Cocaine

24 Brincando com o fogo


Notas iniciais
Oi oi viciados! Eu sei, eu demorei UM MÊS para postar o novo chapter! Em primeiro lugar, eu demorei porque fui assistir dois shows (Arctic Monkeys e Imagine Dragons). E sim, eu estou esfregando isso na sua cara porque sou malvada! MUAHAHAHA E eu acho que eu engravidei pelos olhos e pelos ouvidos... quero dizer, eu realmente fiquei em choque durante algumas semanas porque foi um sonho realizado. Além disso, eu fiquei deprimida por várias razões e só agora (depois de ter enchido a cara) eu consegui postar! Brinks Quero agradecer a todos os reviews, MP e em especial: a Tessa que é uma garota formidável e que recomendou! Meu Hades, 12 recomendações gente! Nunca na vida imaginei! Sendo assim, Tessa esse capítulo é inteiramente dedicado a você. Meu coração parou porque além de eu não estar esperando isso, você me alegrou pra caramba! Obrigada! SÓ MAIS UMA COISA! Depois desse capítulo, por favor não odeiem o Julian! He's a good (bad) boy kkk or not Boa leitura *

– Quer ajuda, amor? – perguntou Julian, rindo da minha desgraça. Respondi com um xingamento nada educado e ouvi a sua risada rouca de novo. Logo depois, ouvi os seus passos afastarem-se.

Mordi o lábio e deslizei pela porta do banheiro.

Um dia quem acaba morrendo sou eu.

[…]

Talvez eu devesse esquecer essa raiva que me consome. Talvez eu devesse esquecer a humilhação. Talvez eu devesse ignorar esse surto possessivo que ele teve por culpa de Daniel. Talvez.

Mas, felizmente, a palavra talvez não se adequa a Harley Adams. Levantei-me rapidamente do chão e observei-me no espelho do banheiro. Sorri maliciosamente e abri a porta devagar, retirando a chave e escondendo-a no bolso da minha calça.

Tomei fôlego e gritei com todas as minhas forças. Pouco tempo depois, os meus três colegas de apartamento apareceram com expressões extremamente preocupadas. Engoli uma gargalhada e tentei fazer a minha melhor cara apavorada.

– O que você fez dessa vez, sua maluca?! – perguntou Chad, adiantando-se. Revirei os olhos e apontei para um ponto qualquer atrás de mim.

– T-tem uma aranha gigante bem ali. – falei, gaguejando propositadamente. A face do meu meio-irmão empalideceu. Eu sabia que Chad não iria se aproximar do banheiro e me “ajudar”, pois sua maior fobia era aranhas. Jade — apesar de ser meio endiabrada – continuava sendo uma garota, sendo assim ela nunca iria matar a nossa suposta “convidada”. Quem seria o herói dessa bela história?

Julian Idiota Grant.

Como pensei, Chad e Jade deram um passo para trás. Acho que mais tarde vou ter que agradecer a cobardia deles! Olhei para Julian, esperando que ele não vacilasse. O garoto revirou os olhos, e empurrou-me levemente para o lado entrando no banheiro. Ah, o meu herói.

– Onde está a pobre criatura?

Sorri, sentindo-me a cúmplice do capeta. — Bem aqui, amor.

Julian olhou na minha direção e eu aproveitei a deixa e dirigi-lhe o meu dedo médio perfeito. Fechei a porta com força e tranquei-a com a chave.

– Har-Harley! Porra, abre essa merda! – gritou Julian, esmurrando a porta com força. Finalmente pude gargalhar com vontade. – Sério, Adams! Abre essa merda agora ou eu não vou responder por mim!

Virei-me na direção dos meus dois cúmplices involuntários e fiz a dança da vitória mais escrota que consegui. Jade acompanhou-me na dança enquanto Chad massageava as têmporas.

Obrigada minha santa das causas perdidas! Finalmente eu consegui vingar a honra das mulheres! A-há!

Tudo estava perfeito até que um silêncio estranho instalou-se entre nós. Julian já não gritava. Virei-me na direção da porta, sentindo-me meio assustada. Será que… eu matei ele? Sei lá, ele podia ter fobia de banheiros ou claustrofobia. Ou pior! O fantasma do banheiro!

– Julian? – murmurei, prendendo a respiração.

Um minuto de silêncio.

Três.

Engoli em seco.

Mordi o lábio e quando ia aproximar-me da porta, Chad segurou-me o braço. Encarei-o sem entender.

