Closer to the Edge

23 Just Take me Home


Notas iniciais
só passei aqui pra dizer que a capa de sangue do olimpo não superou minhas expectativas porém serviu para me dar um choque de realidade e agora quero que chegue outubro e ao mesmo tempo não quero que chegue o fim. Não gosto de despedidas. PORQUE ESSA QUENGA ESTÚPIDA DA VIQUITÓREA NÃO CUMPRIU A PROMESSA ESSA COISA NÃO POSTOU RÁPIDO? ! eu demorei por causa do meu querido cérebro com seus bloqueios criativos malditos, então culpem meu cérebro, não a mim ;) MENTIRA PODEM ME CULPAR PQP DEMOREI DOIS D-O-I-S MESES PRA ATUALIZAR mereço surra, tô sabendo. Quanto à copa, eu não estou nem aí, mas nos dias que o brasil vai jogar eu não terei aula, portanto isso foi a lei mais maravilhosa que já fizeram: tem jogo? Não tem aula. MAS EU VI A ABERTURA E NÃO, EU NÃO VOU PERDER A CHANCE DE ZUAR AQUILO: gente, sério, aquilo mais parecia abertura de jogos estudantis de são josé do vale do rio preto. Se vocês não sabem o que é são josé do vale do rio preto vocês já sabem o que eu tô falando. GENTE ESSE CAPÍTULO VAI PARA MRSHERONDALE PELA RECOMENDAÇÃO DIVA DIVINISIMA DELA aliás foufa, pus uma pouco de leyna pra te fazer happy ABRAÇOS E BEIJOS E A CHAVE PARA NÁRNIA PARA VOCÊ SUA LINDJA AH ALIÁS AQUELA VOTAÇÃO DEU POV PERCABETH DE LAVADA

p.o.v Annabeth

Acabou que a pequena profecia localizada na Flórida aparecera ao fim do dia, enquanto rodava novamente o mapa para encontrar outra que tivesse lógica, por mais que, considerando que fora Hazel que nos dera o mapa, isso seria um tiro no escuro.

No entanto, já fizera isso uma vez. Poderia muito bem fazer novamente.

Empurrei as camadas do mapa até ela travar e mostrar a frase em uma escrita dourada no meio do oceano retratado. Havia um desenho também e, enquanto eu observava, ele se mexeu fazendo-me dar um pulo na cadeira. As ondinhas que pareciam vir de um desenho que fiz quando tinha uns cinco anos se mexiam calmamente contra o casco do navio – bem, aquilo mais parecia uma canoa com velas, mas vamos relevar – esse ao qual parecia virar toda vez: uma hora estava acima da água e outra parecia estar de baixo dela, como se inventasse um novo jeito de naufragar. E, só para melhorar a situação, estava escrito “De um lado o por do sol e do outro o começo de um novo dia”.

Olhei para frente e vi o sol se pondo, como devia ser, céu alaranjado ao oeste e tudo mais. Abaixei minha cabeça para o mapa em busca de alguma coisa que me ajudasse, porém a única coisa que encontrara fora a frase e o desenho se deteriorando como papel no fogo.

Lindo.

Bufei de frustração e deixei minhas costas desabarem no encosto da madeira. A brisa do fim de tarde, nem tão quente e nem tão frio, não me deixava confortável. Principalmente porque minhas roupas ainda estavam um pouco úmidas e o não tão quente, nem tão frio virara só frio. A frase “de um lado o por do sol e do outro o começo de um novo dia” ecoava em minha mente, como se meu cérebro precisasse ficar repetindo para enfim decifrá-la.

Para minha total decepção não viera nada.

– Olá Annabeth. – Charlotte me cumprimentou e se sentou ao meu lado, Reyna logo atrás fizera o mesmo, alisando a saia roxa logo depois. – Alguma coisa com o mapa?

Neguei com a cabeça e debrucei-me sobre a mesa, pousando minha cabeça na minha mão. Reyna murmurou um “ah” e olhou para trás, mexendo o tronco de um lado para o outro algumas vezes, e quando voltava o corpo para frente suspirava de alivio.

