Cocaine

20 E pela primeira vez, eu tive medo da morte


Notas iniciais
Tenho que admitir que fiquei um pouco desapontada com a baixa quantidade de reviews, mas mesmo assim achei que estava vos devendo e BAM: um dos capítulos mais revelador da história! Ebaaaa! Aviso também que um capítulo narrado por Julian está chegando! E wow, esse é o capítulo 20 e é o mais longo e tenso até agora, acho. Só acho. Obrigada por todos os comentários, me deixaram muito feliz! Agora sem mais delongas, Boa leitura, viciados!

A garota estava irritada. Pior, ela estava puta.

E eu parecia a razão disso.

[…]

– Espero que esteja satisfeita, pois tudo isso é culpa sua. – murmurou Jane, atropelando-se nas palavras. O corpo da garota tremeu violentamente e ela fez menção de se aproximar de mim, mas foi parada por seu irmão Jackson que só agora, eu havia notado estar presente.

– Que culpa tenho eu se você é uma víbora que só se sente bem arruinando a vida alheia?

Jane me encarou enfurecida enquanto ria. – E você é uma santa, Adams. Tão santa que por sua causa alguém cometeu suicídio!

De repente, minha garganta parecia seca. Julian agarrou minha mão com força quando me viu vacilar. Encarei os seus olhos agora azuis, tão sinceros e fortes.

– Como você sabe disso? – perguntei, encontrando a minha voz no aperto que a mão de Julian fazia na minha.

Jane foi puxada por Jackson. O garoto tinha uma expressão assustada no rosto e tentava a todo o custo acalmar a irmã.

– Me larga, Jackson! – gritou Jane enfurecida, chamando a atenção de várias pessoas que pararam para assistir. – Eles precisam saber a verdade. Eles precisam saber que essa sonsa ficou brincando com dois irmãos ao mesmo tempo. A vadia é ela, não eu!

Engoli em seco e soltei a mão de Julian. Como é que Jane descobriu tudo o que eu tentei enterrar durante tanto tempo? Aproximei-me dela, deixando a segurança que a presença de Julian me proporcionava.

– Você não tem o direito de falar do que não sabe. – murmurei baixo, mas alto o suficiente para a garota ouvir. Jane soltou outro riso malévolo enquanto tentava soltar-se dos braços fortes de Jackson.

– E você tem o direito de me expor?! Essa é para rir, Harley! Você apontou o dedo para mim quando é igual ou pior. Pelo menos, eu não fiquei traindo meu próprio namorado com o irmão dele! Sério, Jackson! Me larga! – gritou Jane, conseguindo sair dos braços do irmão.

Sem que eu pudesse me esquivar, Jane aproximou-se de mim e quando quase me ia tocar, Jackson agarrou seus braços novamente. Eu pensava que ela não me tocara, mas estava muito enganada.

O grande aglomerado de pessoas que nos rodeava, provou-me isso. Todos me encaravam surpreendidos. Não entendi o porquê, até sentir as minhas mechas roxeadas e demasiado compridas, invadirem-me o rosto. Peguei numa das mechas, sentindo o pânico atravessar-me. Eu estava exposta. Meu disfarce caíra completamente. Sentia-me nua perante o olhar de todos.

Encontrei vários rostos conhecidos nas pessoas que assistiam a discussão. O primeiro rosto que vi foi Daniel. O garoto além de surpreendido, parecia maravilhado. Vi os seus lábios moverem-se silenciosos, dizendo: “Você era a garota do bar”.

Desviei o meu olhar para Jade. A minha colega de quarto não me olhava. Na verdade, a sua atenção estava voltada para Jane. O seu namorado segurava seu pulso impedindo-a de acertar contas com a Morgan.

Senti os dedos de Julian percorrem-me a cintura. Não. Não posso. Eu preciso me afastar deles. De todos eles. Jared tem olhos e ouvidos por todo o lado. Eles seriam apenas mais vítimas da fúria do garoto! Desenvencilhei-me de Julian e corri para longe de todas aquelas pessoas. Eu não queria ser a culpada por arruinar vidas novamente.

Mesmo estando longe, ainda conseguia ouvir os gritos enfurecidos de Jane. Ignorei-a e corri com todas as forças que ainda me restavam. A rua estava movimentada e cheia de vida. Todas as pessoas pareciam seguir as suas vidas despreocupadas, sem saber o quanto eu me sentia destruída.

Deixei os cabelos voarem no vento, sentindo uma liberdade estranha. Provavelmente, eu estaria morta em poucas horas.

Mas mais uma vez, eu estava enganada. Não seriam horas. Seriam na verdade míseros minutos.

Estava me preparando para atravessar a rua quando a sombra de uma figura me fez parar. Levantei o olhar do chão e vi-o ali. De mãos nos bolsos e sorriso debochado. Jared.

