Coda
11 Luz
Notas iniciais

Milla estremece com as com as mãos em seu rosto. Ela está desesperadamente preocupada, pois sabia que o filho era de Tyler. Isso causava um enjoo infinito dentro dela, fazendo com que seu tronco se incline subitamente para a frente e sua boca regurgite líquidos, a única coisa que restava na garota em estado inicial de desnutrição.
Ela vai até a rua. Milla tenta pensar para onde ir e o que fazer, mas só consegue pensar na gravidez, ela se abraça, com frio, e caminha para dentro da cidade, aparentemente vazia.
— Olá? Alguém? — ela abre a porta de um prédio de apartamentos pequeno, entrando na recepção.
— Fique parada aí mesmo!
— O que?! — Milla escuta a voz, mas não consegue ver ninguém. Era uma voz masculina, não muito grave, porém firme — Quem está aí? — pergunta parando de se mexer.
— Eu faço as perguntas aqui, loira — o homem dono da voz aparece, saindo do corredor escuro — Você não parece nada bem.
— E não estou.
Milla caí no chão como um prédio sendo demolido; o homem corre e a pega nos braços imediatamente.
— Ei! Não desmaie! — ele diz sorrindo. A grávida não resiste e fecha os olhos após três piscadas lentas.
De repente ela acorda, em uma cama, deitada.
— O.. O que você fez? — ela diz ao homem estranho sentado no canto do quarto, com um jornal nas mãos.
Ele se levanta e dá alguns passos se aproximando da cama com um sorriso no rosto.
— Eu te ajudei. Você está muito mal, precisa comer — agora ao lado da cama, ele desamarra Milla.
— Mas..., mas por que me amarrou se quer me ajudar? — ela recolhe as mãos desamarradas, confusa.
— Você desmaiou, eu não sabia se ia morrer ou não. Se ia virar um errante — ele sai do quarto enquanto fala — Você não vem?
Milla levanta da cama, ela está limpa, vestindo um pijama. Isso fica muito estranho em sua mente, os fatos não possuem coesão para ela, mas mesmo assim segue o homem. Ele vai até uma cozinha, onde há comida na mesa, então ele se senta e começa a comer.
— Você deveria comer alguma coisa, garota.
Milla não responde. Ela se senta olhando o homem desconfiada.
— Como conseguiu tudo isso?
— Eu tenho ajuda. Não é tão difícil quanto parece — ele sorri e bebe um pouco de café — Qual é o seu nome, querida?
— Milla — ela pega um pedaço de pão.
— Bob. O meu é Bob.
Ela continua comendo, ferozmente, sem dizer nada. A sua fome era algo que parecia ser incontrolável no momento.
— Você não come a quanto tempo? — Bob observa o modo selvagem e desesperado de Milla.
Ela faz uma pausa e olha para ele.
— Não me lembro.
— Tudo bem. Eu preciso resolver uma coisa, fique aí até eu voltar.
Ela o olha e volta a comer. Agora um pedaço de frango.
Quando está satisfeita, Milla percebe que o homem não voltou, depois de um longo tempo. A garota decide vasculhar o lugar que parecia ser um apartamento para encontrar alguma informação, ou até mesmo alguém. Ao sair da cozinha, Milla entra em um quarto, ela abre algumas gavetas, mas não vê nada incomum, apenas roupas. Caminha até as janelas e abre as cortinas, estava no mesmo prédio, ela consegue ver as ruas que passou antes de chegar ali.
— O que está fazendo aí?
— O que? — Milla se vira e vê outro homem na porta — Eu só estava...
— Não interessa, não pode sair entrando em qualquer cômodo assim — ele diz, bravo.
— Não vou fazer isso de novo — ela sai do quarto e volta à cozinha.
— É melhor não fazer mesmo — ele encara a garota com os braços cruzados.
O homem tinha um corpo grande, forte e gordo. Parecia um integrante de um grupo de motoqueiros. Milla o observa, tentando não parecer intimidada, mas por dentro ela estava muito assustada com tudo o que estava acontecendo em sua vida, principalmente a gravidez. De repente ela vomita novamente, despejando quase tudo o que comeu.
— Sua vadia porca! — o homem de braços cruzados a puxa pelos cabelos e a empurra, jogando-a no chão — Olha o que você fez? Você vai limpar isso!
Ele se vira e vai para outro cômodo. Milla fica sentada no chão, tentando não chorar até que o homem volta com um balde e uma esponja.
— Esfregue! — ele joga a esponja na garota — O que está esperando?
Nesse mesmo momento Bob ressurge na cozinha. O homem com o balde nas mãos o olha envergonhado e Bob pega a esponja do chão.
— Limpe isso você mesmo, Jack — ele diz entregando a esponja para o grandalhão, que não responde nada e começa a fazer o serviço.
— Não se preocupe com ele — Bob estende a mão para Milla — É como um cão que ladra, mas não morde.
Milla recusa a ajuda para se levantar, e não responde Bob. Ele deixa de sorrir e encara os olhos da garota.
— Venha, vou te levar a um quarto onde pode dormir — ele se vira e vai para a sala.
Ele vai para o corredor e desce ao andar de baixo, sendo seguido pela jovem grávida. Então para em frente a uma porta e a entrega uma chave.
— É esse aqui. Você pode ficar quanto tempo achar necessário, desde que contribua conosco; você sabe, a mesma história de sempre: Não seja um peso morto. Milla franze o cenho e aceita a chave, abrindo a porta. Era um belo quarto para o estado em que se encontrava o mundo. Apesar do cheiro de mofo e humidade, é o melhor lugar que ela encontra para dormir desde o primeiro ano da praga.
— Vou deixa-la sozinha, se precisar de alguma coisa eu estarei na recepção do prédio, onde te encontrei.
— Obrigada — ela diz fechando a porta.
Ela abre as gavetas dos móveis, tudo estava vazio; exceto a primeira gaveta à esquerda, de um guarda-roupas velho, onde ela encontra uma camisa branca limpa e uma blusa de frio azul. Milla olha pelas janelas e vê uma boa parte da cidade. Ela estava em um andar alto, isso causa um pouco de desconforto.
— Eu não sei que tipo de anjo esse Bob é, mas obrigada, Deus! — ela se deita na cama de casal ao seu lado e sorri fechando os olhos.
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