– Reyna, querida, se não a conhecesse diria que está fugindo de algo – disse, juntando as sobrancelhas para ela – Ou de alguém. – no exato momento em que pensei nisso sorri de lado, cruzando os braços e as pernas e inclinando as costas para trás. – E se eu pudesse apostar diria que é de certo elfo latino do papai-noel.

– Se a aposta fosse real ganharia – Charlotte respondera – Reyna está... Evitando Leo desde aquele dia com as Caçadoras. – ela olhou para Reyna com uma sobrancelha arqueada – Sinceramente, mulher, se um homem caísse aos meus pés e gritasse na minha língua natal eu desistiria até de ser rainha da Inglaterra para ficar com ele. – em um movimento quase automático, olhou para cima e logo depois para mim com os olhos semicerrados – Isso soou como uma indireta?

– Um pouco, talvez. – respondi.

– Mas o que queria que eu fizesse? – Reyna se manifestou – Ele se prendeu a minha perna como uma sanguessuga em busca de sangue. Não conseguia me soltar, nem se quisesse!

Charlotte revirou os olhou e bufou.

– Ora, por favor! Ele é o Leo, baixo e magricela “gostoso pra dedéu” – ela fez aspas com as mãos – Você poderia dar um peteleco nele e a única coisa que veríamos ia ser a nova estrela cadente Valdez cortando o céu.

Estava mais preocupada no mapa, mas tive que rir.

– Creio que seria melhor para você aceitar. – falei – Porque, talvez, um dia ele desista. Mas a questão é: por que você ainda faz essa tolice de não dar uma chance a ele?

– Porque... – Reyna começou, mas o resto da frase fora quase inaudível – sou atraída por outra pessoa.

– Em outras palavras ela continua doida para parar na cama de Jason Grace – Charlotte suspirou – de novo.

– Desculpem-me, mas não posso fazer nada se prefiro os loiros aos morenos – Reyna dera de ombros – A grande maioria prefere.

– Considerando meu histórico, loiros de olhos azuis não são nem de longe minha preferência. – murmurei. – Sinceramente, você está atirando no escuro. Todos aqui que tenham alguma visão sabem que Jason está encantado com a Piper.

– Talvez ele se atraia mais por traidoras. – Charlotte comentou – Eu disse-lhe desde o inicio que você era areia de mais para ele. Além do mais, pense comigo... – ela se inclinou sobre a mesa, a fim de ficar mais perto da outra morena – Desde daquela noite ele não se esquece de você e sabes por quê. Fora a primeira mulher dele, não é romântico?

– Eu estava bêbada – Reyna rebateu. – Depois disso, ele só adquiriu uma... Queda por mim.

– Queda? – perguntei cética – Um penhasco inteiro seria mais adequado.

– Enfim... – Reyna continuou, seu olhar dirigido a mim pareceu me penetrar até a alma – Desde então, o Valdez me atazana vinte e quatro horas por dia e isso não é exatamente o que eu quero em um homem.

– No caso são vinte e cinco horas, porque para você Leo faz hora extra. –disse Charlotte, relacionamentos amorosos & casamentos S.A. – Além disso, você pode falar que não se lembra de absolutamente nada do que acontecera em... Quando mesmo?

– 09 de novembro. – Reyna respondera como se estivesse em uma escola e quisesse ser a primeira a responder para a professora.

Charlotte sorriu vitoriosa e logo depois Reyna percebera o que fizera, arregalando os olhos e pondo as mãos sobre a boca.

– Você gosta dele – Lotte cantarolou.

– Não e-eu não... Digo... – Reyna tentou argumentar, porém Charlotte começou a cantar “Leo e Reyna sentados em uma árvore SE B-E-I-J-A-N-D-O” então ela não conseguiu falar nada de qualquer forma.

– Eu vou te matar.

– Claro – Charlotte disse, ainda cantarolando um pouco – Mas só depois que euzinha, eu mesma, eu linda aqui, ser sua madrinha.

