Closer Gakuen
1 Capítulo 1 - Início do Ano e Aluna Transferida
Notas iniciais
Podia-se ouvir de qualquer recanto da cidade os majestosos sinos de igreja, que pendulavam com vigor por entre as batidas. Até mesmo o cheiro que estava sobre o ar estava agradável naquela manhã, sinalizando um dia agradável por vir. Mais um ano havia se passado na cidade de Karakura. Mais um ano de esperanças e sonhos pendentes a se realizar.
Vários colegiais se dividiam por entre as ruas daquela manhã. Era o começo das aulas, e vários tipos de uniformes podiam ser vistos. Em especial, um uniforme aonde gravata e roupas inferiores eram pretas, juntas de camisas esbranquiçadas. Esse era o uniforme da Academia Seireitei.
Dentre todos esses colegiais, um casal em específico com colorações de cabelo bem peculiares caminhavam sem real interesse á sua volta. Feições praticamente entediadas… Como o desapontamento de uma rotina que estaria por vir.
— Mais um ano, Savannah... — A voz do rapaz ecoou. Este tinha fios azulados e um rosto mau encarado que já parecia ser de sua natureza. — Mal começou e já quero suicídio.
— Sim... — A garota respondeu sem vontade nenhuma de continuar um diálogo muito longo. Com longos cabelos arroxeados e corpo curvilíneo, ela encarava apenas sua visão frontal sem interesse nenhum nos belos arredores. — Será que vai acontecer algo interessante hoje?
As palavras dela ecoaram quase como num monólogo, aonde ela excluía a presença do rapaz. Ao notar isso, o mesmo permaneceu no mais puro silêncio. Não parecia muito interessado em dialogar também de qualquer forma. Se dirigiam até a academia Seireitei, e não demorou muito para chegarem em seu destino.
O colégio era enorme. Uma enorme construção central parecia ser o prédio aonde alojavam-se as salas de aula e cômodos importantes. Dentre eles, a sala do diretor. O pátio, aonde se aglomerava a maior quantia de Alunos que procuravam as próprias classes era igualmente grande e espaçoso. Uma grade separava o campo de corrida, havia um de esportes ao ar livre e ao longe era possível também ver uma piscina.
Havia um grande mural aonde todos os nomes e classes divididos por ano no centro de tudo. Mural aonde havia uma aglomeração visível. Foi para onde o casal se dirigiu, procurando os próprios nomes e classe na área do terceiro ano.
— Oh... Fiquei na sua sala, Grimmjow.– A voz da garota expeliu-se após segundos em silêncio devido a procura.
— Tanto faz. — O rapaz deu de ombros.– Vou ao banheiro.
— Ok.
Não demorou muito para ele sair andando, sem cerimônia nenhuma na direção da construção maior. Sua silhueta se esvaiu entre a multidão não muito depois de se afastar da garota, que começou a procurar o nome dos novatos entre o quadro.
— Angela Sousuke. — Ela repetiu em voz alta o primeiro nome do topo. — O nome dessa garota é estranho… Mas familiar, de alguma forma.
Pensativa, Savannah estava estática encarando o quadro. Tentava se recobrar de alguma vez aonde poderia ter visto esse nome. Mas nesse momento, o que a memória dela não queria era colaborar. Quando estava a ponto de desistir, viu belos cachos de cabelos rosados, que pareciam quase reluzir a luz do sol naquela manhã.
A dona dos fios arroxeados de primeira não deu muita atenção. Mas o dono dos fios de coloração tão incomum quanto os dela se virou, parecendo um tanto surpresa por alguns instante para com a silhueta da moça. Ela afinou um sorriso suave, quase como em restauração própria ao notar quem era.
— Quem é você...?
Poucas foram as vezes que Savannah poderia admitir encanto por alguém. E nesse momento, sua feição tinha um misto entre essa e a sensação de surpresa. Encarar essa garota era como encarar uma fotografia velha… Nostálgico, mas uma sensação passada. Distante.
— Olá... Savie-chan, né? Estamos na mesma classe...– A menina disse docilmente, um tanto tímida mas se esforçando para passar uma boa impressão.– Sou uma aluna transferida da academia Yamada. Prazer em conhecê-la!
Aquela, na mente de Savannah com certeza era a primeira vez que via essa garota.
Não era possível que um rosto tão bonito, cabelos de cor tão incomum ou olhos tão vividamente esverdeados lhe passassem despercebidos pelos anos.
