Notas iniciais
Oie! Eu de novo!

Ser líder de torcida não era uma coisa fácil, mas Rie Lee Yang o fazia aquilo com maestria. Era carismática, conhecia praticamente todos da escola, dançava e saltava muito bem.

Desde pequena, ela, junto de Isabella, dizia que iria fazer parte daquele time por ser seu destino. E, no caso, ela entrou para as líderes, Bella desistiu no caminho.

— Nikkie! — Rie gritou. A líder estava na base das arquibancadas junto das outras meninas que vestiam o mesmo uniforme roxo e branco clássico com as iniciais da Perse estampadas no peito. — Ele ligou?

— Não! — Ela ouviu a amiga gritar de volta. Nicole estava bem longe dela, já que o único lugar com cobertura era quase na parte mais alta das arquibancadas.

Rie suspirou. Iria matar aquele idiota! Ele tinha prazer em fazê-la passar raiva, só podia!

Mas não podia se irritar com aquele babaca quando precisava se concentrar em manter o equilíbrio para os saltos.

— Meninas, vamos começar! — a treinadora Paulson exclamou já no meio do campo da pista de atletismo.

A menina seguiu as outras companheiras do time até o encontro com a treinadora. Lee Yang gostava da senhorita Lessie Paulson. Ela era sempre bastante simpática e educada, mesmo treinando um bando de adolescentes mimadas. Paulson devia ter saído há pouco tempo da faculdade, pois não devia ter mais de trinta anos. E era realmente bonita. A pele negra escura fazia contraste com os dentes brancos, e os olhos também negros sempre pareciam refletir alegria. Todos os dias estava vestida com o uniforme igual ao do senhor Turner e tinha uma prancheta na mão para conferir as posições das meninas.

— Vamos começar pelos alongamentos! — Paulson disse com um sorriso. — Depois treinaremos os saltos por grupo.

As meninas assentiram e começaram a fazer o que lhes foi dito. Rie logo terminou de alongar e subiu rapidamente as arquibancadas até onde Nicole estava. Seu grupo de saltos era o quinto, então tinha um tempinho.

— Ainda nada? — Lee Yang perguntou sem fôlego quando parou ao lado da amiga.

Nope — ela respondeu enquanto mexia no celular.

Nicole Calloway era um ser excêntrico. Tinha a pele e os cabelos tão brancos quanto papel, também fazia questão de pintar as madeixas de um rosa claro que era quase impossível decidir se estavam ou não tingidas. A menina tinha os olhos azuis bem claros, assim como os cílios, que não tinham melanina nenhuma. E para completar o conjunto, quando não no período de aulas, vestia-se com peças de roupa que podiam lembrar os rockeiros dos anos 80 se não tivessem tons pastel.

— Eu vou matar aquele homem! — Rie rosnou e sentou-se ao lado da amiga. Pegou seu celular e rolou pelas mensagens com o namorado.

A menina asiática estava namorando com Paul Lewis tinha dois meses. Eles se conheceram em uma festa na casa de uma das meninas do time das líderes. Ele era mais velho, já estava no segundo ano da faculdade, e era amigo do irmão da menina que tinha organizado a festa. No dia, Rie ficou bastante bêbada e disse que tinha achado ele muito lindo, com aquela pele morena e olhos esverdeados. Paul riu na cara dela e disse que ela era muito bobinha. No dia seguinte, ela acordou com uma mensagem de um número desconhecido que mais tarde descobriu ser de Lewis.

— Sabe que ele pode estar estudando, né? — Nikkie disse ainda olhando para próprio celular. Ela mascava um chiclete.

— Sei. — Rie suspirou e estendeu a mão para a amiga.

— Então para quê a paranoia? — A albina tirou um chiclete do bolso e colocou na mão de Lee Yang.

— Faz dois dias que nós não conversamos... Sei lá, só estou meio preocupada.

—Qual foi a última coisa que ele disse? — Nicole colocou o celular de lado e tirou um livro de matemática de dentro da bolsa holográfica e cheia de pins de bandas.

— Que ia para a academia. — Rie suspirou frustrada. — Mas talvez ele só esteja totalmente ocupado, né?

— Com certeza. — A amiga sorri-lhe com conforto.

Okay, Rie preferia acreditar naquilo e se concentrar no treino. Ela suspirou mais uma vez e deixou Calloway na arquibancada para juntar-se ao seu grupo, que era o próximo a treinar os saltos.



Lee Yang saiu do treino suando igual a uma porca. Pelo menos era assim que enxergava.

