Cloud

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Terceira história da Trilogia Retravo, a primeira história é Solaris, a segunda Bunker, o link das duas histórias anteriores para que ninguém pegue um spoiler lindo está nas notas finais desta história.

Cloud

Você está lá fora, eu estou sozinha aqui dentro

Os rostos são obscurecidos por dúvidas

Mãe, não chore, não chore[1]

Durante cinco longos anos o sentimento de perda dominou a pequena chama de esperança dos Uchiha. Era torturante. Ela sentia-se em uma sessão interminável de terror noturno, em que mesmo com diversas tentativas era incapaz de arrebentar as amarras que a prendiam em uma zona sufocante de medo e horror. A solidão era outro sentimento presente em diversos momentos e a perseguia na velocidade da luz, mesmo que todos em Solaris fizesse de tudo para que ela não se sentisse abandonada.

Eram raras as ocasiões em que ela se sentia razoavelmente bem. Algumas delas era ao lado do pai, quando os dois não estavam digladiando; ou quando tentava com a ajuda de seu melhor amigo, Shikadai, e primo de terceiro grau, encontrar uma forma de se comunicarem com a Terra.

Terra...

A memória dela há muito lhe pregava peças e quase não recordava mais de como aquela bola azul gigantesca era realmente. Tudo o que normalmente via, sempre que acordava ou antes de dormir era uma imensidão de água e gelo, porém quando a órbita da arca se posicionou em outro ponto de visualização um novo sentimento a dominou... e se ela estivesse viva? E se ao longo de todos esses anos ela tivesse conseguido sobreviver de alguma maneira? Ela ainda pareceria com a mulher que um dia foi? Seus cabelos cor de algodão doce ainda seriam iguais?

Seu tio Itachi uma vez tentou reproduzir algodão doce no refeitório, mas a cor, a textura e o sabor de nada se parecia com a memória gustativa de quando ia ao parque de diversão aos finais de semana com a mãe. Mãe... ela entendia os motivos que a fizeram ficar, mas às vezes Sarada não conseguia compreender como uma mãe preferia abandonar a filha e ter um destino tão cruel.

Sim, cruel! Era cruel demais morrer por devido a ganancia de alguns poucos seres humanos que se consideravam deuses.

Sarada quase não lembrava mais do cheiro da mãe. Era comum se pegar inalando os a carta que seu tio Naruto havia lhe entregado quando ainda cabia em seus braços, mas há muito tempo o perfume adocicado de Sakura havia evaporado das linhas escritas as pressas e entre lágrimas. A culpa lhe corria por ter perdido todo o odor daquela que a acalentava, que havia lhe apresentado apenas as belezas de seu planeta natal, erra esse mesmo sentimento que dava a Sarada as forças que necessitava para continuar, de forma clandestina, tentando uma forma de se comunicar com casa.

Sim! Casa! Mesmo sabendo que ela estava destruída, Sarada continuava chamando a Terra de casa. Solaris era apenas um amontoado de metal que os salvou, mas que foi incapaz de aplacar a dor de não ter mais sua princesa de cabelos rosados penteando os seus próprios fios negros.

Sarada não conseguia se sentir em casa em Solaris, faltava-lhe algo. Mesmo que seu pai estivesse presente, ela não conseguia reconhecer a arca como sua casa... os braços de Sakura eram a casa dela e ali ela não os tinha.

Olhar para o pai comandando tudo e todos na arca lhe trazia pânico. Dia após dia ela via vida e amor transformando todos ali, mas ele não... Sasuke apenas sorria para si. Os sorrisos dele eram direcionados apenas para si e para mais ninguém. Seu tio, Sai, uma vez comentará que aqueles sorrisos eram direcionados apenas para uma única pessoa além dela, ele não precisou dizer para quem... ela sabia, sempre soube.

Sakura...

Ela era a dona dos sorrisos mais sinceros de seu pai e ela, Sarada, possuía orgulho de poder dividi-los com ela. Essa era a única forma que havia encontrado para se sentir perto da mãe, além de comandar a divisão clandestina de contato com a Terra.

Há muito Sasuke e todo o alto comando de Solaris havia desistido de tentar descobrir se haviam sobreviventes da guerra. Porém, Sarada não pode... ela nunca desistiria da mãe.

