Cocaine
34 Voltando dos mortos
Notas iniciais
Ri com vontade enquanto assistia meu namorado – estranho falar isso – ter um ataque.
— Oh cara, relaxa! O que pode correr mal?
[…]
Sim, Harley. O que pode correr mal?
— Aids? – a voz de papai reverberou nas paredes.
Julian esfregou os olhos, parecendo cansado. – Não tenho.
— Tem como provar? – bufei, atravessando papai com meu olhar laser mortal. – Não me olhe desse jeito, Harley. Esse garoto não tem provas de nada! Ele pode muito bem ter aids, clamídia, gonorreia, sífilis… Eu sei lá!
— Pai, por favor. Só falta falar que eu posso estar grávida!
Primeiro James Adams encarou-me boquiaberto e só depois, ele avançou sobre Julian e colou um soco no nariz perfeitinho do meu namorado. Eu podia ter parado aquilo tudo claro, mas imagina o quanto é hilário o velho já ficando careca com seus 1,60 derrubando o Grant, de 1,85.
Hilário, amiga. Hilário.
Até que eu achei melhor parar de rir e segurar papai porque:
Eu não tinha um projeto de mini Harley dentro de mim.
Eu teria que continuar beijando o que sobrasse de Julian.
E acreditem que foi complicado arrancar James de cima do meu namorado. Mas pelo menos consegui acalmar papai no ponto de me deixar colocar gelo no olho de Julian Grant.
— Você tinha mesmo que abrir a boca? Eu estava conseguindo acalmar seu pai… Ah, puta merda! – resmungou Julian, quando coloquei o gelo de qualquer jeito na sua cara.
— Sim, claro! Estava sendo bastante convincente! – murmurei começando a ficar irritada, mas isso passou no momento em que vi a expressão desolada de Julian. – Você está bem?
Grant levantou seu olhar para mim, parecendo querer abafar o riso. – Sim, só estou pensando que o seu pai tem um punho estranhamente forte para alguém mais velho e baixo.
— Desculpe ele, por favor. Desde que descobriu a história completa do que aconteceu comigo e com Nolan, que fica meio grosso com todo o mundo que se aproxima de mim.
Pus os olhos no meu pai, que de momento estava sendo quase massacrado por minha madrasta (essa sim, muito grávida). Estava velho, perdendo o cabelo, chato como nunca, mas estava ali. Como nunca antes esteve desde que mamãe tinha ido.
Por alguma razão meus olhos se encheram de água e eu tive que virar o rosto para impedir que alguém visse a chorona que eu me tornara. Limpei os olhos e voltei a dar a minha atenção a Julian que se aproximara sem que eu percebesse.
— Pode me falar o porquê de estar engolindo lágrimas? Quer chorar, chore. Ria. Fique zangada. Discuta comigo. Mas não me esconda nada. Não precisa esconder.
Abanei a cabeça e pisquei os olhos meio atordoada com tudo. As mãos grandes e quentes de Julian pousaram nos meus cabelos, percorrendo uma mecha que já estava perdendo o roxo.
— Você na verdade é loira. Loira de olhos azuis. Como uma boneca.
Tirei o gelo da face do garoto e passei os dedos no hematoma que papai deixara. – Eu sou tudo menos uma boneca.
— Hum… pena, porque eu gostaria muito de brincar com você…
Os lábios de Julian, sabor a menta e cigarro, pousaram nos meus com mestria. Quentes, fervendo talvez. Eu não sei como não caí. Meus joelhos tremiam, é verdade, mas minhas mãos ganhavam vida no seu cabelo negro e cada vez mais longo. E de novo, eu sentia que meu corpo estava queimando por dentro. Afastei-me dele, só para ser presa de novo e prensada contra a geladeira. Os beijos afiados de Julian redesenharam o meu ombro até pararem na alça do meu sutiã.
E depois o silêncio e antecipação foram tomados pelo som dos seus dentes puxando a alça, fazendo-a bater na minha pele com força. Arfei, quando sem aviso, as suas mãos frias entraram por dentro da minha camiseta.