Cinco minutos de puro silêncio e eu estava ficando aterrorizada.

– Ele… — comecei, tentando livrar-me do meu meio-irmão. Um estrondo assustador quebrou o silêncio. Olhei novamente na direção da porta e a minha boca escancarou.

A porta estava caída no chão. E no lugar dela, estava um garoto de braços cruzados e sorriso presunçoso. Julian deu um passo na minha direção.

– Puta que pariu! – gritei, livrando-me do braço de Chad. Corri o mais rápido que pude e tranquei-me no meu querido quarto. Ok. O cara quebrou a porta do banheiro. Definitivamente esse garoto tem um pacto com o demônio!

Alguém socou a minha porta fazendo-me tremer. Acho que até já adivinho quem poderá ter feito isso. O simpatizante do demônio. É.

Encarei o teto e fechei os olhos.

– Deus, eu sei que sou uma alma perdida mas por favor, deixe-me viver um pouco mais! Eu juro que na próxima vez que vir um velho, eu ajudo ele a atravessar a rua!

Hades não atende minhas preces, mas pode ser que Deus o faça.

Mordi uma unha com nervosismo e coloquei uma cadeira segurando o puxador da porta. Eu vi as pessoas fazendo isso nos filmes, então deve funcionar… certo?

Ouvi a risada de Julian soar no outro lado e um novo soco foi desferido na minha porta.

– Boa tentativa, Adams. Mas na próxima vez tenta usar um pouco de originalidade. – disse. Ouvi os seus passos no chão de madeira e logo de seguida, uma porta sendo fechada com força.

Meu senhor das almas mal comidas! Estou salva! Caí na cama, batendo a cabeça com força na parede. Droga! Massageei o local, tentando amenizar a dor e quando consegui, deixei para lá e abracei uma das minhas almofadas. O cheiro de Julian invadiu-me. Menta, cigarro e loção de barbear. O cheiro dele estava impregnado em mim. Aposto que aquele idiota fez isso de propósito!

E foi com o cheiro dele balançando todos os meus sentidos que eu adormeci. E algo raro aconteceu. Eu dormi sem sonhos, principalmente pesadelos. Sem Jared ou Nolan torturando minha mente. Sem meu pai me pressionando. Sem todos esses problemas que parecem cada vez mais presentes na minha vida.

Acordei no dia seguinte, sentindo-me revigorada. Levantei-me num pulo e encarei a cadeira prendendo o puxador. Nossa, eu quando quero sou uma completa lesada. Afastei a cadeira e abri a porta tentando não fazer qualquer barulho. O apartamento estava mergulhado num silêncio total. Pé ante pé atravessei o corredor e entrei no quarto do Julian.

Sim, eu estava pedindo para morrer.

Talvez eu pudesse clamar por piedade e ele fosse generoso com a minha pessoa. Entrei no quarto esperando encontrar um garoto adormecido, mas a cama estava vazia e o quarto perfeitamente arrumado.

Suspirei de alívio. Pelo menos tenho mais algumas horas de vida antes que Julian decida vingar-se novamente. Observei o mural de desenhos cravados na parede do quarto. A minha curiosidade levou-me a melhor e tive que vê-los mais uma vez. Fechei a porta do quarto cuidadosamente e aproximei-me da parede. O desenho de um garoto de cachos e de uma garota loira chamou minha atenção. Chad e Jade, sorrindo como dois bananas.

Verídico.

Passei os meus olhos por outra imagem. Era uma reprodução perfeita do carro que fora oferecido a Julian. Maravilhada, encontrei mais um desenho meu. Dessa vez com o capuz cobrindo o meu rosto e as mãos nos bolsos. A parede terminava com uma pequena estante repleta de livros. Percorri as capas deles com as pontas dos dedos sentindo uma vontade imensa de pegar um e ler.

Quase o fiz, mas a visão de uma caixa pequena escondida entre os livros prendeu-me a atenção. Peguei nela cuidadosamente e abri-a. Fotografias. A primeira era um garotinho com o mesmo cabelo negro e os estranhos olhos azuis de Julian. Oh, um mini Julian. Que fofo! Encontrei mais fotos do mesmo garoto e sorri quando vi cada uma delas. Quem diria que Julian tem um lado mais adorável?!

O meu olhar intercetou uma imagem que eu preferia não ter visto. Julian e Jared exibindo um sorriso cúmplice. Um sorriso que já há muito tempo eu não via no rosto de Jared. Afastei os meus pensamentos subitamente tristes e escondi a foto no meio das outras. As restantes fotos estavam rasgadas. Encontrei duas partes da mesma foto e uni-as.