Ela precisava disso para poder continuar lembrando-se dela, pois quanto mais o tempo passava, mais sua memória fazia questão de entrar em um looping infinito de esquecimento, e ela não podia deixar isso acontecer sem lutar. E sua luta era a comunicação com a Terra.

Quando a ordem de que seriam cessadas as investidas de comunicação foi anunciada pelos altos falantes de Solaris, Sarada correu para a ponte de comando e ali, pela primeira vez em toda a sua existência gritou com o pai. As palavras ferinas jogadas ao ar o atingiram em cheio, ela o viu envelhecer quase 100 anos com o que dizia, mas não se arrependeu, pois ao contrário dele ela tinha certeza que havia sobreviventes e iria lhe provar, nem que fosse a última coisa que fizesse na vida.

Com a ajuda de Shikadai, filho de Shikamaru, primeiro imediato de seu pai e de Temari chefe do domo de nanotecnologia aeroespacial e seu primo de terceiro grau, e de alguns poucos colaboradores ela colocou seu plano em ação.

Com apenas 10 anos ela começou a investigação sobre como poderia ultrapassar as barreiras estáticas causadas pelas explosões nucleares na Terra e tentar se comunicar com possíveis sobreviventes. Sarada é considerada por todos como uma super gênio ao lado de Shikadai, que com apenas 5 anos conseguia fazer cálculos que nem mesmo seu pai, um físico quântico conseguia.

Quem não os conhecesse pensaria que eram apenas duas crianças brincando pelos corredores de um domo a outro e se escondendo das câmeras de segurança, para que ninguém descobrisse os roubos de equipamentos. Mas a mente dos dois trabalhava a todo o vapor, cálculos e mais cálculos eram processados e discutido amplamente entre os dois, enquanto desmontavam e montavam equipamentos de comunicação e informavam como os outros deveriam trabalhar e agir dentro da base de operações.

Duas mentes geniosas que juntas acreditavam que sim. Nem todos haviam morrido.

Quando a órbita de Solaris modificou, mostrando a todos pontos verdes ao horizonte a felicidade era estampada no rosto das duas crianças com ares de adultos. A teoria de que o planeta estava se reconstruindo era uma das defendidas por eles e ali estava a comprovação. Sasuke não poderia mais ficar de mãos atadas e sem tentar uma mísera comunicação.

Porém, mais uma nova discussão se formou em meio ao refeitório.

— Como não pode acreditar que ela esteja viva? – o desespero era sentido por todos os presentes.

— Já conversamos sobre isso, Sarada! Não há como ela ter sobrevivido. As explosões for...

— O Planeta está se recuperando! – o grito de incredulidade fez tudo ao redor tremer.

— Isso não quer dizer que ela esteja viva, mas sim, que finalmente a Terra está conseguindo se regenerar após a guerra e...

— Como o senhor pode ser esse poço de descrença e não acreditar no que está bem na frente dos seus olhos?

— Sarada, o que está na frente dos meus olhos é a minha filha irresponsável que fica roubando equipamentos de Solaris, porque não consegue superar a morte da mãe e se pega numa teoria sem fundamentos e ainda põe em risco todos dentro da arca, por estar retirando materiais sem o mínimo de conhecimento e preparo para tal. – o cansaço havia tomado conta de Sasuke o transformando em fúria.

— Não sou só eu que não consegue superar a morte da mama.

Com os olhos cheios de lágrimas, Sarada partiu deixando todos sem reação e principalmente o pai por tais palavras. Em pé, no meio do salão ele começou a se questionar se não havia agido de forma errada em nunca ter se relacionado com ninguém dentro da arca e até mesmo constituído uma nova família, pois, assim, Sarada não se sentiria tão só como naquele momento.

Durante os primeiros anos após as explosões, que levaram ao cataclisma do planeta Terra, Sasuke tentou acreditar que Sakura estivesse viva e segura em algum bunker, mas ali ele percebeu o erro que cometeu. Se odiou por ter agido daquela forma, mas quem o culparia por não ter encerrado antes as tentativas de comunicação com a Terra? Sakura foi a única que conseguiu ultrapassar todas as barreiras que construiu em torno de si após a morte do pai, ela era a única mulher que amou e aquela que havia lhe dado uma filha e iluminado seus dias. Ele conseguiria mesmo ter levado a vida adiante tendo a esquecido ou ter conseguido construir uma nova família em Solaris?