– Vá para o Inferno. – Reyna bufou.

– Pare de me amar, Leozito ficará com ciúmes. – Charlotte sorriu, inclinando-se para trás novamente antes que levasse uma tapa de Reyna – Para de ser débil mental e se entrega de uma vez a esse garoto porque qualquer um sabe que ele colocaria esse navio de ponta cabeça por você.

Fora mais ou menos por aí que percebi, como se tivessem ascendido uma vela na escuridão.

O navio de ponta cabeça.

Outra brisa passou por mim, digo, fora um vento mais forte que isso. Mas esse veio para mim em direção ao leste, e a bandeira no alto do mastro flutuava na direção do oeste. Lembrei-me do desenho do navio-que-mais-se-parecia-uma-canoa e percebi o que a frase queria dizer. Agora só falta descobrir como poderia reverter, ou pelo menos fazer com que o impacto não seja tão grande.

Pelos cálculos rápidos e bem óbvios que tomei em minha cabeça, um navio daquele porte não podia simplesmente virar de ponta cabeça tão rapidamente, portanto, qualquer mudança da locomoção do peso seria crucial.

A questão é: como raios farei isso?

Talvez, só talvez, eu conseguisse fazer com que todos me ajudassem sem espalhar pânico isso poderia ser resolvido. Mas como...?

E, novamente, como uma vela acendida em um estalo minha mente clareou e a ideia veio. Poderia até não funcionar, mas até agora o melhor jeito de testar uma maluquice é fazendo-a.

Levantei-me em um salto, descendo os três degraus que separavam o convés do elevado do timão e corri para a amurada direita. Inclinei-me sobre esta até dar a impressão de que queria ver melhor algo.

E esperei.

Por favor... Por favor...

– Ma chère – o sotaque carregado de Silena Beauregard fora minha salvação. Ela se inclinou ao meu lado e olhou para o nada, digo, para a água, mas vocês me entederam. – O que você...

Não fiquei ao lado dela o suficiente para ouvir o restante da frase. No minuto seguinte já estava do outro lado do navio, já sentindo olhares curiosos sobre mim. Silena me acompanhara, mesmo sem entender, enquanto eu mantinha a esperança de que os outros a seguissem.

–Hãm... Annabeth, o que você está vend... – nem ao menos esperei Piper continuar e corri para outra extremidade do navio.

– O que deu nela ? –ouvi Piper perguntar para Selena, ao qual q resposta só consegui ouvir "deve estar louca" em francês.

Fui de um lado para o outro no navio, direita e esquerda, umas cinco ou seis vezes e quando dei por mim, havia cinco pessoas curiosas a minha direita e sete a minha esquerda. Todas perguntavam a pessoa do seu lado o que estava acontecendo e se a pergunta chegasse a mim eu já estava do outro lado.

Quando dei por mim, mais da metade da tripulação – incluindo alguns prisioneiros – estava me acompanhando, correndo de um lado para o outro. Além disso, percebi que o navio também balançava e eu esperava que meu plano desse certo.

Não muito tempo depois, eu corri para um lado e meu rosto estava a centímetros do mar. Já do outro lado, o navio virou de vez.

Peguei o ar que consegui e o prendi, não sabia quanto tempo ficaríamos portanto teria que guardar oxigênio como se guarda ouro. Prendi fortemente minhas mãos à amurada, fazendo com que meus dedos doessem um pouco. Não abrira meus olhos nem um minuto, podem chamar de frescura, mas quero ver alguém que abra os olhos em água salgada.

Contei 1, 2, 15, 17, 24 até 30 segundos. E eu sabia que meus pulmões não aguentariam muito mais do que isso.

Senti um repuxão em minha garganta, sentindo minha consciência me deixar e ver bolinhas pretas invadindo toda a minha visão. Acho que meus dedos se soltaram da amurada e deixei meu corpo ser levado pelas correntes marítimas.

Grande forma de morrer.

Muito heroico, aliás.

Senti como se algo estivesse se mexendo perto de mim, balançando a água ao meu redor e mãos puxaram-me para cima pela minha cintura.

