Cocaine

43 Não, significa sempre não


Notas iniciais
Alô, gente do bem! Como assim não demorei um outro ano? É, eu sei. Sou ruim na vida. De qualquer forma, agradeço a todos os comentários! Se isso não é amor verdadeiro entre a gente, eu não sei o que é! Obrigada por continuarem aqui, sério. Não querendo perder mais do vosso tempo, enjoy! Ps: Acho que falta uns dois capítulos para terminar Cocaine! Não sei se fique feliz ou triste, ai gente...

O meu olhar seguiu o seu, pousando no meu antebraço. Os dedos de Rosemary estavam marcados no meu braço, como uma tatuagem de hematomas roxeados. Quis rir, brincar com a situação, mas tudo o que saiu foi um sussurro baixo.

— Estão combinando com o meu cabelo, Nadine.

A senhora, gentil como uma pena, passou um dos seus dedos pela minha pele agora marcada. – Oh menina, eu sinto muito.

— Sinceramente, eu já não sinto nada.

[…]

Acho que não importa em que lugar esteja, tem sempre aquele professor chato. Especialmente, quando esse mesmo energúmeno, conhece a sua mãe, e fica relembrando esse detalhe a cada meia hora de aula.

— Afinal o que a sua mãe fez assim de tão especial? Salvou o país? Descobriu a cura do câncer? – perguntou Jane, assim que saímos da aula. Eu não sabia os detalhes, afinal as minhas pesquisas na internet eram estritamente vigiadas por Rosemary. Só sabia as pequenas coisas que Nadine deixava escapar de vez em quando.

Encolhi os ombros, ajeitando a alça da minha bolsa. – Resolveu uns casos difíceis. Homicídios complicados. Não sei, realmente.

— Engraçado. – encarei Jane pelo canto do olho.

— O que é?

Os seus olhos azulados, mais claros que os meus, olharam para o céu nublado. – Estava só pensando que, se um dia você decidir assassiná-la, ela vai ficar furiosa porque não pode ser a sua advogada de acusação.

Funguei, impedindo um riso incrédulo de sair da minha garganta. – E você acha isso engraçado?

— Você nunca pensou sobre isso? – quase tropecei nos meus pés. Jane Morgan deslizou para a minha frente, pousando os seus olhos nos meus.

— Como assim, Morgan? Está louca?

A garota sorriu, colocando as mãos atrás das costas. – É uma ideia assim tão descabida? Se você formular um bom plano, tudo daria certo. Só precisaria de um pouco de coragem.

— Jane, eu não vou assassinar ninguém.

A minha ex-arqui-inimiga encolheu os ombros e começou a andar na minha frente. – Se fosse eu, provavelmente era isso que faria. Algo sem muita sujeira. Sangue não é propriamente algo fácil de lavar da sua saia preferida.

Segui-a, mantendo uma pequena distância de segurança. – Você está me assustando.

Jane para novamente, fazendo-me bater o meu nariz nas suas costas. A nossa diferença de alturas era cómica. Ela, esguia e alta como uma modelo, e eu com a mesma altura desde os quinze anos.

— Café?

Deixei a minha cabeça pender para o lado, confusa.

Sem esperar uma resposta, Jane simplesmente piscou um de seus olhos e me puxou pelo braço.

Arrepiei-me. Não sei, se pelo ar gélido da manhã ou se pelo tema de conversa. Talvez os dois. Mesmo assim, segui-a. Se nessa manhã, Jane decidisse colocar os seus pensamentos mórbidos de matança em prática comigo, eu provavelmente não me iria opor.

A cafetaria estava cheia, afinal Nova York sobrevive graças a café amargo. Pegámos o nosso café, sem açúcar para mim e com creme para Jane, e saímos andando pelo campus, esperando a hora da próxima aula.

A conversa de antes fervilhava na minha mente. Não que eu estivesse realmente interessada, mas eu estava aborrecida. Com essa vida. Com esse curso. Com essa manhã nublada.