Com diversos questionamentos e, visivelmente cansado e envergonhado por mais uma discussão calorosa na frente de vários membros da arca, Sasuke se retirou para seu dormitório e ali ficou o restante do dia até adormecer olhando os inúmeros vídeos que possuía com Sakura e os que ela havia feito com Sarada, antes dos bombardeios. Além da filha eles eram os seus bens mais preciosos.

Quanto mais o tempo passava, mais obcecada e distante do pai Sarada se encontrava. Sasuke tentava entrar em pequenos diálogos com a mesma, mas o insucesso reinava sempre. Os poucos que conseguiu tirar pequenos sorrisos da jovem Uchiha eram apenas Shikadai, que mesmo sisudo era considerado o ar da jovem e aquele que levava um pouco de conforto para Sasuke, informando-o como ela estava; Sai o chefe da criptografia e aquele que havia anunciado a Sasuke a vinda dos ônibus espaciais logo após os cogumelos de fogo; Ino, a chefe da inteligência e comunicação que havia se voluntariado para a missão de Solaris e para a missão de comunicação.

Juntos à Sarada eles faziam parte da missão Cloud, que detinha como único objetivo: perpassar todas as nuvens de barreiras que haviam sido criadas logo após as explosões nucleares na Terra. Quando os primeiros pontos de verde foram avistados do domo em que se localizava a base eles sabiam que estavam mais perto do que nunca. Que mesmo que todos estivessem contra, era em suas mãos que o futuro dos sobreviventes estava.

Sarada ainda lembra do dia em que foi apanhada por Ino, enquanto desmontava um painel de transmissores com a ajuda de Shikadai.

— Vocês por acaso não acham que são pequenos demais para saírem arrancando e levando sabe Kami-sama para onde esse painel? — o olhar felino da loira, que ela apenas via de vez enquanto, fez com que todo o seu corpo tremesse.

— Não. Não acho. Para falar a verdade, acho até que ele é pequeno. — mas a audácia não a deixou demonstrar o temor.

— Sabe, você pode até parecer com o Sasuke, mas a petulância é da Sakura. Sem tirar e nem por.

O sorriso de canto que a loira de longos cabelos, presos em um rabo de cavalo alto, a fez se desmanchar ao ouvir que se parecia em algo com a mãe. Nunca ninguém havia dito que elas eram parecidas. A verdade é que Sakura era um tabu entre a família. Ninguém dizia um ai sobre a mesma. Não foram uma ou duas vezes que a jovem havia se frustrado ao perguntar sobre a mãe para algum familiar. As memórias que guardava e, lutava com unhas e dentes para não serem esquecidas foram constituídas de recortes do que havia vivenciado diretamente com a mãe e indiretamente com o pai, eram de histórias que escutava de Sasuke logo após ter chegado a Solaris.

Naquela época era comum passar horas a fio com pai sempre lhe contando alguma curiosidade sobre a mãe como, por exemplo, a aversão da mesma pela tecnologia e as diversas disputas que tiveram por este fato. Porém, em nenhum momento ele narrou alguma semelhança entre as duas, pelo menos não se recordava e sempre que observava seu reflexo nos espelhos via uma cópia em miniatura e feminina de Sasuke e desejava ter pelo menos os olhos esmeraldas da mãe, essa era a lembrança mais viva de suas memórias sobre Sakura.

Mas, ali estava aquela mulher afirmando que ela possuía semelhanças com Sakura. Aquela sentença criou um bolo em seu estomago e foi inevitável o transbordamento de lágrimas de seus orbes negros.

Tal momento foi eternizado no hipocampo de Shikadai. Aquela era a primeira vez que o mesmo via a fortaleza Sarada se desmanchar diante de seus olhos. Para ele, uma criança superdotada de quase seis anos, Sarada era uma adulta, o jovem Nara sempre a viu assim, mas percebeu que ela era uma criança tanto quanto ele no fundo e que demonstrou a sua maior fraqueza para aquela mulher desconhecida, mas que parecia conhecer tão bem a tia Sakura, como ele foi ensinado a chamá-la pelos avós.