Acho que desmaiei por alguns instantes, não tenho tanta certeza.

Senti algo macio nos meus lábios e uma lufada de ar entrou pela minha garganta, fazendo com que eu retomasse a consciência. Abri meus olhos devagar e minha visão ainda estava turva, mas creio que seja por conta da água em excesso sobre meus cílios. Cuspi um pouco de água e me sentei, um pouco tonta, mas era melhor do que morta.

Girei minha cabeça para os lados até meus olhos pararem a minha frente, ao leste, o amanhecer alaranjado subia pelo céu, formando uma imagem mais parecida com uma pintura à minha frente.

Por do sol de um lado e o começo de um novo dia do outro, sério mesmo?

– Espero que esteja bem. – Percy disse, sua voz soava cansada, mas presumi que era pelo fato de que ficamos quase um minuto sem ar.

Respondi que sim com um aceno de cabeça, inspirando profundamente.

Esfreguei os olhos em busca de retirar a água nos meus olhos e quase perdi meu folego novamente quando olhei para Percy.

É sério, parece que ele faz isso de propósito. Porque quando algo me deixa nervosa e com certos arrepios até onde não devia deixa-me extremamente irritada. E o fato de que ele estava encharcado – não era pra menos, tudo e todos estavam – fez-me pensar em coisas não exatamente apropriadas. A roupa grudava em seu corpo e, mesmo com a casaca de couro, conseguia ver seus músculos por de baixo da vestimenta. O cabelo estava tão molhado que pingava gotículas no rosto, as gotas iam dai pelo corpo inteiro.

Não imagina o quanto eu gostaria de ser uma dessas gotas.

Acompanhei uma de essas fazer um caminho desnorteado pelo seu pescoço com um olhar vago, até Percy virar para mim e sorrir e eu esqueci o que estava pensando.

Garoto idiota.

– Irei ver o que aconteceu lá embaixo – falou, pegando algo na cintura e estendendo para mim. Era o recipiente de vidro com aquela coisa estranha roxa que a quenga da Rachel nos dera. – Ponha isso no timão, seja generosa.

Assenti e fui até a ponta do navio, onde o timão entalhado de madeira se encontrava.

Olhei para trás por cima do ombro e Percy já tinha desaparecido pela escada.

Retirei a rolha de vidro com certa dificuldade e passei por toda a madeira. Enquanto aplicava a coisa gosmenta roxa e brilhante no timão percebi que o chão aos meus pés começava a secar significante. Acompanhei com o olhar e percebi que o navio inteiro parecia secar rapidamente, como se o sol tivesse aumentado sua intensidade. Terminei com a gosma roxa mais estranha do que a pessoa quem nos dera e pus o vidro na amurada atrás de mim.

Menos tempo do que imaginava, o navio inteiro estava seco.

***

Quando você passa por certa dificuldade do tipo: o local onde está vira de cabeça por baixo, imagina-se que não há mais nada que pode ser feito para piorar.

Pois bem. Dá, sim, para ficar pior.

A coisa é que quando acaba algo ocultado no mapa, outra acontece, e agora tínhamos que ser rápidos. Peguei o mapa quando tudo estava bem e não havia nada a mais ao qual eu poderia fazer. Aliás, ninguém poderia fazer mais nada. Houve ao menos treze mortos, nenhum ao qual eu tenha conversado. O Leo ficou gravemente ferido quando um canhão amassou sua perna direita – não me pergunte como isso aconteceu e como a perna dele ficara depois que Beckendorf e Percy carregaram o canhão para longe do Valdez – ele ficou acordado apenas tempo o suficiente para ver a perna destroçada, desmaiara logo depois. A Reyna o levara para baixo, portanto, presumi que ele ia ficar melhor.

Acordaria com uma perna de pau entalhada com um “V” e a garota que ele mais gostava cuidando dele. A vida poderia ser pior.

Enfim, como dizia, girava e regirava o mapa e encontrei algo que se parecia bem melhor do que a última profecia. E espero realmente eu estar correta dessa vez.

