Cocaine

28 Uma sonâmbula arrependida


Notas iniciais
Hey viciados, viciadas, unicórnios, jumentos, whatever! Eu lamento a demora. Dessa vez eu demorei porque FINALMENTE consegui uma internet mais rápida para a minha casa e agora sim... eu estou livre para postar com mais frequência! Ebaaa! Quero agradecer todos os comentários do último capítulo! Eu li todos eles e amei todos eles! Vou responder mais tarde pois agora estou desfalecendo de cansaço. Mas não pensem que eu não vi! Eu não sou o tipo de autora que ignora meus leitores, não mesmo! Então... preparados para mais revelações?! I hope so ahah Os próximos capítulos serão bem divertidos, eu posso jurar e lembram-se do hentai que eu prometi? Pois é. Está cada vez mais perto! Uhú! Agora sem mais demoras, aproveitem o chapter e me falem a vossa opinião nos comentários! Fantasmas, se revelem! Está na hora gente ahah Boa leitura!

– Meu nome é Flame… e eu gostaria muito de conversar com você, Julian Grant. – a garota baixou-se, ficando ao mesmo nível que eu e sem mais nem menos, colou seus lábios nos meus.

Mas que merda?!

[…]

Eu tinha derrubado litros de lágrimas suficientes para sustentar uma cidade. E tudo o que eu queria no momento era empanturrar-me com bolo de chocolate e muita cobertura de morango.

Sinceramente eu subestimei meu azar dessa vez.

Esqueçam o bolo.

Qual era a probabilidade de encontrar Julian na cafetaria? Muita, porque estudamos na mesma universidade. E porra! Assim que vi Julian, eu deveria ter saído correndo! Mas enfim, não aconteceu. Acho que isso prova que eu sou meio sádica.

E como uma boa sádica, eu segui os passos de Miriam e Jackson, e sentei na mesa bem na frente da do Julian. E o pior é que meus sentidos estavam todos atentos aos seus movimentos. E eu sei que ele me olhava. Todas as células do meu corpo sentiam isso.

O empregado aproximou-se da nossa mesa com um sorriso e cumprimentou Miriam. Ignorei-os e coloquei os olhos no ser que bebia whisky. Julian me olhava de volta. O seu olhar cobria-me com uma intensidade demasiada. Eu estava ficando desconfortável. Muito desconfortável.

– Adams! Já sabe o que vai pedir? – diz Miriam, trazendo-me de volta para a realidade. Umedeço os lábios e encaro o cardápio, mordendo a boca enquanto penso.

– Você é… hum… familiar do Chad Adams? – o empregado me pergunta parecendo meio envergonhado. Levanto meu olhar para ele. Ele conhece o capeta do meu meio-irmão?

– Ele é meu meio-irmão. Porquê o interesse? – o garoto engole em seco e baixa o olhar enquanto sua face adquire tons rosados. – Não… acredito. Você está afim dele?! Cara…

Essa era nova. Um cara afim do meu irmão. Um cara gay afim do meu irmão gay! Que legal! Mordi o lábio com mais força. Tem algo nessa equação que não encaixa. É. Tem Logan. O irmãozinho do cara mais detestável desse universo.

Respirei fundo e coloquei minha mão sobre a do garoto. – Lamento, mas ele tem namorado.

O garoto cujo nome ainda era desconhecido por mim, acenou e levantou a cabeça agarrando a minha mão. – Eu sei, mas continuo tendo um pouco de esperança.

E numa atitude muito gay, o garoto beijou a palma da minha mão e afastou-se da nossa mesa. Uma confusão de vidros quebrando, afastou a minha atenção do empregado e colocou-a no Julian novamente. Ele esmagara um copo com as próprias mãos?! Eu me pergunto que força sobre-humana é essa! Cara, só falta ele sair voando.

E isso me preocupa.

Não a parte irracional dos seus inexistentes poderes, mas sim, a parte em que ele perdera a postura sem mais nem menos. Julian é instável, uma força inesperada. Nunca sei o que passa na sua mente. Todo ele é um enigma incapaz de ser resolvido por mim. O primeiro de todos. Perto dele, eu não sou a garota de Q.I. elevado. Eu passo a ser a maior analfabeta de todas.

Eu sempre erro minhas respostas quando se trata de Julian. E parece que nunca irei acertar. Principalmente agora que acabei com tudo. Com esse tudo tão vazio. Um nada.

