Closed Minds

11 Capítulo 11 — Descobertas


Notas iniciais
HEY PESSOAL! Desculpem a demora. Tinha grande parte desse capítulo pronto mês passado, mas aí viajei no carnaval, e quando voltei foi só prova na faculdade (eu deveria estar estudando, a propósito). "MAS LOVEMYWAY, VOCÊ NÃO TEVE TEMPO PRA ESCREVER NESSES DIAS TODOS? DEIXE DE MENTIRA, SUA VACA". Meus caros leitores do coração, ter tempo, eu tive, só que acabei usando para começar outra fanfic, que planejo postar em breve para vocês. Uma dica: troca de cartas faberry. Como não amar? MAS voltando a CM... MUITO OBRIGADA, Ávila, pela primeira recomendação da fanfic! Fiquei muito feliz, de verdade *-*. Agradeço também a todos que comentaram no cap. anterior. Obrigada, pessoal. Vocês são os leitores mais legais (e pacientes) desse site.com ♥

Quinn



Joguei-me sobre minha cama, colocando as mãos debaixo da cabeça, encarando o teto como se ele tivesse algo de interessante. Mas, em minha mente, as palavras que eu havia dito a Shawn se repetiam, em ordem inespecífica, apreciando a expressão de mágoa, raiva e desafio no rosto do meu irmão. Senti uma grande satisfação ao saber que tinha atingindo-o. Sabendo que apenas minhas palavras causaram um estrago maior do que agressão física teria. Então, uma lembrança muito antiga surgiu: uma Quinn de dezessete anos, um Shawn de aproximadamente oito, os dois se encarando, assustados, inseguros, em um quarto pequeno de Yale.

De repente, meu estômago embrulhou, e eu senti a bile subindo por minha garganta, numa ânsia de vômito. Teria vomitado, se tivesse alguma coisa em meu estômago. Forcei-me a engolir, o gosto ácido queimando minha garganta, meu peito sendo dilacerado em pedaços. "O que eu estou fazendo?", perguntei a mim mesma, desesperada. Por que eu estava tentando afastar as únicas pessoas que genuinamente se importavam comigo? Por que eu estava sabotando a mim mesma? "É o que você faz quando está sofrendo", disse uma voz em minha mente, cheia de malícia, "Consegue enxergar um padrão?".

Fechei os olhos, tentando escapar de mim mesma, mas sabia que as palavras eram verdadeiras. Havia mesmo um padrão. Eu não sabia quando ele fora estabelecido, mas eu o seguia, fielmente, todas as vezes em que estava machucada demais para continuar. Eu magoava todos ao meu redor, também, na esperança de que se sentissem tão infelizes quanto eu.

Passei as mãos pelo rosto, soltando um suspiro cansado. Eu provavelmente deveria me desculpar — mas, naquele momento, não tinha condições. Sabia que Santana seguiria com o plano, independentemente da minha discordância. Não era Brittany que me preocupava no momento. Eu sabia que ela estava em boas mãos. Ou, ao menos, achava que estivesse. A verdade é que eu estava desconfiada. De alguém. Sabia que havia alguém nos traindo, passando informações para o inimigo, e achava que sabia quem era, mas não conseguia pensar em nenhum motivo plausível para isso. E não saber me matava. Deixava-me ainda mais paranóica.

Três batidas na porta me assustaram, despertando-me de meus pensamentos. Respirei fundo, me recompus, e mandei entrar.

Era Sam. Ele entrou, fechando a porta atrás de si, e me lançando um olhar ilegível.

— Precisamos conversar — ele disse.

— Sim — concordei —, precisamos.

~x~

Nenhum de nós dois disse nada por alguns minutos. Eu podia ouvir os pensamentos dele, organizando-se em sua mente, tentando encontrar uma forma de começar. Mas, ainda assim, eu podia notar a diferença. Sentei-me na beirada da cama, esperando pacientemente. Entretanto, quando ficou claro que ele não sabia o que dizer, eu pigarreei. Sam me lançou um olhar de desculpas — e eu imaginei se o motivo seria maior que o seu silêncio.

— Ela está viva, não está? — perguntei, sentindo-me estranhamente calma, como se todo o estresse e tensão dos últimos dias estivessem me deixando à beira da insanidade. Havia, contudo, a sensação. Uma que eu tinha há bastante tempo. A peça do quebra-cabeças que eu estava procurando para encaixar, e fazer com que as coisas começassem a fazer sentido.

