Notas iniciais
Recomendo ler ouvindo "Avalon" do Roxy Music. Deixar a musica repetindo, vai dar um clima legal à sua leitura.

Nas semanas seguintes, a música voltou a tocar no Club 116 novamente. Ela desceu a rua, para o jardim, para o lago. Parecia que nada havia mudado, nada foi tocado enquanto ela estava presa na madeireira. Mas seus amigos não estavam lá. Sem Beatrice, sem Luke, sem Carol nem ninguém. Eles eram a parte importante, que faltava. Anna sentiu-se terrivelmente sozinha e desesperada. Ela pensou em pular nas águas geladas do lago e acabar com o sofrimento de uma vez, quando uma voz doce veio por trás dela.

- Pensei que a esta hora estaria no clube...

Anna imediatamente reconheceu a voz:

- Carol! — gritou, virando-se para ela e a abraçando forte, como se dessa forma impedisse sua amiga de desaparecer novamente.

Enão Carol segurou a mão de Anna e elas andaram até o clube.

“She moon she turning away, the city is her slave…”

Um velho disco de vinil, um dos 50 que tocavam no clube, eram a maximum big surprise... "como eles conseguiram esconder isso?" ela sorriu, enquanto andava em volta da piscina. Um monte de garotas dançavam, alguns de seus amigos estavam lá, os modelos...a beleza havia voltado ao Club 116, e parecia mesmo que nada havia mudado.

Mas uma grande mudança havia sido operada nela. Antes, ela era leve, ela sabia sorrir, e ela esperava por seu grande amor. Agora, sem esperanças, aé seu sorriso mudara.

E quando ela viu os casais, alguns dos mesmos homens que ela havia dispensado, sendo felizes com outras mulheres. Não havia lugar para arrependimentos em seu coração, pois ela já estava sentindo muitas outras coisas. Ela estava, mais que tudo, cansada e confusa.

"Avalon", do Roxy Music, tocava na nova pista de dança, onde antes ficavam as serralheiras. O piso de madeira negra, em par com as paredes pintadas de preto, cobertas em outra parte por espelhos, começaram a vibrar com a música disco tocada no outro ambiente. Um dos garotos começou a ler um poema para os presentes.

“And on with the music (continuem a musica)

And on with the dance (continuem a dança)

Inside the girl´s heart (dentro do coração da garota)

A needle, a lance. (uma agulha, uma lança)

No more war to die (não há mais guerras para se morrer)

No more violence to cry (não há mais violência para chorar)

Empty for the love gone (vazia pelo amor que partiu)

She will love forever the one. (ela amará para sempre o predestinado)”

Coincidência ou não, ela sentiu que essas palavras estavam sendo lidas para ela, ou sobre ela. Com tudo isso, com todos seus sentimentos e pensamentos confusos, o poema sendo dito, gritado, parido com dor por alguém naquela sala, ela ainda ouvia Brian Ferry.

Todos, depois da guerra, ficaram livres. Menos ela. Ela era uma escrava de um amor que partiu há muito. Ela nunca seria livre para amar a outro. E ela estava só.

Estava quase a ponto de chorar, quando o viu. Ele olhava para ela. Novamente. Exatamente como na primeira vez. O terno preto, a gravata rosa, rosa como as paredes externas do Club 116, o tornaram ainda mais irresistível.

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Primeiro, ela pensou estar louca. Depois, vendo Carol uns passos adiante, sorrindo, ela percebeu que era real. Ou ela poderia estar sonhando. Não importava. Ele estava ali.

Ela olhou-se no espelho. Estava horrível. todas as cores que a compunham antes, tão brilhantes, se apagaram em cinza.

Ela andou alguns passos até ele e segurou suas mãos:

- Nicholas, o que está fazendo aqui?

- Vim por você — ele segurou as mãos dela contra seu peito.

Ela já se sentia cansada, mas a última frase proferida por ele tirou-lhe o restante de suas forças. Ela escorregou, mas antes que caísse, ele a segurou:

- Nós dançamos assim por dois anos... — ele riu.

Ela olhou para ele. Seu coração batia cada vez mais rápido, como se pudesse de repente escapar de seu peito e correr sozinho.

“Would you have me dancing out of nowhere?”

Ela não podia tirar os olhos dele, dos seus olhos...aqueles profundos e lindos olhos verdes, que tinham um olhar tão terno na direção dela.

- Conheço esse restaurante dentro do famoso Club 116.. — ele disse sorrindo.

Ela levou as mãos ao rosto dele, gentilmente, olhando em seus olhos e dizendo suavemente:

- Eu não quero jantar. Eu quero que você me beije.

Fim

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!