Eu me atrevo a dizer, que eu me afastara de Julian para sempre. Vi-o sair da cafetaria parecendo completamente fora de si. Pensei em segui-lo. Mas do que iria adiantar? Eu iria machucá-lo mais uma vez. Machucar-me a mim também no processo. E no final, continuaria o mesmo nada de sempre.

– Sério Har, não faça essa cara. Ele não é tudo isso. – resmungou Miriam, dando-me um peteleco na testa.

Bufei. – Não é tudo isso? Sério, você olhou bem para ele? O cara parece um modelo da Armani, Miriam.

– Adams. Para, por favor. Você fez merda. Você quis isso. Não vale a pena se arrepender agora. – começou Jackson, bagunçando o cabelo com violência. – E concordo com a Miriam… faça “delete” nessa expressão de sofrimento. Nem um modelo da Armani merece o sofrimento de uma garota.

Jackson parecia falar para mim, mas na realidade o seu olhar e as suas palavras eram dirigidas a Miriam. Eu sei que ele se arrependia muito por tudo o que fez com a minha amiga. Os dois se encararam profundamente durante longos minutos. E foi aí que eu me toquei que estava sendo a terceira roda da bicicleta. E bicicleta não tem terceira roda sendo assim, eu levantei-me em silêncio e deixei os dois trocarem aqueles olhares tão íntimos.

Saí da cafetaria e caminhei sem destino. Minutos depois, estava frente á saída da East River. Perfeito. Só quando eu não quero encontrar é que eu encontro tudo! Melhor aproveitar minha sorte. Vai ver e ainda me perco de novo e depois, não conseguirei achar a saída desse fim do mundo. Saí da universidade e corri até casa. Eu tinha perdido o segundo período e provavelmente iria perder mais algumas aulas. Mas eu não estava nem aí.

Eu sabia resolver todos aqueles exercícios. Eu tinha conhecimento suficiente para substituir a maioria dos professores. Mas mesmo assim, eu precisava estudar. Para a competição. Essa maldita. Papai nunca sairia do meu pé se eu não ganhasse mais uma vez. A competição nacional era algo importante para ele. Para mim? Nem tanto. Mas eu precisava ser aprovada. Não pelo departamento nacional de física. Pelo meu pai. O homem que sonhava em ser físico e que agora punha esse sonho sobre as minhas costas.

E foi isso que eu fiz. Eu continuei carregando todo esse peso. Eu estudei toda a tarde. A sala era agora uma enorme confusão de cálculos matemáticos e fórmulas físicas.

Quando chegou a noite, Jade voltou para o apartamento. Chad seguiu-a. Mas nem sinal de Julian.

Os exercícios que eu fizera perderam-se na minha mente e tudo o que eu conseguia pensar era em todos os momentos passados com Julian nesse mesmo sofá onde eu estava sentada. Peguei numa almofada e tentei sufocar-me com ela.

Hum… Além de sádica, agora sou também suicida. O que vai ser de seguida? Um barulho na cozinha fez-me afastar a almofada. Encarei o relógio no meu pulso.

Três da manhã.

Um ladrão?! Um ladrão de comida está assaltando a MINHA cozinha! Levantei-me rapidamente, vendo milhares de folhas caírem a meus pés. Foda-se isso! Ninguém rouba os salgadinhos de Julian a não ser eu!

Eu preciso de uma arma para me defender. E como não temos tacos de basebol, peguei o livro mais grosso da estante.

A bíblia.

Acho que com isso consigo fazer um estrago maior que o apocalipse. Andei pé ante pé até á cozinha e escorei-me na parede. Ouvi um prato sendo quebrado e apertei a bíblia contra o peito. Jesus, o ladrão está cozinhando?! Espreitei e vi uma figura ao pé do fogão.

– Jade?! – exclamei, entrando na cozinha. A garota continuou virada para o fogão, ignorando-me completamente. Ok. Eu não esperava essa reação. Aproximei-me dela lentamente e coloquei uma mão no seu ombro, virando-a para mim.

Jade tinha os olhos fechados e respirava com demasiada lentidão. Espera… ela está dormindo? A resposta para a minha pergunta veio assim que um ronco monstruoso saiu por sua boca. Assustei-me e deixei cair a bíblia no chão.

Ela está dormindo mesmo! Ela é sonâmbula… ela é uma sonâmbula que cozinha! Oh minha santa vaca! Jade roncou mais uma vez e afastou-se, pegando uma faca enorme na gaveta.