Ele não me respondeu. Apenas olhou para as próprias mãos. Revirei os olhos.

— Andei pensando muito sobre isso, Sam. Mais do que você imagina. Mais do que tenho deixado transparecer. Não contei nada a Santana, em parte, porque ela é muito impulsiva, e tudo o que tenho são teorias; mas, em parte, porque esperava estar errada. Sobre você. Só que, quanto mais penso sobre isso, mais as coisas parecem se encaixar, o que me leva a pergunta... por que você está aqui?

Sam ergueu a cabeça, lançando-me um olhar confuso. Pude ler em sua mente que sua confusão era sincera; ele não tinha a menor ideia do porquê eu estar perguntando isso. Mesmo sabendo que eu sabia — ou desconfiava — da verdade.

— Você é minha amiga, Quinn.

— Você parece ter muitos amigos.

— O que você quer dizer com isso? — perguntou ele, estreitando os olhos, desconfiado.

— Ah, você sabe — comentei, tentando soar descontraída, embora pudesse sentir a tensão em minha postura. — Apenas os caras para quem você tem dado informações. Nossas informações. Informações que levaram meu irmão a ser capturado em meu lugar; informações que transformaram Brittany em um alvo. O que? — perguntei inocentemente, diante de seu olhar surpreso. — Você não acha que realmente acredito que a culpa seja de Shawn, não é? Ele não revelou nada. Eles não arrancaram nada dele. Um garoto de quatorze anos que estava sendo torturado. Não, isso veio de outra pessoa. Do espião. De você.

— Quinn...

— Então — continuei, falando um pouco mais alto e ignorando sua intromissão —, eu fiquei me perguntando o motivo. Por que meu melhor amigo me trairia? Trairia a todos nós? Quando soube que Rachel estava no Governo, imaginei que... vocês eram amigos. Talvez... Mas, não, não foi até pouco tempo atrás, ao escutar algo na mente de Shawn, que me atingiu.

"Pareceu impossível, a princípio. Como poderia? Eu estava lá. Eu vi o que aconteceu... Mas será que vi, mesmo? Foi quando percebi uma coisa. Algo que, durante sete anos, nunca passou pela minha cabeça. Não havia sangue. Nem mesmo um pingo. 'O enterro', eu pensei. Nós a enterramos. Mamãe chorou sobre seu caixão... Se ela soubesse... Então me ocorreu que ela não sabia. Durante todos esses anos, ninguém soube. Exceto você. Porque você a amava"

— Diga-me, Sam. Diga-me que estou errada. Diga-me que Blair, minha irmã, não esteve viva esse tempo todo. Diga-me que meus pais não sofreram pela morte de uma filha que não está morta. Diga-me que eu não tenho tido pesadelos quase todas as noites por algo que nunca aconteceu.

— Eu não posso dizer isso, Quinn — murmurou ele, com a voz rouca.

— Não pode dizer que estou errada, porque não estou. Então, Sam, cadê a filha da puta da minha irmã? — perguntei, sentindo meu corpo todo tremer de raiva.

— Eles a capturaram, Quinn.

— Quem? O governo? — perguntei, soltando uma risada sarcástica. — O que eles poderiam querer com uma merda como ela? Alguém que tentou prejudicar a própria família. Alguém que estava disposta a matar, independentemente de quem fosse... Não, espere, acho que agora consigo ver. Eles queria uma psicopata no time, é isso? — indaguei, arqueando a sobrancelha.

— Não é assim, Quinn. Não foi assim.

— Não ouse defendê-la! — gritei, apontando um dedo em sua direção. — Samuel Evans, se você preza a porra da sua vida, não ouse defendê-la! Agora diga quem a capturou!

— Você sabe para que a DILM serve? — Sam indagou, mudando drasticamente de assunto.

— Para capturar pessoas como eu — respondi automaticamente, franzindo o cenho em confusão. — O que diabos isso tem a ver...

— Vamos lá, Quinn, você é mais esperta que isso — ele me interrompeu, impaciente. — Não pensa mesmo que eles existem só para capturar vocês, não é?

— Claro que não — retruquei chateada. — Eles querem descobrir como suprimir nossas habilidades, e a reproduzi-las. Eles querem pessoas como eu de soldados. Querem poder.