Andou até a amiga que a esperava na parte de baixo das arquibancadas com uma garrafinha de água nas mãos.

— Obrigada — a coreana respondeu depois de ter bebido quase metade do conteúdo.

— Ele respondeu — Nikkie disse com um sorriso de lado, vendo a amiga quase engasgar com o líquido e estendendo o celular com capinha roxa.

— Finalmente! — ela exclamou.

[12/09 16:22] Amor ♥: q caralho Rie

[12/09 16:22] Amor ♥: eu tava no trabalho com meu pai

[12/09 16:23] Amor ♥: vou conseguir um emprego na parte da tarde lá

[12/09 16:28] Lee Yang ☺: que bom amor!

[12/09 16:28] Lee Yang ☺: achei que tinha acontecido alguma coisa...

[12/09 16:28] Amor ♥: pq vc demorou para responder?

[12/09 16:28] Lee Yang ☺: tava no treino :)

[12/09 16:30] Amor ♥: acho bom msm

Rie suspirou aliviada. Paul só estava procurando um trabalho.

— Vamos comer alguma coisa? — ela perguntou virando-se para Nicole.

— Claro! Eu estou morrendo de fome!

Depois de dez minutos de discussão entre ficar na escola e pedir pelo delivery, e andar cinco minutos até à cafeteria mais próxima (coisa que Nicole estava evitando por ter decidido que naquele dia ia estrear suas botas tratoradas, e elas estavam matando-a), foi decidido que iam ao café, com Nicole debaixo de sua sombrinha também holográfica.

O lugar era pequeno, mas era o queridinho da maioria dos alunos da Perse por ser barato e perto da escola. Então, naquela hora, estava quase lotado de adolescentes com gravatas roxas.

— Argh. — Rie disse assim que entraram e ela olhou pelo local. — As Cobras estão aqui.

As Cobras, como a coreana carinhosamente gostava de chamar, eram três meninas do mesmo ano que ela e Nicole. Rachel Mitchell, Mia Allen e Alissa Campbell. Todas elas tinham praticamente a mesma cara, com olhos azuis claros, cabelos loiros longos e magras de provavelmente anos negando comida. Além de serem totalmente arrogantes e se acharem as donas da escola só porque o pai de Rachel era um dos investidores da Perse.

E como estudavam desde o primário juntas, Rie e as três já tinham trocado várias farpas durante esses anos.

A principal foi a que fez dela a melhor amiga de Nicole.

— Ignora — Nikkie disse, segurando a mão da amiga. — Vamos pedir e sentar naquela mesinha ali do outro lado.

— Tá. — Rie bufou. Toda vez que via aquelas três jararacas, tinha vontade de arrancar a garganta de cada uma.

— Boa tarde, meninas — disse o atendente assim que chegaram ao balcão. Ele se chamava Zeki e tinha provavelmente descendência turca. Para além disso, encantava Nicole até os fios de cabelos.

— Boa tarde, Zeki — Calloway respondeu e corou. Rie achava engraçado quando isso acontecia, porque o sangue nas bochechas em contraste com a pele branca não era nada discreto.

— Boa tarde, Zeki — Rie também respondeu. — Vou querer um lanche natural e um suco de laranja. Já a minha amiga aqui vai querer seu número de telefone!

— Rie! — Nicole sussurrou exasperada para a amiga que riu da cara dela, cuja ficou ainda mais vermelha.

— Para a bonita aqui, além do seu número, um croissant e um milk-shake de morango — disse para Zeki que, se não se enganava, também tinha as bochechas levemente vermelhas.

— É, hum, é pra já — ele disse.

Assim que o menino virou as costas para preparar o que as meninas tinham pedido, Nicole se controlou para não gritar:

— Você é maluca?

— Ah, para de cena. Você vive dizendo que acha ele um lindinho, e eu já reparei que ele te olha bastante quando a gente vem aqui. Eu só dei a cartada branca para vocês. — Lee Yang deu de ombros.

— Ele deve ficar me encarando igual todo mundo faz por eu ser do jeito que eu sou — Nicole pontuou como se fosse a coisa mais óbvia, e Rie fosse cega.

— Não. — Ela rolou os olhos. — Ele fez isso no primeiro dia de trabalho dele, depois, todas as outras 367 vezes foram porque ele deve ter te achado um arraso.

E antes que Nikkie pudesse responder, elas ouviram a voz arrastada e arrogante de Rachel.

— Mas olha só quem saiu do lixão. Eu reconheceria esse uniformezinho a quilômetros.