Mas a garota não conseguia descrever esse estranho sentimento de encanto ou felicidade enquanto encarava á figura á sua frente.
Um encanto… Nostálgico.
O resto do dia se resumiu a um discurso de boas vindas aos novatos, junto da votação para os novos representantes do comitê das classes. Savannah e mais alguns outros foram escolhidos para ser a voz de suas classes, e como se não bastasse ela também ganhou o papel de vice-presidente do conselho estudantil.
Ela passou também o resto do dia sobre a companhia de Angela. A garota se provou ser diferente do que Savannah estava acostumada a ver. Uma garota doce, gentil por natureza… Quase como um pequeno anjo. Savannah tinha a estranha sensação de que deveria protegê-la, e mesmo que internamente achasse bobagem não conseguia se livrar desse estranho sentimento de proteção que tinha em relação á ela.
O que mais a perturbava também era o fato de como ela se apegou facilmente a garota. Sempre foi uma pessoa que julgava bastante a olhar distante as pessoas, mas Angela foi uma situação diferente. Poucos diálogos e conversas habituais foram o suficiente para que ambas tornassem-se boas amigas. A sensação de que conhecia Angela em outros tempos ainda corria fortemente sobre a mente de Savannah… Mas isso não implicava nem importava mais.
No fim das contas… Savannah estava simplesmente feliz por ter uma amiga.
Nesse instante, ambas estavam sentadas sobre a escadaria para a porta principal da academia. Estavam ambas aproveitando doces gelados, sorvetes que compraram logo após o término das votações e discursos.
Viram um grupo de cinco garotas aproximadamente, estas estavam caminhando rumo á saída do colégio aonde não pareciam ter como destino suas casas. Provavelmente fariam uma pausa num karaokê ou loja pelo caminho.
— Oquê vocês vão fazer mais tarde? — Uma dentre as garotas acabou que por perguntar passageiramente.
— Ah, não seei… — Uma outra respondeu pensativa. — Acho que vou sair com o Kouta!
— Kouta...? — Uma delas perguntou um tanto curiosa. — Ah, aquele amigo do Grimmjow, né?
— Ele mesmo! — A anterior respondeu. — Pra falar a verdade nem gosto dele, só quero me aproximar do Grimmjow!
As garotas trocaram mais algumas frases que claramente deixavam Savannah desconfortável. Não demorou muito para que houvessem risos e gargalhadas entre os comentários. Savannah as encarava um tanto irritada, com um teor de desdém.
Angela passou praticamente o dia inteiro ouvindo sobre boatos. Garotos bonitos, garotas bonitas e fofocas variadas – E um desses boatos, era sobre “o garoto” do colégio. O mais bonito, para ser bem específica. O que todas as garotas comentavam uma hora ou outra.
Entre o silêncio pensativo de Angela e o silêncio de desdém de Savannah, a rosada parecia prestes a explodir com perguntas em mente. Decidiu então perguntar sobre para Savannah.
— Hey Savie-chan… — Angela chamou a atenção de Savannah quase no mesmo instante. — Quem é Grimmjow?
Savannah pareceu pega de surpresa com a pergunta. O nome mais falado do colégio, por óbvio acabaria nos ouvidos de Angela alguma hora. Não é como se Savannah se privasse do assunto… Mas se sentia desconfortável em pensar no fato de que uma das razões para não confiar em amizades femininas era o dono desse nome.
— Grimmjow é meu irmão mais velho.– Savannah respondeu desinteressada, enquanto terminava de saborear seu sorvete.
— Eu ouvi falar muito dele no colégio… — Angela disse pausadamente, em meio a pensamentos e lembranças do dia que já estava se passando. — Ele é tão incrível com as meninas assim?
— É. — Savannah nem se deu o trabalho de pensar muito na resposta. — Ele também é muito popular com os garotos.
Angela não deixou de notar a frieza com que Savannah falava sobre seu irmão. Sentiu um desconforto visível, estava mais do que aparente. A rosada porém não se abalou, e entre a curiosidade continuou com o tópico.
— Vocês são íntimos? — Foi a primeira indagação. Angela considerou as reações de Savannah como uma visão negativa sobre Grimmjow.
— É claro que somos, oras. — Savannah disse torcendo o cenho. — Somos irmãos.