— E o que mais?

— Mais? — indaguei, entre a irritação e a exasperação. — Mais do que isso?

— Blair trabalhava para as pessoas erradas. Pessoas poderosas que, como vocês, podem ler mentes. Pessoas que querem mais poder. Não estão procurando vocês para os tornarem soldados. Eles querem cobaias. Eles não queriam você, Quinn. Eles queriam o Shawn. Eles o queriam porque ele é novo, tem os poderes desenvolvidos, e pode se tornar ainda mais poderoso. Claro que seria bom eliminar você no processo... a resistência é uma dor de cabeça para eles.

— Isso não faz sentido! — exclamei. — Se o capturaram, por que não testaram nada nele? Por que não o fizeram de cobaia?

— Porque não sabiam quem ele é. Só sabem o nome. Shawn. Sabem que é jovem, forte, tem habilidades desenvolvidas... mas não sabem a idade dele, não sabem como ele é. Quando o capturaram, nosso espião o protegeu. Fez com que ele parecesse fraco, sem poderes. Só um garoto magrelo. No que consta para o governo, podemos ter vários desses. Jamais adivinhariam que o garoto indefeso era o que eles estavam procurando. Eles o viram apenas como alguém descartável.

— E Blair? Brittany?

— Brittany é a única do grupo que eles conhecem que pode levá-los a você, e encontrando você, encontram Shawn. Eles sabem da sua ligação com ela por causa do armazém. Sabem da de Rachel, também. Você nunca se perguntou, Quinn? Depois que descobriu que ela estava no Governo, você nem tentou imaginar o motivo?

— Você... — tentei falar, mas a voz ficou presa em minha garganta. Pigarreie, e respirei fundo, tentando manter as emoções presas em meu peito. — Você não está sugerindo que eles a ameaçaram a entrar no governo, ou está? Isso é ridículo. Rachel sequer se lembra de mim. Ela. Não. Se. Lembra. De. Merda. Nenhuma!

— Isso não significa que eles não se lembrem — ponderou Sam. — Mantenha os amigos perto, e os inimigos mais perto. Pode ser que não tenha sido ameaçada, tanto quanto pode ser que estejam tentando impedir que ela se envolva com você. Mas acho que, no fundo, eles torcem para que vocês se encontrem. Torcem para que você abaixe a guarda. Eu acredito que Rachel seja um plano B. A carta na manga.

— Não — neguei. — Não, isso não é possível. Rachel não se lembra de mim. Eu não seria estúpida o suficiente para ir atrás dela nessas circunstâncias. E não tente desviar o assunto, Evans. Isso é sobre você. Você e a vadia da minha irmã. Então, se eles sabem quem você é, porque...

— Eles não sabem quem eu sou. Nunca me viram. Só passo informações incompletas. Eu não sabia que Shawn ia no seu lugar, tentei impedi-lo, só que foi tarde demais. Você poderia se cuidar. Saberia o que fazer.

— Certo — respondi cética. — E Blair está colaborando com tudo isso?

— Ela pensa que você morreu no armazém, Quinn. Não tenho contato com ela. Só sei que, desde que continue vazando informações, ela continua viva. Eles me mandam vídeos, fotos, coisas assim. É como eu sei.

— O plano de Santana, o quanto eles sabem sobre ele?

— O suficiente. Você precisa fazer alguma coisa. Eu não posso contar a ela... Mas vai ser feio, Quinn. Vai ser muito feio. E se você não ajudar, é possível que haja mais de uma morte.

— Verei o que posso fazer.

— Eu me importo com você, Quinn. Com o Shawn, Santana, Brittany... Eu me importo. Você precisa entender. Não queria que nada disso acontecesse... A coisa toda... Só fugiu do meu controle, e eu não sabia o que fazer. Eu não tive escolha. Não tive.

— Nós sempre temos uma escolha, Sam.

— Nem sempre — ele disse, lançando um olhar triste para mim. — Se fosse a Rachel, o que você teria feito? Não teria se arriscado para salvá-la? Não teria feito de tudo?

— Não se isso significasse colocar a vida dos meus amigos em perigo.

Sam riu. Uma risada sem graça, seca, tensa. Ele não disse nada, mas não era necessário. Eu podia ler seus pensamentos. Sabia que ele não acreditava em mim. Sabia que ele estava pensando em tudo o que aconteceu há sete anos, naquele armazém. Sabia que ele estava certo.