"Em meio a água, encontrarás o caminho para casa". Nunca pensei que uma frase seria adorável, mas essa foi.

– Não é necessário se estressar e gastar cabeça. – quase dei um pulo quando Percy chegou ao meu lado – Você conseguiu com que o Conçu ficasse menos tempo dentro d’água. Para uma novata, seu raciocínio fora extraordinariamente rápido.

– Grande coisa. – murmurei, traduzindo as letras douradas que apareciam.

– Não gaste cabeça – ele insistiu – a próxima coisa ao qual temos que enfrentar está bem à sua frente.

Juntei as sobrancelhas e estava pronta para pedir gentilmente que ele se retirasse, mas assim que levantei minha cabeça pude ver as grandes, gigantescas e pesadas nuvens de tempestade chegando.

– E esse, senhoras e senhores, é o grand finale! – ele sorriu, piscando pra mim – Disse que não era para esquentar a cabeça. Dever...

– Pegue os mapas e leve-os para dentro, eles resistiram à virada do navio, mas não vão resistir isso. – digo, olhando atentamente para as nuvens negras vindo em nossa direção. – Além disso, sem mapa, sem rota, e nem mesmo piratas podem navegar sem isso.

– Annabeth Chase, por acaso está querendo me dar ordens? – ele perguntou, chegando perigosamente perto, mas sua voz estava com certa raiva.

Uma coisa ao qual aprendi sobre Perseu é que ele não gosta de ser posto a ordens, tanto que a relação dele com Charlotte parecia mais de sócios do que de patrão e subordinado.

Não respondi. Apenas o encarei com uma sobrancelha arqueada e o meu melhor olhar de “ou você faz o que eu digo ou eu pego esse papéis e enfio onde você não consegue alcançar” que pude.

E uma coisa ao qual ele deve saber sobre minha pessoa era que eu também não gostava de ser submetida a ordens.

– É para eu ir...?

– Agora. – digo um pouco mais rude do que pretendia.

Para minha total surpresa, ele o fez.

Aliás, não fora o único.

Atrás de mim, no convés, todos estavam retirando o que a água poderia acabar e logo depois mais da metade fora para baixo enquanto apenas eu e mais cinco pessoas ficaram no convés, já andando para lá e para cá até encontrarem seus postos para enfrentar a tempestade.

– Não ousem içar velas, marujos! Elas aquentam um tempestadizinha de nada como esta. – Charlotte dizia, não era necessário gritar ou falar alto quando se tinha apenas cinco pessoas para comandar – Recolher remos! Beckendorf deixe-me no timão e segure as cordas e Chase, — ela se encaminhou até a mim – preciso que você fique lá em baixo e...

– Enlouqueceu? – digo com toda autoconfiança que tinha — Nem pensar!

Charlotte ficara com a boca aberta, parecia que a voz sumira ou ela estava pensando em algo para dizer.

– Hãm... – ela ficara sem palavras? Ela ficara sem palavras! Como eu fiz isso? Tenho que lembrar-me dessa mais tarde. – Quer saber? – ela balançou a cabeça – Fique perto da Silena.

Fiz o que me foi pedido, poderia ter enfrentado Charlote uma vez, mas sabia que por mais que não gostasse de seguir regras quem mandava ali era ela. Além disso, ela poderia me matar se a enfrentasse com a mesma autoridade.

– O que eu tenho que fazer? – perguntei à Silena.

– Só é necessário que puxemos as cordas, Má chère. – ela me respondeu com uma calmaria assustadora, algo que ao qual eu dei o nome para quando a pessoa devia ficar nervosa, furiosa e enraivada ao mesmo tempo e não aparenta nada disso. – Se a deixarmos como está, elas soltarão e ninguém quer isso, acredite.

Não disse nada sobre isso, apenas prendi minhas mãos firmemente nas cordas ásperas e esperei.

Quando enfim entramos na tempestade, tive e sensação que o céu estava caindo ou que as águas salgadas e o ar estavam em uma briga para saber quem destroça o navio mais rápido. O movimento de puxar as cordas para baixo e segurar firmemente fora quase que automático e surpreendi-me com a força que tive naquele momento.