Arfei, sentindo-me tonta. Eu sabia que Jared tinha olhos e ouvidos por toda a faculdade. Era só uma questão de tempo até ele me encontrar. Vi-o avançar na minha direção. Não recuei, não tentei sequer fugir. Só esperei o inevitável.

Não consegui deixar de o comparar com Nolan. Jared e o meu ex-namorado eram tão semelhantes que chegava a magoar-me. Encarei seu rosto, exibindo uma coragem que eu realmente não sentia. Um sorriso de falsa simpatia brincou nos seus lábios. Lábios esses que eu conhecia demasiado bem.

– Tive saudades suas. – sussurrou, pegando suavemente na minha mão. Recusei-a bruscamente. Jared revirou os olhos e pegou numa das minhas mechas cheirando-as. Senti nojo dele e principalmente de mim por ter gostado desse maldito. Mas isso é passado. E não é relevante mesmo.

O garoto não esperou uma resposta minha e começou a caminhar, guiando-me para longe de toda a animação da rua. Poucos minutos depois, adentrámos uma velha loja de tatuagens abandonada e escondida por dois prédios altos.

Jared entrou, puxando meu pulso que já estava doendo. Ignorei a dor e concentrei-me no ambiente sujo e desorganizado. Não pude prestar muita atenção nos pormenores pois o garoto jogou-me no sofá empoeirado sem dó nem piedade.

– Ah, você realmente julgou que conseguiria esconder-se de mim. – riu Jared, parecendo genuinamente divertido. – Mas você é óbvia demais, minha rosa.

Minha rosa.

O apelido carinhoso que Nolan me dera, provocou-me uma dor dilacerante no peito. Culpa. Eu cada vez mais me sentia culpada.

O garoto continuou ignorando o meu silêncio mortal. — Eu sabia que você se esconderia em East River. Seu pai sempre quis que a filha cursasse Física na melhor universidade do país, não é verdade? Eu estava tão certo disso que até te enviei um aviso, mas você nem notou.

– Um aviso? – questionei, sentindo-me confusa.

Jared sorriu abertamente mostrando a fileira de dentes brancos e perfeitos. – Fui eu que destrui o escritório do reitor e escrevi seu nome na parede. Eu tenho que admitir, foi bem fácil. Jenkins foi bem cooperativo assim que o dopei.

– Você é doente.

O garoto riu novamente, mas dessa vez a risada dele provocou-me arrepios. Era maníaca. Sem aviso prévio, Jared puxou-me pelo braço na sua direção e depois empurrou-me contra uma das paredes frias da loja.

Minhas costas arquejaram com o impacto. Senti uma dor aguda na coluna, mas ignorei. Jared colou nossos corpos enquanto uma das suas mãos rodeava meu pescoço sem o apertar. O seu rosto desapareceu na imensidão do meu cabelo. Senti-o cheira-lo. A sua respiração pesada e quente aproximou-se de meu ombro e lá, ele me mordeu com força.

Senti lágrimas aflorarem os meus olhos, e comecei a desferir tapas e socos no peito de Jared. Ele nem se mexeu. Aliás, ele ainda soltou um dos seus risos debochados. Uma das suas mãos continuava rodeando meu pescoço enquanto a outra, acariciou o meu rosto antes de Jared fechar o punho e desferir um soco contra mim.

Com a força do golpe, cai para trás batendo a cabeça na parede. Senti um líquido espesso misturar-se com o meu cabelo. Passei uma mão trémula no lugar, verificando que estava mesmo sangrando.

Jared colou nossos corpos novamente e puxou meu rosto para ficar no nível do seu. O garoto olhou-me no fundo dos meus olhos com os seus. O meu coração falhou uma batida quando reconheci algo diferente no seu olhar… Talvez tristeza?! Arrependimento?

O garoto aproximou seu rosto do meu e beijou a face que antes fora magoada por ele. Meu coração se apertou com esse gesto. Jared continuou distribuindo pequenos beijos no meu rosto até atingir meus lábios.

E quebrando a distância entre nós, o garoto beijou-me. Aceitei o seu beijo sem pensar direito no que estava fazendo. Minha cabeça latejava. E a sombra do velho Jared amoroso, deixara-me confusa e um pouco tonta. Os seus lábios moveram-se nos meus parecendo desesperados. Estremeci quando senti sua língua adentrar a minha boca.

Um lampejo de sanidade desceu sobre mim nesse exato momento e consegui reunir forças para empurrar Jared. O garoto cambaleou para trás, exibindo uma expressão confusa. Colei as minhas costas na parede tentando aumentar a distância entre nós.

O ambiente na sala mudou novamente. O vislumbre que tivera do antigo Jared desapareceu dando lugar ao assassino vingativo. O garoto aproximou-se novamente de mim e suas mãos rodearam meu pescoço apertando-o com força. Senti o ar ficar escasso e a carne tenra latejar.