— Você a salvaria — ele afirmou, convicto. — Se fosse Rachel.

— Mas não é.

Fiquei surpresa com as palavras que haviam escapado por entre meus lábios. Senti uma pontada de culpa, mas ela logo desapareceu. Não era eu quem deveria estar me sentindo mal. A culpa disso tudo era dele. Ergui a cabeça. Ele me observou calado, seus olhos azuis presos em meu rosto, sua expressão carregada de culpa, cansaço e sofrimento.

— Eu sinto muito, Quinn — ele disse, num sussurro quase inaudível. — Eu realmente sinto muito.

Ele se virou em direção a porta, pronto para sair. Entretanto, antes que eu pudesse me conter, as palavras escaparam.

— Você realmente a ama? Mesmo depois de tudo o que ela fez?

Ele não se virou para mim, mas eu pude ver suas costas se mexendo no ritmo de sua respiração. Eu podia ouvir o fungado. E, se pudesse vê-lo, tinha certeza de que veria lágrimas em seu rosto.

— Eu tentei seguir em frente. Eu tentei. Tentei esquecer, como você tentou. Mas falhei. Nós dois falhamos. Eu cometi erros. Espero que isso não me torne um cara ruim... Mas, se tornar... Sim, eu realmente a amo. Mais do que pensei que jamais poderia amar alguém.

E, então, Sam saiu pela porta, fechando-a atrás de si.

Ele se fora.

~x~

— Marley, eu preciso da sua ajuda.

— O que eu posso fazer por você, Quinn?

— Quando vocês saírem nessa missão suicida da Santana...

— Nós não...

— Marley — interrompi, erguendo a mão, pedindo para ela se calar. Ela não disse mais nada, mas seus olhos me lançaram um olhar entre a culpa e a dúvida. — Eu posso ler mentes. Talvez alguns de vocês saibam se controlar, só que não o tempo todo. Ninguém consegue esconder alguma coisa em sua mente. Se ela pode ser lida, o segredo pode ser descoberto. Só uma pessoa muito treinada, talvez nem isso, conseguiria manter a mente focada por tanto tempo. Isso não vem ao caso. Eu conheço Santana, lendo sua mente ou não. Sei que vão seguir adiante com isso, e não posso impedir. Portanto, quero que você faça isso por mim. Fique de olho no Shawn. Proteja ele como se fosse seu próprio irmão; proteja-o como você protegeria Kitty.

— Shawn? — indagou ela, confusa. — Por que você quer que eu fique de olho nele?

— Porque não quero que meu irmão caçula morra — menti, tentando soar convincente. Marley pareceu acreditar em mim. Não era uma mentira completa, afinal. Talvez eu não estivesse certa se Sam estava ou não sendo sincero, mas era melhor me certificar de protegê-lo, só por precaução. — Ele é um idiota, mas ainda é a única família que tenho. Ninguém deve morrer por ser apenas estúpido demais.

— Farei isso — concordou ela, com um aceno de cabeça. — Não se preocupe. Mas, Quinn?

— O que?

— Você devia dar mais crédito a ele. De uma forma, Shawn tem sido o mais corajoso entre nós. Ele não foge.

Ela não disse as palavras em voz alta, mas eu pude compreender o significado por trás de sua fala. Ela quis dizer que ele não era como eu. Marley estava certa. Mas, em alguns aspectos, éramos exatamente iguais. Como na teimosia. Balancei a cabeça, contendo um sorriso.

— Não — concordei. — Mas, às vezes, não fugir pode ser um defeito. Pode fazer com que você acabe morto. Fique de olho nele, eu tenho algo a fazer.

Encarei o relógio, preocupada. Em breve, Santana estaria saindo. Eu não tinha muito tempo.

~x~

— Quinn — disse Kaley, surpresa. — O que você está fazendo aqui?

— Preciso de sua ajuda, Kaley. Estou com problemas. Alex entrou em contato com você?

— Não. Ele deveria? — perguntou Kaley, confusa.

— Isso significa que Santana é mais suicida do que eu imaginava — murmurei para mim mesma. — Não, suponho que não.

— O que aconteceu?