O navio balançava e o mar invadia sem esforço o convés, e se eu já estava encharcada antes eu consegui ficar pior, se é que isso era possível. Os respingos que caíam em meu rosto rasgavam minha pele como navalhas e o vento ajudar que é bom nada.

– Não é loucura entrar em uma tempestade como essa para encontrar uma ilha que há em apenas um mapa? – gritei para Silena sobre o barulho das ondas castigando o Conçu.

– A primeira vez todos pensam assim – ela respondeu, sorridente e colocando o peso inteiro de seu corpo na corda. Ela parecia bêbada ou apenas extasiada, vai saber. – A tempestade não dura nem meia lua, má chère, depois disso viajaremos noite adentro e enfim chegaremos ao paraíso.

Isso explica a animação.

– Se segure filme, senhorita, — ela sorriu, torcendo o corpo para eu poder ouvi-la melhor – os últimos momentos de uma tempestade são os piores.

Como se os últimos já não tivessem sido exaustivos, pensei.

Porém, é com uma linda infelicidade que eu digo: tudo pode ficar bem pior do que se pode imaginar.

O navio inteiro parecia tremer e imaginava que se isso não acabasse logo a madeira iria se submeter ao mar e iriamos afundar no escuro esquecimento das águas abaixo de nós – ou entre nós, porque entrou tanta água no convés que não vai ser preciso lavá-lo por anos.

O que me acalmava e impedia-me de enlouquecer e pular da amurada era o pensamento que a tempestade acabaria e a calmaria estava por vir. Sinceramente, acho isso uma baita de ironia considerando o ponto em que me encontro nessa vida: havia problemas tanto em minha cabeça tanto do lado de fora e raros momentos de calmaria.

Mas, agora, melhor eu não me importar com o que possa acontecer se eu nem sei se posso continuar viva com o mar me atingindo desse jeito, como se me quisesse a força. Segurei forte às cordas e fechei os olhos.

Quando percebi que os respingos assassinos pararam de castigar minha pele abri os olhos novamente e girei meu corpo em 360 graus, percebendo com alivio que já aviamos saído da tempestade impetuosa. Alias, logo assim que tive o alivio de perceber que estávamos bem também percebi o quanto estava cansada e o quanto estava machucada.

Não tanto para sentir uma dor imensa tipo a do Leo, mas o suficiente para sangrar. Minhas mãos estavam praticamente em carne viva por conta das cordas, minha blusa estava com rasgos e minha pele estava avermelhada. Meu rosto ardia e quando passei meus dedos pela minha bochecha eles voltaram sujos de sangue.

Que coisa maravilhosa.

– Eu não disse que as velas iam aguentar?! – Charlotte saíra do elevado do timão meio tonta, porém sorrindo, então ela também parecia bêbada. Ela tropeçou para o lado, mas conseguira se segurar na amurada e rodara o braço, apontando para céu, embora eu tenha presumido que ela estava apontando para nós. – Para baixo, homens, vocês merecem um descanso. Creio que até eu mesma – a última frase ela disse baixo, mais para si do que para o restante – Chase preciso falar com você.

Ela apontou diretamente para mim e cambaleou até onde estava. Quanto aos outros, se entreolharam e também cambalearam para os compartimentos inferiores, dando lugar aos que ficaram seguros lá em baixo. A rotina voltara ao normal e já era posto no lugar o que fora retirado e prisioneiros secavam o convés com panos.

– Fora inteligente hoje com o mapa e tivera força com as cordas. – ela olhara para as minhas mãos e pegara um pedaço de pano rosado do bolso e me entregara – Mas não me afronte daquele jeito. Agora vá para cima e descanse, já fizera o suficiente por hoje.

Sorri de lado e peguei o pano, enrolando-o na mão direita.

Como estava exausta, não fiz objeção dessa vez.

P. o. V. Percy

– Deveria estar na cama agora. – digo, subindo os três degraus do elevado e sentando ao lado de Charlotte na amurada.

