Closer to the Edge

39 Closer to the End


Notas iniciais
ÉEEEE EU DEMOREI EU SEI gente, eu tenho que dar um aviso básico aqui, que vocês talvez não gostem do final e bla bla MAS TENHO QUE LEMBRAR QUE AINDA FALTA O EPILOGO OK? Ah, capítulo dedicado a shadowhunter (acho que é isso) pela recomendação dela

P.o.V Percyto

O pânico se instalou quando a água tirou Annabeth dos meus braços.

Ignorei a ardência causada pelo sal e abri os olhos, encontrando um ponto branco com dourado no meio da água escura. Impulsionei-me em sua direção com o coração quase saindo pelo peito, segurando-a pela cintura e a puxando de volta à superfície. Só percebi o quanto meus pulmões ardiam quando submergi, e mesmo assim não dei atenção a isso.

A garota loira estava terrivelmente pálida e semiconsciente, os cílios louros tremendo, na vã tentativa de se manter acordada, mas já tentada a desistir. O ferimento causado por Solace manchava o mar acinzentado de um vermelho assustador.

Segurei-a firme e ignorei meus próprios machucados, levando-a até a costa rochosa. Os paredões de calcário se elevavam até o céu, formando uma sombra assustadora sobre a praia. Apoiei as costas de Annabeth no calcário e arfei quando retirei o vestido pesado e me deparei com a anágua ensanguentada.

Preferi pensar que o sangue se espalhou com a água, mas as esperanças praticamente cessaram-se quando fiz um rasgo no tecido fino e encarei o feio ferimento à bala. Era profundo e o sangramento parecia não querer cessar, a cada respiração dela era como um último suspiro.

– Annabeth... – minha voz falhou.

– Ai. – alguém exclamou. Clarisse estava do meu lado, já com uma adaga soldada, o ferro em um tom avermelhado e crepitando. – Gostaria de dizer que não vai doer, mas isso seria mentira. – ela não esperou o meu consentimento e retirou a bala com a adaga. Sua precisão e delicadeza me surpreendendo. Annabeth não tinha forças para demonstrar dor, ou simplesmente o seu corpo decidiu que não tinha como se sentir mais dolorido. Ela se retesou, mas deixou que Clarisse terminasse o trabalho sem se mexer.

– A garota é durona. – ela comentou enquanto deixava a adaga de lado e passava uma pasta verde em volta do ferimento — obra de Grover, sem duvida – prensando um curativo e estendia um rolo de atadura em minha direção. Não tinha percebido que segurava a mão de Annabeth até aquele momento. Praticamente envolvi o tronco da loira com o curativo, prensando-o bem ao corpo. – Antes que pergunte, não vim até aqui para que ela morresse assim.

Clarisse pareceu constrangida em fazer algo bom para humanidade, e eu preferi apenas lançar um sorriso de agradecimento. Assim que ela se foi sem dizer mais nada, cheguei mais perto de Annabeth e pousei a mão em sua testa. Estava queimando.

– Percy... – Annabeth sussurrou, e o meu sorriso de alivio não poderia ser maior quando ela revelou os olhos cinza. – Você fica uma gracinha quando está preocupado, sabia? – murmurou, o sorriso fraco iluminando a tarde cinzenta. – Suas sobrancelhas ficam juntas e franzidas.

– Eu devia ter sido mais rápido – lamentei-me – Will atirou antes que pudesse acabar com ele.

– Estou viva não estou? – ela retrucou.

Doeria menos um metal frio perfurar meu coração do que pronunciar as próximas palavras:

– Mas não em auto mar.

A respiração de Annabeth saiu entrecortada quando suspirou. Ela não sustentou o meu olhar e, assim que o desviou, pude ver a expressão de alguém que segurava o mundo nas costas.

– Sua vinda aqui... Tudo que arriscou vindo aqui... Terá sido em vão. – ela pronunciou as palavras com esforço. E antes de continuar, tive que impedir:

– Pude vê-la, pelo menos uma última vez. Isso... isso basta.

– Não, não basta. E você sabe disso. – disse ela. – Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, exatamente como as coisas não acontecem do mesmo jeito. Percy, meu amor, eu sou um símbolo. A Família Real é um símbolo de poder. Claro que, quando em alguma guerra inventamos de intervir acabamos ganhando. Mas ainda assim, sou um símbolo ao qual a Inglaterra não vai medir esforços para trazer de volta e matar todos que ousaram pôr um único dedo em mim. – a garota balançou a cabeça devagar. – Nenhum daqueles homens lutou ao mar para vingar somente uma pessoa, não morreram por mim, eles...

