Cocaine

22 O universo conspira contra nós


Notas iniciais
Hey viciados! Tudo bem? Eu estou muito feliz pois finalmente descobri o que fazer com o Jared (Não direi, não falarei MUAHAHAHA)! E estou mais feliz ainda pois recebi uma recomendação da maravilhosa Titia Lara! Obrigada querida, sério, eu amei completamente! Acho que vou imprimir e colar na minha testa AHAH Sendo assim, Lara esse capítulo é completamente dedicado a você, sua diva! Quero também agradecer todos os reviews. Eu me emocionei MUITO lendo eles e quero dar a todos vocês um beijo por serem tão bons para mim! E mais uma coisa! Tem uma nova nova capa (sim, nova duas vezes porque já teve uma nova capa) e acho que dessa vez, vocês vão gostar! É o nosso querido Julian uhúúúú eu não sei como vocês o imaginam, mas eu gosto do garoto da capa e acho-o apropriado (meio bad boy, meio "não me toque pois posso morder"). É. Boa leitura, viciados!

Coloquei as botas no chão de madeira e afundei o meu corpo nas almofadas, enquanto examinava cada traço do meu rosto. Se isso continuar, Julian vai fazer com que eu o ame. E depois… depois não tem volta.

[…]

– Sim, senhor. Eu sei. – fez-se uma pausa do outro lado da linha, mas logo James Adams voltou a falar no mesmo assunto.

– Seja séria, Harley Rosemary. Essa competição é muito importante para você. – disse papai, usando o segundo nome que eu tanto odiava. Suspirei, sentindo uma dor aguda nas têmporas. Julian me observava parecendo divertido. Isso, ri da minha desgraça. Sem dizer nada, o garoto saiu do quarto deixando-me sozinha com o meu pai no celular.

– Eu já entendi, papai. Não precisa repetir. E aliás, eu estou bem. E o senhor? – ouvi um suspiro cansado vindo do homem que me pôs no mundo.

– Sim, filha. Está tudo ótimo. Chad já chegou? – perguntou, parecendo ficar desconfortável. Revirei os olhos perante a frieza dele.

– Ele ainda não chegou. Vou ter que desligar, pai. – disse-lhe, vendo Julian entrando no quarto novamente trazendo uma bandeja com o meu café da manhã. Papai apenas respondeu um “ok” seco e desligou. Sem despedidas. Sem qualquer “sinto saudades suas”. A única coisa que preocupava meu pai era a competição anual de Física que eu teria que ganhar nem se precisasse morrer. Sempre era desse jeito.

Julian colocou a comida no meu colo e sentou-se no fundo da cama. Olhei para o prato de panquecas. Julian desenhara uma carinha sorridente com a calda de chocolate. Ri, sentindo o meu interior aquecer.

– Sério? Eu tenho quantos anos? Dois? – provoquei, sorrindo ao mesmo tempo.

– Ah, se você não gostou, eu posso levar… — começou Julian, ameaçando tocar nas minhas panquecas. AS MINHAS PANQUECAS!

– Afasta as suas mãos imundas das minhas panquecas. – rosnei, dando um tapa nas mãos bonitas e masculinas do garoto. Julian riu e deitou-se do outro lado da cama.

– Como estão seus machucados? – perguntou, com um tom preocupado na voz. Quase engasguei com o suco de laranja que Julian tinha trazido juntamente com as panquecas. Eu não conseguia me habituar a essa faceta carinhosa de Julian.

– Só estão doendo um pouco, acho que vou sobreviver. – falei, sentindo cada dor aumentar assim que falei. Eu menti, eu estava com muita dor. Mas nem em mil anos eu iria admitir isso para Julian. Comi devagar sentindo o olhar inquietante do garoto sobre mim. Assim que acabei, deixei a bandeja de lado e afundei meu corpo nas almofadas novamente. Eu queria descansar um pouco.