Já havia anoitecido é só estava eu, Charlie e Beckendorf no convés. Beckendorf era uma das melhores pessoas que conhecia, mas ele parecia um zumbi às vezes. Alguns diziam que o fato de a mãe dele ter atirado o garoto no fogo tirara seu sono. Nunca saberemos.

Quanto à Charlotte, aparentava ser um morto-vivo também: os olhos estavam inchados de sono; seu cabelo negro estava destroçado; havia machucados pouco profundos causados pela água em seu rosto e alguns no pescoço; seus olhos apresentavam cansaço, mas ela era uma mula teimosa.

– Digo-lhe o mesmo, querido irmão. – ela me olhou – Annabeth estava exausta demais?

Sorri com a insinuação.

Annabeth apagou no momento que chegara à cabine. Literalmente. Ela desmaiou e, se eu não a tivesse pegado, provavelmente iria ter um belo galo agora. Tirei a roupa encharcada – antes que vocês pensem em qualquer coisa eu não fiz nada, até porque é muito mais divertido quando ela está acordada – e a acomodei de baixo dos cobertores, dormindo como um anjo.

– Ela merece descansar, — falei – além disso, nosso pai não vai gostar de vê-la. Nem mesmo de saber que a nobreza britânica está atrás de nós com sua marinha, mas no momento gosto de ser otimista.

– Ah isso com certeza. – ela admitiu – mas creio que Poseidon terá que se acostumar com ela, ele querendo ou não.

– O que quer dizer com isso? – juntei as sobrancelhas.

– Você gosta dela, não é mesmo? – ela arqueou a sobrancelha para mim.

Não respondi, apenas assenti.

– Então ele vai engolir o fato de que o filho se apaixonou pela princesa da Inglaterra mais facilmente do que imagina. – sua voz parecia amarga e eu não fiz nada para consolá-la, já tentara muitas vezes.

A coisa é que Charlotte sempre soube que o nosso pai — o tão honrado Poseidon que de honrado não tem é nada — nunca aceitara o fato de que seu primeiro filho na verdade era uma garota. É por isso que ela faz de tudo para conseguir o que nem mesmo Poseidon conseguira, algo que nem um homem faria melhor. Sinceramente, eu não me importo se nosso pai gostava mais de mim do que dela até porque isso é infantilidade, Charlotte era melhor do que um exército inteiro.

– Prefiro manter-me concentrado só na parte ao qual voltamos para casa. – digo. – Embora ainda fico pensando no que ele poderia fazer se realmente não a aprovar.

– Ele vai gostar por bem ou por mal porque eu não aguentei uma manhã inteira aquele duque loiro idiota me aporrinhando minha cabeça para no fim um velho imbecil me dizer que não foi racional. – ela bufou – Até parece que o que ele faz é racional.

– Acho que o velho imbecil é nosso progenitor, Char. – digo – Você realmente não tem nenhum sentimento por ninguém da vossa família não é mesmo?

Ela assoviou.

– Fiquei comovida agora, maninho, mesmo. – ela pôs a mão no colo dramaticamente – Como eu posso ter? Nosso pai não sente nem uma ponta de gosto em me ter pelo fato de eu ter nascido com uma vagina e minha mãe, a doce e querida Elizabeth Green, era uma alcoólatra enlouquecida que me vendeu para um bordel quando eu tinha oito anos, tudo porque seu elixir da vida acabara. Ou o rum acabara, tanto faz. Eu só me importo com você e com Tyson e, sinceramente, acho que Tyson não conta porque ele tem oito anos. É claro que ele vai gostar de mim, sou a irmã mais velha, afinal!

Bufei.

– Charlotte, a única pessoa que você já se importou algum dia fora Cameron Waters – digo. E, diferente do que pensei, não recebi um olhar mortal ou qualquer coisa do gênero. Charlotte tinha o olhar vago. Não gostava de entrar nesse assunto, toda fortaleza tinha uma falha e a falha dela era o Waters. – e isso porque você o amava.