— Garoto, eu gostaria que me perdoasse. Eu não… — murmurou lentamente e distante a voz de meu pai.
De meu pai.
Distante uma porra!
Afastei-me imediatamente de Julian, bem a tempo de ver novamente o homem pequenino ficar vermelho de raiva e começar a perseguir o Grant pela cozinha.
— Eu por vezes me pergunto se você tem cocô de pássaro na cabeça… O seu pai está a metros de distância e você aqui organizando uma suruba sem nem convidar. — disse Chad, aproximando-se de mim e cobrindo o meu ombro com o seu braço. – Você está toda marcada, meu amor. Cubra-se pelo menos, ou seu namoradinho vai virar o saco de pancada do seu pai.
— Parece que vou ter que me controlar enquanto papai estiver junto da gente, não é mesmo?
Chad cruzou os braços e escorou-se na bancada. – Não só você. Eu diria que Julian deveria se controlar também, mas pelo que estou vendo ele não está nem aí.
Olhei para o meu cúmplice de crime. Papai cravara as mãos na sua jaqueta, obrigando Julian a baixar-se para o encarar cara a cara. E mesmo que James estivesse lançando uma maldição milenar sobre a sua cabeça, Julian Grant continuava sorrindo meio pervertido meio desafiante.
Meio “comi sua filha e não me arrependo” talvez.
Eventualmente James parou e afastou-se de Julian – não sem antes o tentar matar com o olhar – e veio correndo até mim. Quase gargalhei. Papai parecia um gnomo de jardim saltitante.
— Tenho novidades para você. Eu enviei um email para os responsáveis da competição pedindo uma pequena ajuda…
— … Pai!
James revirou os olhos. – Eu só sugeri que a localização fosse alterada, filha. Você não vai ser de modo algum facilitada. Como Jenkins não se opôs, eu pedi que a competição fosse transferida para cá. Você está claramente cansada e instável para viajar. Eu só quero o seu bem, querida. Me perdoa?
Acenei, vendo James sair da cozinha feliz como nunca. Eu não gostava de aceitar qualquer tipo de facilitações, mas nesse momento não me sentia com paciência para recusar. E pelo menos eu não teria que viajar horas e horas. Poderia dormir na minha própria cama ou na de Julian, depende.
Afinal por mais que papai estivesse sempre presente, a safadeza de Julian é parecida com a minha. A sua boca combina com a minha. A sua vontade é a mesma que a minha. Devo lhe perguntar, na sua cama ou na minha?
O meu olhar foi de encontro a Julian. Escorado na bancada da cozinha, ele me observava com um leve sorriso nos lábios. Eu me pergunto o que ele está pensando. O que pensa quando me olha desse jeito.
— O que você está pensando? – Julian adiantou-se, apropriando-se de uma das minhas mãos. Avermelhei, pois como sempre estava pensando merda. E ainda por cima na presença de Chad.
Mas magicamente Chad evaporara. De novo, eu e Julian estávamos sozinhos.
— Eu não estou pensando em nada, Grant. – murmurei, prendendo os cabelos e desviando-me do garoto que parecia querer avançar para cima de mim de novo. – Eu preciso ir agora. Não posso ficar enfiada nesse apartamento para sempre, então nos vemos depois sim?
— Ah claro, você provoca e agora foge. – reclamou, sentando-se numa das cadeiras. Eu admito que o seu biquinho amuado era ainda mais engraçado que o meu pai fazendo cover de gnomo feliz. – Vai lá se encontrar com o seu Stuart, vai.
Ciumento.
Aproximei-me de Julian e cravei meus lábios nos seus, desfazendo todo aquele resmungo de antes. Julian suspirou e afastou-me delicadamente. – Vá antes que eu te jogue na parede e tire sua roupa.
Ri e saí da cozinha, despedindo-me de Chad, Lauren e papai que ainda conversavam na sala. Desci as escadas cuidadosamente, pois com a minha sorte ainda acabaria caindo, quebrando o pescoço e morrendo.
Cumprimentei o porteiro e corri até encontrar a paragem do ônibus mais próxima. Apesar da faculdade ser perto, eu não estava querendo andar e com a minha sorte, acabar caindo, quebrando o pescoço e… pois, a mesma história de sempre.