Kaley era líder de um outro grupo da Resistência. Havia alguns em Nova York — cinco, no total —, e nós mantínhamos contato uns com os outros. Se alguém estivesse em apuros, o outro deveria ajudar. Era uma espécie de regra entre nós.

Expliquei para ela resumidamente o que estava acontecendo. Ela não disse nada enquanto eu falava, entretanto, pela expressão em seu rosto, palavras não eram necessárias. Espanto, surpresa, incredulidade, raiva, exasperação, acusação. Quando terminei, ela me lançou um longo olhar, e eu senti meu rosto corar. Kaley era bem mais velha que eu — deveria ter aproximadamente a idade do meu pai quando ele morreu. Portanto, ela era bem mais experiente. Também foi uma das pessoas que mais me deu conselhos, no começo, quando eu não tinha a menor ideia do que fazer.

— Liderar não é fácil, Quinn — ela disse, esticando a mão e apertando meu ombro. — Às vezes, as coisas saem de controle, e a culpa não é exclusivamente de uma pessoa. É uma via de mão dupla. Vocês precisam encontrar uma forma de resolver essas diferenças. Faça eles ficarem ao seu lado, e não contra você.

— Você me avisou — disse. — Avisou que não era uma boa ideia liderar um grupo só com amigos e família. Você avisou. Eu deveria ter escutado...

— Você tem feito um bom trabalho pelos últimos sete anos. Todo grupo tem sua crise. Só não deixe que essa seja a ruína do seu — ela sorriu, gentilmente. — Agora, vamos ajudar os seus amigos a não morrerem, ok?

— Ok — respondi, abrindo um pequeno sorriso. — Vamos salvar aquele traseiro latino.

~x~

A van de Kaley parou no engarrafamento. Logo adiante, havia um carro batido. "Sam", pensei. Por alguns segundos, suspirei aliviada. Talvez o plano estúpido de Santana tivesse dado certo. Talvez ninguém estivesse ferido. Talvez...

Entretanto, eu sabia que havia alguma coisa errada. Levou pouco tempo, mas, quando percebi, foi uma confirmação. Apesar dos carros parados, ninguém estava buzinando. Em Nova York, ninguém tinha tanta paciência. O que só poderia significar alguma coisa: os carros estavam vazios. E se estivessem vazios, algo tinha dado terrivelmente errado. Kaley pareceu chegar à mesma conclusão. Trocamos um olhar, mas antes que pudéssemos dizer qualquer coisa, ouvi um barulho que fez meu coração parar.

— Quinn! — Kaley gritou.

Mas eu já estava fora da van, com minha arma em mãos, correndo em direção ao som, ignorando tudo ao meu redor. Estava tão focada em apenas correr, que acabei tropeçando em alguma coisa, que me fez cair no chão. Levantei, num pulo, seguindo em frente — por algum motivo, olhei para trás. Havia um corpo caído no chão. Senti um frio na barriga. "Não pare", pensei, "você não pode ajudar quem já está morto".

Relutantemente, continuei correndo em direção ao lugar de onde o barulho tinha vindo. Havia duas pessoas. Uma delas estava caída, as mãos na barriga. A outra estava ajoelhada ao seu lado, gesticulando, olhando ao redor, os cabelos loiros, caindo sobre os olhos, balançando com o vento. Seu olhar encontrou o meu. "Shawn". Corri em direção a ele e parei ao seu lado. A pessoa com as mãos na barriga era Brittany, sangrando, baleada.

Eu travei. Foi como se o ar tivesse sido arrancado de meus pulmões. Tudo o que eu podia ver era a mancha vermelha em sua roupa, ficando maior a cada segundo, enquanto ela lutava para continuar respirando.

— Precisamos tirar ela daqui — gritou Shawn. — Levá-la de volta para a base. Marley pode dar um jeito nela. Santana saiu correndo atrás da atiradora, e eu não a vi mais. Não pude ir atrás dela. É melhor levarmos Brittany ao ponto de encontro.

— Onde a Marley está? — perguntei, respirando fundo e tentando manter o foco. — Ela deveria estar de olho em você.

— Você sabia, então — disse ele, em tom acusador. — Devia ter aparecido antes.

— Fui buscar ajuda — defendi-me.

— Um pouco tarde demais. Não importa. Não agora. Segure Brittany pelo braço, eu vou segurar pelo outro — ele se virou na direção dela. — Você acha que consegue ficar em pé?