No fundo Sarada era apenas uma criança que viu todo o mundo que conhecia ruir pela ganancia de terceiros que nunca lutaram pelo bem da humanidade e sim pela dizimação da mesma. Ela havia sido arrancada dos braços protetores de Sakura e foi obrigada a crescer longe da mesma e a cada dia lutava para não esquecer os momentos mais especiais de sua vida, que ocorreram ao lado da mãe.

Daquele dia em diante Ino passou a ajudar na empreitada de Sarada e Shikadai. Ela passou a ser a responsável pelas duas mentes brilhantes de Solaris e principalmente por cuidar dos filhos de seus dois melhores amigos, mesmo que no passado a amizade dos três tenha tomado rumos bem diferentes. Porém, ali ela viu a oportunidade de se redimir por tudo o que causou aos amigos. Com a ida de Ino para o projeto Sai, seu namorado e imediato na criptografia, foi convocado.

Um ano após o início da reconstrução do planeta, Cloud trouxe uma bela surpresa para Solaris. Os satélites conseguiram as primeiras imagens da Terra devastada. A transmissão possuía falhas, mas eles conseguiam ver o impacto das bombas por todos os lados, sombras eram percebidas nas paredes que ainda estavam de pé, frotas inteiras de carros nas estradas sem nenhuma pessoa dentro e outros cenários de devastação e, também de esperança.

Sim, esperança, pois com aqueles primeiros dados eles poderiam aprimorar os sinais dos satélites e assim conseguir sinais de sobreviventes. Sarada se sentia mais perto da mãe. Shikadai e Sai decidiram enviar ondas de rádio para a Terra, seis meses depois finalmente eles haviam sido respondidos.

Um grupo de militares os respondia com lentidão, mas Sarada e sua equipe podiam ver que todos estavam bem e saudáveis em algum bunker governamental. Uma explosão de alegria e felicidade foi vista de ambos os monitores. Após uma coleta inicial de dados, Sarada saiu em disparada para o domo principal da estação onde encontraria Sasuke. Todos os outros membros de Cloud a seguiram carregando os equipamentos necessários para a comunicação.

— Papa! Papa!

Os gritos de Sarada chegaram com força aos ouvidos de Sasuke, a muito tempo não a ouvia o chamando assim e uma chama de alegria o confortou.

— Você sabe que não pode corre...

— Deixe para brigar com a menina depois, Sasuke! Ela tem algo importante para te mostrar. – Ino o cortou secamente tomando de conta da ilha que Shikamaru, primeiro imediato de Sasuke, se encontrava. – Shikadai, onde está os cabos de...

— Aqui tia Ino! – os olhares de interrogação de Sasuke e Shikamaru para as crianças e Ino foi desconcertante do ponto de vista de Sai que entrava na ponte de comando.

— Papa, nós conseguimos! – a alegria e a intensidade da voz de Sarada fez os dois homens a olharem em dúvida.

— O que conseguiram?

— Contato com a Terra!

Novamente essa história? foi o que todos os presentes ali se interrogaram. O ar cansado de Sasuke voltará logo após tão sentença da filha. Teimosa como a mãe. Foi o que Sasuke pensará, além do fato de não saber se conseguiria lidar com aquela situação mais uma vez, porém com o combo de ter Ino e, tudo o dava a entender que, Sai no meio da paranoia da pequena.

— Sarada, nós já...

— Cala a boca, Uchiha! E presta atenção! – mais uma vez Sasuke fora interrompido por Ino que logo em seguida passou os comandos para Sai e Sarada. – Em no máximo 7 segundo já teremos novamente as imagens, Sarada-chan.

— Ótimo, tia Ino! – a menina sorria de orelha a orelha enquanto digitava em seu tablet sem olhar para o teclado. – Papa, o senhor duvidou muitas vezes que íamos conseguir, mas podemos provar agora que sim! Há sobreviventes na Terra!

— Agora, Sarada-chan!

Logo após o aval de Ino, Sarada apertou o último comando em seu teclado e a imagem foi refletida no monitor principal de Solaris. A tela era dividida em quatro pequenas janelas, cada uma de um bunker diferente pelo mundo. Quando a primeira transmissão foi feita, a equipe de Cloud descobriu que havia mais três bunkers espalhados pela Terra com onde milhares de pessoas haviam resistido aos bombardeios.