Descortinar a mente homicida de Jane Morgan parecia-me, no momento, uma boa forma de passar o tempo. Por isso, encarando as pontas pontudas das minhas botas pretas preferidas, choquei o meu ombro com o dela. – Como você faria?

— O quê? Beber café? Não do seu jeito, isso é certo. Cada vez que alguém bebe café amargo desse jeito, uma fada morre.

Revirei os olhos, bebericando o meu café amargo e matando mais uma fada. – Refiro-me a matar uma pessoa.

— Bom, eu não o faria, para começo de conversa.

Abri a boca, incrédula. – Como assim? Antes você estava falando, com toda a convicção, que mataria Rosemary…

— E eu mataria.

Revirei os olhos. – Sinto que estou conversando com duas pessoas distintas. É isso, Jane Morgan? Você tem dupla personalidade?

Jane tirou a língua para fora, parecendo uma criança prestes a aprontar. O seu hálito formou uma nuvem no ar. – Desde quando Rosemary pode se considerar uma pessoa? O seu desaparecimento era um simples favor para a humanidade. Tudo bem, ela é uma boa advogada – talvez ótima. Mas, o que mais existe é advogado nesse mundo. Alguém a iria substituir eventualmente.

Jane fez uma pausa para beber o seu café e continuou. – Acho que eu faria parecer como um acidente. Sem arma do crime. E com um grande álibi a meu favor. Nada de facas de cozinha ou armas.

— Você poderia se livrar do corpo, depois. – murmurei, colocando o copo vazio no lixo, como se estivesse jogando basquete.

— Hum… ácido clorídrico em reservatórios de plástico. Gosto da sua forma de pensar. – coloquei também o seu copo no lixo.

No meu relógio, a hora da aula de Economia se aproximava. – Okay, acho que é o suficiente dessa conversa. Repito, você me assusta.

— Você que perguntou, Adams. E, que fique registrado, eu te ajudaria a esconder o corpo.

— O único corpo que você vai precisar me ajudar a esconder, é o meu mesmo. Nessa aula. Esse professor também tem uma admiração doentia por Rosemary.

A garota, balançando os seus cabelos loiros e brilhantes com descrença, fechou os olhos. – Que ótimo.

[…]

— Cabelo legal.

Levantei o olhar do livro que lia, perdendo completamente a linha de raciocínio.

Perfeito, era só isso que faltava mesmo. Estava lendo essa página há mais de meia hora, e ainda não havia passado do terceiro parágrafo. Para melhorar, tinha de ter sido interrompida por esse ser acéfalo.

Zac Lounge.

Eu já tinha ouvido os rumores. Mais um desses garotos que adora brincar com o coração das garotas. Chama isso de clichê.

Não que eu possa falar muito, Julian era esse clichê. Uma versão dele, pelo menos. Algo em Julian era mais doentio, e sombrio, e dramático que o normal.

E eu tenho de parar de pensar nessa pessoa, ou mesmo comparar ela com outras pessoas. Acho que um ano de silêncio, mostra o suficiente. Terminámos. Assim, desse jeito estranho e impessoal.

— O que você quer, Zac? – acho que ele não estava esperando a minha resposta fria, porque logo o seu sorriso galanteador transformou-se numa linha reta.

— Você sabe o meu nome?

Revirei os olhos. — Qual é o espanto? Somos da mesma classe, você é popular com as garotas… eu ouvi os rumores.

Zac tomou a liberdade – que eu não dei – de sentar-se na minha frente.

Eu só queria um pouco de paz. Era isso que supostamente, você conseguiria numa biblioteca!

— Rumores bons, eu espero.

— Claro. Agora que você se sente validado, pode sumir da minha frente? Estou tentando estudar e sobreviver essa vidinha miserável.

Acho que nunca fiquei tão feliz por ver Jane Morgan. Ali estava ela. Balançando os seus cabelos loiros como num comercial de shampoo, atacando cada pessoa que passasse perto dela. Eu sinceramente não sei que raio de mania essa, de ficar balançando o cabelo. Era estranho, como se Jane vivesse no seu próprio mundo, onde as pessoas paravam para olhar sempre que ela entrava em algum lugar.