Assim que cheguei na universidade, tentei descer esses míseros dois degraus do ônibus e acabei caindo. Só não quebrei o pescoço porque o corpinho pequeno de uma garota acabou amparando a queda. Bom, pelo menos o ônibus estava praticamente vazio e ninguém viu a minha pessoa assassinando a garota na calçada.
Levantei-me rapidamente quando percebi que provavelmente o meu peso de ogra a estava sufocando. – Peço imensa desculpa! Eu não queria cair em cima de você… você está bem?
Ajudei a garotinha a levantar e quase morri quando vi o seu rosto delicado todo machucado. Parabéns Harley, você conseguiu desfigurar a cara de uma menina e ainda só passaram 10 minutos desde que decidiu sair de casa.
Obrigada, essa sou eu mesma.
Acho que eu e Stuart temos que treinar o controlo desses impulsos homicidas.
Os olhinhos âmbar e grandes da garota encheram-se de lágrimas e eu quase cravei uma estaca no meu coração (e aparentemente tendências suicidas) porque… eu fiz uma garotinha dessas chorar. Oh meu Hades, eu sou um monstro.
Bom, claro, eu já fiz muita gente chorar. Mas não tinham esse rostinho de criança abandonada!
— Oh Hades, sério, me desculpa! Eu sou a pior pessoa desse mundo… — murmurei, estalando a palma da minha mão na testa.
— Não se preocupe, eu estou bem. – a garota de nome desconhecido, baixou-se para limpar a sujeira do seu vestido. – Eu estou meio perdida e preciso encontrar uma pessoa e não estou conseguindo… acho que lembrar isso, foi o que realmente me fez chorar, não a queda.
Mordi o lábio com força. Stuart poderia esperar, certo?
— Eu poderia te ajudar… quem você está procurando? Talvez eu conheça.
A garota passeou seus olhos por toda a minha pessoa e com isso, quase senti a minha alma nua debaixo do seu olhar atento.
— Não me parece. – disse, torcendo o nariz como se reprovasse o que via. Ok, vou fingir que isso não me incomodou. – De qualquer modo, eu não conheço a universidade e meio que estou perdendo tempo aqui. Acho que pelo menos vou aceitar sua… companhia.
E novamente a garota torceu o nariz, me encarando como se não conseguisse encontrar uma opção melhor.
Revirei os olhos. Estava quase desistindo dessa garotinha bipolar quando, os seus olhos de caramelo líquido me derreteram, novamente ficando marejados por lágrimas.
— Talvez você precise de uma bebida quente? – sugeri, meio entorpecida por seus olhos. É isso, minha gente? Eu estou descobrindo que também sou lésbica?
— Desde que seja num lugar limpo e cheio de pessoas.
Ok, doeu. De novo.
O que ela pensava? Que eu a ia levar para beber água do esgoto e depois iria raptá-la e deixá-la lá vivendo com as ratazanas?
Tudo na minha cabeça gritava para que eu saísse correndo dessa garota desdenhosa, mas desde quando eu obedeço? Afinal eu sou uma pessoa boazinha.
Ah, boazinha!
Hades me perdoe se a cabeça dela acabar rebolando pelos gramados do campus.
Mesmo com todas as células do meu corpo querendo que eu fosse embora, guiei a garota pela universidade mostrando-lhe todos os lugares que os nossos olhos alcançavam. – Qual o seu nome? Eu sou a Harley. Harley Adams. Eu estudo Física, mas devido a alguns problemas nesse momento o nosso prédio está meio… erm… sujo? Então acho melhor não te mostrar ele.
— Não me importa. Eu nesse momento só quero sentar. – resmungou, caminhando na minha frente como uma criança birrenta.
Calma Harley, você está só ajudando uma pobre garota perdida. Perdida e doente mental do caralho!