Rie, que estava de costas para onde as três meninas estavam sentadas, virou-se com seu melhor olhar mortífero.

— Ah, se não é a coisa mais nojenta dessa escola — Rie disse. — É claro que você reconheceria o uniforme das líderes. Você deve sonhar com ele, já que não tem um, não é, Rachel?

Rie viu o sorriso sarcástico da menina fraquejar rapidamente. Ela estava sentada entre Mia e Alissa. As três antes estavam conversando com alguns meninos que babavam em cima delas, mas, aparentemente, Rie ainda era mais importante que um par de bolas.

— Ah, Lee Yang, como você consegue ser tão baixa? — Rachel ironizou. — Se bem que acho que é bem esse o seu nível, não é? O seu e dessa coisinha que chama de amiga.

— Você querendo me orientar sobre o meu nível, Rachel? — Rie se segurava para não voar na menina. Principalmente depois de mencionar Nicole. — Para quem claramente fez o pai tirar a acusação de bullying das costas depois de jogar tinta na Holly ano passado. Você é nojenta, Mitchell.

A menina chegou a abrir a boca para responder Rie, mas Zeki foi mais rápido e disse:

— Rie, Nicole, seus pedidos estão prontos. Eu fiz para viagem.

— Obrigada, Zeki — Lee Yang respondeu e pegou o pacote com o logo da cafeteria das mãos do menino. Depois puxou Nicole para fora daquele lugar.

***

— Meus pés estão me matando! — Nicole exclamou assim que elas se sentaram de novo nas arquibancadas da escola. De lá conseguiam ver os meninos do futebol americano ainda treinando. Ela abriu a sacola de papel e pegou seu croissant, depois passou o pacote para Lee Yang.

— Quem mandou comprar esses sapatos estranhos? — Rie disse apontando para as botas brancas e tratoradas da menina. Elas tinham provavelmente uns dez centímetros de salto e a deixavam bem mais alta que a líder de torcida.

— Porque eu gosto — Nikkie respondeu olhando para a amiga como se ela fosse burra.

— Mas por que usar pela primeira vez na escola? Não é como se o uniforme combinasse totalmente com elas.

— Eu sei. Mas eu queria mostrar que tenho botas super legais pra esse bando de babacas. — Ela sorriu de lado e foi acompanhada por Rie. — E falando em babacas, você devia parar de arranjar briga com as Cobras.

— Dessa vez eu não tenho culpa! — Rie exclamou, apontando o suco para a amiga e quase derrubando um pouco do líquido nela. — Você viu que foi a Rachel que começou!

— Eu sei, eu sei. — Nikkie suspirou. — Mas você tem que a deixar falando sozinha. Ela não vale sua raiva e muito menos seu tempo.

— Eu sei! — Rie mordeu mais uma vez seu lanche, dessa vez com um pouco de raiva. Depois suspirou desgostosa. — Mas não é como se eu pudesse deixá-la falando coisas na minha cara. Vai parecer que eu não sei como agir com ela.

Calloway olhou de lado para a coreana. Rie era uma menina muito orgulhosa e de gênio forte. Ela sabia que Lee Yang jamais deixaria alguém como Rachel sem uma bela resposta que ferisse totalmente o ego. Muitas foram as vezes que aquelas duas já foram para a diretoria por brigas no meio do refeitório.

Em todos esses eventos, Nicole estava lá, olhando-as e rindo. Mas Nikkie jamais podia agradecer o suficiente o primeiro dia que Rie se colocou na frente daquelas três meninas e a protegeu das palavras horríveis que lhe eram desferidas.

— Mas às vezes você devia dar uma relaxada quando for responder ela, não acha?

— Ah, claro! — Rie jogou as mãos para o alto. — Como se eu fosse deixar barato para aquela menina! Principalmente se te ofender!

— Eu já nem ligo mais... — ela começou.

— Você está ficando igual ao Rory. — Rie apontou o dedo para o nariz fino de Calloway.

— Peter Flynn é um idiota. Igual às Cobras, não é como se nós pudéssemos fazer muita coisa contra eles. — Ela bebeu um pouco do milk-shake e batalhou com o morango que ficou preso no canudo.

— É sim! — Rie levantou-se e colocou as mãos na cintura numa pose decidida. — Nós vamos fazer alguma coisa contra esses babacões!

— E você está planejando o quê, necessariamente? — Nikkie deu uma risadinha.

— Você verá, caro gafanhoto. Você verá!