Antes de correrem para o domo de comando e mostrarem os resultados conquistados para Sasuke eles resolveram se conectar com os outros bunkers ao mesmo tempo e assim, ali estavam Solaris, que acreditava ser o último reduto humano se comunicando com diversos remanescentes na Terra.

Toda a ponte de comando da arca se encontrava em transe. A incredulidade do momento perpassava a todos enquanto Sarada e sua equipe comandava as comunicações. Sasuke se mantinha estático olhando para a tela enquanto a filha dava ordens e questionava os que estavam na Terra, a imagem não era nítida e o som possuía atrasos de recepção, mas ela estava certa, era o que ele experienciava.

Ela conseguiu contato. A minha menina determinada conseguiu. Os olhos do Uchiha foram preenchidos por lágrimas e fascinação diante do feito da filha, mas ele ainda acreditava que Sakura não estivesse em nenhum daqueles bunkers. Quando encerrou as tentativas de comunicação entre Solaris e a Terra, Sasuke aceitou a morte da esposa com um fato incontestável. E quando a filha solicitou que o mesmo falasse foi com esse pensamento que ele iniciou o diálogo com os sobreviventes, sabendo que a aquela que lhe mostrou que sonhos podem ser possíveis já não estava mais entre os vivos.

Assim, por horas ele e todos no comando de Solaris e dos bunkers decidiam como agiriam dali em diante, pois todos estavam sob toneladas de destroços das explosões. Além da destruição eles tinham que compreender como fariam a retirada de tantos civis em bunkers em diferentes zonas do mundo. A extração da população sobrevivente possuía um outro entrave... a atmosfera pós bombardeio.

Era fato de que o planeta estava se reconstruindo por se só, mas era necessário um estudo para verificar a situação da atmosfera terrestre após a guerra, a radioatividade poderia ainda estar alta, mesmo que antes dos primeiros ônibus espaciais rumo a Solaris terem partido os chefes das missões de salvaguarda comandaram uma varreduras de radiação. Pois ao longo dos anos pequenas explosões foram visualizadas devido as baixas contenções e a falta de manutenção nas usinas nucleares. A saúde dos membros da arca e dos sobreviventes poderia ser prejudicada.

Por horas a fio eles foram ajustando os dados e recebendo as localizações exatas dos bunkers, porém para que a missão fosse bem-sucedida todos tomaram a decisão de não contar para ninguém fora da ponte de comando de Solaris e das bases de operação dos bunkers que haviam conseguido se comunicar. Em cada refúgio terrestre a decisão foi acatada sem contestações, pois temiam como os sobreviventes receberiam a notícia. Enquanto na arca Sarada contestou a ordem do pai mais uma vez.

Às vezes ele achava que havia passado 20 anos dentro da arca para a filha e não quase seis anos. Ela parecia uma adulta experiente quando o contestava, mas daquela vez ele conseguiu contornar a situação com maestria, mesmo que ela questionasse o porquê de ele não perguntar se havia alguma Sakura Uchiha dentro de um dos esconderijos.

Quase dois messes se passaram após o primeiro contato, eles haviam enviado alguns cientistas exploradores com o intuito de montarem acampamentos próximos dos bunkers e diagnosticarem a situação real do planeta. Muitos dos que voltaram não sabiam a real motivação do Comandante Uchiha para aquela missão, apenas os que chefiavam cada uma das equipes tinha ciência clara do que faziam em solo.

Sarada tentou ir em uma das missões juntamente com Ino, Sai e Shikadai, mas por serem crianças, os dois foram proibidos, enquanto Ino e Sai conduziram cada um suas próprias equipes e assim os mantinham informados de cada misero detalhe, até os mais irrelevantes.

As projeções para o início das extrações eram positivas, desta forma Sasuke necessitava dos números exatos de quantos sobreviventes possuía em cada um dos refúgios e de seus respectivos nomes, para que assim verificasse no banco de dados se algum familiar estava presente na arca. Sarada estava junto de si na ponte de comando ansiosa para receber os dados e ter a comprovação de que a mãe estava viva, como ela sentia que estava.

— Estamos... programando a ida... de ônibus... nos próximos dias... necessitamos do número exato de pessoas... no bunker que estão...

A transmissão era entrecortada devido a estática, mas para o espanto de Sasuke e Sarada, alguém havia entrado no campo de visão da câmera do Bunker Izanami, o primeiro refúgio que haviam conseguido comunicação e que organizou as transmissões com os outros. Até aquele momento todos pensavam que era um esconderijo militar e que não havia civis em seus corredores.

