Coda

4 O que restou


Notas iniciais
O grupo tenta fugir do ataque dos mortos vivos, eles precisam sair de Atlanta, porém nem tudo acaba bem. Boa leitura!

Atlanta estava coberta por nuvens, a cidade nunca foi tão morta. Prédios, ruas, tudo era cinza. Na Rua Marietta, um bando de errantes estava enfurecido e faminto, caminhando em direção a um prédio de escritórios onde havia um grupo de sobreviventes assustados. O grupo de Jimmy e Mallory já perceberam os mortos vivos se aproximando do lado de fora do prédio, que estavam muito próximos.

As pessoas entraram em desespero, a maioria correu procurando uma saída de emergência, Jimmy veio até Mallory. A garota estava tentando quebrar uma janela a chutes, era quase inútil para o tamanho dela, mas ela continuava chutando como se fosse conseguir.

— Vai ficar aí parado? — ela olhou para Jimmy, esperando que ele ajude.

Ele pediu para que Mallory se afastasse da janela, sacou sua arma e atirou no vidro, quebrando-o. O barulho do tiro assustou a todos. As janelas estavam do lado esquerdo do prédio, aos olhos de Jimmy esse lado parecia mais seguro que os outros, apenas dois mortos vivos caminhavam nele, então ele e Mallory saíram de lá, cada um com uma mochila.

Um mordedor se aproximou de Jimmy estalando a boca, como se pudesse mordê-lo antes de alcança-lo, porém foi golpeado bruscamente no olho com um pedaço de caco de vidro. No golpe Jimmy cortou a própria mão ao apertar e empurrar o pedaço de vidro contra o olho do errante, mas na tensão do momento ele nem sentiu.

Mallory correu para dentro do prédio deixando Jimmy confuso, ele colocou a cabeça do lado de dentro da janela e viu que ela estava chamando as pessoas para sair por lá, quando a horda de corpos reanimados invadiu o lugar, estourando as entradas de vidro.

— A gente tem que sair daqui! — Mallory gritou para Carol que ainda estava arrumando suas coisas — Se a gente não sair agora vamos morrer! Você está me ouvindo?

— Estou! Só preciso de um minuto! — A garota de cabelos castanhos deixou cair uma foto enquanto fechava o zíper da bolsa.

— Não temos um minuto, é agora ou nunca! — Mallory puxou o a menina mais nova pelo braço.

Algumas pessoas já haviam saído do prédio, mas pelo menos dez ainda estavam lá dentro, tudo estava acontecendo muito rápido, sem que pudessem impedir, parte do grupo havia se tornando alimento para os invasores pútridos, que cercavam e agarravam suas presas.

Carol deu uma olhada no lugar a sua volta enquanto corria para as janelas quebradas, e então tudo ficou em câmera lenta, ela viu pessoas gritando, carne sendo arrancada dos ossos e órgãos sendo mastigados pelos zumbis. Então ela sentiu medo, e pena, tudo o que ela queria era estar em casa com seus pais, que agora estão mortos.

Carol começou a chorar enquanto Mallory corria com ela até a saída do prédio, Jimmy estava esperando do lado de fora, Mallory pulou a janela e em seguida ajudou a outra garota a pular também, elas foram às últimas a sair.

— Tem mais alguém lá dentro? — Jimmy perguntou cansado, ele estava verificando se todos que saíram de dentro do prédio, e procurando discretamente por mordidas, ninguém iria seguir viagem infectado.

—Ninguém que ainda pode ser salvo — Mallory respondeu ofegante.

Eles olharam para a adolescente que estava chorando e sendo consolada pela família dos seus antigos vizinhos.

— Você acha que ela vai ficar bem? — Jimmy perguntou.

—Eu acho que ela vai superar.

— Você tem certeza disso?

— Ela é uma garota forte.

— Ok, Mallory, nós temos que sair dessa cidade agora!

— Eu sei.

A garota loira caminhou até Nora e o homem idoso que estava conversando com ela antes do ataque, o nome dele é Adam, ele tinha cabelos brancos cinzentos, usava uma blusa de frio azul e uma calça marrom com sapatos esportivos, Mallory não o conhecia muito bem, mas aparentemente ele e Nora estavam tendo um caso.

— Nora, Adam, precisamos sair daqui, agora!

— Precisamos, mas está escurecendo, seria arriscado demais! — O homem grisalho respondeu insatisfeito — Temos de achar um lugar para ficarmos essa noite, porque na estrada não pode ser!

Nesse momento, um grito de dor chamou a atenção de todos, um homem que estava próximo à janela de fuga foi mordido por um errante que estava do lado de dentro dela.

— Droga! Eles estão vindo! — outro homem gritou enquanto ajudava o mordido.

As pessoas do grupo estavam assustadas, o céu estava ficando escuro e uma neblina tampava a visão a longa distância. Adam tinha um mapa da cidade, com a ajuda de uma lanterna ele conseguiu localizar onde estavam e qual era o lugar mais seguro para ir, no entanto, não daria para sair da cidade a noite, então eles decidiram esperar a segurança do dia em um estacionamento ao lado do prédio que estavam.

Entre todos os prédios próximos, o estacionamento de vários andares não seria um lugar ruim, eles poderiam passar a noite em alguns carros e até mesmo procurar algum que ainda funcionasse, a ideia de que algum funcionaria não parecia muito possível já que eles estavam parados por quatro anos, mas o grupo precisava tentar.

— Adam, quantas perdas nós tivemos? — Nora perguntou ao homem mais velho, abraçando seu filho.

— Nove pessoas — ele respondeu caminhando em direção ao estacionamento.

Nora fechou os olhos e suspirou.

— Jimmy, você acha que algum daqueles carros tem gasolina? — Mallory perguntou se abraçando por conta do frio.

— Não sei, mas, se nós conseguirmos combustível podemos pegar carros em uma concessionária que eu vi não muito longe daqui.

— Seria ótimo andar de carro e descansar as pernas — ela fechou os olhos enquanto imaginava a cena.

Andando cautelosamente e sem chamar a atenção de nenhum errante, eles chegaram ao quarto andar do estacionamento, um garoto do grupo tinha habilidades para destrancar uma porta de carro, a sorte foi que nenhum deles ligou o alarme, talvez estivessem quebrados, então as pessoas dormiram dentro deles, as crianças e mulheres dormiram dentro de uma vã.

Jimmy se ofereceu para ficar de vigia, ele sabia que não iria conseguir dormir depois de tudo que aconteceu. A traição e morte de sua namorada e de seu irmão deixaram sua vida sem sentido algum, ele tinha saudade dos dias normais, de quando saia com Bob para assistir os jogos de baseball e das noites ao lado de Ana. Ele sente um aperto em seu peito.

— Está tudo bem? — Mallory parou ao lado de Jimmy.

— Não, não tem nada bem, só desgraças estão acontecendo.

Ela fez uma pausa.

— Eu... Eu preciso falar uma coisa — A garota olhou para cima enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas.

— Droga, o que aconteceu agora?

Ela levantou a blusa e mostra um arranhão em sua costela.

— Você está infectada? — Jimmy arregalou os olhos para o ferimento.

— Eu não quero morrer, Jimmy...

Mallory começa a chorar, ele a abraça apoiando a cabeça dela em seu ombro.

Notas finais
É isso. Mesmo sem feedback vou continuar escrevendo. Até a próxima!