Bom, na verdade essa era a minha ideia inicial. Mas parecia que Julian tinha um plano diferente para mim. Assim que me deitei, o garoto aproximou-se vagarosamente e cobriu seu corpo com o meu, usando os braços para amparar o seu peso.

Os seus lábios tomaram os meus. A doçura do chocolate e da menta misturaram-se, fazendo-me ansiar por mais. Entreabri as pernas e coloquei-as em volta do quadril do garoto. Julian arfou sentindo o contato dos nossos sexos. Sorri, tendo uma ideia malvada. Tomando impulso, rolei os nossos corpos para o lado ficando agora por cima.

Empurrei o peito de Julian quebrando rapidamente o beijo. – Julian. Julian. Não é nada ético da sua parte abusar de uma pessoa doente.

Um sorriso torto e incrivelmente irresistível nasceu nos seus lábios. Sorri de volta e deslizei meu corpo na direção da sua ereção já bastante visível. O olhar de Julian queimou-me por dentro. Sedento, perigoso, desafiador. Continha um desejo ardente e tão intenso que quase tirei a roupa ali mesmo. Quase!

Mordi o lábio, deslizando novamente por cima do seu quadril. Julian levou suas mãos para as minhas coxas e apertou-as com força. Arfei sentindo a sua ereção aumentar de tamanho. Meu Hades, que pecado é esse?!

Ri com o meu pensamento e concentrei-me em expor cada centímetro do abdómen do meu colega de apartamento. Mordi o lábio com força quando senti cada músculo dele ficar tenso por baixo das minhas mãos.

Julian sentou-se, levando nossos corpos a colarem-se. Arfei de dor, sentindo as minhas dores corporais aumentarem. Abracei Julian pelos ombros tentando esconder a minha expressão de dor, mas o garoto percebeu imediatamente.

– Ei, o que está doendo? – perguntou, deslizando os seus lábios pelo meu cabelo. Neguei com a cabeça, pois nesse momento a minha voz não seria confiável. Segurando as minhas coxas, Julian levantou-se da cama levando-me junto. Agarrei-me mais aos seus ombros com medo de cair.

O garoto transportou-me até a cozinha e abriu a geladeira. Um soluço estrangulado saiu por minha boca e foi com surpresa que senti lágrimas amargas descerem pelas minhas faces. Lágrimas de frustração. Julian apertou-me mais nos seus braços e encostou sua cabeça na minha. Ficámos assim durante alguns minutos até a minha crise de choro passar. Pouco tempo depois, senti algo gelado encostar no meu hematoma. Encolhi-me quando as minhas costas arderam.

– Calma, isso vai controlar o inchaço e aliviar um pouco a dor. – informou Julian, distribuindo beijos pela minha face ainda molhada pelas lágrimas. Funguei, amando cada pedaço de atenção que o garoto me dava. Mordi levemente o seu ombro beijando-o com carinho de seguida. O garoto riu e acariciou o meu pescoço com os lábios e com a sua barba por fazer.

– Desculpa, eu… — pedi, sentindo uma vergonha irracional. Engoli em seco, escondendo o meu rosto com o cabelo para que Julian não conseguisse ver a vermelhidão que ocupara minhas faces.

– Não, a culpa foi minha. Não foi ético da minha parte abusar de uma pessoa doente. – disse imitando a minha voz. Ri, vendo a pele do seu ombro ficar arrepiada. Afastei-me um pouco do seu corpo para que Julian não sentisse o batimento desenfreado do meu coração.

Fiz menção de sair do seu abraço, mas os seus braços apertaram-me ainda mais. — Onde pensa que vai?

– Tomar um banho. – respondi, retirando o gelo das minhas costas.

– Precisa de companhia? – perguntou, lambendo os lábios num movimento obsceno. Revirei os olhos, encarando-o com desaprovação. Vendo a minha expressão, Julian sorriu timidamente. – Foi mal.