— Sim — Brittany disse, sua voz não passando de um murmúrio. — Acho que sim...

— Vamos — disse ele, segurando-a por um dos braços. Segurei o outro e, juntos, conseguimos erguê-la. — Espero que elas estejam lá.

— Vão estar. Agora vamos.

Com muita dificuldade, conseguimos carregar Brittany até o fim da rua. Deveria haver um carro nos esperando na esquina. Todavia, ela estava vazia. Xinguei mentalmente, e olhei ao redor. Tudo estava estranhamente calmo, o que significava que provavelmente todos os civis haviam evacuado a área. “Nada bom”, pensei, preocupada. Se encontrássemos agentes do governo, não haveria como despistá-los nos misturando na multidão. E com Brittany baleada, não tínhamos muitas chances de lutar. Estava prestes a sugerir que nos arriscássemos roubando um carro quando um apareceu, cantando pneus. A porta do banco do passageiro se abriu, e Kaley surgiu no meu campo de visão, gritando-me para me apressar. Shawn e eu não perdemos tempo. Acomodamos Brittany no banco traseiro. Shawn ficou com ela, e eu sentei no dianteiro.

— Há mais alguém?

— Não sei — respondi, tensa. — Mas não temos tempo para descobrir. Ela já perdeu muito sangue. Vamos embora.


Kaley não perdeu tempo. Engatou a primeira marcha, e meteu o pé no acelerado. Olhei pelo espelho retrovisor, esperando encontrar algum sinal de Marley, Kitty ou Santana — mas, quando dobramos na esquina, a rua continuava vazia.

~x~

— QUINN!

Assim que desci da van, percebi que a base não estava vazia. Havia outro carro lá — o de Marley —, e ela vinha correndo em minha direção, um olhar apavorado estampado em seu rosto. Marley ergueu ambas as mãos, como se fosse me segurar pelos ombros, mas eu a ignorei. Corri para a traseira da van, e ajudei Shawn a carregar Brittany para fora.

— Oh meu Deus! — exclamou Marley, de olhos arregalados. — O que aconteceu? Tudo ficou tão confuso. Não consegui achar ninguém no ponto de encontro. Sei que prometi que ficaria de olho nele... Desculpe, mas eles estavam atirando, não podia ficar mais lá. Então vim para a base, só que não havia ninguém quando cheguei...

— Onde estão os outros? — perguntou Shawn, preocupado.

— Kitty está lá dentro — escutei Marley dizer —, mas somos as únicas.

Carreguei Brittany pela porta da frente em direção a mesa, com os três atrás de mim, e a coloquei sobre a mesa. Kaley e Marley passaram por mim. Elas viraram Brittany, e depois a colocaram novamente sobre a mesa, trocando olhares entre si.

— O que? — perguntei, sentindo meu coração começar a bater mais rápido. — O que?

— Quinn...

— O que foi?

— Nós não podemos fazer nada por ela — disse Kaley, lançando-me um olhar intenso. — Nós não podemos. Você está entendendo, Quinn?

— O que você...

Mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, alguém entrou na sala, chamando toda nossa atenção. Era Santana. Prendi a respiração ao vê-la. Ela parecia péssima. Os cabelos desgrenhados, as roupas amassadas, o olhar em seu rosto. Ela focalizou o olhar em cada um de nós, franzindo o cenho para Kaley, até se voltar para Brittany deitada na mesa, inconsciente. Um grito agudo escapou por entre seus lábios, e uma centelha de esperança brilhou em seus olhos.

— Brittany! — ela sussurrou, as lágrimas descendo pelo seu rosto, um sorriso começando a se espalhar por entre seus lábios. — Você está bem...

Ela me empurrou para fora do caminhou e se postou ao lado da namorada, pegando sua mão. Mas, assim que a tocou, Santana percebeu que havia alguma coisa errada. Ela ergueu os olhos. Marley desviou o rosto, fungando. Kaley abaixou a cabeça. Mordi os lábios enquanto ela fixou o olhar em mim, buscando alguma informação, qualquer coisa.

Mas eu também não sabia o que fazer. Queria dizer alguma coisa que a confortasse, só que a voz parecia estar presa em minha garganta. Não consegui mexer um músculo sequer. Só pude observar enquanto a realização lentamente chegava a Santana, e a expressão esperançosa em seu rosto era substituída por uma de completa dor.

