Code Breaker
2 A reunião
Rose leva Patrick até o escritório de Graff, após ela bater na porta uma voz é ouvida.
“Podem entrar.”
Rose abre a porta e espera até que Patrick entre, fechando-a logo em seguida. Junto ao Coronel estava um homem que portava um jaleco branco com um nome gravado nele: Dr. Isaac.
“Dormiu bem Patrick?”, pergunta Graff.
“Sim, obrigado senhor.”
“Ótimo… Rose vigie a porta, não queremos interrupções.”
Rose se retira em silêncio e o Coronel e o outro homem, a quem Patrick julga ser um cientista olham para ele em silêncio. Ele começa a ficar nervoso, suas mãos ficam geladas e suadas e ele começa a mexer a sua perna num movimento vertical.
Coronel Graff quebra o silêncio.
“Você sabe por que está aqui?”
“Rose disse que eu tinha uma importante missão.”
“Muito bem, o seu treinamento começará amanhã.”
“Mas por qu-”
Graff o corta.
“Dispensado. Tenente Rose.”
Rose adentra o escritório.
“A senhorita pode levá-lo de volta ao seu quarto.”
Patrick se enfurece.
“Eu não vou a lugar nenhum antes que me diga o que está acontecendo!”
“Quem você acha que é para falar comigo desse jeito rapazinho?”
“Eu não ligo se você é o Coronel ou o faxineiro, eu fui arrastado para cá e eu exijo saber por que eu estou aqui.”
Graff não parece se importar com o tom autoritário de Patrick.
“Tudo o que você precisa saber já foi dito, se você não quiser cooperar teremos que utilizar força bruta.”
“Ah quer saber, dane-se, eu já estou no futuro, não tenho nada a perder.”
“Eu não diria isso…”
Patrick levanta uma sobrancelha.
“Nós podemos te levar de volta, para a sua vida, família e amigos, mas só se você cooperar conosco.”
Patrick olha para Graff e só então a ficha cai, ele largou tudo, sua família, seus amigos, seu mundo, agora ele está sozinho e não tem como voltar, a saudade com que ele sinta vontade de chorar, contudo ele resiste a vontade para não passar vergonha na frente daquelas pessoas, todavia uma lágrima escapa e rola em sua bochecha caindo então em sua calça.
Rose ao olhar a cena parece estar ligeiramente abalada ao ver esta cena, ela sente algo que ela nunca sentiu antes, ela sentiu pena, algo dentro dela diz para abraçar Patrick e dizer que vai tudo ficar bem, porém ela coloca esse pensamento de lado, como uma boa tenente ela não poderia se dar ao luxo de ter emoções, ela precisava ser sólida, todavia algo em seu frio coração estava começando a esquentar.
Patrick não diz uma palavra, apenas se levanta e se retira do escritório, Rose o acompanha e fecha a porta assim que ambos saem do escritório, o cientista apenas observa a cena.
“Você acha que é certo fazer isso, esconder a verdade dele e chantageá-lo?”
“Quanto menos ele souber melhor será, eu não confio nele ainda para lhe revelar o que está acontecendo.”
“Mas o computador escolheu ele, então eu acho que devemos confiar nele, além do mais o garoto não parece ser má gente.”
“Um rostinho bonito não me convence doutor, quando ele ganhar minha confiança, eu explicarei tudo a ele.”
“Mas e se ele não quiser cooperar?”
“Ele irá.”
“Como tem tanta certeza?”
“Porque agora ele percebeu que deixou tudo para trás e ele quer voltar, a única maneira dele voltar é cooperando conosco.”
“Mas a lei não nos permite manter um viajante do tempo contra a sua vontade.”
“Mas ele não sabe disso.”
“Nós podemos ir para cadeia por causa disso, você sabe né?”
“Não se ninguém ficar sabendo, além do mais, é para um bem maior, não é doutor?”
O cientista suspira contrariado.
“Faça o que achar melhor, só não cause nenhum dano ao rapaz.”
O cientista começa a se retirar. Graff acende um charuto, dando uma tragada.
“Não faço promessas Isaac.”
O cientista para e vira para o Coronel com desgosto em seu olhar, depois se vira e sai da sala, Graff olha para a paisagem em sua janela enquanto fuma o seu charuto.