— É que bem... Tem esses irmãos que são separados e… Eu… Não deixei de pensar nessa possibilidade, sabe? — Angela pareceu um tanto sem jeito com a resposta.
Talvez outra coisa preocupasse Savannah em relação á Grimmjow. Mas no momento a rosada se sentia intrusiva demais. Decidiu não continuar o diálogo nem as perguntas sobre.
Savannah notou com clareza o desconforto. Soltou um suspiro com as preocupações que ela sabia que Angela estava tendo.
— Não se preocupe... Você não me irritou. — Ela acabou que tentando de alguma forma dar liberdade para Angela continuar se ela o quisesse.
Mas o silêncio da rosada negativou os pensamentos de Savannah… Que por alguns instantes ficou totalmente melancólica. Tentou recuperar sua compostura antes de continuar.
— Ei... Você não está ficando comigo só pra se aproximar dele como essas garotas… Certo?– Savannah deixou escapar um pensamento próprio em voz alta.
Angela deixou a expressão totalmente surpresa por um momento. E nesse momento, Savannah quase tomou as dores de que seu comentário fosse a realidade.
— N-Não! — Angela soltou um semi berro, algo que até assustou Savannah um pouco. — Jamais faria algo desse tipo com ninguém… E isso inclui você, Savie-chan...
Savannah pareceu um tanto surpresa com a defesa tão eufórica e energizada. Uma negação completa… E isso a fazia se sentir mais leve, de uma forma ou de outra.
No fim das contas… Savannah passou a apreciar de verdade o apelido que ganhou.
— Você realmente é diferente dessas meninas… — Savannah deixou escapar os lábios um sorriso. — Bom, acho que vou pra casa.
— Eu tenho que esperar meu irmão… — Angela disse encarando apaticamente o relógio da escola. — Porquê você não espera só um pouquinho para conhecê-lo?
— Não... Talvez um outro dia. — Savannah respondeu um tanto desanimada com a ideia. Estava cansada, apesar de tudo. — Nos vemos amanhã, Angela.
Savannah afinou um sorriso aos lábios. Internamente sentia-se um tanto estranha. Nunca tinha sorrido tanto para uma “desconhecida” antes.
— Sim! Savie-chan! — Angela retribuiu o sorriso com outro bem largo entre os lábios.
Angela reverenciou com insistência múltiplas vezes a silhueta de Savannah, algo que fez a outra dar um riso nasal.
— Você é estranha e formal... — Savannah disse desvencilhando aos poucos o sorriso.– Bom, até amanhã.
— Até… — Angela deu um aceno suave.
A dona dos fios arroxeados começou então a se afastar da rosada. Ao longe, enquanto já seguia seu caminho para casa conseguiu ver uma figura masculina se aproximando de Angela. Não se preocupou apenas pelo fato de ter a certeza de que seria seu irmão. Ignorou toda a situação dadas as circunstâncias.
— Mano! Eu fiquei com saudades!
Angela acabou que por se agarrando fortemente á silhueta, num firme e forte abraço caloroso.
Seu irmão era alto e tinha uma silhueta esbelta, tomada por vestimentas formais. Seus fios eram acastanhados junto de olhos na mesma coloração. Seus olhos estavam cobertos por um óculos de grau com armação negra.
— Espere, Ange--- Ei… — O homem disse entre o abraço e risos que acabou soltando.
Ele deu um suspiro, enquanto passou a acariciar a única lembrança que ambos tinham de sua mãe.
Os belos e delicados fios rosados que se estendiam até a cintura da garota.
O olhar do homem se preencheu numa tristeza por alguns instantes, mas assim que o rosto de Angela se ergueu e o encarou com um sorriso fino entre os lábios, o homem sorriu de volta.
— Me compra mais um daqueles deliciosos onigiris, irmão? — Angela disse de maneira manhosa e pidona.
— É claro. — Ele disse cessando a carícia entre os fios dela. — Mas precisa me soltar antes certo?
Angela o soltou um tanto surpresa e confusa por alguns instantes, dando uma risada discreta e abobalhada.
— Ah... Desculpa.
— Está tudo bem. — Ele se virou um pouco para seguir para casa– Bom, vamos?
— Certo. — Ela passou a acompanhá-lo, que logo após a frase dela tornou a caminhar.
Eles caminharam juntos por algum tempo, até que chegassem na garagem da academia. Com chaves em mãos, o homem destrancou as portas e entrou seguido de sua irmã menor. Guardou uma pasta que segurou até esse momento no banco de trás, começando a ligar o motor.