O que, sinceramente, não estava muito longe da dura realidade.

— Você é engraçada. – voltei a olhar para o cara na minha frente, que ainda não havia entendido a mensagem. – Vamos no cinema essa sexta? Eu te pego às sete.

— Não estou interessada, Lounge.

Algo no cérebro de Zac paralisou e ele entortou a cabeça, parecendo confuso. – E porque não?

— Porque não. Não estou interessada. Não quero sair com você.

Zac revirou os olhos. – Eu te deixo escolher o filme, Harvey.

Harvey.

Maravilhoso.

— Não, obrigada.

Zac iria falar algo mais, mas Jane foi mais rápida. Pegando o cara pelo colarinho da camisa, a garota obrigou Zac a levantar-se da cadeira na minha frente. – Eu imaginaria que alguém que frequenta essa faculdade, saberia entender linguagem básica de comunicação, mas parece que esse não é o caso. Não é não, meu caro. Na primeira vez, na segunda, na terceira e por aí fora. Não, não é um desafio que soa a talvez se você insistir muito. Se eu vir você rondando feito sanguessuga, a minha amiga de novo, eu te faço chorar.

Acho que nunca vi ninguém correr com tanta rapidez. Nem mesmo eu, quando ouço que tem salgadinho gratuito por perto.

— Obrigada, Morgan, mas acho que você o traumatizou.

— Disponha, e eu sei que mais cedo ou mais tarde, você iria tacar o livro mais pesado dessa mesa, na cabeça dele. Na verdade, eu zelei pela segurança do cara.

Sorri, tinha uma boa chance de isso acontecer. Ficámos mais algumas horas estudando, até Karl aparecer na biblioteca me arrastando de volta para o apartamento de Rosemary.

Quando cheguei, Nadine, essa pessoa que merece um lugar no céu, tinha já um pequeno lanche preparado para mim na cozinha. Abracei-a com carinho, e quando ela retribuiu, afastei-a com surpresa.

Era a primeira vez que eu fazia algo do tipo, desde que cheguei em Nova York. Mordi o canto da boca com força, sentindo saudade do meu pai, de Lauren e principalmente do Chad.

O salto alto de Rosemary foi o suficiente para afastar esses meus pensamentos. Nadine endireitou-se imediatamente, afastando-se de mim. Não era bom sermos vistas desse jeito tão próximo.

— Boa tarde, filha. Nadine. – inspirei fundo. Filha do capeta, só se for. Não respondi, enfiando um dos sanduíches de Nadine na boca. – Boas notícias!

— Você comprou uma passagem só de ida para a Sibéria?

Na minha frente, Nadine mordeu o lábio para não deixar escapar um sorriso debochado.

— Engraçadinha, Harley. Pode dar uma folga para esse seu humor, porque essa noite, vamos receber uns amigos importantes aqui em casa.

Bebi um pouco do suco de laranja. – Como assim uma pessoa como você tem amigos? Impressionada.

Dessa vez, Rosemary simplesmente decidiu me ignorar e aproximou-se de Nadine. – Precisa estar tudo perfeito. Eles são amigos de longa data. Faça pratos leves e requintados para o jantar. E Harley, por amor, arruma esse cabelo.

Arruma essa atitude primeiro.

— Certo. Mas, fala, afinal quem são os pobres infelizes?

— Os Lounge. Talvez você conheça o filho mais velho deles. Ele frequenta a mesma faculdade que você, querida. Um garoto muito agradável e de boas maneiras, Zac.

Peguei o outro sanduíche e engoli tudo de uma vez, engasgando-me no processo. Rosemary encarou-me como se eu fosse demente e saiu da cozinha em direção ao seu escritório.

Ai que puta merda.

Notas finais
Nos encontramos nos comentários? Especial agradecimento para as lindas: — Víbora Vermelha — Hay Lin — Sophia — BabyDoll — Silvana A — Manu and Poly Obrigada por não desistirem de mim ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.