– Fizeram isso porque a monarquia é o que deixa essa nação em pé. É, eu sei, mas eu não lutei por vingança ou para demonstrar que não íamos ficar parados e nos ver decair. Eu lutei por você.

Annabeth retirou o olhar de mim e o mantinha ao longe do horizonte, observando o brilho cinza do céu refletido na água. Atrás de nós, Londres se estendia como se não ligasse para espaço. Dali, a cidade parecia polvorosa, loucos para uma celebração que nunca realmente vai acontecer. Imaginava o que Luke inventaria dessa vez, ou talvez sequer tenha se recuperado da sapatada que Annabeth lhe afligiu.

– Aquela não foi a primeira vez que Luke tentou me machucar... – revelou ela, dando uma descarga elétrica que percorreu todo o meu corpo.

– Como é?

– Não é necessário se exaltar. Se alguém for o carrasco dele, esse alguém serei eu. – ela se encolheu ao mexer o tronco. – Logo após o enterro do meu pai, fiz com que ele me revelasse todo o esquema do golpe que daria para conseguir o trono. Disse que eu seria rainha de qualquer jeito, aliás, praticamente seria a rainha da Europa inteira.

– E você não concordou.

– Claro que não. Ele é um Castellan, não tardaria em me jogar para fora do jogo na primeira oportunidade. Respondi que não tinha a menor chance. Ele ficou furioso, como era de se esperar, e então a briga começou. Ele... – Annabeth balançou a cabeça devagar, apertando os olhos bem forte. – Devia tê-lo matado na primeira oportunidade. Ele conseguiu me pegar, e quase...

– Não precisa falar. – falei – Já mostrou a ele o suficiente.

– Não, eu não... Percy, além de ele ter... – sua expressão foi de puro nojo – me tocado, ele tentou tirar meu filho, nosso filho, de mim!

Se eu não tivesse sentado, já teria caído para trás. Meu coração dava cambalhotas e senti o sangue correr pelas minhas veias.

– Você... Você est-tá... Grávida?! – deveria estar parecendo um idiota, porque fiz com que uma risada tímida saísse dela. – Agora mesmo é que não vou te deixar.

Seu semblante se escureceu rapidamente, o sorriso se extinguindo até nada sobrar.

– Cabeça de Alga... Se eu deixar a Inglaterra agora...

– Luke vai conseguir o que ele quer. – tiro as palavras da sua boca. – Eu sei. Não foi isso que quis dizer. És a Rainha da Inglaterra. Suprema Majestade. Herdeira do Trono Inglês...

O som da risada de Annabeth foi como sinos de fada. Seus olhos reviraram e ela me deu um tapa no braço, causando nenhum efeito.

– De qualquer forma – continuei – Disse que nunca te deixaria. E vou cumprir minha promessa. Um dia nos encontraremos de novo, e então pode me responder claramente se vai ser minha de vez.

– Sempre serei sua. E você sempre será meu. Qualquer outra coisa é impensável. – falou – Espero que nosso filho realmente pareça com você. Seria como uma prova de que tudo que vivi foi verdade e que fui amada como nenhuma rainha jamais foi. – ela me beijou, e a sensação era como se meus músculos virassem líquido. Segurei sua cintura e a puxei para cima, ela arfou por entre os lábios, mas conseguiu manter-se em pé. – Não ultrapasse os limites, senhor Jackson, vou estar de olho em você.

– Nunca vai tornar as coisas fáceis, não é mesmo? – sorri e ela retribuiu.

– Nunca.

***

– Vamos as opções – não fiquei surpreso em ver minha irmã ali, já livre do sangue e devidamente impecável, sentada nas pedras como uma sereia ocupada com as unhas. – Ou ela percebeu que estava fazendo o mesmo que a mãe, nossa adorável Atena, ou ela te mandou pastar e, dentro das duas, não consigo entender sua expressão de bobo.

– E também não entendo como está a luz do dia.

– Sou uma morta-viva, não uma vampira, seu imbecil – Charlotte se levantou, mas hesitou em continuar, mudando o peso de um pé para o outro – não tenho pulso e não me é necessário respirar, mas não bebo sangue.

