Cobaias - A Luta Pelo Amanhã
1 Prólogo
Eu não estava lá. Foi há muitos anos que tudo isso começou, mas eu ouvi histórias, meus avós me contaram muito.
Este lugar nem sempre foi assim, antes era uma terra boa, a sua gente era feliz, não precisavam se esconder ou temer, não tinha ninguém os explorando, mas acima de tudo, aqui reinava a liberdade.
Minha avó não deixou de me falar, sobre o povo do seu tempo, que tanto reclamavam, não sabiam o que é sofrimento. Ela me contou sobre como era um caos, as pessoas faziam tudo o que queria e isso nem sempre era bom.
Meu avô também não descansou, enquanto não me ensinou sobre tempos mais atrás, quando as pessoas daqui amavam sua nação e sabiam a reconhecer.
Sei sobre os tempos de lutas, deste país de povo forte e guerreiro, sempre buscando se manter e hoje não podemos perder este espírito, porquê mais uma vez precisamos da força que tinham aqueles escravos, que lutavam por suas cartas de alforria e pelas dos seus companheiros, a força que tinham as mulheres quando lutaram por seus direitos, a força que tinham os marinheiros, que contra os castigos infernais se levantaram, a força de uma gente que sabe o que é luta e se mantêm olhando para a frente.
Por quê hoje esse mesmo povo, que se denominava brasileiro, está preso como animais em bases laboratoriais, sendo estudados e usados de cobaias em experimentos, alguns antes mesmo de virem ao mundo já sentem e conhecem o que os aguarda aqui.
Essas mesmas pessoas, que maior parte já sobrevive sem esperanças de um dia viver, mães que vêem seus filhos serem arrancados de si, gente que vê seus amigos sendo levados a uma possível morte.
Acha que esses laboratórios são tudo? Eles ainda instalaram espécies de prisões militares para os grupos de rebeldes que se voltam contra eles. Existe a maior delas, a de máxima segurança, onde são enviados os mais valiosos ou perigosos dos capturados, eles a chamam: contenção.
Como essa enorme confusão começou? Uma doença! Uma doença altamente contagiosa, desconhecida e fatal apareceu em estados brasileiros, logo se estendendo por todo o país, doença essa que assustou os outros países, os presidentes proibiram a entrada de brasileiros em seus territórios, com o risco aumentando e o número de mortes amedrontando todo o mundo, o governo não conseguiu controlar e se quebrou, fazendo a ONU decidir por colocar o país em quarentena. Os presidentes de grandes nações, vulgo Japão, EUA, Coréia do Sul e Alemanha, entraram em reunião, considerando pesquisarem a cura, levaram em conta que o país estaria desestabilizado, assim eles tendo a chance de usar o Brasil para avançar na medicina.
Juntos, os melhores cientistas alemães, coreanos, japoneses e norte-americanos foram quem conseguiram achar a tão ansiada cura, que foi mandada para o Brasil por meio de um míssil estadunidense. Se não fosse a cura, poderia parecer um ataque de guerra! Quando a doença só vagava em poucas pessoas e em menor força, os países atacaram e submeteram o Brasil a não mais um país, agora uma fonte de pesquisa medicinal, com bases laboratoriais em todos os ex-estados, onde eles mantêm os ex-brasileiros presos, a maior parte do Japão e EUA. Aqueles que antes se denominavam 'brasileiros', hoje, são meras cobaias.
Os experimentos são cada vez mais bizarros, já fiquei sabendo de verdadeiras aberrações criadas lá, sem contar nas habilidades anormais que vários dos presos ou fugitivos das bases já demonstraram! Pessoas com características animal, outras com mente capaz de feitos extraordinários, entre tantos mais.
Dentro destas bases o inferno faz morada. Mas aqui, do lado de fora, talvez tenhamos uma esperança bem maior, porquê embora alguns ainda prefiram se esconder, já ouvi boatos sobre organizações de fugitivos que lutam para libertar os outros presos, sobre cidades escondidas formadas de um povo que já sofreu nos laboratórios, tantas e tantas histórias que eu espero que sejam reais.
Por que eu acredito nelas? Eu creio porquê eu vivo em uma cidade escondida também, porquê muitos daqui lutam para libertar nossa pátria e para proteger os mais fracos entre nós. Não, não sou uma fugitiva de base, na verdade eu nunca fui feita cobaia destes experimentos, a minha cidade é de sobreviventes do início do caos, quando essas nações estrangeiras invadiram nosso território e caçaram nossa gente, aqui moram as linhagens dos que conseguiram se esconder e com o tempo formaram esta cidade que hoje eu chamo de lar. Ouvi dizer sobre outras cidades de sobreviventes como nós, temos contato com algumas delas, sabemos também que somos chamados: "anônimos" pelos estrangeiros, que ao se livrarem de todo dado brasileiro, perderam qualquer ajuda que poderiam ter para saber quem somos nós e quantos somos.
Como o mundo lida com isso? Aí é que está: ele não lida! Temos quase absoluta certeza de que ninguém lá fora sabe de nós a não ser que tenha permissão da ONU ou de algum dos países exploradores. Por quê dessa certeza? A ENORME vigilância sobre quem entra e quem sai do país, o fato de ter tantos militares e marinheiros cuidando de todo o arredor do país.
Quem sou eu em meio a essa confusão? Eu sou Ana Martins e, por controvérsia, sou uma anônima.
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