— Você tem um nome muito lindo! Ah sério, obrigada! Que bom te conhecer, foi um prazer enorme amiga! – sussurrei falando sozinha e deixando-a caminhar para o sentido errado durante alguns segundos. Mas logo me senti mal. Afinal a culpa era minha. Eu que era a besta ogra que caiu em cima dessa pobre coitada. Talvez fui eu que provoquei essa doença quando caí e quase a assassinei na calçada! – Ah, a cafetaria é por aqui.
A garota parou, me encarou com desdém e passou por mim, disparando raios com os seus olhos. Ok, muita calma mesmo Harley Adams.
A prisão não compensa.
Finalmente chegámos na cafetaria que para o meu desgosto estava quase vazia. Deixei a garota escolher uma mesa e nos sentámos. O empregado logo veio atender nossos pedidos. Bom, o pedido dela. Porque nem falar ela me deixou e acabou pedindo mais de metade das coisas que havia no menu.
Eu não estou com fome mesmo, falou meu estômago roncante.
Acho que foi nesse momento que eu finalmente acordei e decidi dar um basta para essa garotinha maluca. Levantei e despedi-me, tentando inventar uma desculpa qualquer. Não deu muito certo, admito.
— Oh, eu entendo. Não precisa inventar desculpas… você cansou de mim como todo o mundo cansa. – sussurrou, deixando algumas lágrimas escaparem de seus olhos. Sentei-me novamente, odiando-me a mim mesma por ceder tão facilmente. – Não se preocupe, é uma coisa normal para mim. Todo o mundo vai embora uma hora. Na verdade, é por isso mesmo que vim parar nesse lugar horrendo.
Acenei, hipnotizada por suas lágrimas brilhantes. Como poderia uma pessoa parecer tão perfeita enquanto chora?! Eu própria parecia um camelo gripado.
Não que eu saiba como se parece um camelo gripado.
— Eu deixei o amor da minha vida fugir de mim e vim hoje com a missão de o recuperar… só que eu não encontro esse garoto desgraçado!
Oh Hades, amor da vida dela… Espera, que idade tem essa garota?! Eu juro que ela parece uma menininha que acabou o fundamental! Como… O quê?! – Eu tenho muita pena, mas desse jeito não posso…
— Monique?! – balbuciou uma voz conhecida nas minhas costas. Oh por favor, sem dramas dessa vez! Deixem-me pelo menos, sair de perto dessa garota infernal de uma vez.
Encarei o dono da voz. Daniel. Espera. Vejamos os factos: Ele a conhecia. Ela estava procurando o “amor da vida dela”.
Oh Hades, foi Daniel o garoto que corrompeu essa menina?!
Assim que o cara loiro percebeu a minha presença, ficou pálido como uma folha de papel. Ok, eu entendo. Nós não temos uma boa relação. Nem nos podemos considerar amigos, mas não precisa exagerar.
— Harley, você realmente tem muita sorte… Como acabou encontrando essa garota demônio? – disse Daniel, aproximando-se da nossa mesa. Certo, eu sabia que tinha algo errado com essa garota mas chamar ela de demônio? Não pode ser desse jeito… ainda para mais, ele é o amor da vida dela.
Meu Hades, cada vez que penso nisso… mais ridículo parece!
— Como sempre você é uma doçura, Daniel. Estava quase morrendo de saudade. – a garota, de nome Monique, revirou os olhos. De seguida, seus olhos de criança viraram-se para mim. – Vocês se conhecem?
Encarei novamente Daniel, esperando que o mesmo respondesse, mas o garoto apenas franziu os lábios com força. – Harley, vem comigo.
E do nada, o maluco apenas me arrastou para fora da cafetaria. O que é tudo isso, Hades?! Assim que estávamos a uma distância razoável da garotinha Monique, puxei meu braço com força fugindo assim do aperto da mão de Daniel.
— Enlouqueceu? Você quase quebrou meu braço em dois!
Daniel passou a mão direita pelo seu cabelo extremamente loiro, revirando-o nervosamente. Um silêncio incómodo instalou-se entre nós enquanto o garoto bufava e suspirava, parecendo um maníaco.
— Pode, por amor, me contar o porquê de todo esse drama? – Daniel não respondeu e apenas me encarou, parecendo (pela primeira vez desde que o conheço) sem palavras. – Daniel! Eu compreendo, eu conheci a garota! Ela é meio psicopata, mas pelo menos você poderia conversar com ela e tentar esclarecer todos os vossos problemas. Eu poderia te ajudar.