Finalmente o garoto deixou-me sair dos seus braços e assim pude caminhar desajeitadamente até ao banheiro. Fiz questão de trancar a porta. Julian poderia ter a excelente ideia de me fazer uma visita e ainda não me sentia na condição perfeita para receber esse tipo de “visita”. Tomei meu banho vagarosamente, arrepiando-me sempre que a água quente tocava um dos meus machucados.

Assim que acabei, enrolei o meu corpo numa toalha e encarei a minha figura no espelho. O meu rosto estava meio roxo, mas não parecia grave. Virei-me, descendo um pouco a toalha. As minhas costas estavam vermelhas mas também ficariam bem. O corte na cabeça estava escondido pelas mechas roxas sendo assim não me atrevi a tocar-lhe.

Sai do banheiro tentando fazer pouco barulho. Definitivamente eu não queria encontrar Julian e os seus hormônios. Na verdade, eu queria sim… mas não era aconselhável. Entrei no meu quarto e vesti uma camiseta e uns shorts confortáveis. Decidi ficar descalça para que pudesse sentir a sensação boa dos meus pés em contato com o chão gelado.

Sai do meu quarto e encontrei Julian devorando um dos seus milhares de salgadinhos no sofá da sala. Quase lhe fiz companhia, mas a porta semiaberta de um quarto fez-me ficar curiosa e cheia de saudade.

Abri totalmente a porta do quarto de Chad e encontrei o melhor quarto da casa. A cama era maior que a minha. Tinha inúmeras estantes ocupando as paredes do quarto, muitas delas cheias de livros de quadradinhos. A sua secretária estava completamente desorganizada e por todo o lado que eu olhasse, via figurinhas de heróis da Marvel. Sorri, sentindo ainda mais saudade do meu meio-irmão. A cama dele parecia confortável e abandonada demais, por isso deitei nela sentindo imediatamente o cheiro familiar da colónia de Chad. Revirei minha cabeça na almofada, sentindo-me desconfortável. E por mais voltas e voltas que desse, nunca encontrava uma posição realmente confortável. Sentindo-me irritada, levantei a almofada. Engoli um xingamento quando vi o objeto preto que antes estava escondido pelo objeto na minha mão. Esse era o motivo pelo qual me sentia tão desconfortável.

Uma… uma arma?!

Chad escondia uma arma por baixo da sua almofada. Levantei-me imediatamente da cama, sentindo um misto de medo e preocupação. Para que diabos Chad queria uma arma?

Ouvi a porta da frente bater com toda a força e uma voz animada gritar:

– Cheguei! Onde está a Harley?

Engoli em seco e escondi novamente a arma com a almofada. Sai sorrateiramente do quarto de Chad e tratei de colocar um sorriso no rosto. Mas esse sorriso não alcançou o meu olhar.

Dei dois passos na direção da sala e encontrei o meu meio-irmão rodeado pela sua bagagem e conversando com Julian. O garoto de cabelos cacheados levantou o olhar assim que percebeu a minha presença.

– Har? – Chad percorreu o olhar pelo meu corpo, parecendo preocupado. – O que aconteceu com o seu rosto?! Julian! Que merda é essa?!

Aproximei-me e dei-lhe um abraço rápido. A arma escondida não saia dos meus pensamentos. Eu só pensava porque raios quereria Chad uma arma?! O meu Chad! O garoto que odeia violência, que ama figuras de ação e que comenta garotos comigo. O que está acontecendo?!

Enquanto a confusão se alastrava pela minha mente, Chad lançava um olhar nada amigável para Julian. Afastei-o imediatamente do Grant, sentindo-me assustada com tudo.

– Julian não teve culpa. Eu que me descuidei e acabei encontrando o Jared. Aliás, se Julian não tivesse chegado e impedido Jared, eu estaria morta nesse momento.

Chad acenou e passou uma mão pelos seus cachos, desordenando-os. Ele parecia o Chad de sempre. O mesmo garoto que me fazia lembrar um urso abandonado. Suspirei, sentindo-me cada vez mais confusa. – Como está a sua mãe?