– Eu não o amava! – ela retrucou, sua voz soara embargada, portanto, não conseguiria mentir para mim nem por um milagre. – No máximo um arrepio.

Levantei as sobrancelhas e a fitei.

– Quer dizer sentimentos, não é?

Charlote revirou os olhos e bufou. Continuei a olhando em uma tentativa de insistência, mas a única coisa ao qual consegui foi um novo revirar de olhos. Tive que esperar um pouco mais para ela levantar as mãos para o alto em um sinal de descaso.

– Pode ser que eu tenha tido algo pelo Para-Raios.

Bufei.

– Tido algo? – perguntei em deboche – Você se casou com ele.

– Não quer dizer nada.

– Não foi forçado.

– Cale a boca, Jackson. – ela falou em um tom veredito, forçando-me a mudar de assunto. Embora não fora necessário já que ela mesma continuou instantes depois – Pelo que estou vendo, você não parece conhecer-me tanto quanto aparenta – a fitei, mas ela continuava com o olhar no horizonte ao longe – Parece-me que se esquecera de Nova Guiné.

Revirei os olhos com o exemplo.

Apenas digamos que quando tinha quinze anos – ano passado para ser mais simples – fui pego pela nossa nem um pouco querida Marinha Real Espanhola. Resumindo a ópera: consegui fugir deles e parar em Nova Guiné onde fui coroado rei – eles acharam que eu era um deus a muito procurado, podem culpar minha pele – e correu tudo bem até descobrir que eles me queriam como prato principal.

Pessoas amigáveis aquelas.

– Você voltou para me buscar porque eu sou seu braço direito, seu fiel escudeiro, seu leal companheiro e blá blá blá – disse, meu tom de deboche fez com que ganhasse um olhar mortal de Lotte e uma risadinha de Beckendorf – e também porque você adora discordar do Código.

– O nosso querido Código Pirata são diretrizes aos quais acho desnecessárias, portanto, não as sigo. – ela alfinetou – A menos, é claro, que haja algum lucro para mim no final, se eu seguir o Código.

– Toda civilização precisa de regras, Lotte – Beckendorf disse, por mais que ele fale baixo, a voz dele sempre é ouvida – A nossa não poderia ser diferente.

– Embora algumas regras são... – tive que pensar um pouco até achar a palavra correta – levemente estranhas, para não falar o contrário.

– Fora nosso pai que criara, Percy, é obvio que seriam sem nexo. – dei de ombros em resposta – E para esclarecer, não voltei à Nova Guiné só porque gosto de questionar o Código ou enfrentar Poseidon. – ela finalmente olhou para mim, as próximas palavras pareciam azedas em sua boca – Discordamos e brigamos feito cão e gato mais vezes do que pude contar, mas a coisa é que você é meu irmão e se um dia você cair eu paro tudo para voltar e te buscar.

– Está recriando a promessa que fizemos aos nove? – perguntei, levantando uma sobrancelha.

– Sim.

– Por favor, me diga que não quer um abraço por isso.

– Eca – Charlotte fez uma careta de nojo, torcendo o nariz e fechando os olhos – Não, por favor.

Eu dei uma risada involuntária e logo depois ela me acompanhou, balançando a cabeça.

Depois disso, ninguém falara mais nada enquanto adentrávamos a noite para chegar em casa.

Notas finais
GENTE VOCÊS LERAM AS ONES PERCABETH DIA 12? Se vocês leram meus parabéns vocês têm cérebro e não se importavam com o jogo, palmas. QUERO AGRADECER ETERNAMENTE A JUHJACKSON ESSA LINDJA S2 NELA MINHA BFFOREVER sqn ENFIM, QUERO AGRADÊCE-LA POR ESSA OPORTUNIDADE. valeu, gata. Enfim, tentarei postar mais rápido, mas eu tenho que dizer que vou viajar e talvez TALVEZ volta com criatividade pra fazer uma maratona porque vocês merecem por aguentar a quenga em questão. You know you love mesmo eu demorando éons pra postar XOXO Gossip Girl