— Eu não tenho nada para falar com ela e você também não deveria. Não olha para ela. Não respira o mesmo ar que ela. – o garoto fez uma pausa, colocando os seus pensamentos em ordem. – Monique é a garota mais malvada, venenosa e obcecada que eu conheço. E eu tenho a certeza que você vai ter problemas se ficar convivendo com esse monstrinho.
— Escuta, eu não sei que passado vocês partilham, mas que mal essa garota poderia fazer para mim? Estamos falando da Harley aqui! Todo o tipo de merdas já aconteceram comigo. Se você ainda está inteiro, ela não pode ser assim tão ruim certo?
Daniel suspirou, balançando a cabeça e de algum modo parecendo frustrado. – Você não entende, Adams. Essa garota… ela…
E eu simplesmente deixei de ouvir quando vi Julian atravessar o gramado.
Perfeito.
Agora como eu iria explicar que troquei-o por Stuart e que troquei Stuart por uma menininha e que troquei ela por Daniel?
O garoto que ainda balbuciava palavras incompreensíveis na minha frente, seguiu o meu olhar logo cuspindo xingamentos do capeta quando percebeu ser Julian o meu foco no momento.
— Você… vocês têm que sair. Agora! Antes que…
— Daniel, calma. Eu sei que você e Julian se odeiam, mas não é como se eu fosse deixar…
O garoto suspirou. – Não é comigo que estou preocupado, Adams. É com você.
— Comigo?
O que aconteceu de seguida foi tudo tão rápido que eu nem sei se consegui entender tudo ao pormenor.
Num segundo, eu encarava Daniel como se ele fosse um alien saído de uma nave do espaço. No mesmo instante Julian o olhava como se quisesse fatiá-lo.
E eu iria começar a falar para os dois se acalmarem quando uma voz fininha soou nas minhas costas. Eu nem consegui descodificar o que Monique gritou. Só sei que em poucos segundos, ela estava nos braços de Julian encostando os seus lábios nos dele.
Desviei o meu olhar, sentindo-me terrivelmente ferida com a visão e pelo canto do olho pude ver Julian empurrar Monique de qualquer jeito.
— Agora você entende.
Revirei os olhos para Daniel. – Agora eu entendo.
Suspirei.
Eu só queria um pouco de paz.
Fazia literalmente horas que eu era sua namorada oficial, Hades! Horas!
— Harley, isso não é o que você está pensando! E eu realmente não estou mentindo como todo o mundo que fala isso. – murmurou Julian, empurrando Daniel para longe de mim.
Sorri, debochada. – E o que estou eu pensando?
Julian agarrou os cabelos como se os fosse arrancar. – Eu sei lá! Eu nunca iria fazer algo desse tipo para você. Nunca. Não depois de tudo… Foda-se, eu te pedi em namoro faz apenas horas!
Meus exatos pensamentos, amigo.
— Monique é apenas… — continuou, desviando o olhar como se não encontrasse as palavras certas para explicar.
Daniel, que ainda assistia a toda essa confusão, libertou uma risada de escárnio. – Monique é apenas a vadia que traiu o namorado com o melhor amigo dele. E o pior é que ela o faria de novo se pudesse. Afinal, essa psicopata adora brincar com as pessoas, não é mesmo?
Monique imitou a risada de Daniel e cravou seu olhar em Julian. Em mim, me avaliando como se eu fosse um inseto insignificante. – Mas vejo, que dessa vez foi Julian quem me traiu. Logo agora que eu voltei, meu amor.
Julian revirou os olhos, deslizando sua mão na minha até conseguir encaixar nossos dedos. – Você está morta para mim.
Espera.
Espera um segundo, meu Hades!
Essa era a ex-namorada morta?! A garota do violão?
— Essa não é sua ex-namorada morta ou é? É que se for, ela me parece muito viva, Grant. – sussurrei, de modo a que apenas ele me ouvisse.
— Eu sei. É uma pena.
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