seríamos?

Os Jovens Titãs evoluiriam? Salvariam o mundo algum dia?

Eu... Seria lembrada? Seria finalmente aquilo que eu tanto queria?

Incrível como, mesmo alguns segundos antes de morrer, é possível pensar em tantas coisas. Não diria que minha vida inteira passou diante dos melhores, mas boa parte dela, a parte a qual me fez sentir verdadeiramente viva, a qual me fez aprender, progredir...

Um raio tão branco quanto o sol rompeu o céu, o espaço, o tempo.

Um sopro, um piscar de olhos. Vermelho, amarelo e branco.

Um filete de sangue descia por meu braço, o que me fez despertar do quê, não sabia. Levantei voo logo em seguida, percebendo que mais um drone aéreo de aspecto humanóide vinha com tudo para cima de mim. Muitos deles, por todos os lugares. Uns até chegavam a soltar raios!

Não demorei muito para acabar com todos eles. Meus movimentos foram automáticos, decorados, como se eu já tivesse feito aquilo antes. Não contei quantos vieram ao chão. Foi tão empolgante e familiar que distraiu minha mente da dor, e ao fim de tudo, quando o último equipamento veio ao chão, o lugar ao meu redor tremulou e sumiu, fazendo tudo ficar branco.

Uma porta se abriu ao fundo. A capa ondulava na corrida. Seus braços seguraram meus ombros e meu braço, em seguida. Tirou rapidamente a máscara que ocultava o rosto cansado e velho, de novidade, preocupado. O morcego não mais oculto nas trevas.

— A mente distraída mata o corpo. – Falou seriamente. – Podia ter se machucado mais feio. — Machucar-se é inadmissível, por menor que seja a dor.

Era tudo tão estranho, tão intangível e ao mesmo tempo, tão real! Lá estava eu, na sala de treinamento na qual eu me esforçava todos os dias com meus poderes desde que decidira tomar a carreira de herói. Tio Victor apareceu logo depois, com um sorriso de ponta a ponta no rosto. Sua aparição deu ainda mais brilho ao lugar, e por algum motivo, soltei-me rapidamente dos braços e meu pai e fui em sua direção, abraçando-o fortemente. Senti lágrimas escorrerem pelos meus olhos, e totalmente atônito, veio o querido Cyborg corresponder meu ato depois de algum tempo.

— Está tudo bem, Mar’i? – Perguntou, encarando-me.

— Tudo sim. – Confirmei, olhando do meu braço para ele. Involuntariamente eu havia feito tudo aquilo. Meu corpo respondia-me desobediente.

— Seu tempo melhorou, pelo menos. – Meu pai voltou à conversa, aproximando-se de nós. Recolocando a máscara, seu sorriso sem dentes foi uma quebra total do que eu achava que estava acostumada. – Estou orgulhoso.

— Obrigada, pai. – Agradeci, desvacilando dos dois. – Preciso ir cuidar desse ferimento. – Disse, afastando-me. Não sabia realmente para onde ia, mas após perceber que não adiantava ordenar nada ao meu corpo, me deixei levar.

Só depois de um tempo percebi que meu uniforme parecia novo, brilhante. O capacete em minha cabeça, as mangas largas, o maiô aparentemente forte e resistente... Eu o havia ganhado há pouco tempo?

A enfermaria da mansão Wayne era grande o suficiente para um batalhão. Não era de se esperar menos de Bruce, muito menos se contar que aquilo poderia servir não só para sua Batfamília, como também para seus aliados. Tios Tim, Jason, a própria minha ilustre madrasta Bárbara...

Damian. Lá estava ele, também cuidando sozinho, para o desagrado das enfermeiras, de um corte aparentemente profundo na altura das costelas. Costurava sozinho a própria carne, mordendo fortemente um lenço. O sangue escorria copiosamente.

Nossos olhares se encontraram.

Por algum motivo estúpido, nós coramos.

Peguei o que era necessário para cuidar de meu ferimento e saí dali, sem dizer nada.

Tentava ignorar de todos os jeitos, possíveis e impossíveis, aquela sensação estranha de dejavú, o desconforto de estar em um lugar no qual aparentemente eu não deveria estar. Meus pensamentos sumiram quando batidas leves foram ouvidas de fora do meu quarto. Assoviei. Meu pai e eu sabíamos o que aquilo significava.

Justo ele que estava batendo, entrando no quarto sem seu uniforme.

— Não vai ao serviço hoje? – Perguntei, finalmente limpando os restos de sangue.

— A patrulha de Gotham ficou com Damian hoje. – Suas palavras pareceram sair de maneira grosseira, mas ignorei. Tirando minhas mãos do curativo, ele se pôs a fazê-lo. – Estou te sentindo muito distraída hoje.

— Eu também estou, acredite. – Admiti. – Parece que já fiz isso tudo uma vez, e estou repetindo... Não sei explicar.

— Bem, espero que isso não interfira no que virá em seguida. Tenho uma surpresa para você. – Seu sorriso aumentou. Era raro vê-lo daquele jeito. Assim que concluiu o curativo, tirou de dentro do bolso um disco de holograma e uma espécie de esfera.

— Barry passou aqui mais cedo e te deixou isso. – Entregou-me o tal artefato redondo. Ele brilhava em um verde escuro vívido, igualzinho às esferas que eu tinha em meu uniforme, mas aquela parecia ser... Especial? – E eu tenho isso para você. – Entregou o disco, piscando para mim e saindo logo em seguida.

Mais uma vez, senti a sensação estranha. A esfera estava quente e brilhava mais intensa quando tocada por mim. Por que o Flash em pessoa havia dado aquilo para mim? Não soltando a esfera, apertei no botão que ativava o holograma. Superman aparecia imponente.

— Olá. Se você está sob a posse deste holograma, saiba que isso não é à toa. O mundo anda cada vez mais perigoso para a população, e nós, da Liga da Justiça, mesmo com toda nossa força, não estamos conseguindo dar conta de locais isolados. Precisamos de uma equipe tão forte e inteligente quanto a nossa, disposta a levar justamente a paz para a humanidade. Mar’i Grayson, você está sendo requisitada para a iniciativa Jovens Titãs...

Meu coração palpitou. Isso só podia ser um sonho.

Kal-El, o tão famoso e admirado Superman, havia usado meu pai, o mais novo Batman, para me convocar à uma equipe de heróis de alto renome. Os Jovens Titãs foram a ponte que levaram não só meu pai, como também tio Victor, tia Donna, e claro, meu pai, para o tão sonhado lugar na Liga da Justiça.

Dick Grayson sempre exigiu muito de mim, mas nunca me disse que "os grandes" estavam de olho da diminuta aqui. Não sabia se gritava, se explodia meu quarto. A sensação era maravilhosa!

Algo me fez olhar para a esfera, algo brilhante. Deixei o disco de lado e me dispus a ela, segurando-a firmemente, analisando cada canto e respingo de luz, emitido. Do nada:

Um raio, um suspiro.

Notas finais
Eu espero de verdade que todos vocês tenham gostado da fanfic. Foi bem mais trabalhosa que a primeira, mas o feedback incrível, somado a uma personagem pouco notada, mas de grande importância (uma das minhas favoritas do universo DC) me fizeram continuar e me apaixonar ainda mais pelo mundo das fanfics. Aguardem novidades!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!