– Você realmente merece morrer, Harley. Você é errada. Você me deixa louco. – rosnou Jared, apertando um pouco mais. Coloquei minhas mãos sobre as suas, tentando diminuir a pressão.

– Sabe do que mais me arrependo? – não reconheci a minha voz. Estava rouca demais, fraca demais. Temi pela primeira vez a morte. – Eu arrependo-me de ter perdido a minha virgindade para você.

O aperto de Jared aliviou-se assim que eu terminei de falar. Um brilho de fúria ainda maior que o anterior lampejou nos seus olhos. Depois disso, o meu corpo foi empurrado na direção do chão e Jared gatinhou para cima de mim, abrindo minhas pernas com raiva.

Estremeci quando o garoto arrancou o casaco de capuz do meu corpo, deixando-me com a minha blusa fina. Amaldiçoei a minha boca. Ótimo, vou ser estrupada.

Tentei sair debaixo do garoto, mas Jared tinha o dobro do meu peso e eu estava demasiado debilitada para conseguir fazer alguma coisa.

Então, como qualquer garotinha assustada, eu gritei. Isso só pareceu incentivar o maníaco. Desferi socos no seu peito, sentindo a minha cabeça arder cada vez mais.

Fechei os olhos, tentando impedir as lágrimas de descer e por momentos, tudo pareceu parar. Já não sentia o peso de Jared. Os machucados continuavam ardendo, mas eu estava livre.

Eu… Eu morri? Porra. Meu pai vai ficar furioso por eu não acabar Física. Oh, e Chad?! Eu tinha tantas saudades de meu irmãozinho homossexual. Parecia que fazia uma eternidade que eu não o via. E só fazia dois dias.

Hum… vou sentir falta de Jade. Essa louca endiabrada que tem queda por dramas melosos. E Miriam. Agora que eu a reencontrei, vou voltar a perdê-la. Argh, que injusto.

E… Julian. O garoto cafajeste filho do capeta por quem eu me apaixonei cegamente. Meu Hades, agora que penso sobre isso, é tudo tão clichê! A mocinha apaixona-se pelo cara e… Que porra, eu sou uma negação!

– Você consegue levantar? – perguntou uma voz distante. Hades, é você? Seja carinhoso comigo e eu serei sua… — Harley, abre os olhos caramba!

Senti meu corpo ser achocalhado. As minhas costas doeram. Gemi em protesto.

– Harley!

Um cheiro maravilhoso alcançou as minhas narinas. Era uma mistura de canela, menta, cigarro e sabonete. O cheiro de um homem. O cheiro que eu conhecia e que sempre que inebriava.

Abri os olhos imediatamente quando uma onda de reconhecimento me atingiu. Julian olhava-me com preocupação. Julian?! O que diabos ele faz aqui?

– Vamos, tente se levantar. – pediu Julian, encaixando suas mãos quentes na minha cintura. Sem nenhum esforço, o garoto levantou-me e para que eu não caísse, colou-me a si.

– Sério que você vai defender ela? Julian, achei que fosse mais inteligente amigo… — rosnou uma voz que reconheci ser a de Jared. Segui-a, sentindo-me meio tonta por mover a cabeça. Encontrei o assassino um pouco afastado de nós. Jared limpou o sangue que tinha no rosto e cuspiu para o chão. Examinei as suas faces mais detalhadamente e vi um conjunto impressionante de machucados.

Julian fez isso? Examinei Julian dessa vez, tentando encontrar um estrago semelhante. Nada. Julian estava perfeito e bonito como sempre.

– E eu achei que você fosse o meu velho amigo, mas você mudou Jared. – respondeu Julian, acariciando distraidamente as minhas costas.

– É por ser seu amigo que eu estou te avisando… essa garota… sabe o que essa garota fez comigo?

Vendo que Julian não respondeu, Jared continuou.

– Essa garota namorou o meu irmão e quando cansou dele, caiu nos meus braços. O meu irmão Nolan suicidou-se por sua causa! Ela é a culpada. Ela o matou, Julian!

Julian apertou-me mais contra si. – Todos nós cometemos erros. Uma pessoa não deveria ser julgada por isso. Vá embora, Jared. Essa é a sua oportunidade. Simplesmente, vá embora antes que eu me arrependa e chame a polícia.

Jared riu debochado. Estava começando a odiar esse seu riso. Mesmo parecendo contrariado, o garoto seguiu o conselho de Julian e começou a afastar-se na direção da porta da loja de tatuagens.

– O amor que tem por essa vadia vai ser a sua perdição, amigo.

Jared não foi logo embora. Antes disso, olhou para mim uma última vez e nos seus orbes, eu vi o aviso escondido. Isso ainda não terminou.

Notas finais
Reviews, favoritos e recomendações são bem-vindos e juro que seus dedos não vão cair.