— Quanto tempo? — ela perguntou, sua voz soando tão alta quanto um murmúrio.

— Talvez dê pra levar ela pro hospital mais próximo — disse Kaley. — É o máximo que poderíamos fazer por ela.

— Então o que estamos esperando? — gritou Santana, alarmada. — Vão ficar aí, em pé, esperando ela... esperando que...

— Santana — disse Shawn, dando alguns passos para frente e parando ao lado dela. Ela ergueu a cabeça, e seus olhares se encontraram. — Se levarmos Brittany a um hospital... Você entende o que isso significa? Nós podemos fazer isso, se é o que você quiser. Mas você precisa estar ciente dos riscos. Se nós a levarmos... Nós não sabemos se jamais a veremos novamente.

— Mas ela vai sobreviver — disse Santana —, não é?

— É possível — concordou Kaley —, como também é possível que os danos sejam extensos demais. Que seja tarde demais para fazer alguma coisa.

— A decisão é sua — disse Shawn. — E seja o que você escolher, nós a apoiaremos.

Santana não disse nada por alguns segundos. Ela esticou a mão para a bochecha de Brittany, tocando-a com delicadeza. Então, ela se virou para nós novamente, um olhar decidido estampado em seu rosto.

— O que você estão esperando? Mexam-se! Levem-na!

Kaley e Marley se moveram numa rapidez impressionante. Kaley pegou Brittany no colo, e Marley correu para o carro. Estava prestes a segui-las quando Santana colocou uma mão sobre meu ombro.

— Não vocês dois. Há algo que precisam saber.

Kitty apareceu na sala, o rosto completamente branco, a boca aberta.

— Acabei de ver... O que aconteceu? Brittany?

— Ela vai ficar bem — garantiu Santana, sem um pingo de dúvida na voz. — A questão agora é outra. Eu consegui capturar. Capturei a pessoa que atirou nela. A que atirou em Brittany.

— Santana — disse Shawn, soltando um suspiro. — Você não deveria ter ido atrás dele. E se tivesse...

— Eu estou bem. E não era "ele". Era ela.

— Uma mulher? — indagou Kitty, surpresa.

— Sim — respondeu Santana, tensa. — Ela está no porta-malas do carro.

— Puta que pariu! — exclamou Shawn. — Você a trouxe? O que diabos vamos fazer com ela aqui?

— A gente pode colocá-la no porão — sugeri, começando a pensar em como poderíamos usar isso ao nosso favor. — Deixamos ela como refém. Nós podemos usá-la para capturar Brittany de volta. Uma moeda de troca.

— Eu não acho que isso vai dar certo — replicou Santana, num tom de voz estranhamente calmo.

— Por que não? — indagou Kitty. — É uma boa ideia. Embora provavelmente vá nos fazer ter que mudar de esconderijo, só por precaução. Não gosto de tê-la aqui, mas se pudermos trocá-la por Brittany... Isso é uma coisa boa, não é? Por que não daria certo?

— Porque ela não é uma garota qualquer.

— O que você quer dizer com isso? — perguntou Shawn apreensivo.

Ela fez um sinal com a mão, pedindo para que a seguíssemos de volta a garagem. Seu carro estava estacionado atrás da van. Ela caminhou lentamente em direção ao porta-malas, parando de frente a ele. Mas, antes de abri-lo, Santana lançou um olhar de pena em minha direção.

— Sinto muito, Quinn.

Franzi o cenho, confusa. Mas antes que eu pudesse perguntar o motivo pelo qual ela sentia muito, Santana abriu o porta-malas. E então, eu entendi. A agente do governo passou os olhos por nossos rostos, analisando-nos. Ela não parecia assustada. Até que seu olhar parou em mim.

Foi como levar um soco no estômago. Todo o ar foi roubado de meu peito, e eu me senti tonta, como se estivesse prestes a desmaiar.

Olhando para mim, estava ela.

Olhando para mim, estava Rachel.

Notas finais
/PASMEM. Sintam-se a vontade para me xingar nos reviews, ou só dizer se gostaram ou não, ou para me contar como foi o dia de vocês... Sério, podem conversar comigo, sou legal UAHUAHUA. Para os tímidos, meu twitter é @_lovemyway. Até o próximo! :D