Quinze minutos depois, a mãe de Rie chegou para buscá-la e Nicole ficou sozinha nos campos. Ainda estava sol, então abriu mais uma vez sua sombrinha para conseguir andar pelo campus da escola.

— Ei! Nikkie! — Ela ouviu Caleb chamar. Ele estava todo suado, e o uniforme do time só parecia piorar a situação.

— Diga, minha querida abóbora. — Ela riu quando ele rolou os olhos.

— Tem como ser meu correio? Bella esqueceu as luvas de tecido comigo e pediu para eu levar para ela. Mas eu ‘tô muito ocupado agora.

— Sério, Bowe? Eu estava indo esperar minha mãe lá nos portões, se você não sabe, ficam no outro lado do ginásio. E também estou tentando fugir do sol.

— Eu sei! — Caleb disse e pegou a mão da menina que não segurava a sombrinha. — Eu prometo te comprar qualquer coisa extremamente gordurosa que você quiser amanhã no almoço.

— E milk-shake de morango? — Ela levantou uma sobrancelha.

— Você não tomou um já hoje? — Ele inclinou a cabeça. — Eu te vi com um na mão quando voltou da cafeteria com Rie.

— Você quer que eu leve as luvas para sua irmã ou não? — Ela soltou a mão das de Caleb.

— Tá! Eu compro. — Ele deu uma risadinha da expressão de vitória da amiga. — As luvas estão na minha bolsa, no vestiário masculino. Você sabe minha senha?

— Claramente — respondeu e já se virou e saiu andando, mas disse: — Vou querer o extragrande!



“O vestiário dos meninos é uma porqueira,” pensou.

Não era a primeira vez que ia lá num favor a Caleb, então lembrava-se muito bem onde era o armário do menino e a senha do mesmo. Até porque data de aniversário não é uma das coisas mais criativas para uma senha.

Ela deu uma olhada pela porta para garantir que nenhum menino estivava ali. Também uma olhada no corredor para que nenhum funcionário a visse e já pensasse que estava ali para ficar com algum menino. Beijar no banheiro masculino devia ser a coisa mais nojenta que ela podia imaginar.

Entrou e foi rapidamente para o armário 127 pintado de roxo como todo o resto da escola. Tentou abrir a porta o mais silenciosamente possível, mas a falta de óleo nas dobradiças fez um barulho que daria para ouvir do corredor.

A mochila preta do amigo estava em cima do uniforme escolar perfeitamente dobrado dele. Como não sabia onde estavam as luvas, partiu abrindo todos os bolsos que avistou. As achou na maior parte e assim que as tirou de lá, ela viu.

Marlboro.

O pequeno pacote de cigarros estava aberto e lhe faltavam cinco unidades.

— Oh, Caleb — ela sussurrou.

Antes que pudesse sair do primeiro choque daquela descoberta, ela ouviu o treinador abrir a porta do vestiário.

— Eu quero um macarrão à bolonhesa — Nicole ouviu o treinador dizer. Aparentemente estava ao telefone. — e uma coca-cola de lata.

Para um treinador que quase mata os meninos quando os vê comendo um pedacinho de chocolate, ele não se alimentava muito bem.

Calloway fechou devagar a porta do armário, mas, como antes, este fez um barulho extremamente alto.

— Quem está aí? — Ela o ouviu dizer alto e parar de andar. — Caleb?

Nicole arregalou os olhos e tentou não fazer nenhum barulho com aquelas botas estupidamente altas que resolveu colocar naquele dia. Quando ela ouviu Turner voltar a andar e dizer “Olá?”, resolveu que tinha sair dali o mais rápido possível. Se fosse pega no vestiário masculino pelo Turner, ele com certeza a colocaria na detenção.

Por sorte, o treinador, enquanto procurava pela fonte do barulho, não a viu sair correndo silenciosamente do banheiro.

Nicole só parou de correr quando chegou no ginásio.

— Bella! — ela exclamou ofegante quando viu a amiga.

A menina Bowe seria igual ao irmão se não fosse o sexo diferente e os cabelos longos. Era ruiva e tinha uma franjinha pouco acima dos olhos, que agora estava presa com uma presilha para não lhe incomodar durante o boxe. Tinha os olhos igualmente verdes e um sorriso bonito, quando aparecia.

Ela estava com shorts largos e que iam até os joelhos e uma blusa também larga de mangas com as letras da escola no peito.

A Perse não era exatamente criativa com os uniformes. Eram todos totalmente iguais, só mudava o formato e tamanho.