Sasuke-kun...

Mesmo com o atraso na comunicação a voz daquela que Sasuke acreditava estar morta o acertou em cheio o fazendo fraquejar. Enquanto Sarada olhava para a imagem distorcida e envelhecida da mulher que havia lhe dado a vida e que ela sempre lutou para reencontrar, mesmo que todos a chamasse de louca. Ela estava certa. Sempre esteve.

Sakura havia sobrevivido na Terra e estava bem. As lágrimas de alegria da jovem Uchiha chegaram com força em meio a um sorriso genuíno, como seu tio Sai falava, finalmente ela tinha a família reunida, mesmo que a mãe ainda não estivesse presente ao lado dela e de Sasuke, naquele momento era questão de tempo para que os três estivessem juntos, como sempre deveriam ter sido e foi assim que ela ouviu a voz embargada do pai.

— Sakura...

Em meio a lágrimas Sakura constatou que aquele era realmente o seu Sasuke. Seu único e verdadeiro amor. Ela nunca imaginou que poderia um dia o ver novamente e ali eles estavam, com a ajuda de um monitor e de uma câmera, frente a frente.

— Mama...

Sarada havia se aproximado mais do pai entrando, assim, no campo de visão de Sakura algum tempo depois e levando a mãe a um choro incontrolável.

Sarada...

A confusão das vozes dos militares ao redor de Sakura ao se lembrarem que o sobrenome da médica do hospital, que eles haviam sido designados anos atrás a proteger era Sakura Uchiha, o mesmo sobrenome do comandante de Solaris foi um acontecimento que assustou o garoto que Sarada e Sasuke viam apertando Sakura. O mesmo logo em seguida a abraçou com temor da forma como os militares ao redor se comportavam. A transmissão logo em seguida foi interrompida deixando nos monitores de Solaris a imagem estática de Sakura sendo abraçada pelo garoto, enquanto chorava e em Izanami a cena de Sarada e Sasuke juntos de mãos dadas.

Uma nova era se abria para os sobreviventes da 5ª Guerra Mundial na Terra, enquanto em Solaris, a certeza de que o amor moveria o céu e a terra era palpável para todos, principalmente para pai e filha.

[1] Trecho da música Mother, de Ella Vos.

Notas finais
Link para a primeira história da trilogia Retravo - Solaris: https://fanfiction.com.br/historia/696185/Solaris Link para a Segunda história da trilogia Retravo - Bunker: https://fanfiction.com.br/historia/719781/Bunker/ Esclarecimentos: Não, não pretendo voltar a postar fanfics. Pelo menos não no momento. Mas tu não acabou de postar uma nova one? Pois é... quem me acompanhava há um tempo já deve ter visto que a capa do meu perfil possui um banner com uma citação de Solaris e logo em seguida: Trilogia Retravo. Essa é a finalização da trilogia. Finalização da qual eu nem sabia que iria escrever até a madrugada de sábado para domingo. Quando deixei de escrever fanfics há quase um ano foi por diversos motivos da minha vida profissional e bom... últimamente eu estou completamente cansada, não lembro nem quando foi a minha última noite de sono regular. Só para vocês terem a noção, na madrugada que decidi escrever essa história eu estava preparando aula loucamente e tendo que transcrever um documento do século XIX do qual eu não conseguia mais enxergar nadica de nada. Resolvi desopilar, porque dormir eu não estava conseguido e acabei abrindo nas minhas histórias: Existências, Solaris e Bunker... chorei como uma criança ao sair do conforto do ventre da mãe. Porra! Doeu, sabe? Muito! Enquanto lia Solaris ficava pensando e Sarada? Quando cheguei em Bunker foi da mesma forma! Como a Sarada ficou depois de tudo isso? E assim nasceu Cloud! Espero que tenham gostado e mesmo que a Yangdoyin peça mais uma história eu deixo por conta da imaginação de cada um que for ler essa história (se tiver) para imaginarem como será a nova vida dessa família e de todos os sobreviventes em Solaris. Assim, da ponte de comando de Solaris em um momento em que todos comemoram a chegada dos novos habitantes desligo esta transmissão.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!