A caminhada de volta ao quarto de Patrick foi silenciosa, ambos Patrick and Rose estavam perdidos em pensamentos conflitantes. Patrick percebeu que havia deixado tudo para trás, isso juntamente com o fato de que o coronel Graff não lhe dera nenhuma informação sobre o porquê dele estar neste lugar ou de qual seria sua missão causou-lhe uma mistura de tristeza e raiva. Ele não queria cooperar com Graff porque ele tirou de Patrick a chance de voltar, mas ao mesmo tempo se ele não cooperasse ele não teria mais chance de voltar. Por que ele aceitou entrar naquela cápsula? Essa foi a pior decisão que ele tomou, dizia Patrick a si próprio.
Rose também estava perdida em seus conflitos internos, ela não gostava de Patrick, ela sabia que o computador o escolhera e que ele tomaria o seu lugar, todavia algo mudou dentro dela após presenciar aquela cena no escritório do coronel, imagens daquela singela lágrima rolando pelo rosto de Patrick tomaram sua mente enquanto algo dentro dela falava que Patrick não era um inimigo, porém ela não iria aceitar isso, não, ela iria fazer esse que ousava tomar o seu lugar, que ela conquistou com tanto esforço, implorar por misericórdia, ela iria fazer Patrick desistir da sua missão, ela deveria ser a escolhida, não ele, ela estava preparada para isso enquanto ele era só um garoto qualquer.
Ambos chegam ao quarto de Patrick, ele coloca a mão em um painel na parede fazendo a porta se abrir, ele começa a entrar em seu quarto quando Rose o chama.
“Patrick...”, sua voz é suave.
Ele se volta para ela.
“Sim?”, seu tom de voz indica angústia.
Algo dentro de sua mente diz para Rose ser gentil, porém a ideia de ser gentil com aquele que é seu rival enfurece Rose, então ela fala em um tom áspero.
“Seu treinamento começa amanhã às 7:00, não se atrase, atrasos resultarão em punição.”
Então ela se retira deixando Patrick a se perguntar o que ele teria feito a ela para que ela o tratasse de maneira tão áspera, ele entra em seu quarto e nota uma bandeja com comida em sua mesa, nela havia arroz, purê de batata e um bife médio, ele se pergunta se aquela bandeja já estava ali há muito tempo, então ele pega o garfo e prova um pouco do purê, ainda está quente, então ele liga o computador e, enquanto ele carrega, Patrick come pensando no que aconteceu e no que está por vir.
Após a refeição ele decide jogar alguma coisa, ele percebe que alguns dos jogos ali instalados são de sua época, então ele escolhe um que é sobre corridas ilegais de carros, ele permanece jogando por algumas horas, então ele desliga o computador, toma um banho e coloca um pijama.
Ele apaga as luzes e deita em sua cama, ele pensa mais uma vez sobre o seu dia e antes de cair no sono ele toma uma decisão, uma frase referente a isso ecoa em sua mente: “Eu vou sair dessa, eu vou voltar para casa, eles vão ver, eu vou achar um jeito”, ele se sente mais determinado do que nunca a voltar para casa, “Eu vou fazer o que for necessário, mas eu vou voltar”, então após essa carga de determinação fluir pelo seu corpo, ele decide dormir.
Ele fecha os olhos, mas ele se sente agoniado, alguma coisa está errada, então ele percebe, está tudo muito silencioso, ele liga o ventilador de teto e com o barulho que isso faz Patrick conseguiu dormir.
Durante a madrugada, a porta de seu quarto abre. Uma figura feminina entra para ao lado de sua cama observando-o enquanto ele dorme.
Então a figura começa a falar sussurrando num tom áspero e com desprezo.
“Você não vai conseguir, eu sou a melhor aqui, e você, você não é ninguém. Você é um verme, eu te odeio…”
Depois dessa última frase, Rose sentiu como se algo perfurasse seu coração, ela não sabia de onde aquele ódio vinha, porém uma parte dela não o odiava, algo dentro dela a impulsiona a pedir desculpas a ele e dizer que ela não queria ter dito aquilo, porém a raiva era mais forte, todo esse conflito irrita-a e ela apenas volta ao seu quarto tentando esquecer tudo isso. Como alguém que ela nem conhece poderia fazer ela ficar tão confusa? Ela decide deixar esses pensamentos de lado e dormir, além do mais, ela precisaria estar descansada quando fizesse Patrick implorar para voltar de onde veio, o que ela não sabia é que ele já estava implorando.
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