— Nikkie! — Bowe respondeu com um sorrisinho de canto e franzindo as sobrancelhas. — O que houve? Você nunca vem aqui.

— Seu irmão idiota me pediu para te trazer as luvas que você queria — Nicole respondeu estendendo as peças leves para a amiga.

— Mas é muito folgado. — Isabella disse. — Obrigada!

— O prazer é todo meu. Só que não. — Ela sorriu, ainda recuperando o fôlego. Precisava mesmo começar a ser menos sedentária.

— Você tá bem?

— Na verdade eu acabei de sair correndo do banheiro dos meninos. O senhor Turner quase me pega lá. — Ela riu.

— Oh. — Bella deu uma risadinha.

— Eu vou indo. Minha mãe já deve estar chegando. Bom treino.

— Obrigada! — Bowe acenou quando ela começou a se afastar.

Nicole realmente gostava de Bella. Os Bowe já eram amigos de Rie quando ela colocou Nicole no grupo, e Bella foi muito receptiva consigo. As três passaram vários finais de semana juntas fazendo festinhas do pijama e indo à piscina. Eram praticamente como chiclete.

Mas a menina Bowe passou a se afastar lentamente depois de um ano. As três ainda eram muito amigas, mas várias foram as vezes que conversou com Rie sobre como Bella estava distante.

Quando saiu do ginásio, percebeu que não tinha aberto a sombrinha quando saiu correndo do vestiário. Suspirou e pegou de dentro da bolsa o protetor solar. Tinha esquecido de reaplicar depois do almoço.

— Sério? Achei que já tinha me livrado de você lá na cafeteria — Ela ouviu a voz de Rachel.

— Rachel — Calloway disse em um fio de voz.

— Vejo que sua guarda-costas não está. — A menina loira sorriu de lado. Ela estava acompanhada das outras duas cópias. — O que seria de você sem ela, não?

Nicole nunca sabia como reagir com aquelas três. Na verdade, não sabia como reagir com quase ninguém e, principalmente, com quem fazia questão de se pôr acima dela.

— E-eu… — ela gaguejou.

— Não consegue nem formar palavras? — Mitchell riu e foi acompanhada pelas outras duas. Elas geralmente não falavam mesmo. — Achei que sua doença não afetasse seu cérebro.

Nicole olhou para os lados, sem ainda conseguir formular uma resposta.

Por que não era igual a Rie?!

Alissa e Mia agora estavam cada uma ao seu lado, deixando-a dentro de uma bolha de meninas loiras e mesquinhas.

— Você é uma vergonha, sabia? — Mia disse e deu um passo para mais perto de Calloway.

— Uma coitadinha doente. — Foi a vez de Alissa dizer, também se aproximando.

— Totalmente dependente da amiguinha. — Rachel riu, pegando com força Nicole pelo queixo.

— Ei! — Elas ouviram alguém gritar. Treinadora Paulson. — O que está acontecendo aí?

As três meninas, sem dizerem mais nada, afastaram-se de Nicole e seguiram o caminho contrário ao de onde a treinadora vinha.

— Você está bem? — a mulher perguntou quando chegou perto de Calloway, que estava abraçada encolhida à bolsa cheia de pins.

— S-sim — ela respondeu.

— Não pode deixar que façam isso com você — Paulson disse. — Se me disser o nome delas eu posso reportá-las.

— N-não precisa — Nicole disse rápido. Dava-lhe calafrios só de pensar no que as três poderiam fazer com ela se contasse aquilo. — Eu estou bem. Muito obrigada.

— Tem certeza? — A mulher colocou a mão no ombro dela.

— Sim — disse e se afastou. — Obrigada.

Jogou a bolsa no ombro direito e abriu a sombrinha quando começou a andar de novo pelo campus, em direção à saída.

Ela se odiava! Como não conseguia reagir diante àquelas três víboras? Como podia ter tanto medo delas? Por que não era igual a Rie?!

Toda vez era do mesmo jeito. Desde o primeiro dia que se mudou para aquela maldita escola!

Tinha raiva das três. Raiva de seus pais por escolherem a Perse. Raiva de si mesma por não ser durona.

Respirou fundo quando chegou aos portões da escola e viu o carro de sua mãe parado em uma das vagas ali perto. Sentiu o celular vibrar de dentro da bolsa, com a provável chamada dela.

Quando entrou no carro, Anne perguntou:

— Como foi hoje?

— Tudo ótimo. — Sorriu.

Notas finais
Então? Me digam o que acharam! Até mais!