— Tenho boas notícias. — Ele disse enquanto começava a manobrar.
Angela pareceu eufórica no mesmo instante. Seu irmão a dizer que tinha boas notícias só podia significar uma coisa; Eram ótimas e não boas notícias.
— Quais?
— Espere que cheguemos em casa. Contarei em detalhes para você.
— Ok. — Angela respondeu com a curiosidade já a mil.
— Cheguei…
A voz de Savannah ecoou por entre a entrada da casa, enquanto a garota removia os sapatos com calma e apaticidade. Jogou a bolsa que continha alguns documentos importantes sobre a mesinha da entrada e começou seu caminho para até a cozinha.
— Ah, você demorou. Bastante até.– Grimmjow estava com um prato, sentado perto do balcão e comendo um grande pedaço de carne.
— Cala a boca. — Ela disse ríspida, cortando já o assunto.– Onde está a mãe?
— A doida? — Ele fez uma pequena pausa para mastigar e engolir. — Foi fazer compras.
— Você definitivamente não tem a mínima consideração com a nossa mãe. — Savannah disse revirando os olhos enquanto começou a procurar o que beber na geladeira. — Ela que nos alimenta sabia?
— Eu sei. — Ele respondeu enquanto balançava os ombros dando pouco caso da situação. — Mas isso não muda o fato de que ela é maluca.
— Hm. — Savannah puxou da geladeira uma caixinha de suco de uva. — Tem uma verdade no que você diz.
— Aquela garota que você passou o resto do dia, qual o nome dela? — O rapaz perguntou curiosamente, levantando-se para colocar a louça na pia, seguindo em direção à geladeira.
— O nome é Angela. — Ela respondeu indiferente. — E ela me é familiar, de alguma forma.
— Tá. — O rapaz permaneceu indiferente por algum tempo, começando a encher um copo com leite. — Mas vou logo falar o que eu acho.
Ele fez uma pausa, aonde numa única e voraz golada bebeu todo o copo… Praticamente.
— Achei ela extremamente mimadinha… Sem falar em como é patricinha com o cabelo tingido de rosa.
Savannah o encarou em silêncio por alguns segundos, enquanto ele colocava o copo sobre a pia.
— Não é tingido. É natural. — Ela revirou os olhos, encarando-o diretamente. — E oquê você pode dizer se tem um cabelo tão estranho quanto?
— Eu posso dizer; Foda-se. — Ele se virou pra ela com uma mão no bolso.
— Hm. — Ela cerrou os olhos claramente irritada. — Independente disso… Ela não é uma patricinha muito menos mimada. Ela é uma fofa.
Por vários longos segundos, todo o cômodo ficou num silêncio perturbador. Savannah o encarava normalmente enquanto Grimmjow permanecia inexpressivo.
— Oquê você disse? — Ele disse como se tivesse escutado errado.
— Eu disse que ela não é patricinha. Nem mimada. Ela só é fofa.
— Sabe… — Ele a encarou apaticamente. — Primeira vez em 15 anos que ouço você chamar alguém de fofo.
— Cale a boca seu paspalho! — Savannah avermelhou com o comentário.
— Você? Vermelha. O inferno congelou, só pode. — Ele pareceu extremamente surpreso com isso.
— I-Idiota... — Algumas veias saltaram sobre a testa dela.
— Você foi infectada pela patricinha. Atenção habitantes do planeta terra!
Grimmjow colocou as mãos sobre a boca para aumentar o tom forçosamente.
— RUN TO THE HILLS! — Ele berrou.
— CALE A BOCA IDIOTA! VAI ARRANJAR O QUÊ FAZER! — Savannah berrou de volta irritada com a brincadeira.
Angela junto de seu irmão finalmente chegaram em casa. O homem com paciência colocou o carro sobre a garagem, desligou o motor e começou a trancá-lo. Entre esse processo Angela já saía do carro e começava a destrancar a porta da frente de casa.
Assim que a garota entrou e tirou os sapatos, colocou a mochila aonde tinha muitos enfeites e broches afofados acima do sofá, começando a se despreguiçar um pouco ainda de pé.
— Foi cansativo assim? – O homem perguntou enquanto afrouxava a gravata calmamente, já dentro de casa.
Angela se virou para ele por um momento com um fino sorriso.