– Ainda.

Charlote revirou os olhos, mas parecia feliz em estar de volta, não conseguia simplesmente parar de sorrir.

– E o que o mais novo capitão do Conçu Pour la Mer irá fazer?

Ela girou os calcanhares, e começamos uma lenta caminhada lado a lado até o bote de madeira, o navio propriamente dito ancorado a uma distância segura da costa.

– Que tal mudar o nome do navio para começo de conversa?

– Vou quebrar o seu nariz se você fizer isso.

Soltei uma risada, virando-me de frente para ela.

– E o que a Rainha do Mar vai fazer agora?

Estendi uma mão para ajuda-la a subir por entre as pedras molhadas até a canoa. Ela hesitou, olhando pensativa para o navio e o horizonte além dele.

Estava diferente, sem duvida. A aparência continuava a mesma: a cachoeira negra de cabelos e os brilhantes olhos verdes, a expressão determinada e o ar rebelde. Ainda assim, era cristalino que pensava diferente.

Não fiquei surpreso em ouvir:

– Aceitarei uma carona até as Treze Colônias. Começar do zero em uma nação nova. Pensei no que disse, antes da guerra e aquilo tudo, ainda tenho 17, 18 agora. Não vou seguir o modo tradicional ou o nosso modo, vou inventar um. Afinal, sou Charlotte Green.

– Faz você muito bem. Mas, teoricamente, é uma colônia ainda.

– Os americanos conseguem ser mais teimosos do que eu, acredite em mim, com o tamanho que aquilo realmente é não vai demorar muito para a Inglaterra perder o controle sobre seus colonos. Sangue de sobra e dona Charlotte de camarote rindo da desgraça alheia. Quero dizer – corrigiu-se – não sei exatamente o que nossa rainha tem em mente – sorri involuntariamente com a menção – então não sei ao certo o que pode acontecer. De qualquer forma, deixe-me ao norte, em um lugar chamado... Nova alguma-coisa...

Ela estalou os dedos e mordeu os lábios. Dava para ver sua mente se remexendo para encontrar o nome.

– Jersey?

– Mais em cima – respondeu com os olhos fechados.

– Ah, York. Nova York.

– Exato – voltou a abrir os olhos. – Nós vamos nos reencontrar, afinal, você é meu irmão e é o seu dever me visitar de vez em quando. Além disso, sou sua madrinha de casamento e ninguém me tira desse posto. – ela ajeitou meu colete como já me imaginasse de terno – Aliás, ainda não me respondeu o porquê do sorriso de idiota.

– Porque – fiz uma pausa dramática – agora é você que vai ter uma sobrinha. Ou sobrinho.

– Já não era sem tempo. Devo lembrar que a Thalia me deve cinquenta de prata.

– Apostou se Annabeth ficaria grávida ou não?

– Não. – respondeu de imediato. – Talvez. – deu de ombros em seguida. – Sim. E na verdade apostamos quanto tempo demoraria para você colocar um filho nela.

Revirei os olhos e estava pronto para responder quando ela girou o corpo, antes de por os pés na madeira, e olhou-me divertida.

– Preciso de permissão?

– Precisa perguntar?

– Pelo visto, se acostumou rapidinho com o cargo. Não era por menos, tens um ego grande o suficiente para se acostumar com uma coroa nessa sua cabeça dura.

– Cale a boca, Green.

Charlote riu e continuou me irritando até a chegada ao navio. Olhava de vez em quando para trás, a costa rochosa inglesa ficando mais longe. Annabeth continuaria ali, fazendo o que nasceu para ser: a melhor rainha que esse país pudesse desejar, a mais bela também, uma mente brilhante ornamentada com uma coroa de cristais. E, céus!, ainda com o meu filho crescendo nela.

Eu vou voltar para você fiz uma promessa silenciosa, mesmo com o sentimento estranho de que ela poderia escutar. Perto da costa. Nem que seja a última coisa que eu faça. Ainda a terei de novo, Annabeth Chase.

Notas finais
não reclamem ou chorem ou queiram me matar, ainda tem o epílogo. E como diz alguém que eu gosto bastante, tudo vai ficar bem no fim, se ainda não está bem, é porque ainda não tem fim. You Know You Love Me XOXO Gossip Girl