Ela apontou-a para mim e roncou mais uma vez. Levantei os braços no alto com medo dela. Ok. Ela além de sonâmbula é assassina?! Puta que pariu! Ela vai-me vazar alguma coisa! Já estou até imaginando os noticiários da manhã: “Sonâmbula cozinheira esfaqueia cabeleira roxa.”

Eu não quero isso! É quase pior que morrer pelada!

– Chad! – gritei, quase perdendo um pulmão no processo. Chad apareceu na ombreira da porta pouco tempo depois.

– Mas que diabo! O que está acontecendo?

Respirei fundo quando vi Jade usar a faca para cortar um tomate. Será boa ideia deixá-la cortar coisas?! Será boa ideia ela estar segurando uma faca?! Jade roncou mais uma vez.

– A sua colega de apartamento está querendo me cozinhar! – gritei, colocando-me atrás de Chad. Jade riu. Pensei que ela tivesse acordada, mas um novo ronco demonstrou que não.

Chad suspirou e sentou-se numa das banquetas vendo Jade cortar vegetais com uma velocidade impressionante. – Está acontecendo de novo…

– Como assim está acontecendo de novo, Chad Lawrence Adams?! Isso acontece regularmente?! – exclamei, engolindo uma risada histérica que queria sair a todo o custo.

– Não. Isso só acontece quando Jade se sente culpada. Ela apenas levanta, vem para a cozinha e cozinha tudo o que lhe aparecer na frente…

Ok. Ela realmente iria me cozinhar daquela vez! Sentei-me na banqueta próxima da do Chad. – Certo. E o que vamos fazer para que ela pare?

O meu meio-irmãozinho suspirou e esfregou os olhos com força. – Ela não para até de manhã. Ela vai ficar cozinhando e cozinhando. E nós temos que ficar aqui para impedir que algo mau lhe aconteça.

– Perfeito. Mas aviso já que se ela me cozinhar, eu vou ficar muito brava!

Chad riu e continuou vigiando Jade com atenção. A garota é assustadora. Ela ri várias vezes durante o sono. E não é uma simples risadinha! Ela ri maleficamente. Eu juro que pensei que ela iria nos cozinhar! Mas isso não aconteceu… Durante algumas vezes, Jade tentou sair pela janela mas felizmente nós a impedimos. E o mais esquisito é que ela não acordava nunca.

Foram quatro longas horas passadas correndo atrás da garota endiabrada, mas finalmente quando deu sete da manhã, Jade parou e caiu dormindo no sofá. Chad e eu seguimos os seus passos e poucos minutos depois, todos dormíamos profundamente.

Algum momento Jade acordou e resolveu acordar-nos com um grito estridente. – Ah! Aconteceu de novo!

Eu sentia a cabeça pesada, mas mesmo assim abri os olhos. A sala estava uma autêntica bagunça. A cozinha estava pior. Eu tenho certeza. Jade seguiu para a cozinha. Segui-a com passos lentos. Eu só queria dormir durante um dia inteiro. Chegando na cozinha, Jade deu outro grito. Senti a presença de Chad atrás de mim.

– Oh meu Deus! Eu não acredito que aconteceu de novo! Que droga! – resmungou a garota endiabrada, pisando na bíblia. – Tem até uma bíblia aqui!

Segurei o riso e aproximei-me de Jade. – Veja o lado positivo! Você preparou o café da manhã!

Jade rosnou e sentou numa banqueta enquanto Chad e eu escorámos na parede meio suja de farinha.

– Eu peço desculpa, gente. Eu não queria. Eu… — murmurou a garota, baixando a cabeça. Abanei a cabeça e sorri.

– Não se preocupe. – falei, bocejando com vontade. Chad preparou café quente e forte para nós enquanto Jade e eu nos empanturrávamos com a comida que a forma sonâmbula dela preparara. E olha… Nem estava má. Cozinha melhor que eu. Bom, eu não cozinho mesmo… Afinal eu sou um aborto da vida.

Decidimos matar aula e dormir um pouco mais. Eu estava quase desfalecendo, ok?! Quando faltava meia hora para a segunda aula, saímos do apartamento completamente revigorados. Ou quase.

Peguei carona com Chad e poucos minutos depois, os três atravessávamos juntos os portões da East River. O campus estava atulhado de estudantes animados. Bocejei, não conseguindo acompanhar toda a animação deles. Fechei os olhos durante alguns segundos e quando os abri, avistei uma figura loira pelo canto do olho.