— Não não. Só diferente. — Ela pareceu pensativa. — Conheci uma garota muito bonita hoje. Ela virou representante de classe por votos unânime… E ela é muito legal também.
— Já tem amigos? Que bom. — Ele disse e acabou dando uma pausa enquanto caminhava até a cozinha. — Eu demorava um bocado pra fazer amigos...
— Sim...– Ela afirmou criando outro sorriso. – Ela se chama Savannah… Eu a apelidei de Savie-chan.
Angela acompanhou o irmão até a cozinha, se sentando sobre um dos bancos do balcão.
— Ela também tem um irmão mais velho... Só que bem, ele tem minha idade.
— Hm...? E ele é da sua sala? — Seu irmão demonstrava interesse, mas parecia falso. Ele claramente tinha outras coisas em mente
Mas por óbvio, não queria cortar a alegria dela.
— Sim, a Savie-chan também. Ela pulou um ano… Acho ela tão bonita e inteligente… Tenho que admitir que tenho um pouco de inveja. — Ela soltou um riso nasal no fim da frase.
— Você nunca foi tão animada assim meu anjo. — Ele deu um riso também. — você realmente gostou dela, certo?
— Sim. — Ela afinou um sorriso.
— Que bom que já tem uma amiga. Dizem que o primeiro amigo é sempre o melhor.
Ele novamente a mostrou seu sorriso carinhoso, que trazia um sorriso ainda mais radiante no rosto da menina.
Alguns instantes em silêncio, e nesses instantes o homem arrumou algumas coisas pela cozinha. Estava também pegando prataria e ingredientes para fazer o jantar.
Angela como num estalo se lembrou do assunto de mais cedo, e sua curiosidade também se acendeu.
— Mas então, qual é a notícia mano? — Angela perguntou com claro tom de curiosidade.
— Bom… — Ele deu uma longa pausa. Pausa que quase fez Angela o sacudir de tanta ansiedade. — Eu consegui um emprego aqui em Karakura.
Angela esboçou clara surpresa. Ela criou um largo sorriso e se levantou quase no mesmo instante para abraçá-lo.
— VOCÊ É INCRÍVEL! — Ela disse entre o abraço. A frase deixou o homem um tanto sem jeito, mas claramente lisonjeado.
— Porquê diz isso...? — Ele acariciou um pouco a cabeça da garota.
— Não faz sequer um dia que nos mudamos e você já foi capaz de fazer algo assim… Considerando seu currículo, também…! Eu tenho o melhor irmão do mundo. — Ela disse orgulhosa, quase com o peito estufado enquanto se apertava ainda mais nele.
— Ah… — O homem criou um sorriso fino entre os lábios. — Eu não fiz mais que minha obrigação.
— Eu… Quero ajudar você de alguma forma. Vou procurar um emprego de meio período. — Ela disse com um tom mais baixo, porém determinado enquanto se separava dele.
O homem negativou com a cabeça de maneira suave enquanto encarava a garota.
— Para quê tanto...? – Ele disse em claro tom de desaprovação. — Não vou impedi-la de trabalhar… Mas não quero seu dinheiro para as coisas dessa casa.
— Mas eu quero ajudar… — Angela pareceu um pouco desentendida.
— Não precisa. Quero que aproveite ao máximo enquanto ainda é uma aborrecente... Certo? — Ele acariciou o cabelo dela desleixadamente.
Angela afinou um sorriso. Tinha noção de como seu irmão era gentil, o que o tornava ás vezes um pouco complicado. Mas, acima de tudo ela admirava isso nele.
— S-Sim... — Ela respondeu em baixo tom.– Mas onde você vai trabalhar?
Alguns instantes de silêncio se fizeram. E quanto ela iria repetir a pergunta achando que ele não ouviu, ele respondeu.
— Bom... É segredo.
— Mas… Ahh… — Ela se emburrou.
Na residência dos Jaegerjaquez, a manhã já começava a se estender. O rapaz com cabelos azulados dormia calmamente, com o corpo um tanto estirado pela cama.
A porta foi aberta enquanto uma silhueta com uniforme colegial e feminino entrou em passadas pesadas e claramente irritadas, que ecoavam o som da madeira. O quarto estava bem escuro, por isso no processo de caminhada foi aceso.
As cobertas foram removidas do corpo dele forçosamente. O rapaz se remexeu por entre a cama devido o incômodo da rápida mudança de temperatura.
