Mais dois anos se passaram sofrendo, aprendi a me desligar da dor por pior que seja, ficaram bastante irritados com isso e caprichavam na crueldade, talvez pra ver se eu iria cantarolar que nem um passarinho onde estava a grana. Aprendi a força a ser impiedoso, aproveitava uma brecha para matar e emparedar aqueles que queriam me matar dentro da prisão. Transformaram- ME num monstro, uma fera. Eu nunca fui um assassino, nem me imaginava virar um, mas as circunstâncias acabaram me tornando em um assassino. O que eu fazia antes de ser preso, você deve estar se perguntando: Eu e o meu parceiro éramos Atiradores de Elite e também fui perito em explosivos. Duplamente perigoso. Para matar os meus perseguidores dentro da prisão, eu usava qualquer coisa que eu pudesse transformar em arma. Adquiri um certo respeito pelos outros presos que me deixaram em paz, por que eu era temido pela maioria dos presos. Apelidaram-me de FRANKEINSTEIN ou apenas FRANK para os mais chegados que eram raros. Os quatro anos que antecederam minha “soltura” disseram que eu iria sair em condicional na qual era muito raro acontecer, não soube que foi e nem quero saber, de certa forma eu já desconfiava. O Cicatriz veio até a minha cela (desde que eu obtive a minha reputação ninguém teve coragem de dividir a cela comigo, temendo que comeria formiga pelo nariz) e falou que eu iria ficar livre em quatro anos e que eu poderia pegar as minhas coisas e ir embora. Nos quatro anos restantes continuei a tirar do meu caminho qualquer ameaça a minha vida dentro da prisão. Antes de eu sair daquele inferno, fui escoltado até estava as minhas coisas que eu trazia quando cheguei aqui. Durante esse período dos quatro anos que me restava planejei com detalhes o que eu iria fazer pra me vingar das pessoas que eu amo, tanto dentro do presídio e fora, quando eu obtiver a minha liberdade. O Cicatriz e o Zangado não participaram do meu infortúnio, então não vou fazer nada contra eles. Pedi ao Cicatriz através de gestos que eu queria retaliação daqueles que me fizeram mal (eu ainda estava sob o voto de silêncio absoluto) e ele concordou com um balançar de cabeça. Muitos não acordaram no dia seguinte e eu caprichei na crueldade foi com o chefe dos guardas, o um Turco-de-cor-de-merda-ressequida-no-buraco-negro-do-cu, ele gritava que nem uma mulherzinha quando usei um maçarico nele (fornecido pelo Cicatriz) e deixei o CUZÃO pendurado de cabeça para baixo pingando a merda quando ele borrou as calças fétidas, me disseram que escutaram os gritos de desespero do merdinha quando eu o torturava sem nenhuma pressa. De alguma forma senti prazer tanto quanto ele sentia quando me torturava e os outros coitados. Eu tinha certeza absoluta que ninguém iria sentir a minha falta desse desgraçado de bosta.

No dia seguinte bem cedo, acho que era umas 6hras da manhã, já tinha empacotado as minhas pouquíssimos pertences, sai daquele inferno em terra pelo portão da frente, um taxi já estava a minha espera pra me levar pro aeroporto (sabendo que ninguém iria me esperar pelo lado de fora quando eu saísse), onde a minha passagem e passaporte já estavam comprados pra voltar pra “casa”. Eu me pergunto: “QUE CASA”?. Eu não tenho ninguém ou pra aonde voltar. Conheço muito bem os meus inimigos. Ao chegar na América (Civilização), já sabia o que fazer pra começar a minha vingança. Aquele que um dia os conspiradores conheceram morreu na Prisão de Guantánamo.

Primeiro lugar eu teria que ter algum lugar pra morar temporariamente até achar um lugar definitivo, eu não queria voltar a morar nas ruas como na minha infância. Começaria numa pensão, eu ainda tinha algum dinheiro pra me virar, depois forjaria a minha própria morte, pois no sentido literal eu teria que desaparecer completamente para conseguir os meus objetivos onde trocaria de identidade com novos documentos, também conseguir armamentos. No momento é somente isso que eu preciso, além de um emprego pra me manter ocupado e ter grana.

Ao me olhar no retrovisor de um carro estacionado, após sair do avião e aeroporto aqui na América, meu visual não está nem um pouco agradável, me vejo como se eu fosse um mendigo. O dinheiro que o pessoal da Prisão me deu e que o meu colega de cela deixou pra mim entre as suas coisas, já ajuda e vou cortar o cabelo e tirar a barba e bigode que pareço um naufrago, pelo menos escondeu as minhas cicatrizes do meu rosto. Como vou mudar de identidade, tenho que tomar medidas radicais. Foi o que eu fiz após cortar os cabelos, barba e bigode (raspei tudo e deixei no zerinho), depois fui ao tatuador pra fazer as tatuagens que eu fiz quando eu tava preso (muito tempo livre, saca?).

— Tem certeza que quer fazer isso direto e não prefere fazer em partes? * perguntou o tatuador Miko*

— Pode mandar ver, eu já suportei dores muito piores que essas, então pode fazer sem receio.

— Certo, é você quem vai sentir dor.

Quase não senti nada quando o tatuador começou a fazer as tatuagens no meu corpo. Depois de várias horas em cima da maca eu já estava praticamente tirando um cochilo bem gostoso, quando o tatuador Miko falou:

— Terminei. Dá uma olhada se gostou?

— Tá ótimo! * Respondi friamente, olhando as tatuagens nas panturrilhas e em outras partes do meu corpo*

O tatuador me passou um creme pra passar nas tatuagens pra cicatrização, paguei pelo serviço em dinheiro, não queria que me rastreassem. Sai do tatuador com uma leve dor nas panturrilhas, mas tomei um remédio pra dor. Caminhei meio mancando até encontrar uma pensão baratinha já mobiliada, onde já me instalei, tomei um bom banho quente que era uma raridade dentro da prisão, onde tomávamos banho com água gelada mesmo no inverno. Um luxo pra bem poucos de nós lá dentro. Troquei de roupa, tava tão ocupado com outras coisas que me esqueci de comer, a Dona da pensão de ter ficado com pena de mim, me vendo muito magro e me chamou pra jantar com ela e os outros pensionistas, devorei a comida como se eu não tivesse comido a meses. Nem preservei o cabelo com corte militar, agora tô carequinha.