Era uma garota.

Ela possuía grandes olhos verdes e um longo cabelo castanho cacheado. Uma das suas sobrancelhas erguia-se arqueada em desafio. Um sorriso atrevido brilhava nos seus lábios cheios. O nariz arrebitado dava-lhe um ar altivo.

A garota era linda. Toda ela era repleta de uma beleza natural e perigosa. Admito que fiquei rebentando de inveja. E eu iria continuar olhando a foto e sentindo-me um lixo, mas a voz abafada de Julian fez-me acordar para a realidade.

Eu estava no quarto de um garoto, invadindo a privacidade dele e pior! Eu não estava me sentindo culpada por fazer isso! Guardei a caixa com as fotografias na estante e escondi-me debaixo da secretária. No processo quase derrubei o notebook do garoto, mas felizmente consegui esconder-me bem na hora em que Julian entrou no quarto.

Mas… Afinal porque eu estava me escondendo? Claro. Eu não deveria estar aqui. Respirei lentamente.

Eu conseguia ouvir os passos de Julian percorrendo o quarto mas não me atrevi a espionar. Suspirei, sentindo o meu corpo doer por causa da posição desconfortável. Levantei levemente a cabeça para conseguir alongar as costas, mas parei quando notei algo estranho colado na madeira. Estiquei a mão e com todo o cuidado retirei o envelope branco.

Algo me diz que eu não deveria abrir. Mas desde quando eu faço alguma coisa certa? Abri, tentando não fazer ruído ao rasgar o papel. Retirei de dentro do envelope, várias e várias páginas escritas. Li-as atentamente, parando alguns segundos depois. Isso não fazia sentido algum.

Eram apenas nomes de pessoas. Oh Hades! Ele é um assassino?! Isso explica muita coisa! Voltei a ler e parei quando o nome “Jane Morgan” apareceu. Espera… Jane?

Depois de mais algumas linhas de nomes, encontrei “Jade Russo” ou como eu gosto de a apelidar: garota endiabrada com quem partilho o apartamento. Ok. Jade estava viva, sendo assim, essa lista não é de assassino. Continuei lendo e notei a semelhança. Era tudo nomes de garotas que eu não conhecia. Terminei a lista. O último nome, “Anna Ritcher”. Mas que merda?! É esse o final?

Uma memória já muito distante no passado, apareceu na minha mente assim que li “Anna” novamente.

Eu estava na sala vegetando no sofá quando uma garota furiosa sai do quarto do Julian. Eles trocaram algumas palavras que eu esquecera por causa do tempo. A garota desferiu um tapa no rosto do Julian e saiu. Mas antes disso, eu tenho a certeza que ele dissera algo. Algo importante.

Anna, não existe amor aqui. Foi sexo. Só.

Arfei, tapando a boca com a mão livre. Essas páginas repletas de nomes. Todas essas garotas… Essa lista… é lista de todas as conquistas de Julian? Meu rosto aqueceu. Uma raiva crescente e furiosa percorreu cada célula do meu ser. Ah, ele é esse tipo de garoto?

Putz. Nem sei porque estou tão surpreendida. Eu sempre soube que Julian era um filho da mãe cafajeste. Mas lá no fundo, eu tinha uma esperança. Esperança de que eu pudesse mudar o bad boy. E isso só acontece nos filmes.

E nesse momento, eu queria simplesmente sair do meu esconderijo e esganar o pescocinho perfeito dele!

Eu seria a próxima nessa lista, certo?! Um grande Harley Adams escrito com a sua letra bem cuidada. E depois, quem seria a próxima?! Puta merda!

Mordi o lábio com toda a minha força e logo senti o sabor metálico do sangue. Eu estava quase me revelando e cometendo um assassinato, quando uma batida na porta do quarto me impede. Poucos segundos depois, a porta foi aberta e alguém sem fôlego entra.

Ótimo, mais uma das suas putinhas.

– Você viu a Harley?! Já procurei ela por toda a parte e nada!

Ok. Espero que Chad não seja o próximo da lista! Ou isso vai ficar estranho. A voz do meu meio-irmão acalmou-me um pouco e ajudou-me a pensar com clareza.

Antes de matar o garoto, eu preciso de saber o porquê. Simples assim. Coloquei as folhas dentro do envelope e enquanto o fechava, reparei numas letras muito pequenas escritas na parte da frente do papel. Eu não tinha visto isso.

