Coda
9 Partida
Notas iniciais

Josh estava apontando a arma para o peito de Jimmy, ele estava determinado a atirar, mas antes, decide falar algumas palavras. Ele não quer apenas matar, sua vontade é de tortura-lo, mas não tem possibilidade disso naquele momento. A chuva cai sobre os dois homens parados ao lado do carro.
— Quer dizer alguma coisa antes do seu fim? — o menino sorri maleficamente. Era sua vingança de tudo o que sentiu pelo assassinato de Carol.
— Você não vai me matar — ele olha ao lado do garoto.
Josh vira sua cabeça para olhar o que Jimmy viu. Um mordedor saiu dentre as árvores e agarra os ombros do menino. Um tiro é disparado acidentalmente — ou nem tanto — e acerta as costelas direitas do homem de mãos ao alto. O errante morde um pedaço do pescoço de Josh, perfurando sua aorta, e jorrando muito sangue.
— MERDA! NÃO! AAAH! — a arma cai de sua mão. Ele tenta empurrar a cabeça do errante mas perde as forças e desaba no chão. Josh não estava em um bom estado de nutrição, e perder muito sangue foi como perder toda sua força e energia que restavam.
Jimmy cai deitado de costas para a terra fria. Ele tenta fazer preção no buraco da bala, mas não consegue manter o local pressionado. Ele não consegue respirar, entra em pânico como a maioria das pessoas que sabem que vão morrer. No posto de gasolina a aproximadamente duzentos metros, o disparo da arma foi ouvido por Milla e Tyler.
— Milla, você ouviu isso? — Tyler levanta a mão em um sinal de atenção.
— Parecia um... tiro.
— Eu vou ver o que aconteceu, fique aqui — ele abre a porta e sai correndo para onde os dois homens foram.
Milla pensa se fica no posto ou se vai com Tyler. Ela olha para a porta com as mesmas expressões de aflição, e corre atrás do irmão. Tyler vê o carro batido e corre o mais rápido que consegue de encontro a ele. O corpo de Josh estava sendo devorado por um errante podre e velho que vestia um macacão de fazendeiro.
— O que aconteceu? — Milla para ao lado de Tyler, ela vê os dois corpos jogados e começa a chorar — Meu Deus! O que aconteceu aqui?!
Tyler puxa uma faca de suas calças e enfia na cabeça do mordedor e sua irmã se ajoelha ao lado de Jimmy, que está com os olhos quase fechados.
— Jimmy. Jimmy, Jimmy, Jimmy. Me escuta, você vai sair daqui e ainda vai matar muitos monstros, ok? Vai dar tudo certo, a gente vai sair disso! A gente vai sair! — ela chora e pressiona o ferimento do rapaz.
— Não Milla.... Não vai, vocês vão sair, eu não — ele tosse sangue, o tiro acertou um de seus pulmões.
Tyler observa a cena de longe. Ele conhecia o homem e falava com ele, mas sempre soube que Milla era a pessoa que Jimmy realmente se importava.
— Você não pode me deixar sozinha... não pode me deixar sozinha com ele.... Não vou voltar a viver daquele jeito!
— Do que você está falando? — sua voz está baixa e chiada e a garota quase não consegue entender o que ele diz.
— Nada Jimmy.... Você foi uma ótima pessoa para mim e meu irmão, quero que saiba disso. Sem você não estaríamos vivos — Milla afasta os pensamentos que a desesperam.
— Vocês que me ajudaram, sozinho eu não teria sobrevivido tanto — ele solta um tipo muito estranho de risada e uma última expiração sai por sua boca.
Milla chora com a cabeça baixa e os olhos fechados sendo molhada pela chuva forte, ela não quer se levantar, quer morrer ali e não ter mais que sofrer.
— Milla, eu sinto muito, muito mesmo, mas nós temos que ir — Tyler anda até a irmã e estende sua mão para ajudá-la. Ela olha para a mão, mas não a pega. Se levanta sozinha e não olha para Tyler.
— Qual é? Acha que foi minha culpa? Eu estava no posto cuidando de você!
— Você sabe muito bem o que fez e porque estou assim — ela caminha com a cabeça fixa para frente, sem olhar para os lados.
— Tudo bem, você pode ficar brava se quiser! Mas sabe que não vai conseguir sobreviver sozinha — ele fala enquanto guarda a arma que pegou de Jimmy.
Eles passam o resto da tarde dentro do posto, procurando algo útil e esperando a chuva acabar para pegar o carro e ir em direção a alguma fazenda, ou cidade pequena. Milla não olhou para Tyler o tempo todo, ela ficava chorando quase silenciosamente e olhando suas coisas, se lembrando do passado e de seu irmão mais novo. Tyler olhava para ela a cada minuto para ver se ela olhava de volta. Ele também estava triste com a morte do parceiro, mas não podia ficar se lamentando, isso não adiantaria em nada.
Anoitece e a chuva não cessa. Milla continua sentada. Tyler se aproxima dela por trás.
— Eu posso te fazer se sentir melhor... — ele passa a mão lentamente do topo de seu braço direito até a base.
— NÃO! Eu já te disse que você não pode fazer isso comigo de novo! — ela corre para o outro lado da conveniência.
Tyler a segue e segura seus braços, ele deita Milla e se deita em cima dela, ela se debate e grita. Ele a imobiliza com um braço e desabotoa suas calças com o outro. Milla consegue acertar a virilha dele com o joelho e escapar. Ela corre, abre a porta e foge na escuridão da estrada vazia.
— Volta aqui! — Ele se levanta, pega uma arma e corre atrás de Milla. Na estrada, vê apenas a silhueta da garota correndo.
— Você não pode fugir, vai morrer sozinha! — ele grita para a irmã.
Milla corre como se aquilo fosse a última coisa que pudesse fazer. Ela olha para trás, Tyler está cada vez mais perto, suas pernas são mais compridas do que as dela. Ela entra no campo de árvores ao lado da estrada e se esconde atrás de uma delas.
— Eu não quero te machucar! — ele entra logo atrás e olha para todas as direções, na tentativa de achá-la.
Milla está respirado muito rápido e alto, ela tenta se acalmar e não fazer barulho e percebe um errante caminhando em sua direção à algumas árvores à frente.
— Achei você! — Tyler a agarra com uma mão no pescoço e a outra tapando sua boca.
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