— Ei, GRIMMJOW! – O berro da voz feminina de Savannah acaba com toda a calmaria, junto do sono do rapaz.
Grimmjow levantou-se instantaneamente, após um susto mais do que claro. Foi quase um ressuscitamento instantâneo.
— Já são sete e meia. Se eu me atrasar por sua culpa eu vou te esganar!
O rapaz encarou a garota com sono visível em seus olhos. E após longos instantes de silêncio ele finalmente responde.
— Cinco minutos. — Ele deitou-se novamente.
— … Eu vou te matar… — Savannah suspirou e cruzou os braços.
Savannah puxou uma toalha, enrolou ela algumas vezes e com um olhar afiado, começou a bater consecutivas vezes contra o corpo dele de maneira violenta.
— ACORDA SEU PASPALHO, OU EU VOU TE PUXAR PELA ORELHA ATÉ O COLÉGIO! — E outro grito da jovem faz os pássaros se assustarem e saírem voando, enquanto a casa toda tremia.
Os berros e vários protestos orais de dor vindos do rapaz eram escutados ao longe. Ele apenas cobria o rosto e irritado agarrou a toalha.
— Quem vai te matar sou eu, sua cadela!
Mesmo com os protestos e gritarias da manhã, os dois irmãos acabaram descendo a escadaria arrumados.
— Mãe! Estamos indo! — Savannah elevou o tom.
Uma bela mulher com corpo curvilíneo colocou a cabeça para fora da cozinha, encarando os dois irmãos colocando os sapatos e pegando suas mochilas. Ela tinha longos cabelos esverdeados e de tom claro. Seus olhos eram cinzentos, e lançavam um olhar alegre aos jovens.
— Bons estudos meus docinhos! — Ela disse numa voz animada. — Grimmjow, nada de gravidez naquela mocinha de marias-chiquinhas!
— … Desnecessário. — Ele simplesmente revirou os olhos.
— E tome cuidado com os meninos minha gostosa! — Ela se dirigiu claramente até Savannah, que avermelhou um pouco.
— … Para com isso mãe! — Ela suspirou.
— Não tenho culpa se tive um casal, nem se eles são tão lindos e maravilhosos, inteligentes, obedientes, uns amores, já falei que são lindos? Acho que sim. E também charmosos, carismáticos, sinceros, mente aberta…
A mulher continuou por algum tempo procurando mais adjetivos para seus filhos.
— … Não quero netos tão cedo! — Ela disse após o término dos elogios desnecessários.
Mas quando se deu conta, os filhos já haviam até saído. Ela afinou um sorriso e simplesmente voltou aos afazeres pela cozinha.
— Viu? Eu disse que ela era doida. — Grimmjow dizia já caminhando por entre as ruas, acompanhado de Savannah.
— Eu nunca neguei isso. — Savannah respondeu com um tom ríspido.
Ambos continuaram caminhando por algum tempo juntos. Chegaram num ponto aonde teriam que atravessar. E do outro lado da rua já viram Angela vindo por um caminho diferente. Como não era difícil de se notar dois jovens de cabelo azul e roxo, Angela os notou facilmente também.
— Savie-chan! — Angela cumprimentou a garota, que começou a atravessar o sinal acompanhada do rapaz.
— Angela. — Ambas se abraçaram por alguns instantes.
O olhar de Angela se dirigiu logo para Grimmjow. Era a primeira vez que o viu, desde os boatos. Presumiu ser ele, porém… E por ser apenas um palpite decidiu confirmar.
Independente da resposta… Não podia negar que o rapaz era realmente muito bonito. A um ponto onde a garota avermelhou depois de se dar conta de que o encarava de maneira vidrada por alguns segundos.
— Esse é... O seu irmão? — Ela perguntou curiosa, virando o olhar nervosamente até Savannah com um ruborizar no rosto.
— Sim. Grimmjow, essa é a Angela. — Savannah deu uma pausa, com uma mão apontando para a rosada. — Angela, Grimmjow.
Grimmjow apenas encarou a garota. Seu rosto costumeiramente mau encarado a deixou um pouco tensa. Mas não a impediu de fazer uma reverência pelo costume.
— Olá… Muito bom dia e prazer em conhecê-lo.
Naquele instante, Angela não fazia ideia de como poderia ser sua relação com Grimmjow.
Nem de quão deturpada ela viria a ser.
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