Engasguei com a minha própria saliva e parei o passo. Jade e Chad pararam também, parecendo confusos. Flame aproximou-se com um sorriso debochado e cruzou os braços. – Há quanto tempo, Adams!

– É… — murmurei, sentindo as palavras fugirem da minha boca. Flame continuava a mesma garota de cabelos loiros muito longos e olhos estranhamente hipnotizantes. – O que você está fazendo aqui?

– Ah sim… Eu vi encontrar-me com uma pessoa. – Flame fez uma pausa e balançou o cabelo. — Ouvi dizer, que você conseguiu o que queria. Essa tal de Jane saiu de East River, não é mesmo?

– Como assim “essa tal de Jane”? É sua irmã, criatura.

Flame riu com vontade durante longos segundos e olhou para trás de mim. Segui seu olhar e encontrei Jade tremendo com medo e… raiva.

– Sério que você ainda não contou para ela, Russo? – o sobrenome de Jade parecia tão errado sendo pronunciado pelos lábios finos de Flame. A garota de olhos estranhos aproximou-se de mim mantendo o sorriso debochado. – Sendo assim, eu faço o favor para você.

– Não se atreva. – sibilou Jade, pondo-se entre mim e a Flame. O sorriso da suposta irmã de Jane aumentou.

– Toda essa história de eu ser a vingadora foi um plano arquitetado por Jade. Ela sim, é a verdade vingadora. E… por Deus, eu não sou irmã da outra garota. Eu estava representando, Adams. – engoli em seco. Eu não conseguia ver o rosto de Jade, mas via seu corpo tremer compulsivamente. Eu estava confusa. E um pouquinho magoada. – E você acreditou direitinho. Eu sou uma excelente atriz.

– Apenas… cala a boca, garota. – rosnou Jade, com um tom de voz que nunca pensei ouvir saindo por sua boca.

– Ups. Acho que falei demais! Agora, Russo, o nosso trato está completo. Não enche mais o meu saco. Pois dessa vez, eu não serei tolerante para as suas ameaças. – disse Flame, semicerrando os olhos com raiva. Eu estava cada vez mais confusa. O quê?

Jade encarou-me com pesar e murmurou um “por favor, me deixa explicar”. Engoli em seco e fechei os olhos, sentindo a minha cabeça pesar um pouco mais. Minha noite tinha sido terrível e estava difícil para o meu cérebro absorver tudo isso. Mesmo assim, acenei. Eu queria ouvir uma explicação de Jade. Eu estava cansada de problemas, de intrigas, de confusões injustificadas.

Eu não queria mais um inimigo.

Já bastava Julian que não aparecera em casa na última noite. Abri os olhos para Jade e sorri levemente. A garota pareceu relaxar. Encarei Flame com nojo. – Você é uma idiota.

Flame respondeu-me com um revirar de olhos e abriu um grande sorriso desviando o seu olhar para longe de nós.

– Julian! – gritou, empurrando Jade para longe do seu caminho e saindo correndo. Segui-a com o olhar e encontrei-o. Julian Grant. Com o seu cabelo negro desalinhado. Os olhos de um cinza profundo e gélido. A sua jaqueta de couro desgastado. A camiseta com uma frase perversa. E as calças caindo perfeitamente nas suas pernas e quadril.

A imagem da tentação e da luxúria.

Flame alcançou-o rapidamente e abraçou-o com força, jogando a cabeça loira no ombro dele. Abri a boca, sentindo o choque e a raiva colidirem na minha mente.

– Flame e Julian?! O quê… Porquê? – murmurou Jade, parecendo mais chocada que eu. Abafei uma risada debochada, sentindo um sabor amargo na boca.

– Parece que o Julian encontrou a número 111.

Notas finais
Puta que pariu?! O que foi que eu fiz? Ela será a 111? Nãooooo. Calma. Gente. Só. Calma. Ok. Ofereço apoio psicologico nos comentários... Sim gente, eu quero comentários e recomendações e tudo isso ahah quero saber se vocês gostam do meu trabalho e se devo continuar ou deixar todo esse sonho de ser escritora para lá! Quero muito agradecer a vocês pois já passámos a meta dos 300 leitores e isso é muito importante! Vamos aumentar essa rede de droga onde eu sou a dealer e vocês, meus queridos viciados ahah até!