Daniel – 98

Julian – 110

Espera um pouco. Voltei a abrir o envelope e rapidamente contei todos os nomes da lista. 110.

Puta que pariu! Eles estão competindo?! E porquê?! Que brincadeira mais idiota!

As vozes de Chad e Julian continuavam conversando, mas eu estava chocada demais para compreender o que falavam.

Daniel e Julian… Esses dois idiotas…

Bom, eu queria uma explicação e eu já sabia quem poderia me ajudar. Chad e Julian saíram poucos segundos depois parecendo realmente preocupados com o meu paradeiro. Esse Julian é tão falso! Argh!

Saí debaixo da secretária e sorrateiramente voltei para o meu quarto. Eu precisava ir para a universidade e tenho a certeza que aí eu iria conseguir as respostas para as minhas inúmeras perguntas.

Coloquei uma roupa mais feminina que o normal e deixei o cabelo solto. Organizei as minhas coisas e peguei o meu celular que estava largado na cama. Sai do meu quarto lentamente. O apartamento estava demasiado silencioso. Eles deveriam estar me procurando lá fora. Tanto faz.

Caminhei até á cozinha e anotei o número de celular que estava na geladeira. Saí do apartamento e felizmente o elevador estava cooperando. Assim que cheguei na entrada, o porteiro que normalmente era mal-encarado, lançou-me um sorriso estranho. Parecia quase… malicioso?! Respondi-lhe com um sorriso amarelo e saí do prédio.

Foi inevitável não encontrar os meus três colegas de apartamento. Assim que me reconheceram, vieram correndo e cheios de perguntas para cima de mim. E adivinhei só! Eu ainda estava fervendo e não estava no clima para conversar com alguém, principalmente com o cafajeste irresistível com quem eu quase transei.

Ignorei todas as perguntas e desviei-me deles, caminhando na direção de East River. Pelo menos era isso que eu queria fazer, mas alguém me segurou pelo braço impedindo-me de andar.

– Você pode pelo menos responder as nossas perguntas, sua idiota! – gritou Julian, apertando-me um pouco o braço. Senti um calor raivoso e luxuriante com o contato quente da sua pele na minha.

Mas isso não me fez vacilar. Retirei meu braço do seu aperto e aproximei o meu rosto do seu. – Não me toca. Não fala comigo. Não respira o mesmo ar que eu. E me deixa em paz, Grant.

A expressão confusa que Julian fez assim que proferi essas palavras quase me fez acreditar que tudo isso não passava de um mal-entendido. Eu falei quase!

Afastei-me o mais depressa que pude dele enquanto discava o número que peguei da geladeira no celular. O irritante “tu tu” repetiu-se durante alguns segundos até que uma voz animada atendeu. — Alô!

Caminhei mais depressa, ouvindo o choque das minhas botas na calçada. – Logan? Eu preciso falar com o seu irmão.

– E você quem é?

Revirei os olhos, sentindo-me irritada com o namorado inocente do meu meio-irmão. — Harley Adams, cunhadinho. Agora dá o seu celular para o Daniel.

– E co-como vo-você sabe que eu estou com ele? – perguntou gaguejando. Ele sempre gaguejava na minha presença. Credo, até parece que eu vou matar alguém.

Ah sim, provavelmente eu vou mesmo.

– Eu adivinhei. – e eu esperava estar certa. Logan não desmentiu sendo assim, eu estava com sorte.

– Harley. Que surpresa agradável. – sussurrou Daniel, com a sua voz meio rouca e que fazia qualquer uma enlouquecer. A-há! Hoje não querido.

– Onde você está?

A risada que Daniel deu soou mais obscena do que eu gostaria.

– Porquê? Está precisando… de mim? – revirei os olhos. Abusado. Cafajeste. Filho de uma vaca!

– Sim, eu preciso de você. E preciso muito. – murmurei, tentando fazer uma voz no mínimo sensual.

– Onde e quando?

Sorri vitoriosa. Ah, isso vai ser divertido.

– Cafetaria. Agora.

Não esperei uma resposta. Eu sabia que ele estaria lá. Agora eu tinha outro problema maior. Onde diabos fica a cafetaria mesmo?

Notas finais
Quero muito a vossa presença nos comentários, isso me ajuda muito e me incentiva cada vez mais! Além disso, se você sei lá... quiser me alegrar ainda mais... que tal uma recomendação?! Hum? Hum? Só sugerindo!