– Está muito feliz com a gravidez. E seu pai também está bem. – disse Chad com um sorriso feliz. Sorri também. Em breve ambos iriamos ter um novo meio-irmão ou meia-irmã. – Mamãe ficou enfurecida quando soube que você não pôde ir. Ela tem saudades suas.

Acenei, esquecendo por momentos o assunto “arma no quarto do Chad”.

– E o seu pai não parou por um momento de falar sobre a próxima competição de Física. Mamãe ficou até irritada com ele e falou que ele é “um bosta que deveria cuidar mais da sua filha”. – ri com o comentário de Lauren, a mãe de Chad. Lauren e papai eram completamente o oposto. Ela era uma explosão de energia enquanto meu pai era só um velho sem emoções. Aliás, a única pessoa que conseguia despertar emoções em James Adams era definitivamente a pequena Lauren.

Chad ficou conversando durante mais um tempo e logo fechou-se no seu quarto dizendo que precisava descansar. Fiquei durante alguns minutos encarando a porta do seu quarto até que senti o braço de Julian rodear a minha cintura.

– O que foi?

Neguei com a cabeça, sentindo um sabor amargo invadir minha boca. Julian não pareceu convencido, mas decidiu não insistir. Em vez disso, puxou o meu corpo contra o seu e beijou-me o machucado do rosto. Sorri com a sua atitude e acariciei o seu cabelo negro que parecia ganhar vida a cada toque meu.

– Você é minha. – disse, fazendo-me adquirir tons rosados nas faces.

– Quer que eu seja? – perguntei, vendo-o fazer uma careta engraçada. O seu rosto desceu na direção do meu pescoço e ali, Julian deixou a sua marca.

– Eu não estava pedindo permissão, eu estava afirmando.

Revirei os olhos e empurrei-o para bem longe de mim. Julian me olhou com confusão. – Quer tanto que vai ficar querendo.

E com essa última provocação, dei a língua e afastei-me um pouco mais do garoto. Julian puxou-me na direção dele novamente e segurou meu rosto. Seus olhos agora de um azul claro queimaram-me com intensidade. Senti-me nua por baixo do seu olhar feroz.

– Cuidado com essa língua. Eu posso me descontrolar e você vai acabar ficando sem ela. – ameaçou com a sua voz mais rouca que o normal. Aproximei-me dele como se o fosse beijar e, no último minuto, desviei e beijei a minha mão.

Julian revirou os olhos e segurou meus pulsos com uma mão enquanto a outra embrenhou-se nos meus cabelos e levou-me até si.

Seus lábios encostaram-se nos meus lentamente, provando cada canto da minha boca. Brincando com a minha sanidade. Seus dentes repuxaram o meu lábio inferior, fazendo com que eu pensasse que o beijo tinha terminado. Mas em vez de se afastar, Julian prendeu-me ainda mais no seu abraço e sua língua adentrou a minha boca tocando-me e provocando-me com urgência. Libertei meus pulsos da sua mão forte, e rodeei seus ombros fincando as unhas na sua carne.

Julian sorriu, lambendo a extensão do meu lábio inferior e apertando a minha cintura com desejo. Iria beijá-lo novamente, mas o universo está sempre conspirando contra nós.

– É sério, será que vocês não conseguem aguentar essa tensão sexual por um minuto?! E ainda pra mais temos visita! – reclamou Jade, fazendo-nos afastar imediatamente. Minha boca escancarou quando vi uma pessoa em particular me olhar com interesse e… ciúme.

– Daniel. – murmurei, não conseguindo impedir a minha língua.

– Oi garota dos cabelos roxeados... ou devo antes chamar-lhe Harley? – perguntou Daniel, o irmão do namorado de Chad e o garoto que há muito tempo atrás me tentara seduzir num bar de jazz.

Engoli em seco, sentindo os músculos de Julian ficarem tensos.

Notas finais
Comentários ou mesmo recomendações ou até favoritos são super bem-vindos e me fazem pular de alegria! E quando fico alegre, tenho tendência a postar mais rápido AHAH Nem brincando, é sério mesmo!